domingo, 25 de novembro de 2012

Invenções e instituições criadas na época medieval

Mestre relogeiro. Jean Suso, "L'horloge de la Sapience", século XV.
BnF, français 455, folio 4
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Se há algo de espantar na Idade Média é a vertiginosa multiplicação de novas instituições e realizações materiais.

Uma das mais incríveis para os antigos foi a criação dos hospitais. Hoje nós achamos que é a coisa mais natural do mundo.

Tão natural que, se não existissem, os homens clamariam em altas vozes pela sua criação.

Mas nada de semelhante existiu na Antiguidade e nem mesmo nas civilizações pagãs mais requintadas.

O doente ficava entregue a si mesmo, a curas caseiras e, para os mais ricos, o recurso a médicos que mais pareciam com aprendizes ou pais de superstição.

Um início de racionalização da medicina aconteceu na Grécia. Mas faltava de todo a caridade cristã, única capaz de levar homens e mulheres a sacrificar suas vidas pelos doentes.

Foi este sacrifício que fizeram as Ordens religiosas masculinas e femininas que assumiram os cuidados dos doentes e o desenvolvimento da medicina.

domingo, 18 de novembro de 2012

Catedrais: resumo simbólico da ordem do universo onde o medieval lia como num livro

Notre Dame
Notre Dame

A Igreja inspirou as grandes catedrais. Na foto, vemos a abside de Catedral de Notre-Dame. É uma verdadeira jóia!

A gente não sabe por onde esta catedral é mais bela!

A gente poderia dizer dela, utilizando uma palavra da Escritura, que ela é o edifício de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro!

Se isto não é bonito, não há beleza na terra!

E o vitral da catedral, também.

Uma renda de pedra, uma sinfonia de cores, inspirada pelo clero.

Nos vitrais se representavam os fatos fundamentais da História Sagrada, do Antigo e do Novo Testamento, a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e a vida dos santos.

Na grande rosácea da fachada é representado o Apocalipse.

Jesus Cristo está no centro, na sua segunda vinda como Juiz triunfante, e em volta d’Ele estão os justos e os símbolos de que fala o livro que encerra a Bíblia.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ordens religiosas: austeridade, estudo e trabalho manual

Monges cantando o Ofício Divino
Monges cantando o Ofício Divino
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A imagem do clero na Idade Média correspondia à categoria dessa classe social. Quer dizer, a classe superior.

Na imagem aparece figuras mais magras do que as outras que podemos ver na iconografia medieval do povo.

Positivamente era a classe social onde mais se jejuava e onde mais se sentia fome na Idade Média.

As regras das Ordens religiosas eram muito severas e apresentavam exigências de jejuns enormes, cumpridos muito à risca pelos sacerdotes e pelos religiosos, em geral verdadeiros ascetas.

Os monges usavam tonsura, um modo de cortar o cabelo que formava uma aureóla, ou algo parecido.

O hábito dos monges tonsurados é branco, sem nenhuma pretensão humana.

Eles não são homens com a saúde destroçada, mas o jejum está na cara.

Eles, que tanto jejuam, está cantando o Ofício divino.

domingo, 4 de novembro de 2012

Dureza de vida e glorificação do nobre

Jean II, cavaleiro  fachada do Hôtel de Ville de Bruxelas
Jean II, cavaleiro
fachada do Hôtel de Ville de Bruxelas
A rudeza da vida do guerreiro nobre é representada por mil monumentos medievais.

Na imagem vemos um deles com o corpo todo revestido de metal, sacando a espada.

É um homem que já passa dos cinqüenta anos e ainda está na guerra.

Os nobres encaneciam na guerra. Com sessenta, setenta anos ainda combatiam e morriam na guerra.

Era o preço que o nobre pagava por sua nobreza. Assim era de dura a vida do nobre, vida idealista!

Na imagem ao lado, vemos um cavaleiro entrando em plena epopéia!

Torneio medieval, WarwickEle vai para um torneio, poderia ir para uma batalha.

Seu cavalo está ricamente revestido de um tecido precioso, ele está com um escudo para se defender.

Com a lança ele vai atacar o adversário, mas os senhores podem ver nele quase exatamente a imagem do guerreiro que parte para a guerra e que não sabe se vai voltar vivo ou morto.

Mais provavelmente morto, se ele for verdadeiro herói, morto de uma morte horrível! A arma do adversário atravessa a sua armadura, corta-o, retalha-o.

Ele morre no campo de batalha, muitas vezes depois de uma longa agonia, numa época em que os hospitais de sangue ainda não existiam e a medicina estava dando os seus primeiros vagidos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A despedida dos mortos aguardando reencontrá-los na Resurreição


Quando um membro da família senhorial vinha a falecer, era exposto na grande sala do castelo, revestido com seus mais belos ornamentos, e, freqüentemente, embalsamado.

O luto era caracterizado pela cor violeta, e mais raramente pelo preto.

Mas a viúva guardava-o habitualmente de branco, à imitação das Rainhas, às quais a etiqueta prescreve esta cor, o que explica às Rainhas-mães o titulo de 'reines-blanches'.

O caixão, recoberto de damasco dourado ou de tecido vermelho, era conduzido à igreja, não sobre os ombros de servidores ou aldeões, mas sobre os dos mais próximos parentes e dos principais vassalos.

Quando transladaram à França o relicário com os ossos de São Luis, morto em Tunis, ele foi levado até Saint-Denis por Philippe le Hardi, filho do defunto.