domingo, 22 de janeiro de 2012

Mulheres líderes da sociedade medieval

Mosteiro de Santa María la Real de las Huelgas, Burgos

Algo inédito e que nos dias de hoje ‒ tão democráticos ‒ jamais aconteceria:

No século XII, Robert d'Arbrissel, um dos maiores pregadores de todos os tempos resolveu fixar a multidão de seguidores seus na região de Fontevrault.

Para isso ele criou um convento feminino, um masculino e entre os dois uma Igreja que seria o único local aonde os monges e as monjas poderiam se encontrar.

Ora, este mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não de um abade, mas de uma abadessa.

Esta, por vontade do fundador, devia ser viúva, tendo tido a experiência do casamento.


Mosteiro de Santa María la Real de las Huelgas, Burgos
Para completar, a primeira abadessa que presidiu os destinos da Ordem de Fontevrault, Petronila de Chemillé, tinha 22 anos.

(Um parêntesis: nos dias de hoje alguém imaginaria um acontecimento destes sequer ser considerado? Pois ele aconteceu na época em que os ignorantes costumam taxar como “Idade das trevas”).

No período feudal o lugar da mulher na Igreja apresentou algumas diferenças daquele ocupado pelo homem, mas este foi um lugar iminente, que simboliza, por outro lado, perfeitamente o culto, insigne também, prestado à Virgem Maria entre os santos.

E não é curioso como a época termine por uma figura de mulher ‒ Joana D'Arc, que seja dito de passagem, não poderia, jamais, nos séculos seguintes obter a audiência do rei, sendo ela mulher, plebéia e ignorante, conseguindo mesmo assim suscitar a confiança que conseguiu, afinal.

Pobre Joana D'Arc!

Luc Besson fez um filme de Santa Joana D'Arc digna dos melhores hospícios, completamente esquizofrênica e que confundia sua vingança pessoal com o que seria a voz de Deus. Sem comentários.


(Autor: Régine Pernoud, “Idade Média ‒ o que não nos ensinaram”).




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Um comentário:

Prof. Francisco Castro disse...

Nunca houve na missão de Santa Joana d´Arc o objetivo de uma vingança pessoal. Para justificar isto o diretor do Filme inventou o assassinato da irmã mais nova de Joana por um inglês. Os ingleses nunca invadiram a aldeia de Joana. Borgonheses sim, mas na ocasião nem Joana e nem seus familiares estavam na aldeia pois tinham fugido para um castelo próximo. A irmã de Santa Joana morreu de parto segundo testemunhos. Santa joana quando perguntada se tinha vontade de perseguir os Borguinhões respondeu apenas: Eu tinha grade desejo e vontade que o Rei recuperasse o seu Reino. Nenhum tipo de vingança ou desejo de matar por matar os ingleses ou borgonheses, como ela mesma disse, primeiro eu pedia a paz e apenas quando não se fazia a paz é que eu estava pronta para o combate.

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