sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

São Nicolau, o verdadeiro Papai Noel começou a ser cultuado na Idade Média


De tão deturpado, esqueceu-se sua maravilhosa origem. Pois Papai Noel tem na sua fonte um homem de carne e osso, um bispo da Santa Igreja, um santo de altar!

Foi São Nicolau, bispo de Myra, na ilha de Gemile, hoje no largo da Turquia.

Ele faleceu rodeado de fama de santidade no ano de 326.

Conta a tradição que o piedoso bispo soube de um pagão que tinha três filhas mas não tinha dinheiro para casá-las bem. Então decidiu — como aliás não era raro entre certos pagãos — vendé-las ou alugá-las para a prostituição, após as festas cristãs do Natal.

Podemos imaginar quão lúgubre foi aquela noite de Natal para as pobres moças.
Porém, o bispo São Nicolau soube do acontecido.

Jeitosamente, na calada da noite, jogou pela janela tres sacolinhas com dinheiro aos pés do leito de cada uma delas.

No dia seguinte, elas amanheceram com o presente e a certeza de que poderiam fazer um bom casamento.

A tradição não é só verbal. Acontece que nos tempos das Cruzadas, os piratas muçulmanos devastavam as cidades cristãs junto ao mar. Myra sofreu essa cruel sorte.

Para salvar as reliquias do santo bispo, marinheiros católicos as trasladaram para Bari no sul da Itália.

E São Nicolau hoje é mais conhecido como São Nicolau de Bari e é representado com três saquinhos na mão em lembrança do famoso milagre.

Em 1993, arqueólogos intrigados foram a vasculhar a ilha de Gemile. Queriam saber qual catástrofe ecológica a tornara deserta.

Os cientistas encontraram as ruínas de um centro de peregrinações composto de quatro igrejas, um caminho processional e uma quarentena de prédios em torno do primeiro túmulo de São Nicolau.

Nos restos das paredes acharam pintada em várias formas a história de São Nicolau e as moças, além de muitos outros milagres natalinos que o santo foi praticando na Idade Média.


Os ex-votos testemunhavam que a tradição dos presentes de Natal para as crianças (e também para os adultos em forma de graças e auxílios sobrenaturais e até materiais) é bem verdadeira.

A grosseira deturpação hodierna de São Nicolau não desqualifica em nada a maravilhosa tradição medieval.

Se em vez do laicizado Papai Noel, os homes tivessem devoção a São Nicolau não obteriam presentes espirituais e até materiais que enchem a alma, portadores de imponderáveis e bençãos de que a humanidade perdeu a lembrança?

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domingo, 2 de dezembro de 2007

Abolido resto medieval, a calma abandonou Claraval


Claraval (MG) tem 4.500 habitantes que, até há pouco, desfrutavam algo da tranqüilidade da Idade Média. Casas, chácaras e outras terrenos pertenciam ao Mosteiro de Nossa Senhora do Divino Espírito Santo. O que corresponde ao imposto territorial (IPTU) era pago com um dia de trabalho — cerca de R$ 20,00 — dedicado à Abadia Territorial de Claraval.

Em 1869, o casal Francisco Garcia Lopes e Maria Rita do Espírito Santo doou 40 alqueires para a Capela do Divino Espírito Santo das Canoas, e em 1948 a área passou para o regime de enfiteuse — sistema típico da era medieval.

O novo Código Civil, contudo, extinguiu tal sistema. Agora, aos sábados, uma advogada tenta resolver litígios na praça central. A prefeitura acusa o bispo de ganancioso, por tentar vender os lotes, e a diocese qualifica a prefeitura de eleitoreira. Extinguiu-se assim esse vestígio de calma medieval, e os pesadelos modernos passaram a infernizar a vida dos habitantes do município.

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