domingo, 25 de abril de 2010

Guarda Suíça Pontifícia: eco da fidelidade medieval, heróica e sacral

Guarda Suiça Pontificia
Carlos VII rei da França, em 1453, fez aliança com o povo helvético. O acordo foi renovado em 1474 por Luís XI, que tinha ficado admirado em Basiléia pela resistência da Suíça contra um adversário vinte vezes superior.

Luís XI alistou suíços como instrutores para o exército francês. O rei da Espanha fez a mesma coisa. Os suíços foram descritos por Guicciardini como “o nervo e a esperança de um exército”. Em 1495 o rei francês teve a vida salva graças à firmeza inabalável de sua infantaria suíça.

Os guardas suíços continuavam, entretanto, submissos às autoridades de seus cantões natais, verdadeiros proprietários destas tropas que se reservavam o direito de recolhê-las quando bem entendessem.

Os regimentos suíços eram corpos armados totalmente independentes. Tinham suas próprias regras, seus juízes e seus chefes. As ordens eram dadas na sua língua, o alemão, oficiais e soldados permaneciam suíços até o fim sob as leis de seus cantões. O regimento era sua pátria. Tais disposições foram confirmadas em todos os acordos feitos em anos posteriores.

Pelo fim da Idade Média, o espírito de revolta e a imoralidade grassavam na Europa. Tudo estava pronto para a grande explosão de orgulho e sensualidade que devastaria a Civilização Medieval católica.

O Renascimento em plena expansão e a iminente Revolução Protestante semeavam a revolta contra o sucessor de Pedro.

O Papa Sisto IV concluiu em 1479 uma aliança com os helvéticos. Em 1506 o Papa Júlio II chamou-os a Roma. Eles eram considerados invencíveis, devido à sua coragem, seus sentimentos nobres e sua proverbial fidelidade. Sem cavalaria e com pouca artilharia eles eram capazes de formar muralhas humanas impenetráveis.

Em 1512, o Papa Júlio II lhes concedeu o título de “defensores da liberdade da Igreja”.

Mas, 22 de janeiro de 1506 é a data oficial do nascimento da Guarda Suíça Pontifícia. Naquele dia, ao pôr do sol, um grupo de cento e cinqüenta soldados suíços comandado pelo capitão Kaspar von Silenen do cantão de Uri, entrou pela primeira vez no Vaticano, pela Porta del Popolo para receber a bênção do Papa Júlio II. Mons. Johann Burchard de Estrasburgo, capelão papal e autor de uma famosa história de seu tempo, registrou o evento em seu diário.

O martírio de 1527 sob berros de "viva o papa Lutero"

Na manhã do dia 6 de maio de 1527, mercenários a serviço de um imperador já todo perpassado de espírito renascentista invadiu o Borgo Santo Spirito e a basílica de São Pedro. Os guardas suíços reuniram-se no pé do obelisco que ali está e junto com as poucas tropas romanas de que dispunha o Papa lutou desesperadamente.

Juramento de fidelidade dos guardas suíços
O comandante Kaspar Roister foi morto. Dos 189 suíços, apenas 42 não pereceram. Sob o comando de Hércules Göldli levaram o Papa Clemente VII até o impenetrável Castelo de Santo Ângelo. Os outros caíram gloriosamente, massacrados até nos degraus do altar de São Pedro.

Clemente VII e seus suíços fugiram pelo famoso “Passetto” um corredor secreto construído por Alexandre VI na parede que liga o Vaticano com o Castelo Sant'Angelo.

As tropas invasoras saquearam Roma durante oito dias, praticando toda espécie de abusos, roubos, sacrilégios e massacres. Até os túmulos dos Papas foram violados para roubar o que havia dentro.

Os saqueadores gritavam “viva o pontífice Lutero” em sinal de desprezo. O home do heresiarca protestante foi gravado sobre o famoso afresco do “Triunfo do Santíssimo Sacramento” de Rafael.

Desde então uma aura de martírio envolve a guarda suíça pontifícia trazendo um perfume da velha fidelidade feudal medieval impregnada de sagrado e heroísmo em serviço do Senhor dos Senhores, o Vigário de Jesus Cristo.

VIDEO DO JURAMENTO DE FIDELIDADE DA GUARDA SUIÇA AO PAPA

domingo, 11 de abril de 2010

São Tomás: as vias da perfeição e da ordem do universo para provar que Deus existe

S.Tomás de Aquino (entre Platão e Aristóteles)
esmaga Averroes. Benozzo Gozzoli.
QUARTA VIA: OS DIFERENTES GRAUS DE PERFEIÇÃO

Vemos que todas as coisas possuem qualidades: beleza, cor, doçura, etc. E vemos que é necessário que haja em algum lugar algum ser que possua essas qualidades na perfeição.

Procuramos o quadro perfeito, a rosa perfeita, a bebida perfeita, o amigo perfeito, etc.

Esse ser perfeito é uma necessidade. E o ser supremamente perfeito que tem em si todas as qualidades é Deus.

Explica São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A quarta via considera os graus de perfeição que há nos seres.

“Vemos nos outros seres que uns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres do que outros, e o mesmo acontece com as diferentes qualidades.

“Mas, o mais e menos se atribui às coisas segundo a sua diferente proximidade do máximo, e por isto se diz que uma coisa está tanto mais quente quanto mais se aproxima do calor máximo.

Astrônomos contemplam a esfera celeste,
Harvard University, Houghton Library.
“Portanto, deve existir algo que seja verdadeiríssimo, nobilíssimo, ótimo, e, por isso, ente ou ser supremo; pois, como diz o Filósofo, o que é verdade máxima tem o mais alto valor.

“Ora bem: o máximo em qualquer gênero é a causa de tudo o que naquele gênero existe, e assim o fogo, que tem o máximo calor, é causa do calor de tudo o que é quente.

“Existe, por conseguinte, algo que é para todas as coisas existentes causa do seu ser, de sua bondade e de todas as suas demais perfeições. E a esse Ser perfeitíssimo, causa de todas as perfeições, chamamos Deus”.



QUINTA VIA: A FINALIDADE E A ORDEM DO UNIVERSO

Tudo o que existe tem uma finalidade. Inclusive as coisas que não tem inteligência agem visando um fim. E todas essas coisas agem com uma harmonia de fundo: por exemplo os insondáveis e admiráveis equilíbrios que permitem a existência da vida na Terra.