domingo, 29 de agosto de 2010

Santa Joana d’Arc, Guerreira do Altíssimo (1)

Santa Joana d'Arc, Notre Dame, Paris, Herois medievais

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O Reino Cristianíssimo da França em 1429 estava prestes a desaparecer. Justamente castigada por Deus com quase cem anos de guerras contra os ingleses, como conseqüência do pecado de revolta contra o Papado, cometido no início do século XIV por seu Rei Filipe IV, o Belo.

Seu território estava reduzido a menos da metade e os ingleses cercavam a cidade de Orleans, última barreira que lhes impedia a conquista do resto do país.

O herdeiro do trono, o delfim Carlos, duvidava da legitimidade de seus direitos, e seus capitães e soldados estavam desmoralizados.

"O Analista de Saint Denis, começando a narração do ano de 1419, escrevia: 'Era de se temer, segundo a opinião das pessoas sábias, que a França, essa mãe tão doce, sucumbisse sob o peso de angústias intoleráveis, se o Todo Poderoso não se dignasse atender do alto dos Céus as suas queixas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Festas medievais atraem cada vez mais pessoas na França

Feira medieval de Provins
França abriu uma temporada de festas medievais, comentou a “Livraria da Folha” (02-06-10) . Nelas revivem-se os mercados europeus da “era da Fé”.

Em Provins, na Île-de-France, a Idade Média sobrevive nas fachadas das casas, nas praças, nos prédios públicos, nas ruas e na muralha que cerca a cidade.

Nos dias de festa encontram-se roupas, penteados, acessórios, transportes, utensílios, carroças, cavalos brabantes em trote sobre as pedras do calçamento que lembram a era medieval.


Feira medieval de Provins
Para o jornal “perder-se em meio a este mundo desconhecido é altamente recomendável”.

A tradição medieval está ligada à importante história da região, onde nasceu uma das primeiras manifestações da economia européia.

A feira de Provins atraia mercadores de Itália, Espanha, Flandres, Holanda e Inglaterra.

Em meio às trevas do caos contemporâneo, inúmeros viajantes procuram uma luz imergindo em simulações da vida no tempo em que “a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam todas as categorias e todas as relações da sociedade civil”, segundo ensinou o Papa Leão XIII.

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domingo, 15 de agosto de 2010

Limpo como na Idade Média

A higiene não é uma descoberta dos tempos modernos, mas “uma arte que o século de Luiz XIV menosprezou e que a Idade Média cultuou com amor”, escreveu a historiadora Monique Closson, autora de numerosos livros sobre a criança, a mulher e a saúde no período medieval.

No estudo de referência “Limpo como na Idade Media”, a historiadora mostra com luxo de fontes que desde o século XII são incontáveis os documentos como tratados de medicina, ervolários, romances, fábulas, inventários, contabilidades, que nos mostram a paixão dos medievais pela higiene. Higiene pessoal, da cozinha, das oficinas, etc.

As iluminuras dos manuscritos são documentos insubstituíveis onde os gestos refletem o “clima psicológico ou moral da época”.

O zelo pela higiene veio abaixo no século XVI, com a Renascença e o protestantismo.

Milhares de manuscritos, diz Closson, ilustram o costume medieval.

Bartolomeu o inglês, Vicente de Beauvais, Aldobrandino de Siena, no século XIII, com seus tratados de medicina e de educação “instalaram uma verdadeira obsessão pela higiene das crianças”.

Eles descrevem todos os pormenores do banho do bebê: três vezes ao dia, as horas, temperatura da água, perto da lareira para não pegar resfriado, etc..

As famosas Chroniques de Froissart, em 1382, descrevem a bacia para o banho de ouro e prata parte do mobiliário do conde de Flandes. As dos burgueses eram de metais menos nobres e as camponesas em madeira.

A Idade Média atribuía valor curativo ao banho, como ensina Bartolomeu o Inglês no Livro sobre as propriedades das coisas.

Na idade adulta os banhos eram quotidianos. Os centros urbanos tinham banhos públicos quentes copiados da antiguidade romana. Mas, era mais fácil tomar banho quente todo dia em casa.

Na época carolíngia os palácios rivalizavam em salas de banho com os mosteiros. Conventos e mosteiros muitas vezes mantinham ambulatórios para doentes e funcionavam como hospitais.

Em Paris, em 1292, havia 27 banhos públicos inscritos. São Luis IX os regulamentou em 1268.

Nos séculos XIV e XV, os banhos públicos tiveram um verdadeiro apogeu. Bruxelas, Bruges, Baden, Dijon, Digne, Rouen, Estrasburgo, Chartres... as cidades grandes ou pequenas os acolhiam em quantidade.

Eram vigiados moral e praticamente pelo clero que cuidava da saúde pública. Os hospitais mantidos pelas ordens religiosas eram exímios e davam o tom na matéria.

Regulamentos, preços, condições, etc., tudo isso ficou registrado em abundantes documentos, escreve Closson.

Dentifrícios, desodorantes, xampus, sabonetes, etc., tirados de essências naturais, são elencados nos tratados conhecidos como ervolários feitos nas abadias.

Historiadores como J. Garnier descreveram com luxo de detalhes os altamente higienizados costumes medievais.

As estações termais também eram largamente apreciadas. Flamenca, romance do século XIII, faz o elogio da estação termal de Bourbon-l'Archambault. Imperadores, príncipes, ricos-homens os freqüentavam na Alemanha, Itália, Países Baixos, etc.

A era do ensebamento começou com o fim da Idade Média e durou até o século XX, conclui Monique Closson.

Ao menos até que os movimentos hippies, ecologistas, neo-tribais, etc. voltaram a pôr na moda andar sujo , sem barbear, vestido com blue-jeans e outras peças que estão ou fingem estar em farrapos ou com manchas, que vemos todos os dias na rua, nos transportes, aulas e locais de festa!

(Fonte : Monique Closson, "Propre comme au Moyen-Age", Historama N°40, junho 1987)

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