domingo, 15 de agosto de 2010

Limpo como na Idade Média

A higiene não é uma descoberta dos tempos modernos, mas “uma arte que o século de Luiz XIV menosprezou e que a Idade Média cultuou com amor”, escreveu a historiadora Monique Closson, autora de numerosos livros sobre a criança, a mulher e a saúde no período medieval.

No estudo de referência “Limpo como na Idade Media”, a historiadora mostra com luxo de fontes que desde o século XII são incontáveis os documentos como tratados de medicina, ervolários, romances, fábulas, inventários, contabilidades, que nos mostram a paixão dos medievais pela higiene. Higiene pessoal, da cozinha, das oficinas, etc.

As iluminuras dos manuscritos são documentos insubstituíveis onde os gestos refletem o “clima psicológico ou moral da época”.

O zelo pela higiene veio abaixo no século XVI, com a Renascença e o protestantismo.

Milhares de manuscritos, diz Closson, ilustram o costume medieval.

Bartolomeu o inglês, Vicente de Beauvais, Aldobrandino de Siena, no século XIII, com seus tratados de medicina e de educação “instalaram uma verdadeira obsessão pela higiene das crianças”.

Eles descrevem todos os pormenores do banho do bebê: três vezes ao dia, as horas, temperatura da água, perto da lareira para não pegar resfriado, etc..

As famosas Chroniques de Froissart, em 1382, descrevem a bacia para o banho de ouro e prata parte do mobiliário do conde de Flandes. As dos burgueses eram de metais menos nobres e as camponesas em madeira.

A Idade Média atribuía valor curativo ao banho, como ensina Bartolomeu o Inglês no Livro sobre as propriedades das coisas.

Na idade adulta os banhos eram quotidianos. Os centros urbanos tinham banhos públicos quentes copiados da antiguidade romana. Mas, era mais fácil tomar banho quente todo dia em casa.

Na época carolíngia os palácios rivalizavam em salas de banho com os mosteiros. Conventos e mosteiros muitas vezes mantinham ambulatórios para doentes e funcionavam como hospitais.

Em Paris, em 1292, havia 27 banhos públicos inscritos. São Luis IX os regulamentou em 1268.

Nos séculos XIV e XV, os banhos públicos tiveram um verdadeiro apogeu. Bruxelas, Bruges, Baden, Dijon, Digne, Rouen, Estrasburgo, Chartres... as cidades grandes ou pequenas os acolhiam em quantidade.

Eram vigiados moral e praticamente pelo clero que cuidava da saúde pública. Os hospitais mantidos pelas ordens religiosas eram exímios e davam o tom na matéria.

Regulamentos, preços, condições, etc., tudo isso ficou registrado em abundantes documentos, escreve Closson.

Dentifrícios, desodorantes, xampus, sabonetes, etc., tirados de essências naturais, são elencados nos tratados conhecidos como ervolários feitos nas abadias.

Historiadores como J. Garnier descreveram com luxo de detalhes os altamente higienizados costumes medievais.

As estações termais também eram largamente apreciadas. Flamenca, romance do século XIII, faz o elogio da estação termal de Bourbon-l'Archambault. Imperadores, príncipes, ricos-homens os freqüentavam na Alemanha, Itália, Países Baixos, etc.

A era do ensebamento começou com o fim da Idade Média e durou até o século XX, conclui Monique Closson.

Ao menos até que os movimentos hippies, ecologistas, neo-tribais, etc. voltaram a pôr na moda andar sujo , sem barbear, vestido com blue-jeans e outras peças que estão ou fingem estar em farrapos ou com manchas, que vemos todos os dias na rua, nos transportes, aulas e locais de festa!

(Fonte : Monique Closson, "Propre comme au Moyen-Age", Historama N°40, junho 1987)

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7 comentários:

O Reaccionário disse...

Texto muito interessante, indispensável para corrigir a falsa ideia de que na Idade Média as pessoas não tinham hábitos de higiene.

Goliardos disse...

Olá, seu blog e sua propota é excelente!!!!
Gostamos muito. Parabéns pelo Blog. Já estamos seguindo..

Abraçoss

Goliardos disse...

Por outro Lado, é sempre importante conhecermos que a idade média tem muito mais do que aquela simples visão que corriqueiramente são atribuídas a ela. entretanto, a questão da Higiene é um "ingrediente" a mais para estudar sempre esse Fascinante mundo medieval.


Abraços

Anônimo disse...

Leonardo Barbosa

É Incrível como as mentiras inventadas sobre a Idade Média se tornaram "verdades" que perduram até os dias atuais.
Eu que há algum tempo deixei de acreditar nessas calúnias que nos contam desde os anos escolares sobre a "idade das trevas" (a verdadeira idade das trevas é a atual)ainda achava que os hábitos de higiene medievais eram aqueles que predominam no imaginário popular, e agora descubro que os medievais eram mil vezes mais asseados do que os porcalhões da renascença, da reforma protestante e do "iluminismo".

Luiz Paulo disse...

Quero agradecer aos criadores pela existência e manutenção deste blog. Luiz Paulo Toniazo.

Edna Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edna Cristina disse...

Eu achei algumas contradições num texto que li,aliás achei meio estranho,uma hora elogiava a idade média,outra hora descia a lenha na igreja e dizia que tudo de bom nós devíamos ao árabes,turcos etc.Temos que tomar cuidado com certos sites e os católicos mal informados que não conhece a igreja.Inclusive nesse texto dizia sobre a higiene na idade média,a criação de universidades,moinhos,agricultura etc MAS que não foram incentivados pela igreja e o autor do texto citou várias coisas criadas maravilhosas mas não atribuia a igreja,oras! como assim?pois o livro que estou lendo agora:IGREJA CATÓLICA CONSTRUTORA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL,diz justamente ao contrário,que foram os monges e padres que criaram estas coisas e os livros do MEC nunca divulgam e que tudo se atribui ao iluminismo e a reforma protestante.

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