domingo, 29 de junho de 2014

O busto e a estatueta de Carlos Magno:
o mito e a realidade do imperador

Busto relicario de Carlos Magno.
Fundo catedral de Aachen (Aquisgrão), Alemanha.

A urna-relicário conservada em Aachen (Aquisgrão), Alemanha, representa o busto de Carlos Magno e contém como relíquia um pedaço da calota craneana do grande imperador.

O busto relicário remonta a 1349 e apresenta, mais do que o Carlos Magno histórico, a imagem mítica do  imperador que os povos do Sacro Império foram elaborando ao longo dos séculos.

A importância desse relicário se pode medir num costume medieval das cerimônias prévias às coroações imperiais.

Quando o príncipe escolhido pelos Kurfürsten (Príncipes Eleitores) em Frankfurt chegava a Aachen para a coroação, o busto-relicário era levado até as portas da cidade para que alí recebesse seu sucessor.

A urna apresenta Carlos Magno com uma coroa muito bonita, feita de florões e de um arco que tem uma cruz no alto. A coroa foi usada pelo imperador Carlos IV na sua primeira coroação em 1346.

No alto, a coroa é fechada por um arco que tem no alto uma esplêndida Cruz, símbolo que o poder vem do Santíssimo Redentor Jesus Cristo.


Carlos Magno é representado sereno, digno, belo, mas não tem nada de enfeitado. Antes, pelo contrário, ele tem a força de um caipirão unida à majestade nesse monarca tão grande, e que se sente bem no seu papel, e quer ser assim.

Notem os adornos no peito dele. São águias que formam pequenos corpos bordados em todo busto.

Na metade inferior há flores de lis sobre um fundo azul. Trata-se da união das duas maiores potências da Europa medieval: o reino da França e o universo alemão.

Carlos Magno, estatueta equestre no Museu do Louvre. Fundo catedral de Metz, França.
Carlos Magno, estatueta equestre no Museu do Louvre.
Fundo catedral de Metz, França.
Por sua vez, a estátua equestre de Carlos Magno que se exibe no Museu do Louvre em Paris, tal vez seja a única figura historicamente fidedigna de Carlos Magno.

Na estatueta vemos o Carlos Magno segundo a história, e não Carlos Magno da ficção, como nós vimos acima.

Ele é muito rico? Ele é um rei de um país ainda pobre, mas que está cavalgando rumo a riqueza.

Alguém poderia achar que ele foi um miserabilista.

Vendo a estatueta percebe-se bem que ele tem qualquer coisa de bárbaro ainda.

Ele é forte, dominador. Ele cavalga sem muita filustria de andar protegendo direitos de bicho, direitos de planta, essas loucuras que ele, aliás, nem compreenderia se quisessem explicar para ele.

Ele era um homem deveras, e como um homem deve ser para merecer ser homem.

Carlos Magno foi tão rico de predicados que nele se pode reconhecer um enviado do Céu.

Quando Deus dá predicados extraordinários, por exemplo, a um grande músico, a um grande pintor, a um grande poeta, frequentemente, talvez seja sempre, Deus tem para aquele um desígnio especial.

De maneira que um grande homem ou é uma benção, ou é um flagelo. Então se compreende que vendo um grande homem se diga: “Deus teve sobre ele desígnios especiais”.

Carlos Magno é afigurado como um homem de corpo robusto, que tem cabelos formosos que formavam uma moldura para o rosto dele, não dando um ar efeminado, mas emoldurando sua fisionomia altiva.

Estatueta de Carlos Magno no Museu do Louvre (detalhe) Fundo: abóboda da catedral de Aachen.
Estatueta de Carlos Magno no Museu do Louvre (detalhe)
Fundo: abóboda da catedral de Aachen.
Portanto, os formosos cabelos de que a Providência o tinha dotado, eram para tornar aprazível olhar para um homem que entretanto era terrível.

O aprazível junto ao terrível formam uma combinação que se chama equilíbrio.

Ele é um homem extremamente equilibrado e que exerce um efeito equilibrador sobre os outros, ele mete medo, mas atrai.

A fisionomia dele é uma fisionomia alegre.

Se abusa muito da palavra alegre. A palavra alegre quer dizer uma fisionomia de pessoa feliz, que tem a consciência tranquila e que vive alegre porque sabe que se cumprir os Mandamentos vai para o Céu.

É a alegria católica, não é a alegria dos infelizes que andam bancando uma felicidade feita de exterioridades para disfarçar a frustração interior.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 23/6/89. Sem revisão do autor)




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