domingo, 11 de março de 2012

Idade Media: o ponto mais alto de influência da Igreja sobre a vida pública, as leis e a cultura.

Pio XII, na sedia gestatoria, basílica do Vaticano

“A Igreja é um fato histórico que, como uma possante cadeia de montanhas, percorre a história dos dois últimos milênios”.

Esta formosa comparação, contida no discurso do Santo Padre Pio XII aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas (7 de setembro de 1955), nos vem naturalmente ao espírito.

Referindo-se às condições hodiernas do Ocidente, Pio XII, em seu discurso aos historiadores, notou que sua situação é de funda crise religiosa:

“O que se chama Ocidente ou mundo ocidental sofreu profundas modificações desde a Idade Media: a cisão religiosa do século XVI, o racionalismo e o liberalismo conduziram o Estado do século XIX à sua política de força e à sua civilização secularizada. Tornava-se pois inevitável que as relações da Igreja Católica com o Ocidente sofressem um deslocamento”.



Estas palavras lembram sensivelmente as condições históricas de Leão XIII, esparsas em seus diversos atos de magistério, e enunciadas num corpo harmônico na Encíclica “Parvenu à la vingt-cinquième année”: a Idade Media representara na história do Ocidente cristão o ponto mais alto, em matéria de influência da Igreja sobre a vida pública, as leis e a cultura.

Veio depois o protestantismo, explosão de liberalismo religioso, que conduziu à Revolução Francesa, explosão de liberalismo político, a qual teve por fruto a sociedade secularizada do século passado.

Acerca do luminoso ponto de partida desse triste processo, a Idade Media, Leão XIII, em sua Encíclica “Immortale Dei”, tem estas palavras cheias de admiração e ternura:

“Tempo houve, em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Naquela época, a influência da sabedoria cristã e sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e relações da sociedade civil. Então, a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, florescia por toda a parte, graças ao favor dos príncipes e à proteção legitima dos magistrados. O Sacerdócio e o Império estavam então ligados entre si por uma feliz concórdia e uma amistosa permuta de bons ofícios. Assim organizada, a sociedade civil produziu frutos superiores a qualquer expectativa”.

Mas, lendo-se com atenção os documentos do ilustre Papa, vê-se que ele considera que nem todos os fatos ocorridos da Idade Media para cá, constituíram decadência.

Profundamente golpeado, o Ocidente cristão continuou entretanto a progredir. Mais ou menos como um adolescente contaminado de tuberculose — a comparação é nossa — em que ao mesmo tempo pode crescer o organismo e progredir a moléstia.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Fidelidade ao passado e liberdade de ação para o futuro”, Catolicismo nº 61, janeiro de 1956)




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