domingo, 16 de janeiro de 2011

Torneio que comemorou a reedificação de Windsor (3)

Torneio medieval, Warwickcontinuação do post anterior

Os marechais haviam longamente insistido para que sob nenhum pretexto os campeões pudessem usar outras armas que não as chamadas armas corteses. Visto que o Rei deveria ser um dos 'defensores', era de se temer que algum ódio pessoal ou alguma traição se esgueirasse na liça.

Eduardo havia então respondido que ele não era um cavaleiro de parada, mas um homem de guerra e que se ele tinha um inimigo, sentir-se-ia muito à vontade em lhe oferecer esta ocasião de chegar até ele.



As condições haviam sido portanto mantidas sem restrições e os espectadores, por momentos inquietos por seus prazeres, sentiram-se assegurados, porque ainda que raramente essas justas derivassem para um verdadeiro combate, a possibilidade de que isto acontecesse dava um novo interesse a cada passo.

Assim, quando a festa transformava-se em luta sangrenta, os espectadores, sem o confessar, não podiam impedir-se de testemunhar, por meio de seus aplausos mais ardentes e repetidos, a predileção que tinham por um espetáculo onde os atores desempenhavam um papel sempre perigoso e algumas vezes até mortal.

Quanto às outras condições do combate, elas não se afastavam em nada do regulamento ordinário.

Quando um cavaleiro era desmontado e jogado à terra, se ele não se podia levantar sem a ajuda de seus escudeiros, era declarado vencido; o mesmo acontecia quando, no combate à espada ou machado, um dos campeões recuava diante do outro a ponto que a garupa de seu cavalo tocasse a barreira.

Enfim, se o combate fosse com tal acirramento que ameaçasse tornar-se mortal, os marechais de campo podiam cruzar suas lanças entre os dois campeões e assim pôr-lhe término com sua própria autoridade.

* * *

Um arauto avançou na liça e leu em alta voz as condições da justa. Tão logo terminou a leitura, um grupo de músicos postados perto da tenda de Eduardo fez, em sinal de desafio, retinir o ar com o som das trombetas e dos clarins; em seguida, um outro grupo de músicos respondeu-lhe do extremo oposto.

As porteiras se abriram e um cavaleiro totalmente armado apareceu na liça.

Mas, ainda que tivesse a viseira abaixada, pelo brasão que era de ouro com listras prata e azul, foi logo reconhecido como o Conde de Derby, filho do Conde de Lancaster, do Pescoço Torto.

Ele avançou, fazendo graciosamente caracolar seu cavalo até o meio da liça; chegado lá, virou-se para a Rainha, a quem saudou inclinando o ferro de sua lança até a terra, no meio das aclamações da multidão.

Enquanto isso, seu escudeiro atravessava a arena e, subindo na plataforma, foi golpear com uma vara o escudo de paz de Eduardo.

O Rei saiu em seguida, todo armado, menos a targa, que fez afixar do pescoço por seus lacaios, saltou agilmente sobre o cavalo que se lhe tinha pronto e entrou na liça com tanta graça e segurança que as aclamações redobraram.

Ele estava coberto de uma armadura veneziana, toda incrustada de lâminas e fios de ouro formando desenhos curiosos nos quais se reconhecia o gosto oriental e, sobre seu escudo, em vez das armas reais, levava uma estrela velada por uma nuvem, com esta divisa: “Présente, mais cachée”.

Cavaleiro medieval derrubado, KaltenbergEntão entregou-se-lhe a lança que ele pegou e pôs em riste. Logo os juízes do campo, vendo que os campeões estavam prontos, bradaram em alta voz: “Deixai ir!”

No mesmo instante, os adversários, esporeando seus cavalos, precipitaram-se um contra o outro, e encontraram-se no meio da liça. Os dois haviam dirigido a ponta de sua lança para a viseira do elmo, os dois atingiram o alvo.

Mas a extremidade arredondada da lança não tendo podido penetrar no aço, ambos passaram além, sem dano. Retornaram por conseguinte cada um a sou ponto, e ao sinal dado, lançaram-se de novo um contra o outro.

Desta vez ambos golpearam-se de cheio em suas targas, ou seja, bem no meio do peito. Eram demasiado bons cavaleiros para serem desmontados; entretanto um dos pés do Conde de Derby saiu do estribo e a lança escapou-lhe das mãos.

Quanto a Eduardo, permaneceu firme em sua sela, mas, pela violência do golpe, sua lança partiu-se em três pedaços, dois dos quais voaram pelo ar e o terceiro ficou-lhe na mão. Um escudeiro do Conde de Derby recolheu sua lança e lha apresentou, enquanto traziam uma nova para Eduardo. Assim que os dois campeões se rearmaram, retornaram ao campo e voltaram à carga pela terceira vez .

continua no próximo post

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