domingo, 9 de janeiro de 2011

Torneio que comemorou a reedificação de Windsor (2)

Torneio Idade Media, Kaltenbergcontinuação do post anterior

Ao meio-dia, vinte e quatro trombetas saíram tocando do castelo, no meio de aclamações da multidão, a quem anunciavam por fim o espetáculo tão impacientemente esperado por ela desde a manhã.

As trombetas eram seguidas de sessenta corcéis equipados para a justa e montados por escudeiros de honra, portando gonfalões que mostravam os brasões de seus amos.

Depois dos escudeiros vinham o Rei e a Rainha, ornados com suas vestes reais, tendo na cabeça a coroa e o cetro à mão e entre ambos, sobre um belo corcel cujas crinas douradas pendiam até o chão, o jovem Príncipe de Gales, o futuro herói de Crécy e Poitiers, que iria fazer no torneio seu aprendizado de guerra.

Detrás deles cavalgavam, “pêle-mêle”, duzentos ou trezentos cavaleiros cobertos de armas brilhantes, com escudos desenhados com brasões ou divisas, de viseira erguida ou abaixada, caso quisessem ser reconhecidos ou guardar o incógnito.

Enfim, o desfile terminava com uma multidão incontável de pajens e lacaios, uns sustentando no punho falcões encapuzados, os outros conduzindo cães que no pescoço portavam bandeirolas com as armas de seus donos.

Esta magnífica assembléia atravessou toda a cidade ao passo e em boa ordem, para chegar ao Castelo de Windsor, situado a vinte milhas de Londres. Apesar desta distancia, uma parte da população a acompanhou, correndo através dos campos, enquanto o cortejo seguia a estrada.

Combatente medieval, KaltenbergO Rei havia previsto esta concorrência e, fora do espaço das tendas reservadas para os cavaleiros, havia feito construir uma espécie de acampamento onde podiam bem se alojar dez mil pessoas. Cada um estava pois seguro de achar um alojamento segundo sua condição: os senhores no castelo, os cavaleiros nas tendas, o povo ao relento.

Chegou-se a Windsor com noite fechada, mas o castelo estava tão bem iluminado que parecia um solar de fadas.

De seu lado, as tendas estavam dispostas como as casas de uma rua; somente entre elas ardiam tochas colossais que difundiam uma luminosidade comparável à do dia, enquanto nas cozinhas, dispostas de trecho em trecho, via-se um sem número de assadores e de serventes ocupados em detalhes que não eram desprovidos de encantos para paladares que tinham cavalgado desde o meio-dia.

Cada um procedeu à sua instalação, depois ao jantar. Até duas horas da madrugada a noite foi cheia de tumulto e de exclamações alegres.

Por volta daquela hora, o barulho diminuiu gradualmente nas tendas e no acampamento, enquanto as janelas do castelo apagavam-se umas após as outras.

E tudo entrou no repouso e na escuridão. Mas esta trégua nas alegrias não foi de longa duração.

Ao despontar do dia, cada um foi acordando e preparando o espírito; primeiro o povo, que não só devia ser o menos bem localizado, mas ainda receava não ter suficiente lugar.

Sem tomar tempo para desjejuar, cada um foi levando nos bolsos a provisão da jornada. Toda esta multidão escoou então pelas porteiras e espalhou-se como uma torrente no espaço raso que se lhe havia destinado entre a liça e as arquibancadas. Seus temores eram fundados.

Apenas a metade das pessoas que vieram de Londres puderam encontrar lugar; mas nem por isso renunciaram ao espetáculo. Tão logo se certificaram de que não havia mais meio de penetrar no cercado, e que as barreiras continham tudo que elas podiam contar, disseminaram-se pela campina, procurando todos os pontos elevados de onde era possível dominar o espetáculo.

Anacronismo creativo, Rep. ChecaÀs onze horas as trombetas anunciaram que a Rainha saía do castelo. Dizemos a Rainha somente, porque como Eduardo era o 'defensor' dessa jornada, ele já estava na sua tenda.

Madame Philippe (a Rainha) tinha à direita Gauthier de Mauny e à esquerda Guillaume de Montaigu, que deveriam ser os heróis dos dias seguintes. A Condessa de Salisbury vinha logo atrás, conduzida pelo Duque de Lancaster e pelo Príncipe Jean de Hainaut.

A nobre sociedade tomou lugar nas galerias que para esse efeito estavam preparadas e que em um instante tornaram-se semelhantes a um tapete de veludo maravilhosamente bordado com pérolas e diamantes.

Justa medieval, WarwickA liça era um grande retângulo, cercado por paliçadas; nos dois extremos abriam-se as porteiras que deviam dar passagem, uma aos campeães, a outra aos 'defensores'.

No extremo oriental, sobre uma plataforma bastante elevada para que dominasse a liça, havia-se montado a tenda de Eduardo, que era toda de veludo vermelho bordado de ouro. Em cima dela flutuava o pavilhão real, cujos quartéis primeiro e terceiro tinham os leopardos da Inglaterra e no segundo e quarto as flores de lys da França.

Por fim, de ambos lados da porta estavam suspensos o escudo da paz e a ‘targa de guerra’ (targa: parte da armadura usada sobre o peito. Nas liças foi convencionado que o cavaleiro que tocasse a targa de guerra do ‘defensor’ o desafiava para um combate real; enquanto que se tocasse o escudo, o desafiava para um combate de cortesia) do 'defensor'; e dependendo de se os campeães faziam tocar por seus escudeiros ou tocavam eles mesmos um ou outra, solicitavam com isso a simples justa ou desejavam o combate de morte.

continua no próximo post

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