domingo, 6 de maio de 2012

Nobreza feudal pagava um imposto de sangue: tinha que fazer a guerra


Durante toda a Idade Média a nobreza, sem esquecer a sua origem fundiária, dominial, teve um modo de viver sobretudo militar, pois efetivamente o seu dever de proteção comportava em primeiro lugar a função guerreira de defender o seu domínio contra as possíveis usurpações.

Embora se esforçassem por reduzir o direito de guerra privada, ele subsistia e a solidariedade familiar podia implicar a obrigação de vingar pelas armas as injúrias feitas a um dos seus.



Uma questão de ordem material se lhe acrescentava, pois detendo com exclusividade a posse da terra, que era a principal fonte de riqueza, senão a única, os senhores eram os únicos com a possibilidade de equipar um cavalo de guerra, armar escudeiros e sargentos.

E o serviço militar será portanto inseparável do serviço do feudo. 

A fé prestada pelo vassalo nobre supõe o contributo das suas armas, sempre que “disso for mester”.

É o primeiro encargo da nobreza, e um dos mais onerosos, essa obrigação de defender o domínio e os seus habitantes, como se vê num poema de Carité, de Reclus de Molliens:

L'épée dit: C'est ma justice
Garder les clercs de Saint Église
Et ceux par qui viandes est guise.

A espada disse: é meu dever
Manter os clérigos da Santa Igreja
E aqueles por quem os alimentos são obtidos.

As praças-fortes mais antigas, que foram construídas nas épocas de perturbação e de invasões, mostram a marca visível dessa necessidade.

A aldeia, as casas dos servos e dos camponeses, estão ligadas às encostas da fortaleza, onde toda a população irá refugiar-se em caso de perigo, e onde encontrará ajuda e abastecimento em caso de cerco.


(Autor: Regine Pernoud, “Luz da Idade Média”. Ed. original: “Lumière du Moyen Âge”, Grasset, Paris, 1944)




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Um comentário:

José Juarez Batista Leite disse...

Bem diferente do que se vê hoje,pois os mais beneficiados do poder civil constituído parecem não ter a consciência de que as camadas mais pobres da população precisam de uma tutela mais consistente para poderem viver em segurança e paz.Os valores tradicionais,humanamente saudáveis têm sido substituídos por inovações morais perigosas e destrutivas.A Igreja e a Família têm sido tratadas com desdém e o resultado de tudo isso é uma sociedade sem coesão,sustentada por instituições que,muitas vezes,deixam muito a desejar no que diz respeito às suas responsabilidades sociais.

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