domingo, 30 de setembro de 2012

As doações carolíngeas e os Estados Pontifícios

Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges
Carlos Magno campeão invicto da Cristandade, vitral da catedral de Bourges

Carlos Magno passou o Natal (de 773) no acampamento de Pavia; e, à medida que se ia aproximando a Páscoa da Ressurreição, aumentava-lhe o desejo de ir a Roma para orar no Santuário dos Apóstolos, se bem que, além da devoção, certamente não lhe faltassem motivos políticos.

Seu pai, não menos devoto que o filho, estivera como ele duas vezes sitiando Pavia e não tinha ido a Roma, apesar da curta distância. O filho tinha certamente decidida a incorporação do Reino lombardo à seu império, e para isso deveria entender-se com o Papa, ao qual confirmaria as doações de Pepino e faria ainda outras .

Em fins de março seguinte, Carlos, com grande companhia de bispos, abades, duques, condes e homens de amas, empreendeu a viagem a Roma, enquanto continuava o assédio de Pavia; passou pela Toscana.

domingo, 23 de setembro de 2012

Para entender a Idade Média: abertura popular para o bem. Exemplo do padre Foulques de Neuilly

Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo
Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado
a pregador da Cruzada e taumaturgo

Um exemplo significativo da flexibilidade de espírito dos medievais vem da história de Foulques, vigário de Neuilly-sur-Marne, na França.

Ele, de início, foi um vigário relaxado que vivia como um leigo na ignorância da religião. E na Idade Média havia duas categorias bem definidas de vigários: o relaxado e não relaxado.

Esse vigário relaxado à certa altura se converteu e se transformou num bom vigário.

Sua ação começou a se difundir em torno de Neuilly-sur-Marne. Depois começou a ser conhecido fora, mas mal visto.

A conversão dele datava de apenas dois anos, quando ele soube que havia uma assembleia geral de abades para tratar das Cruzadas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Diferenças na movimentação do homem contemporâneo e o medieval

Missa. Missal de Jean Rolin, século XV
Missa. Missal de Jean Rolin, século XV
continuação do post anterior

O homem medieval exibia uma ‘movimentação” intelectual e religiosa que se devia a alguns fatos:

Em primeiro lugar, a vitalidade do homem medieval era muito mais exuberante.

Em segundo lugar, o homem medieval tinha mentalidade e ideias. Quando se tem mentalidade e ideias é possível mudar-se de uma para outra.

Hoje, pelo contrário, há exatamente uma carência de idéias.

Sobretudo o que há é que o homem contemporâneo é de uma dureza de coração, especialmente no que diz respeito ao bem. Ele absolutamente não muda. As manifestações de virtude mais palpáveis não o comovem.

Podemos ter o exemplo disto em torno de nós. 

Por vezes, pessoas que não fazem mal a ninguém e que dão a todos o exemplo da virtude, bons filhos, bons irmãos, procedem bem em todas as coisas mas não obtêm a simpatia de ninguém.

domingo, 9 de setembro de 2012

A intensa movimentação das almas na Idade Média

Cientistas consideram o mundo.  Bartolomeu o Inglês, "Livro das propriedades das coisas"
Cientistas consideram o mundo.
Fr. Bartolomeu OFM, o Inglês: "Livro das propriedades das coisas", BnF, fr 134, f, 169.
Na Idade Média: vida intelectual, espiritual e moral sujeita a flutuações e cheia de vais-e-vens

Estudando a história, poder-se-ia achar que a vida na Idade Média era muito mais movimentada do que a de nossos dias. De fato parece ser.

A movimentação era, entretanto, num outro campo e por razões diferentes das movimentações de hoje.

A atividade dos corpos talvez fosse menor. Certos homens viajavam muito, mas era apenas uma certa categoria de homens: os mercadores, os estudantes, os nobres.

domingo, 2 de setembro de 2012

Estado laico? Religioso? Como um Papa Santo e um grande Imperador viram o problema

Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno, venerado como Beato em dioceses da Europa
Carlos Magno ao Papa São Leão III: princípios da aliança entre o altar e o trono

Nota: São Leão III – Papa de 795 a 816 – foi contestado por parentes do defunto Papa Adriano I, maltratado e encarcerado. Após ser liberado por alguns fiéis, ele apelou a Carlos Magno. Tudo ficou resolvido quando em Roma, no ano 800, Carlos o declarou inocente e condenou seus acusadores. No dia seguinte, 24 de dezembro, durante a Missa da Vigília de Natal em São Pedro, o Papa sagrou Carlos Magno como Imperador.

Nesta carta, Carlos escreve a Leão para lhe manifestar sua dor pela morte de Adriano I e sua alegria pela eleição do novo Papa. Também lhe expõe, de modo muito sintético, os princípios que, segundo Carlos, deveriam regular a aliança entre o altar e o trono (…).

Carlos, pela graça de Deus, Rei dos Francos, dos Longobardos e Patrício dos Romanos, a Leão Papa, saudação de perpétua bem-aventurança em Cristo.