domingo, 2 de setembro de 2012

Estado laico? Religioso? Como um Papa Santo e um grande Imperador viram o problema

Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno ao Papa São Leão III: princípios da aliança entre o altar e o trono

Nota: São Leão III – Papa de 795 a 816 – foi contestado por parentes do defunto Papa Adriano I, maltratado e encarcerado. Após ser liberado por alguns fiéis, ele apelou a Carlos Magno. Tudo ficou resolvido quando em Roma, no ano 800, Carlos o declarou inocente e condenou seus acusadores. No dia seguinte, 24 de dezembro, durante a Missa da Vigília de Natal em São Pedro, o Papa sagrou Carlos Magno como Imperador.

Nesta carta, Carlos escreve a Leão para lhe manifestar sua dor pela morte de Adriano I e sua alegria pela eleição do novo Papa. Também lhe expõe, de modo muito sintético, os princípios que, segundo Carlos, deveriam regular a aliança entre o altar e o trono (…).

Carlos, pela graça de Deus, Rei dos Francos, dos Longobardos e Patrício dos Romanos, a Leão Papa, saudação de perpétua bem-aventurança em Cristo.


Papas e emperadores. No centro: o Santíssimo Sacramento. Spencer Collection
Após ter lido com atenção a carta de Vossa Excelência e de ter ouvido o decreto de eleição, ficamos muito contentes – confesso –, seja pela unanimidade de vossa eleição, seja pela obediência de vossa humildade e pela fidelidade que tendes demonstrado em relação a nós com a vossa promessa solene (…).

Por todas essas coisas agradecemos do mais profundo de nosso coração à Divina Misericórdia, pois, após a chaga de dor digna de pranto que infligiu à nossa alma a morte do nosso diletíssimo pai e fidelíssimo amigo [Papa Adriano I], Deus se dignou, de acordo com a habitual previdência de Sua Bondade, nos conceder um conforto como Vós.

Por isto nós confiamos a Vossa Santidade nossa prosperidade e a de todos nossos súditos, Vos pedindo – por assim dizer – a tarefa de obter para nós a felicidade.

Nos vo-la confiamos em nome da misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus que teve pena de sua Santa Igreja elevando Vossa Santidade ao seu cimo. (…)

Carlos Magno, cetro de Carlos V
Encomendamos [a Angilberto de falar] sobre todas as coisas que nos pareciam a nós opcionais ou a Vós necessárias, a fim de que tratásseis e discutísseis tudo aquilo que Vos pareça oportuno para a exaltação da Santa Igreja de Deus, a estabilidade de vossa honra e a solidez de nosso patriciado.

De fato, do mesmo modo que eu havia estabelecido um pacto com o beatíssimo predecessor de Vossa Santa Paternidade, desejo agora estabelecer com Vossa Santidade uma aliança inviolável de idêntica fé e caridade, para que, em virtude da graça que Deus concede a Vossa Santidade Apostólica, chegue até mim por toda parte a bênção apostólica invocada pela intercessão da oração dos santos, e a Santíssima Sé da Igreja Romana, pela intercessão de Deus seja sempre bem defendida pelo nosso devotamento.

Cabe a nós, pelo auxílio da Divina Misericórdia, defender por toda parte a Santa Igreja de Cristo com as armas.

No exterior, da incursão dos pagãos e das devastações dos infiéis; e no interior, fortificando-a com a profissão da fé católica.

São Leão III institui em Carlos Magno o Sacro Império Romano Alemão
São Leão III institui em Carlos Magno o Sacro Império Romano Alemão
A Vós, Pai Santíssimo, cabe levantar – como Moisés (cf. Ex. 17, 8-13) – as mãos a Deus para ajudar nossa milícia, de modo que, pela vossa intercessão e em virtude da guia e do dom de Deus, o povo cristão obtenha sempre e por toda parte a vitória sobre os inimigos de Seu Santo Nome, e que o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado no mundo inteiro.

Entrementes, que a prudência de vossa autoridade cumpra em tudo as leis canônicas, a fim de que em vossa conduta resplandeça manifestamente aos olhos de todos o exemplo da santidade plena, e que todos ouçam da vossa boca palavras de santa exortação; para que “vossa luz brilhe de tal maneira diante dos homens, e que esses vendo as vossas boas obras glorifiquem Nosso Pai que está nos Céus” (Mt 5, 16).

Deus onipotente se digne conservar incólume a autoridade de Vossa Santidade durante muitos anos, para a exaltação de Sua Santa Igreja”.

Assinado: Carlos

(Fonte: Carlos Magno, “Le lettere”, Città Nuova, 110 páginas; op. cit., pp. 57-61)



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