domingo, 30 de setembro de 2012

As doações carolíngeas e os Estados Pontifícios

Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges
Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges

Carlos Magno passou o Natal (de 773) no acampamento de Pavia; e, à medida que se ia aproximando a Páscoa da Ressurreição, aumentava-lhe o desejo de ir a Roma para orar no Santuário dos Apóstolos, se bem que, além da devoção, certamente não lhe faltassem motivos políticos.

Seu pai, não menos devoto que o filho, estivera como ele duas vezes sitiando Pavia e não tinha ido a Roma, apesar da curta distância. O filho tinha certamente decidida a incorporação do Reino lombardo à seu império, e para isso deveria entender-se com o Papa, ao qual confirmaria as doações de Pepino e faria ainda outras .

Em fins de março seguinte, Carlos, com grande companhia de bispos, abades, duques, condes e homens de amas, empreendeu a viagem a Roma, enquanto continuava o assédio de Pavia; passou pela Toscana.


O Papa enviou até Novae (situada a trinta milhas romanas da cidade Eterna) para o receber as companhias de homens armados denominadas 'scholae militiae' e os estudantes com palmas e ramos de oliveira nas mãos, levando também cruzes e cantando hinos, sem que faltassem as aclamações ou vivas ''como se recebe um Exarca (de Ravena) ou um Patricio”, dignidade que fora concedida a Carlos já no ano de 754.

São Pedro e São Paulo falam a Carlos Magno que dormia,
vitral da catedral de Bourges
Ao encontrar-se com os estudantes e as cruzes, Carlos apeou do cavalo e foi com seus dignatários a pé até à Igreja de São Pedro, onde o recebeu o Papa, que estava com seu clero no alto da escadaria.

Carlos, ao subir, foi osculando um por um cada degrau, e eram muitos, até que chegou ao último. Aí abraçaram-se o Papa e o Rei, e depois desceram ambos com seus respectivos séquitos até à ‘confessio' de São Pedro, onde o Rei solicitou licença para entrar na cidade e orar nas diversas igrejas.

Ante o túmulo de São Pedro juraram ambos cumprir o que tinham pactuado, e o Rei entrou na cidade, onde assistiu, na Basílica do Salvador (junto à de Latrão) trés batizados realizados pelo Papa.

Era 2 de abril, Sábado Santo de 774.

Voltou o Rei a São Pedro e, no dia seguinte, Domingo de Pascoa, foram a seu encontro os frades e homens de armas para lhe acompanhar até à Igreja de Santa Maria, onde assistiu Missa, e depois tomou refeição com o Papa.

Nos dois dias seguintes ouviu Missa nas igrejas de São Paulo e São Pedro; o Papa presenteou Carlos Magno com uma coleção dos cânones, acompanhando-a com bonitos versos.
Carlos Magno faz doação à Igreja, vitral da catedral de Bourges
Carlos Magno faz doação à Igreja, vitral da catedral de Bourges
No dia 6 de abril houve grande sessão pública na Igreja de São Pedro. Nela o Papa solicitou a plena realização das boas obras oferecidas ao Romano Pontífice por Pepino, pelo próprio Rei Carlos e por Carlomano; logo fez ler a carta de 14 de abril de 774, datada em Quierzy, ‘per donationis paginam', que foi reconhecida e confirmada pelo Rei numa nova carta, redigida pelo capelão Hitério, e na qual o Rei outorgou e ofereceu entregar à Santa Sé um grande número de cidades e territórios (os quais, apesar dos vais-e-véns da História, em grande parte efetivamente passaram ao poder do Papa).

Foram eles: desde Iuni, incluindo a ilha de Corsega, por Sarzano (Surianum), o Monte Bardonis, o desfiladeiro dos Apeninos, La Cisa (entre Parma e Contremoli), Barceto, Parma, Reggío, daí por Mântua (Módena) até o monte Silicis (Monselice); além disso, todo o Exarcado na sua antiga extensão, as províncias de Veneza e Ístria e os Ducados inteiros de Spoleto e Benevento. Assinaram esta ata todos os bispos, duques e condes. Em seguida foi depositada sobre o altar e depois junto à ‘confessio’.

O Rei e seus francos jurarem cumprir a doações; o Rei pôs uma cópia escrita por Hitério sobre os Evangelhos, junto ao corpo de São Pedro, e, finalmente, levou cópias do ‘scrinarius’ da Santa Sé.

(Autor: Guilherme Oncke, “História Universal”, Montaner y Simón, Editores, Barcelona, Tomo XII, pp. 357 a 358)




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Um comentário:

Anônimo disse...

Agradeço a todos do Blog por tão grande empenho, conhecimento e devoção ao sagrado e à história da fé cristã. Imaginem! Carlos Magno beijando cada degrau das escadarias da Igreja de São Pedro até chegar onde se encontrava o Papa.

Quão diferente é o que vemos dos príncipes, reis e governantes, muitos deles se dizendo católicos, mas negando sua eficácia.

Eh, outros tempos outros homens.

Que N.Senhor Jesus Cristo e a Santa Virgem Maria lhes abençoe.

Eduardo - MG

P.S: Já estou a divulgar o blog aos meus contatos.

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