domingo, 5 de junho de 2011

Nobreza: privilégios honoríficos e práticos; ônus pesados e custosos

A nobreza é uma classe privilegiada. Seus privilégios são, antes de mais nada, honoríficos: direitos de precedência, etc. Alguns decorrem de encargos que a nobreza possui.

Assim, apenas o nobre tem direito à espora, ao cinturão e ao estandarte, o que lembra que originalmente só os nobres tinham possibilidade de equipar um cavalo de guerra.

Ao lado disso ele goza de exceções, que no princípio eram comuns a todos os homens livres.

Tal é a exceção da “taille” (imposto sobre o vinho) e de certos impostos indiretos, cuja importância, nula na Idade Média, não cessou de crescer no século XVI, e sobretudo no século XVIII.



A nobreza possui direitos precisos e substanciais, que são todos aqueles decorrentes do direito de propriedade: direito de arrecadar as rendas, direito de caça e outros.

Os tributos e as rendas pagos pelos camponeses são apenas o aluguel da terra sobre a qual tiveram a permissão de se instalar, ou que seus ancestrais julgaram bom abandonar a um proprietário mais poderoso que eles mesmos.

Arrecadando suas rendas, os nobres estavam exatamente na condição de um proprietário de imóveis recebendo seus aluguéis.

Corvéia: trabalho obrigatório
A longínqua origem desse direito de propriedade se apagou pouco a pouco, e na época da Revolução Francesa o camponês se julgou o legítimo proprietário de uma terra da qual era locatário desde muitos séculos.

O mesmo aconteceu com relação a esse famoso direito de caça, que comumente é apontado como sendo um dos abusos mais berrantes de uma época de terror e de tirania.

O que de mais legítimo para um homem que aluga um terreno a um outro, do que reservar para si o direito de aí caçar?

Proprietário e arrendatários, ambos sabem a que ponto devem se ater, no momento em que estipulam obrigações recíprocas, e este é um aspecto essencial.

O senhor não deixa de estar sobre sua terra, quando caça perto da habitação de um camponês.

Do "Livro da Caça", de Gaston Phebus, conde de Foix.
Que alguns deles tenham abusado desse direito e “esmigalhado com o casco de seus cavalos colheitas douradas dos camponeses” — para exprimir-nos como os manuais de ensino primário — é coisa possível, ainda que impossível de confirmar.

Mas não se pode conceber que eles o tenham feito sistematicamente, pois boa parte das suas rendas eram resultantes de quotas nas colheitas, e portanto o senhor era diretamente interessado em que as colheitas fossem abundantes.

A questão é idêntica com relação às “banalidades”. O forno ou a prensa senhorial são, em sua origem, comodidades oferecidas aos camponeses, em troca das quais era normal receber-se uma retribuição.

Tudo como atualmente se faz em certas comunas, ao alugar-se ao camponês uma debulhadeira ou outros instrumentos agrícolas.

(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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Um comentário:

Anônimo disse...

B. nte,
Blog mto bom e mto esclarecedor.
Faço visitas aqui ocasionalmente. Poderia fazer um maior número de visitas ñ fosse os problemas técnicos que o site impõe ao computador. Há muitas imagens, vídeos, etc que tornam os acessos aqui muito lentos. Mesmo para uma razoável velocidade de conexão e memória.
Imagino como é ainda mais difícil para a maioria da população, que possui um PC e banda larga; mas que ñ dispõe de uma conexão melhor como há nas grandes capitais do país.
Somado a isso, há essa figura de um soldado medieval dourado que se locomove à medida que se passeia pelo site. Ele se coloca quase no meio da tela e faz travar, de vez em quando, o acesso a outras informações do site, além de impedir movimentar o cursor lateral direito para cima e para baixo, dificultando escrever comentários como esse que faço agora.
O mesmo vale para os demais sites como: Castelos, cidades, cruzadas; etc...
Sugiro uma mudança no site para facilitar a navegação.
Att.
Chaim

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