domingo, 16 de março de 2014

A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

O Sacramentário de Tyniecki adotou a minúscula carolíngia, clara, fácil de ler
O Sacramentário de Tyniecki adotou
a minúscula carolíngia, clara, fácil de ler
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Leia o post anterior: Como e por que Carlos Magno mandou alfabetizar o maior número possível


Nada de mais básico para a leitura do que uma escritura legível e uma boa caligrafia ou tipografia.

O leitor imagine um texto todo escrito em maiúsculas, sem espaços entre uma palavra e outra. Seria muito penoso de ler.

Era o caso da escritura dos romanos da qual provém a nossa.

Os romanos escreviam assim, como está registrado em inúmeros monumentos, como no arco de Septimio Severo em Roma por exemplo.

Devemos a facilidade de leitura da nossa escritura à Idade Média.

E sobre tudo ao imperador Carlos Magno.

Por volta do ano 780, o imperador ordenou que a Escola Palatina, que funcionava em seu palácio, passasse a usar letras minúsculas e pusesse espaços entre as palavras.

Foi assim que se tornou oficial a “Minúscula carolíngia”, antepassada direta de nossa escritura.

Carlos Magno agiu aconselhado pelo abade Alcuíno, monge beneditino de York, e que foi uma espécie de ministro de Educação muito prezado pelo imperador.


Os romanos escreviam tudo em maiúsculas e sem espaços.
Dedicatória ao imperador Septimio Severo, Roma.
O exemplo do palácio real pegou em todo o Império: escolas, livros, textos religiosos adotaram a nova forma de escrever.

Carlos Magno queria que as letras fossem arredondadas, de tamanho igual, de modo a ser o mais fácil possível de ler e de escrever.

A minúscula carolíngia substituiu a minúscula merovíngia irregular confusa e de leitura dificultosa.

Na nova letra, as maiúsculas ficaram como vieram dos romanos.

As minúsculas foram inspiradas pela escritura uncial e semi-uncial usada pelos monges da Inglaterra e Irlanda.

Alternando maiúsculas, minúsculas e espacos a leitura ficava facilitada enormemente
Alternando maiúsculas, minúsculas e espacos
a leitura ficava facilitada enormemente
A forma final foi elaborada pelo abade Alcuíno sob direta supervisão de Carlos Magno.

O mais antigo manuscrito que usa a “minúscula carolíngia” é o Evangeliário de Carlos Magno, ou de Godescalco que hoje se encontra na Biblioteca Nacional da França (NAL 1203) e que foi encomendado pelo imperador.

A minúscula foi uma grande e utilíssima novidade: homogênea, arredondada, formas claras, as mais legíveis possíveis, incluindo a separação das palavras com espaços.

A recém-nascida minúscula comportou variantes regionais e deu origem a diversos tipos de letras, das quais derivam as que o leitor está visualizando na tela de seu computador.

As abadias da França, Suíça, Alemanha, Áustria e Itália passaram a empregá-la.

Inglaterra e Irlanda a adotariam pouco depois, e o mesmo fizeram os outros países da Cristandade.

O manuscrito de Freising, primeiro escrito em língua eslava também adotou a minúscula de Carlos Magno.
O manuscrito de Freising, primeiro escrito em língua eslava
também adotou a minúscula de Carlos Magno.
Foi tão grande a expansão da letra do imperador que o manuscrito de Freising, primeiro texto redigido em língua eslava já a usava.

A facilidade de ler e escrever pesou decisivamente na conservação e transmissão das obras clássicas da Antiguidade.

Os escritos de Ovídio, Cícero, Virgílio, entre outros, copiados pelos monges ficaram acessíveis a todos.

Este formidável movimento cultural é conhecido como “Renascimento Carolíngio”.

Assim chegaram até nós, milhares de livros do mundo grego e latino, escritos com a “minúscula carolíngia”.

Pela primeira vez na história, um continente inteiro – a Europa –foi saindo do analfabetismo pela obra benfeitora dos monges das abadias católicas e do grande imperador Carlos Magno.

Leia o post seguinte sobre Carlos Magno: A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares



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