domingo, 16 de dezembro de 2012

Como nasceu o Panetone: sorriso da alma católica medieval

O Panetone, como tantos outros costumes católicos ligados ao Natal, teve sua origem em plena Idade Média, na Lombardia, Itália.

Tipicamente ele tem uma base cilíndrica com cerca de 30 cm de altura, a qual termina numa espécie de cúpula como que extravasando de sua forma original.

Composto de água, farinha, manteiga, ovos, frutas cristalizadas, cascas de laranja e cedro, além de uvas passa e muita imaginação, a tradição lhe atribui diversas origens.

Uma das versões mais respeitadas atribui a origem da receita aos tempos que governava Milão o turbulento duque Ludovico Maria Sforza, dito o Mouro (1452 – 1508).

Veja vídeo
Natal nas canções
perfeitas: fé e ternura
CLIQUE PARA VER
O belicoso Ludovico, já renascentista em espírito, encomendou um suntuoso jantar de Natal que devia coroar sua glória como duque da poderosa cidade de Milão. Para o evento convidou toda a nobreza das cidades vizinhas.

O cozinheiro fez tudo quanto de mais fabuloso lhe ocorreu. E nada lhe faltou para isso.

Só falhou num pormenor: esqueceu o bolo da sobremesa no forno, e este acabou carbonizado.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Alemães lotam festival para voltar por um instante à Idade Média


A Idade Média fascina a muitos alemães, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle.

Em Colônia, por exemplo, um festival reúne fãs e curiosos que comem, vestem-se e se divertem como se vivessem no mundo medieval.

“O cheiro de carne assada se mistura com a música tocada por harpas, violinos e tambores de uma era remota e ao tilintar das correntes, descreve a rádio alemã.

“A viagem ao passado começa já na bilheteria, onde os modernos euros são trocados por moedas medievais.

“A maioria dos funcionários e visitantes veste trajes medievais.

E assim, de um instante para outro, você está na Idade Média”.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A união europeia ordeira e cristã medieval e a desunião caótica da União Europeia hodierna

A agricultura teve enormes desenvolvimentos na Idade Média.

No paganismo ela era tida como uma profissão vil e, por isso mesmo, tarefa de escravos maltratados, usando instrumentos pífios e produzindo pouco.

Porém, nas abadias medievais tudo mudou. Os monges desenvolveram prodigiosamente os instrumentos agrícolas, criaram modos de recuperar as terras, mesmo as menos aproveitáveis, descobriram o modo de adubar e de fertilizar, combater os insetos, selecionar as espécies, preservar os insetos e animais úteis, criar gado de modo intensivo, fazer hortas nos espaços confinados das abadias; estudaram vegetais e animais para extrair deles os mais variegados produtos, alimentícios ou medicinais, secaram pântanos, canalizaram rios, racionalizaram o aproveitamento das florestas, importaram e exportaram de ou para outras abadias próximas ou longínquas novas variedade vegetais ou animais; aplicaram novas técnicas colheita, transporte e estocagem de grãos e carnes, criaram toda espécie de queijos, vinhos, cervejas, champagnes, frios e doces, e ainda e alista é limitada!

domingo, 25 de novembro de 2012

Invenções e instituições criadas na época medieval

Mestre relogeiro. Jean Suso, "L'horloge de la Sapience", século XV.
BnF, français 455, folio 4
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Se há algo de espantar na Idade Média é a vertiginosa multiplicação de novas instituições e realizações materiais.

Uma das mais incríveis para os antigos foi a criação dos hospitais. Hoje nós achamos que é a coisa mais natural do mundo.

Tão natural que, se não existissem, os homens clamariam em altas vozes pela sua criação.

Mas nada de semelhante existiu na Antiguidade e nem mesmo nas civilizações pagãs mais requintadas.

O doente ficava entregue a si mesmo, a curas caseiras e, para os mais ricos, o recurso a médicos que mais pareciam com aprendizes ou pais de superstição.

Um início de racionalização da medicina aconteceu na Grécia. Mas faltava de todo a caridade cristã, única capaz de levar homens e mulheres a sacrificar suas vidas pelos doentes.

Foi este sacrifício que fizeram as Ordens religiosas masculinas e femininas que assumiram os cuidados dos doentes e o desenvolvimento da medicina.

domingo, 18 de novembro de 2012

Catedrais: resumo simbólico da ordem do universo onde o medieval lia como num livro

Notre Dame
Notre Dame

A Igreja inspirou as grandes catedrais. Na foto, vemos a abside de Catedral de Notre-Dame. É uma verdadeira jóia!

A gente não sabe por onde esta catedral é mais bela!

A gente poderia dizer dela, utilizando uma palavra da Escritura, que ela é o edifício de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro!

Se isto não é bonito, não há beleza na terra!

E o vitral da catedral, também.

Uma renda de pedra, uma sinfonia de cores, inspirada pelo clero.

Nos vitrais se representavam os fatos fundamentais da História Sagrada, do Antigo e do Novo Testamento, a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e a vida dos santos.

Na grande rosácea da fachada é representado o Apocalipse.

Jesus Cristo está no centro, na sua segunda vinda como Juiz triunfante, e em volta d’Ele estão os justos e os símbolos de que fala o livro que encerra a Bíblia.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ordens religiosas: austeridade, estudo e trabalho manual

Monges cantando o Ofício Divino
Monges cantando o Ofício Divino
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A imagem do clero na Idade Média correspondia à categoria dessa classe social. Quer dizer, a classe superior.

Na imagem aparece figuras mais magras do que as outras que podemos ver na iconografia medieval do povo.

Positivamente era a classe social onde mais se jejuava e onde mais se sentia fome na Idade Média.

As regras das Ordens religiosas eram muito severas e apresentavam exigências de jejuns enormes, cumpridos muito à risca pelos sacerdotes e pelos religiosos, em geral verdadeiros ascetas.

Os monges usavam tonsura, um modo de cortar o cabelo que formava uma aureóla, ou algo parecido.

O hábito dos monges tonsurados é branco, sem nenhuma pretensão humana.

Eles não são homens com a saúde destroçada, mas o jejum está na cara.

Eles, que tanto jejuam, está cantando o Ofício divino.

domingo, 4 de novembro de 2012

Dureza de vida e glorificação do nobre

Jean II, cavaleiro  fachada do Hôtel de Ville de Bruxelas
Jean II, cavaleiro
fachada do Hôtel de Ville de Bruxelas
A rudeza da vida do guerreiro nobre é representada por mil monumentos medievais.

Na imagem vemos um deles com o corpo todo revestido de metal, sacando a espada.

É um homem que já passa dos cinqüenta anos e ainda está na guerra.

Os nobres encaneciam na guerra. Com sessenta, setenta anos ainda combatiam e morriam na guerra.

Era o preço que o nobre pagava por sua nobreza. Assim era de dura a vida do nobre, vida idealista!

Na imagem ao lado, vemos um cavaleiro entrando em plena epopéia!

Torneio medieval, WarwickEle vai para um torneio, poderia ir para uma batalha.

Seu cavalo está ricamente revestido de um tecido precioso, ele está com um escudo para se defender.

Com a lança ele vai atacar o adversário, mas os senhores podem ver nele quase exatamente a imagem do guerreiro que parte para a guerra e que não sabe se vai voltar vivo ou morto.

Mais provavelmente morto, se ele for verdadeiro herói, morto de uma morte horrível! A arma do adversário atravessa a sua armadura, corta-o, retalha-o.

Ele morre no campo de batalha, muitas vezes depois de uma longa agonia, numa época em que os hospitais de sangue ainda não existiam e a medicina estava dando os seus primeiros vagidos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A despedida dos mortos aguardando reencontrá-los na Resurreição


Quando um membro da família senhorial vinha a falecer, era exposto na grande sala do castelo, revestido com seus mais belos ornamentos, e, freqüentemente, embalsamado.

O luto era caracterizado pela cor violeta, e mais raramente pelo preto.

Mas a viúva guardava-o habitualmente de branco, à imitação das Rainhas, às quais a etiqueta prescreve esta cor, o que explica às Rainhas-mães o titulo de 'reines-blanches'.

O caixão, recoberto de damasco dourado ou de tecido vermelho, era conduzido à igreja, não sobre os ombros de servidores ou aldeões, mas sobre os dos mais próximos parentes e dos principais vassalos.

Quando transladaram à França o relicário com os ossos de São Luis, morto em Tunis, ele foi levado até Saint-Denis por Philippe le Hardi, filho do defunto.

domingo, 28 de outubro de 2012

Nobre ou burguês? Escolha: pagar imposto com seu sangue ou com mercadorias?

Nobre cavaleiro medieval
Nobre cavaleiro medieval
A imagem representa um nobre.

Alguém diria: “Que diferença! Como é mais agradável ser este nobre! Olha como ele é bonitão, como ele está bem armado, como ele cerra de cima! Que majestade que tem esse homem! Eu gostaria de ser mais esse homem do que um burguês”.

A resposta é imediata: “Meu caro, tem bom gosto! Mas, antes de optar, pense um pouco. Os nobres eram os guerreiros da sociedade. A Idade Média não tinha serviço militar obrigatório.

“Só quando a cidade ou a região era atacada que os habitantes da cidade deviam defendê-la. Se o inimigo fugisse, acabava a guerra para eles; se o inimigo tomasse a cidade, também os habitantes desta ficavam lá. O inimigo ia embora e eles ficavam na paz.

“Mas o nobre, não. O nobre tinha obrigação de defender o país. E quando o rei convocava para a guerra, o nobre tinha que ir, pagando de seu bolso os soldados que ele levava.

domingo, 21 de outubro de 2012

O ensino medieval mudou a história do mundo

Professor medieval dá aula sentado na cátedra para meninos
Professor medieval dá aula sentado na cátedra para jovens

O professor está sentado na cátedra. Embaixo estão os alunos. Parece que são alunos frades, porque estão tonsurados, sentados em bancos e estudando.

Muitas vezes as escolas eram nos mosteiros e o ensino era gratuito.

Alcuíno, abade de York, espécie de ministro de Educação do imperador Carlos Magno, dispôs que todas as dioceses, abadias e paróquias deveriam montar escolas gratuitas e fornecer até vestimenta e refeições aos alunos, com interdição formal de receber qualquer forma de pagamento.

As próprias Universidades, que foram criadas pela Igreja na Idade Média, eram inteiramente gratuitas, podendo o aluno trocar livremente de uma para outra.

Por exemplo, podia trocar de Oxford, na Inglaterra, para Coimbra, em Portugal, ou Bologna, na Itália, se achava bom em função da reputação do ensino e dos professores.

domingo, 14 de outubro de 2012

A teoria da Translação

Coroação de Carlos Magno: os reis devem sua coroa aos Papas
Coroação de Carlos Magno: os reis devem sua coroa aos Papas

Por 'teoria da translação' é conhecida a conseqüência do poder dos dois gládios, explicitada pelo Papa Bonifácio VIII.

A saber, o Soberano Pontífice tinha o poder supremo de sagrar ou destituir o Imperador. Neste caso, ele 'transladava' o poder imperial a outro nobre que julgasse mais digno.

São significativas da vigência de tal teoria as seguintes considerações.

A fraqueza dos primeiros reis dos romanos depois do Interregno fez com que os Papas fossem bem sucedidos em obter deles o reconhecimento formal do princípio da Translação. A um quarto de século um do outro, Nicolau III, depois Bonifácio VIII, alcançaram assim um verdadeiro triunfo.

domingo, 7 de outubro de 2012

A doutrina dos “Dois Gládios”. Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
“O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios'' – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

“Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

“Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

domingo, 30 de setembro de 2012

As doações carolíngeas e os Estados Pontifícios

Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges
Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges

Carlos Magno passou o Natal (de 773) no acampamento de Pavia; e, à medida que se ia aproximando a Páscoa da Ressurreição, aumentava-lhe o desejo de ir a Roma para orar no Santuário dos Apóstolos, se bem que, além da devoção, certamente não lhe faltassem motivos políticos.

Seu pai, não menos devoto que o filho, estivera como ele duas vezes sitiando Pavia e não tinha ido a Roma, apesar da curta distância. O filho tinha certamente decidida a incorporação do Reino lombardo à seu império, e para isso deveria entender-se com o Papa, ao qual confirmaria as doações de Pepino e faria ainda outras .

Em fins de março seguinte, Carlos, com grande companhia de bispos, abades, duques, condes e homens de amas, empreendeu a viagem a Roma, enquanto continuava o assédio de Pavia; passou pela Toscana.

domingo, 23 de setembro de 2012

Para entender a Idade Média: abertura popular para o bem. Exemplo do padre Foulques de Neuilly

Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo
Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado
a pregador da Cruzada e taumaturgo

Um exemplo significativo da flexibilidade de espírito dos medievais vem da história de Foulques, vigário de Neuilly-sur-Marne, na França.

Ele, de início, foi um vigário relaxado que vivia como um leigo na ignorância da religião. E na Idade Média havia duas categorias bem definidas de vigários: o relaxado e não relaxado.

Esse vigário relaxado à certa altura se converteu e se transformou num bom vigário.

Sua ação começou a se difundir em torno de Neuilly-sur-Marne. Depois começou a ser conhecido fora, mas mal visto.

A conversão dele datava de apenas dois anos, quando ele soube que havia uma assembleia geral de abades para tratar das Cruzadas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Diferenças na movimentação do homem contemporâneo e o medieval

Missa. Missal de Jean Rolin, século XV
Missa. Missal de Jean Rolin, século XV
continuação do post anterior

O homem medieval exibia uma ‘movimentação” intelectual e religiosa que se devia a alguns fatos:

Em primeiro lugar, a vitalidade do homem medieval era muito mais exuberante.

Em segundo lugar, o homem medieval tinha mentalidade e ideias. Quando se tem mentalidade e ideias é possível mudar-se de uma para outra.

Hoje, pelo contrário, há exatamente uma carência de idéias.

Sobretudo o que há é que o homem contemporâneo é de uma dureza de coração, especialmente no que diz respeito ao bem. Ele absolutamente não muda. As manifestações de virtude mais palpáveis não o comovem.

Podemos ter o exemplo disto em torno de nós. 

Por vezes, pessoas que não fazem mal a ninguém e que dão a todos o exemplo da virtude, bons filhos, bons irmãos, procedem bem em todas as coisas mas não obtêm a simpatia de ninguém.

domingo, 9 de setembro de 2012

A intensa movimentação das almas na Idade Média

Cientistas consideram o mundo.  Bartolomeu o Inglês, "Livro das propriedades das coisas"
Cientistas consideram o mundo.
Fr. Bartolomeu OFM, o Inglês: "Livro das propriedades das coisas", BnF, fr 134, f, 169.
Na Idade Média: vida intelectual, espiritual e moral sujeita a flutuações e cheia de vais-e-vens

Estudando a história, poder-se-ia achar que a vida na Idade Média era muito mais movimentada do que a de nossos dias. De fato parece ser.

A movimentação era, entretanto, num outro campo e por razões diferentes das movimentações de hoje.

A atividade dos corpos talvez fosse menor. Certos homens viajavam muito, mas era apenas uma certa categoria de homens: os mercadores, os estudantes, os nobres.

domingo, 2 de setembro de 2012

Estado laico? Religioso? Como um Papa Santo e um grande Imperador viram o problema

Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno ao Papa São Leão III: princípios da aliança entre o altar e o trono

Nota: São Leão III – Papa de 795 a 816 – foi contestado por parentes do defunto Papa Adriano I, maltratado e encarcerado. Após ser liberado por alguns fiéis, ele apelou a Carlos Magno. Tudo ficou resolvido quando em Roma, no ano 800, Carlos o declarou inocente e condenou seus acusadores. No dia seguinte, 24 de dezembro, durante a Missa da Vigília de Natal em São Pedro, o Papa sagrou Carlos Magno como Imperador.

Nesta carta, Carlos escreve a Leão para lhe manifestar sua dor pela morte de Adriano I e sua alegria pela eleição do novo Papa. Também lhe expõe, de modo muito sintético, os princípios que, segundo Carlos, deveriam regular a aliança entre o altar e o trono (…).

Carlos, pela graça de Deus, Rei dos Francos, dos Longobardos e Patrício dos Romanos, a Leão Papa, saudação de perpétua bem-aventurança em Cristo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Assim falava um chefe de Estado medieval: discurso de Carlos Magno

Carlos Magno medalhão comemorativo
Carlos Magno medalhão comemorativo
Sermão de Carlos Magno, pronunciado na grande assembléia de Aix-la-Chapelle, no mês de março de 802.

Sermão do Senhor Carlos, Imperador:

“Ouvi, bem amados irmãos! Fomos enviados aqui para vossa salvação, a fim de vos exortar a seguir exatamente a Lei de Deus e para vos converter na justiça e na misericórdia à obediência das leis desse mundo.

“Exorto-vos primeiramente a crer em um só Deus, Todo Poderoso, Padre, Filho e Espírito Santo; Deus único e verdadeiro, Trindade perfeita, Unidade verdadeira, Criador das coisas visíveis e invisíveis, em quem está nossa salvação, e que é o Autor de todos os bens.

“Crede no Filho de Deus feito homem para a salvação do mundo, nascido da Virgem Maria por obra do Espírito Santo. Crede que por nós sofreu a morte; que, ao terceiro dia, ressuscitou dentre os mortos; que subiu ao Céu, onde está sentado à destra de Deus.

domingo, 19 de agosto de 2012

Como os homens puderam esquecer o gótico durante séculos?

Catedral de Siena, Itália
Catedral de Siena, Itália
Diante da beleza, da sacralidade e da superioridade por exemplo, da catedral de Orvieto, pode-se perguntar como foi possível que as almas que geraram um estilo tão sublime foram ficando insensíveis a ele, e durante séculos deixaram de construir edifícios desse gênero.

Mais ainda: construíram incontáveis igrejas, mosteiros, abadias, edifícios públicos, residências particulares em estilo clássico, com o surradíssimo arco em semicírculo ou com a surradíssima linha reta dos pórticos clássicos.

Mas jamais, jamais, jamais o gótico. Ele ficou posto de lado durante séculos.

Por exemplo, o pintor Rafael representou anjos revelando incontestável talento, mas também uma falta de discernimento, de bom gosto em vários aspectos, de chocar.

Por que esse homem fez tantas representações angélicas que parecem ignorar completamente os anjos de Fra Angélico?

domingo, 12 de agosto de 2012

O “homem Sainte-Chapelle”: Jesus Cristo, modelo perfeito

Antes da Revolução e da confusão atual, havia na Igreja uma coisa curiosa.

Contemplando uma igreja, viam-se primeiro as várias partes, das quais depois se desprendia uma impressão de conjunto.

Por exemplo, na Sainte-Chapelle veem-se em primeiro lugar as várias formas, vitrais, colunas, imagens, cores, paredes etc.

Porém, em certo momento desprende-se de tudo uma impressão única que produz uma ressonância na nossa alma e nos faz exclamar: igreja é isso!

O mais íntimo de nossa alma encontra nela sua realização: uma antecâmara do Céu para a qual fomos feitos, para a qual nascemos e a qual queremos.

A alma do católico que quer ser inteiramente fiel procura instintivamente um homem que represente o espírito da Igreja para entrar em consonância com ele.

domingo, 5 de agosto de 2012

Como eram os medievais: sensíveis para a sublimidade. Um exemplo

Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
A França do tempo das Cruzadas passava por ser a nação franca por excelência. Mas a nação franca no melhor sentido da palavra, quer dizer, generosa, desprendida, larga, cavalheiresca.

Veneza nunca foi tida como nação franca. Era uma nação mercadora.

Na Idade Média se considerava os mercadores com a sobrancelha carregada e cheio de desconfiança.

Veneza justificou muito largamente esta desconfiança!

Era uma cidade brilhante, bonita, meio impudica e pecadora e que tantas vezes traíra e iria trair o Ocidente com os seus contratos com o Oriente.

domingo, 29 de julho de 2012

O que produziu a Idade Média? Um impulso pujante de graças


As realizações medievais dão a sensação de que, de algum modo, a ponta de nossos dedos tocou na base do trono de Deus.

Elas produzem na nossa alma a sensação singular de estar sendo assumido: aquilo nos toma, nos penetra, nos inunda, nos eleva.

Temos a sensação de que um elevador nos eleva até Deus, e que nós, de algum modo, estamos sendo assumidos, levados por aquilo.

E sendo assim assumidos, entramos numa vida que tem algo do Céu.

Isto é o que produzia a Idade Média.

domingo, 15 de julho de 2012

Europa restaura Roda medieval para salvar recém-nascidos

Roda na Alemanha: invento medieval com melhoras modernas
Roda na Alemanha: invento medieval com melhoras modernas

A Alemanha e diversos países europeus apelaram para um sistema medieval visando salvar a vida de recém-nascidos, acolhendo-os no anonimato.

Trata-se da “Roda dos enjeitados”, ou “Roda da Misericórdia”, ou ainda “Roda dos Expostos”, criada na cidade francesa de Marselha em 1188, durante a Idade Média.

Ela foi largamente usada no Brasil, onde ainda ficam algumas, porém fora de uso. A primeira foi aberta em Salvador em 1734, por determinação real, com o nome de Roda do Asilo do Santo Nome de Jesus. Seu uso se estendeu a todas as cidades importantes do Brasil até o século XX.

domingo, 1 de julho de 2012

Imperador Carlos Magno: nome que adquiriu som de prata e de bronze, que ecoa pelos séculos!


O que é mais admirável em Carlos Magno: o homem de piedade ou o guerreiro? O diplomata ou o organizador do Império? O restaurador da cultura ou o fundador de uma dinastia?

Sinto mal-estar diante da pergunta. Não porque ela não tenha sentido — pode-se fazer tal pergunta, ela tem razão de ser —, mas o modo como ela é feita tende a omitir o mais importante: todo o conjunto.

A questão está mal formulada, porque essas qualidades admiráveis não se excluem. Elas devem ser consideradas concretamente em um homem, e não abstratamente.

Ou seja, no Imperador do Sacro Império, tais qualidades formam um todo que o representa. Uma totalidade que fez com que os dois nomes “Carlos” e “Magno” adquirissem som de prata e de bronze, que ecoa pelos séculos.

domingo, 24 de junho de 2012

A concepção medieval da arte, o símbolo e as "Bíblias dos pobres"


A Idade Média concebeu a arte como um ensinamento.

Tudo o que era necessário ao homem conhecer — a História do mundo desde a Criação, os dogmas da Religião, os exemplos dos santos, a hierarquia das virtudes, a variedade das ciências, das artes e das profissões — lhe estava ensinado pelos vitrais da igreja ou pelas estátuas dos pórticos.

A catedral mereceu ser conhecida por este nome tocante: “A Bíblia dos pobres”.

Os simples, os ignorantes, todos aqueles que constituíam “o povo santo de Deus”, aprendiam pelos olhos quase tudo que sabiam de sua Fé.

domingo, 17 de junho de 2012

A devoção medieval a Nossa Senhora e o senso da honra



A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

Eis alguns dos mais inimaginados...

CLIQUE AQUI PARA LER ESSES EXEMPLOS

domingo, 10 de junho de 2012

Dignificação do trabalho manual

Disseminou-se que as escolas socialistas do século XIX recuperaram a dignidade do trabalho manual.

Nada mais falso.

No paganismo, os bárbaros viviam da caça e do saque; o trabalho braçal era próprio dos escravos.

Quando o Império Romano ruiu, tornaram-se indispensáveis atividades de sobrevivência, sempre menosprezadas.

E eis que os monges aparecem, ante as multidões miseráveis, como semi-deuses que habitam em admiráveis abadias devotadas ao esplendor do culto.

Após um simples bater do sino descem aos pântanos, desertos ou florestas para abrir roças com seus braços!

domingo, 3 de junho de 2012

O grande sorriso medieval: o conto do senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho

Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

domingo, 27 de maio de 2012

Idade Média: caridade cristã exorcizou a brutalidade pagã

O prof. Thomas Woods (ver aulas) W. E. H. Lecky destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou na Antigüidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo.

O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo "a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja”.

 Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos. Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem enterrar.

domingo, 20 de maio de 2012

A espada: símbolo de heroísmo e pompa

Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa.

Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado "imortal" -- da mais mortal das imortalidades -- não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula. Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

Espada imperial de Baviera, Munich
Espada imperial de Baviera, Munich
Até algum tempo atrás, ao fardão dos diplomatas era também incorporada a espada. Atualmente não sei se ainda a conservam.

domingo, 13 de maio de 2012

O morgadio. Pesados deveres dos nobres


Das obrigações militares da nobreza decorre a maior parte dos seus hábitos.

O direito de morgadio vem em parte da necessidade de confiar ao mais forte a herança que ele deve garantir, muitas vezes pela espada.

A lei de herança por masculinidade explica-se também dessa forma, pois só o homem pode assegurar a defesa de um torreão.

Por isso também, quando um feudo “cai em roca” (quando uma mulher é a única herdeira), o suserano sobre o qual recai a responsabilidade desse feudo, que ficou assim em estado de inferioridade, sente-se no dever de casá-la.

domingo, 6 de maio de 2012

Nobreza feudal pagava um imposto de sangue: tinha que fazer a guerra


Durante toda a Idade Média a nobreza, sem esquecer a sua origem fundiária, dominial, teve um modo de viver sobretudo militar, pois efetivamente o seu dever de proteção comportava em primeiro lugar a função guerreira de defender o seu domínio contra as possíveis usurpações.

Embora se esforçassem por reduzir o direito de guerra privada, ele subsistia e a solidariedade familiar podia implicar a obrigação de vingar pelas armas as injúrias feitas a um dos seus.

domingo, 29 de abril de 2012

Feudalismo e dignidade pessoal


Nenhuma época esteve mais pronta do que a Idade Média para afastar as abstrações, os princípios, para se entregar unicamente às convenções de homem para homem; e também nenhuma fez apelo a mais elevados sentimentos como base dessas convenções.

Era prestar uma magnífica homenagem à pessoa humana. Conceber uma sociedade fundada sobre a fidelidade recíproca, era indubitavelmente audacioso.

Como se pode esperar, houve abusos, faltas, e as lutas dos reis contra os vassalos recalcitrantes são a prova disso.

Resta dizer que durante mais de cinco séculos a fé e a honra permanecem a base essencial, a armadura das relações sociais.

domingo, 22 de abril de 2012

Feudalismo: fidelidade mútua, homenagem ao senhor, proteção ao vassalo


A Idade Média é uma época em que triunfa o rito, em que tudo o que se realiza na consciência deve passar obrigatoriamente a ato.

Isto satisfaz uma necessidade profundamente humana: a do sinal corporal, à falta do qual a realidade fica imperfeita, inacabada, fraca.

O vassalo presta “fidelidade e homenagem” ao seu senhor.

Fica na sua frente de joelhos, com o cinturão desfeito, e coloca a mão na dele — gestos que significam o abandono, a confiança, a fidelidade.

Declara-se seu vassalo e confirma-lhe a dedicação da sua pessoa. Em troca, e para selar o pacto que doravante os liga, o suserano beija o vassalo na boca.

domingo, 15 de abril de 2012

Vínculo feudal é pessoal e familiar, afetivo e protetor



Durante a maior parte da Idade Média, a principal característica do vínculo feudal é ser pessoal.

Um vassalo preciso e determinado recomenda-se a um senhor igualmente preciso e determinado, decide vincular-se a ele, jura-lhe fidelidade e espera em troca subsistência material e proteção moral.

Quando Roland morre, evoca “Carlos, meu senhor que me alimentou”, e esta simples evocação diz bastante da natureza do vínculo que os une.

domingo, 8 de abril de 2012

O que é o feudalismo? Origens do regime feudal

Para compreender a Idade Média, temos de nos representar uma sociedade que vive de modo totalmente diferente, da qual a noção de trabalho assalariado, e mesmo em parte a de dinheiro, estão ausentes ou são muito secundárias.

O fundamento das relações de homem para homem é a dupla noção de fidelidade, por um lado, e por outro a de proteção.

Assegura-se devoção a qualquer pessoa, e dela espera-se em troca a segurança.

Não se compromete a atividade em função de um trabalho preciso, de uma remuneração fixa, mas a própria pessoa, ou melhor, a sua fé, e em troca se requer subsistência e proteção, em todos os sentidos da palavra.

domingo, 25 de março de 2012

Por quê o Monte de São Miguel Arcanjo foi consagrado ao Príncipe das Mílicias Celestes


Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

domingo, 18 de março de 2012

Idade Média: modelo para imitar, mas não para copiar servilmente

Coroa da rainha Maria, século XIX

Qual é para nós hoje o remédio, depois de alguns séculos desse processo complicado, de crescimento e degenerescência simultâneos?

Voltar pura e simplesmente à Idade Media?

Seria uma solução tão simplista quanto a do medico que julgasse consistir a cura do adolescente, já feito moço, em voltar aos seus 15 anos. É preciso curar a tuberculose, e não fazer voltar atrás os ponteiros do relógio.

E neste ponto o discurso de Pio XII (aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas, 7 de setembro de 1955) contém um princípio que domina do mais alto todo o assunto.

A doutrina do Evangelho é imutável. Mas, ao ser posta em pratica, ela deve atuar sobre inúmeras circunstâncias concretas das mais variáveis, ordenando-as, corrigindo-as, elevando-as.

domingo, 11 de março de 2012

Idade Media: o ponto mais alto de influência da Igreja sobre a vida pública, as leis e a cultura.

Pio XII, na sedia gestatoria, basílica do Vaticano

“A Igreja é um fato histórico que, como uma possante cadeia de montanhas, percorre a história dos dois últimos milênios”.

Esta formosa comparação, contida no discurso do Santo Padre Pio XII aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas (7 de setembro de 1955), nos vem naturalmente ao espírito.

Referindo-se às condições hodiernas do Ocidente, Pio XII, em seu discurso aos historiadores, notou que sua situação é de funda crise religiosa:

“O que se chama Ocidente ou mundo ocidental sofreu profundas modificações desde a Idade Media: a cisão religiosa do século XVI, o racionalismo e o liberalismo conduziram o Estado do século XIX à sua política de força e à sua civilização secularizada. Tornava-se pois inevitável que as relações da Igreja Católica com o Ocidente sofressem um deslocamento”.

domingo, 4 de março de 2012

Castelos, abadias e aldeias medievais integradas com a natureza. Exemplo dos queijos e cervejas de Chimay

Mosteiro de Scourmont
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Uma equipe da Globo Rural foi até a Bélgica para contar a história de um queijo delicioso, produzido por monges de uma abadia gótica que também fabrica cervejas.

O mosteiro de Scourmont fica em Chimay, no sul do país, uma cidadezinha tranquila com ruas estreitas e fachadas antigas.

E um imponente castelo: o dos Príncipes de Chimay, uma das mais nobres famílias belgas.

A princesa de Chimay
No Castelo dos Príncipes, no centro da cidade, mora a simpática princesa Elisabeth de Chimay.

Ela contou que alguns aposentos do castelo têm quase 800 anos de idade.

Sua capela abrigou em 1449 o famoso Santo Sudário hoje em Turim. O Teatro dos Príncipes ainda hoje acolhe concertos de música clássica.
“Naquela época, o dono do castelo era conhecido como o Grande Príncipe. Pois bem, esse príncipe, que era antepassado do meu marido, resolveu convidar alguns monges do norte da Bélgica para fundar uma abadia.

Para isso, doou algumas terras aos religiosos, que começaram a levantar o novo mosteiro. Uma vez instalados, os monges passaram a fazer os seus produtos caseiros, que há séculos garantem a prosperidade da região” – explicou a princesa.

Castelo de Chimay
Com o estímulo e a proteção da nobreza começou a história da abadia trapista de Notre-Dame de Scourmont, em Chimay.

“Os monges tinham alimentação fraca e trabalhavam muito. Então, era preciso reforçar as refeições com produtos mais nutritivos.
Foi aí que surgiu a ideia de fabricar queijos e cervejas. Tudo era feito para o nosso próprio consumo, para compensar o esforço físico e fortalecer os músculos”, respondeu o Père Omère (Padre Homero).
O castelo de Chimay numa iluminura
Os monges antigos levavam a sério a Regra, que incluía muito jejum e abstinência de carne. No inverno e nas épocas como as da colheita – os monges viviam de seu trabalho – a observância era exemplar. Era preciso reforçar a alimentação com alimentos que não violassem a Regra.

Veja vídeo
Video de Chimay
(Globo Rural)

Os queijos e as cervejas dos monges eram tão saborosos que logo atraíram a atenção de pessoas de fora. Aos poucos, a fabricação artesanal foi dando lugar a uma atividade comercial. Mas não perdeu a identidade trapista.

Hoje em dia, os monges contam com equipamentos modernos e funcionários treinados.

A abadia fabrica três cervejas com cores e sabores diferentes. Todas são encorpadas, cremosas, levemente amargas e com teor alcoólico que varia de 7% a 9%.

A fabricação de queijos da abadia atravessou os séculos e permanece viva, como um dos símbolos da região, diz a reportagem da Globo Rural.

Na base desse trabalho estão centenas de sítios e de famílias do campo. Gente que mora no entorno de abadia e que ganha a vida produzindo leite.

Os monges trapistas fazem cervejas diversas
No começo dos anos 80, os monges de Scourmont resolveram construir um novo laticínio da abadia. O objetivo era melhorar o controle sanitário, adotar métodos mais modernos e aumentar o volume de produção. Tudo isso respeitando a história e a tradição do queijo local.

Um dos cinco queijos fabricados no laticínio é reforçado com um ingrediente especial: a cerveja de Chimay.

Na etapa final, os queijos são levados para as caves. São salas que têm temperatura e umidade controladas. Os produtos ficam em prateleiras de quatro semanas a oito meses, segundo o tipo.

O laticínio da abadia vende cerca de mil toneladas de queijo por ano. Metade fica na Bélgica e metade é exportada, principalmente para a França, o Japão e os Estados Unidos.

Alain Hotelet, responsável comercial, explicou o sabor do queijo: “Este é o queijo clássico, que foi o primeiro a ser fabricado pelos monges. Ele é muito suave e, por isso, apreciado por um público amplo. Já o segundo tipo, o grand cru, leva mais tempo na maturação. É um queijo com aroma mais marcante e um gosto mais forte”.

O queijo Chimay é muito procurado
Mais alto e alaranjado, o vieux chimay chega a ficar oito meses nas caves. É um queijo seco e ótimo para ser consumido em cubos, como aperitivo.

É um produto para quem gosta de queijos com personalidade. Bronzeado e mais robusto, o queijo na cerveja é o mais famoso e o mais vendido pelo laticínio. Os preços são moderados.

A reportagem acaba apresentando um modelo de integração harmônica do castelo, da abadia e da produção agrícola com a natureza. Essa foi uma das notas características da sociedade orgânica medieval.

Sem dúvida, o modelo medieval está nas antípodas das planificações escrúxulas do ambientalismo dirigista hodierno, que manifesta entender pouco ou nada da natureza e muito do utopismo comuno-tribalista.

Video: Chimay: castelo, abadia e aldeia bem harmonizadas com a natureza






AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS