domingo, 21 de junho de 2009

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários. Era uma ordem de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias. Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas; e sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

São Bernardo aqui expõe uma teoria da confiança na guerra.

Ele figura um punhado pequeno de cavaleiros católicos que se metem no meio de adversários incomparavelmente mais fortes. Mas, apesar da ferocidade dos adversários, os cavaleiros católicos carregam como lobos no meio de cordeiros.

Hábito e armadura de templárioQuer dizer, a ferocidade do adversário não vale de nada, porque há uma super-combatividade, uma super-força bélica da parte dos católicos que lhes vem toda do Céu.

Eles sabem que eles não têm recursos, que eles são menos numerosos. Mas Deus dá uma força invencível.

Além disso, Deus também cria as circunstâncias favoráveis à luta, por meios às vezes divinamente ardilosos. Deus liberta os verdadeiros cavaleiros dos adversários que podem atacá-los.

Segue São Bernardo:

“Experiência grande têm eles dessa verdade, porque mais de uma vez lhes aconteceu derrotar e pôr em fuga o inimigo, lutando na proporção de um contra mil e de dois contra dez mil. Enfim, esses soldados de Cristo, por modo maravilhoso e singular, se mostram tão mansos como cordeiros e tão ferozes como leões, de sorte que não se sabe se chamá-los monges ou guerreiros, ou dar-lhes outro nome mais próprio, que compreenda esses dois, posto que sabem juntar a mansidão de uns com o valor e a fortaleza dos outros. Acerca de tudo o que dizer senão que tudo isso é obra de Deus e obra admirável a nossos olhos?”

Neste parágrafo, São Bernardo dá a idéia de que o cavaleiro é manso como o monge; quer dizer, ele não ataca ninguém, ele não toma iniciativa de ferir a ninguém, o seu hábito é não estar lutando contra ninguém.

Templários mongesEle é pacífico como um monge, mas posto na luta, ele é feroz como um leão.

Então, pergunta São Bernardo, o que é que se deve dizer dele? Deve-se chamá-lo leão, ou deve-se chamá-lo monge?

Diz ele: mais do que isso, é o monge-leão, ou o leão-monge. Quer dizer, o guerreiro que é o homem que se fez frade para ser guerreiro. Tem então a mansidão do Cordeiro de Deus ‒ Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado na Escritura, tantas vezes, de Cordeiro de Deus ‒, mas também tem a combatividade invencível do Leão de Judá, título de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Bernardo prossegue:

“Eis aqui homens fortes que o Senhor foi escolhendo desde um confim do mundo até outro, entre os mais bravos da Igreja, para torná-los soldados de sua escolta, a fim de que guardassem o leito do verdadeiro Salomão, quer dizer, o Santo Sepulcro, e ao redor do qual os pôs para que estejam alertas como sentinelas fiéis, armados de espada e habilíssimos, nas artes da luta”.