domingo, 31 de julho de 2011

Armaduras ainda surpreendem

Armadura de cerimônia de Luis XIV
O uso de armadura em combate na Idade Média requeria raras condições de força e destreza – concluíram pesquisadores europeus e neozelandeses que analisaram com critérios modernos o uso delas.

A armadura medieval podia pesar 30 e até 50 kg. Exames de esforço feitos em esteira mostraram que seu uso exigia mais que o dobro de energia empregado para a locomoção com roupas normais.

A conclusão, bastante obvia, tem agora uma medição científica.

Alberto Minetti, da Universidade de Milão, explicou que a respiração do combatente era exigida pela necessidade de mais energia e pelas restrições à expansão do tórax para respirar, impostas pelas placas de metal.

Nos testes, câmeras de alta velocidade ajudaram os cientistas a entender como os homens distribuíam a carga do peso da armadura entre seus membros durante a corrida.

Entretanto, era com esta sobrecarga que os heróis medievais desciam ao campo de batalha para defender a Igreja, a Cristandade, seus feudos e seus vassalos.



Graham Askem, da Universidade de Leeds, lembra que nem todos os guerreiros usavam armaduras completas.

Realmente muito custosas, as armaduras eram levadas por reis e grandes senhores, que dessa maneira patenteavam serem os chefes, atraindo sobre si flechas, dardos e ataques inimigos.

“O arqueiro inglês era levemente protegido e soldados menos nobres também deviam ter armaduras incompletas”, disse Askem ao iG.

Armaduras no Musée des Armées, Paris
O porte de armaduras explica a juventude dos exércitos medievais, disse Minetti. “Certamente estes soldados estavam em forma. Caminhar pelos campos de batalha era pesado. Os músculos eram importantes, mas a capacidade aeróbica deles tinha que ser muito alta” – acrescentou.

Outra conclusão óbvia foi que o peso das armaduras influenciou no rumo das batalhas e da guerra, segundo a pesquisa divulgada na revista científica Proceedings of the Royal Society B, citado pela BBC Brasil.

No início da Idade Média, os cavaleiros cristãos não dominavam a técnica do aço e usavam cotas de malha e armas de ferro mais moles, pesadas, e que enferrujavam logo.

Elmo completo
Por sua vez, os cavaleiros árabes, com couraças, escudos e cimitarras de aço, podiam usar cavalos mais leves e velozes, assumindo a iniciativa dos movimentos no campo de batalha.

Os católicos assimilaram a técnica do aço, notadamente em Toledo, Espanha. E a desenvolveram muito mais.

Porém, com o progresso geral da Cristandade, o próprio aço serviu para criar armas mais poderosas que vulneraram a resistência das armaduras.

Na batalha de Agincourt, citada pelo estudo e uma das principais vitórias da Inglaterra sobre a França, em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos, a cavalaria francesa foi posta por terra pelos famosos arqueiros e besteiros ingleses.

Armadura usada nos testes
No século XV, as armaduras eram construídas a partir de placas de aço interligadas, que cobriam o soldado da cabeça aos pés. Mas foram perdendo sua importância militar com o aparecimento de armas de fogo.

Se elas perderam utilidade, ganharam muito em beleza e simbolismo. Até Luís XIV, no século XVII, mandou fazer sua armadura completa que pode ser vista no Museu dos Inválidos, em Paris.

Hoje o desenvolvimento de novas armas puxou a de novas formas de proteção, como os coletes à prova de bala ou as blindagens cerâmicas dos tanques modernos.

A modernidade foi capaz de dar surpreendentes passos práticos, mas não soube dar os correspondentes passos na linha da beleza para poder se comparar com as armas e armaduras medievais.

De fato, a nobreza e a beleza moral das almas que usavam as armaduras se refletiam nestas. Na modernidade, o pragmatismo e a feiúra que tomaram conta dos espíritos se refletem em muitos equipamentos de combate.





AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

Um comentário:

Francisco Guilherme disse...

Incrível!"Viva a Idade Média!"

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