domingo, 4 de janeiro de 2009

A placidez operosa do copista


Um medieval está copiando certo livro. Deveria ser desses copistas profissionais, dos quais alguns eram artistas verdadeiros.

Sentado numa mesa junto à janela, ele está vestido com uma roupa que podemos imaginar de cor entre marrom e preto, ampla, na qual se percebe que ele se movia completamente à vontade, e que o agasalhava bem.

À sua direita, uma janela com vidros de fundo de garrafa, tal vez de cor verde, um pouco dado ao claro, fechada de tal maneira que a luz penetrava da direita para a esquerda, portanto iluminando o trabalho como deveria fazê-lo.

Ele, sentado com rosto plácido, escreve com uma pena de pato grande.

E o copista faz tranqüilamente seu trabalho; um trabalho belo, para o qual — percebe-se — ele tem habilidade.

Sem pressa, sem angústia, sem cansaço. Vê-se que está ali sumamente entretido. Ganhando a vida e entretido.

Mas entretido com o quê? Com aquele ambiente que exprimia determinados valores morais.

Por exemplo, o seguinte valor: placidez operosa. A placidez em si é uma qualidade moral.

Uma placidez operativa reúne duas perfeições opostas — porque aparentemente a placidez é o contrário da ação — mas harmônicas.

Não tem noção de que o dia se passou extraordinariamente bem. Para ele foi um dia normal. Essa normalidade não foi deliciosa, foi apenas deleitável.

A diversão e o prazer são uma exceção na vida. O normal é essa deleitabilidade de cada dia.

É o verdadeiro entretenimento da normalidade, da tranqüilidade, da placidez.

(Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008, p. 50.)

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