domingo, 8 de junho de 2014

Privilégios e dignidades em todas as classes sociais medievais

Catedral de York: imponderáveis que as palavras não conseguem definir
Catedral de York: imponderáveis que as palavras não conseguem definir
Muitas vezes, tratando da sociedade medieval, os fatos e as coisas dão uma impressão maior do que está dito nas palavras que os descrevem.

Tudo quanto é instituição, situação, escolas de arte, etc., da Idade Média está envolto numa atmosfera de imponderáveis extremamente difícil de tornar explícita.

Nas sociedades da Antiguidade, como nas sociedades “post-medievais”, todas as relações têm um ar mecânico.

E a única sociedade verdadeiramente orgânica – quer dizer que tem uma vida própria que resulta da boa harmonia de seus órgãos – que houve na História foi a sociedade medieval.

É muito mais fácil entender um mecanismo como o motor de um carro, do que entender a complexidade de um organismo vivo, com seu DNA, por exemplo.


Porque o organismo vivo tem essa coisa imponderável, mas absolutamente essencial, que é a vida.

De onde acontece que num organismo vivo há manifestações da vida que escapam a toda definição.

Por exemplo, na sociedade medieval não havia uma classe privilegiada como na Antiguidade. Nem mesmo duas.

Não é de um conto de fadas: é um moinho onde trabalhava um popular medieval
Não é de um conto de fadas: é um moinho que pertencia a um popular medieval
Pelo contrário, todas as classes eram privilegiadas. ‘Privilégio’ vem de expressão latina “privata lex”, ou seja uma lei especial que concede direitos ou favores a um particular.

Pois bem, na Idade Média havia privilégios para o clero, para a nobreza e para o povo. Só levar em linha de conta os privilégios da nobreza e do clero equivale a ter uma noção absolutamente errada da ordem social medieval.

A demagogia revolucionária gosta apresentar o clero muito bem instalado na vida social comendo até arrebentar; o nobre logo abaixo do clero também se locupletando até mais não poder; e, embaixo a plebe que não possui nada, que não tem dignidade nenhuma e trabalha para os superiores até definhar.

Em muitos posts temos apresentado documentação mostrando quanto essa concepção é artificial e falsa.

O Papa Pio XII, numa de suas alocuções à nobreza romana, disse que a aristocracia é tão conforme à natureza das coisas que ela deve impregnar a sociedade toda com um ar aristocrático.

Os valores aristocráticos eram participados pelo povo.  Figuras de cera representando a nobreza,  no castelo de Vaux-le-Vicomte, França.
Os valores aristocráticos eram participados pelo povo.
Figuras de cera representando a nobreza,
no castelo de Vaux-le-Vicomte, França.
Mas acrescenta que a própria plebe deve comunicar o elemento democrático à sociedade monárquica e aristocrática para fazer uma feliz junção de todos esses elementos.

Um exemplo: a altivez do povo espanhol inclusive em suas categorias mais populares é um resto da Idade Média.

Essa altivez é fruto de uma nota do verdadeiro aristocratismo que beneficia ao homem do povo e é inteiramente diferente da arrogância do líder sindicalista moderno.

A altivez do povo miúdo espanhol é uma manifestação admirável da dignidade de um filho de Deus. Esse foi batizado, foi remido por Jesus Cristo, e tem um destino eterno na outra vida.

Mas aqui na Terra está obedecendo a Deus e à ordem social com muita disciplina e distinção.

Em decorrência da substancial igualdade entre todas as criaturas humanas, e da dignidade especial de filho de Deus, ele tem um santo orgulho de ser e de viver sua condição de plebeu que se encaixa muito bem na organização social, que por sua vez lhe reconhece legítimos e originais privilégios.

Pode ser que esse homem tenha na sociedade funções bem modestas, mas ele sabe que essas funções são acidentais. O grande fato que domina sua vida é que ele é um filho de Deus e que tem um grande destino, pois foi criado para ser um príncipe no Céu.

Ele será lixeiro, engraxate ou qualquer outra coisa na Espanha medieval, mas ele sabe que houve, antes da revolta dos Anjos, um trono onde se sentava um anjo.

A altivez do povo resplandecia até no vestuário feminino.  "Vestido ansoetano", Espanha.
A altivez do povo resplandecia até no vestuário feminino.
"Vestido ansoetano", Espanha.
Ele sabe que esse anjo infiel precipitou-se daquele trono por sua própria infâmia. E ele sabe que foi criado para substituir um anjo naquele trono para reinar eternamente na presença de Deus.

Resultado: na Terra ele é obediente, humilde, e ele vive num estado de espírito inteiramente diferente do estado de espírito do homem do povo corrompido pelo falso espírito democrático de nossos dias, arrogante e revoltado.

Ele não é a pobre besta de carga da civilização contemporânea. Ele não é um desses homens vazios, sem alma, que se veem às centenas apertados em ônibus, metrôs e trens, indo e voltando para as fábricas ou empregos diversos.

Se o medieval fosse porteiro serviria com um garbo e um cavalheirismo de plebeu, que não era o cavalheirismo do nobre.

Esse cavalheirismo penetrava todas as classes sociais da Espanha medieval, comunicado pelos fidalgos que eram verdadeiramente fidalgos, e todo o povo espanhol borbulhava de altivez e distinção.

E, hélas, custa entende-lo na crise hodierna da Igreja, até os eclesiásticos – que podiam provir do povo ou da nobreza – subiam os degraus dos altares irradiando de maneira solar esse espírito de fidalguia e cavalheirismo.




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Um comentário:

Francisco Guilherme disse...

Por que vocês não deixam a fonte(bibliografia)?

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