domingo, 23 de janeiro de 2011

Torneio que comemorou a reedificação de Windsor (4)

Choque na lide epoca medieval, Kaltenbergcontinuação do post anterior

Desta vez, o Conde de Derby apontou ainda sua lança contra a targa de seu adversário, enquanto Eduardo, voltando a seu primeiro objetivo, havia, como no início, tomado o elmo do Conde como ponto de mira.

Ambos, nesta circunstância, deram uma nova prova de sua destreza e força, porque pela violência do golpe que recebeu seu dono, o cavalo de Eduardo parou em seco e dobrou os joelhos traseiros, enquanto que a lança do Rei atingiu tão exatamente o meio do elmo que, rompendo as amarras que o seguravam ao pescoço, arrancou o capacete do Conde de Derby.



Os dois pelejaram como bravos e destros cavaleiros, mas quer fosse por fadiga quer por cortesia, o Conde não quis continuar a luta e, inclinando-se diante do Rei, reconheceu-se vencido e retirou-se no meio dos aplausos que ele partilhou com seu vencedor.

Cavaleiros entram na lide, Kaltenberg

Eduardo entrou na sua tenda, e as trombetas retiniram de novo em sinal de desafio; o som teve como na primeira vez um eco na extremidade oposta; depois, assim que se extinguiu, viu-se entrar um segundo cavaleiro, a quem se reconheceu como Príncipe, pela coroa que encimava seu elmo. Com efeito, este novo campeão era o Conde Guillaume de Hainaut, cunhado do Rei.

Este passe, foi, como o outro, uma luta de honra e de cortesia mais do que uma verdadeira justa; de resto, talvez ele tenha-se tornado mais atraente aos olhos dos campeões experimentados, que eram não só os atores mas também os espectadores destas cenas, porque cada um fez maravilhas de destreza.

Porém, havia no fundo dos golpes desferidos uma intenção demasiado visível da parte dos adversários de entregar-se a um jogo e não a um combate, para que a impressão produzida não fosse a que se sentiria em nossos dias vendo representar uma comédia perfeitamente tramada quando se teria ido para ver uma tragédia bem dramática. Resultou daí que, por maior que fosse o prazer que desfrutara com este espetáculo, a multidão que o aplaudia, era visível, quando terminou, que ela esperava a seguir alguma coisa de mais sério.

Torneio periodo medieval, KaltenbergDepois de ter quebrado cada um três lanças, o Conde Guillaume saiu da liça, declarando-se vencido como o fizera o Conde de Derby, enquanto Eduardo, descontente com essas vitórias fáceis, retirava-se à sua tenda, começando a lamentar-se de não se ter misturado sob um nome desconhecido entre a multidão dos campeões, antes que designar-se como um dos “defensores”, como o fizera.

Acabava ele de entrar, quando a música fez retinir sons provocadores aos quais pensou-se de inicio que ninguém responderia, pois alguns minutos de silêncio se lhes seguiram. Cada um já se inquietava por esta interrupção, quando de repente ouviu-se soar uma só trombeta. Tocava uma melodia francesa, o que indicava que um cavaleiro dessa nação apresentava-se para combater.

Todos os olhares logo voltaram-se para a barreira que se abriu, dando passagem a um cavaleiro de mediana estatura, mas parecendo, pelo modo com que portava sua lança e manobrava o cavalo, ser tão vigoroso quanto hábil.

Cada um fixou os olhos sobre seu escudo para ver se apresentava alguma divisa pela qual pudesse ser reconhecido; o escudo trazia suas armas, que eram três águias de ouro com as bocas abertas e o vôo preparado, distribuídas em dois e uma, com uma flor de lys da França costurada no ápice.

Cavaleiro medieval, CambraiO Conde de Salisbury o reconheceu como sendo o jovem cavaleiro que, no dia seguinte do embate de Buironfosse, havia atravessado, sob as ordens do Rei da França, Philippe de Valois, o pântano que separava os dois exércitos e estivera, sem encontrar oposição, reconhecendo o bosque que cobria a encosta da montanha no cimo da qual, ele cravara sua lança.

Na sua partida, Philippe o armara cavaleiro com suas próprias mãos, e, quando retornou, contente com a coragem que dera prova, o havia autorizado a acrescentar a seu brasão uma flor de lys: isto em termos heráldicos denominava-se costurar no ápice.

O jovem cavaleiro, ao entrar na liça, despertara um movimento de curiosidade tanto mais vivo quanto ele se apresentava com armas de guerra.

Avançou com a cortesia que, desde essa época, fazia distinguir a nobreza da França. Detendo-se primeiro diante da Rainha, a quem saudou ao mesmo tempo com a lança e a cabeça, abaixando a ponta da lança até a terra e inclinando a cabeça até o pescoço de seu cavalo; depois, fazendo-o empinar, forçou-o a girar sobre si mesmo.

Então, sem pressa nem vagar, ele próprio avançou, para tributar sem dúvida uma maior honra a seu adversário, rumo à tenda onde estava retirado Eduardo e, com o ferro de sua lança, tocou audazmente a targa de guerra.

Logo desceu à liça, fazendo a sua montaria executar os exercícios mais difíceis de equitação.

De seu lado, o Rei saiu de sua tenda, e fez trazer um outro cavalo coberto de armadura completa.

continua no próximo post

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