domingo, 29 de junho de 2014

O busto e a estatueta de Carlos Magno:
o mito e a realidade do imperador

Busto relicario de Carlos Magno.
Fundo catedral de Aachen (Aquisgrão), Alemanha.

A urna-relicário conservada em Aachen (Aquisgrão), Alemanha, representa o busto de Carlos Magno e contém como relíquia um pedaço da calota craneana do grande imperador.

O busto relicário remonta a 1349 e apresenta, mais do que o Carlos Magno histórico, a imagem mítica do  imperador que os povos do Sacro Império foram elaborando ao longo dos séculos.

A importância desse relicário se pode medir num costume medieval das cerimônias prévias às coroações imperiais.

Quando o príncipe escolhido pelos Kurfürsten (Príncipes Eleitores) em Frankfurt chegava a Aachen para a coroação, o busto-relicário era levado até as portas da cidade para que alí recebesse seu sucessor.

A urna apresenta Carlos Magno com uma coroa muito bonita, feita de florões e de um arco que tem uma cruz no alto. A coroa foi usada pelo imperador Carlos IV na sua primeira coroação em 1346.

No alto, a coroa é fechada por um arco que tem no alto uma esplêndida Cruz, símbolo que o poder vem do Santíssimo Redentor Jesus Cristo.

domingo, 22 de junho de 2014

Sob a doce luz de Cristo, a Idade Média foi uma explosão de liberdade, criatividade e progresso, diz catedrático de Lisboa

Catedral de Strasbourg, França
Catedral de Strasbourg, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A Idade Média, impropriamente chamada "Idade das Trevas", foi uma das épocas de maior desenvolvimento e criatividade técnica, artística e institucional da História, escreveu o Prof. João Luís César das Neves, Professor Catedrático e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, no Diário de Notícias de Lisboa.

A Cristandade, explicou ele, gerou um surto de criatividade prática. Assim as realizações da Idade Média resultaram em melhorias da vida das aldeias, não em monumentos que os renascentistas poderiam admirar.

domingo, 15 de junho de 2014

O caráter familiar da sociedade
e da estrutura da Igreja medievais

Casimiro III, o Grande, rei da Polônia.  Uniu o país e amou seu povo como um pai ama seu filho.
Casimiro III, o Grande, rei da Polônia.
Uniu o país e amou seu povo como um pai ama seu filho.
Todas as relações que constituem a vida da nação – sociais, políticas, culturais, profissionais, trabalhistas, etc. – na Idade Média estavam impregnadas de caráter familiar.

As relações do senhor com o vassalo, ou as relações entre o mestre (patrão) e o aprendiz nas corporações de ofícios, por exemplo, uma nota característica da sociedade medieval foi a existência dos imponderáveis próprios da vida familiar.

Compreendendo o caráter familiar da sociedade medieval é fácil o mais rico da vida de toda aquela época.

O mais pobre, primeiro e elementar dos observadores ou dos sociólogos reconhece que as relações familiares se compõem de relações entre esposo e esposa, de pais com filhos, de irmãos e irmãos. Não há outro conteúdo nas relações familiares.

Ora, na vida medieval, essas relações de esposo e esposa, pai e filho, irmão e irmão, na Idade Média eram também usadas correntemente para descrever o modo de viver de todas as relações medievais.

Isto é completamente diferente do modo que acontecia nas sociedades pagãs, anteriores, e do que acontece nas sociedades modernas.

Por exemplo, o bispo se dizia e agia como esposo de sua diocese, e a diocese era a esposa mística do bispo.

De onde muitos bispos antigos tinham a ideia de que não podiam ser transferidos de sua diocese.

O motivo era que uma vez que o esposo casa com a esposa, deve ser um marido fiel e não se compreende o divórcio.

domingo, 8 de junho de 2014

Privilégios e dignidades em todas as classes sociais medievais

Catedral de York: imponderáveis que as palavras não conseguem definir
Catedral de York: imponderáveis que as palavras não conseguem definir
Muitas vezes, tratando da sociedade medieval, os fatos e as coisas dão uma impressão maior do que está dito nas palavras que os descrevem.

Tudo quanto é instituição, situação, escolas de arte, etc., da Idade Média está envolto numa atmosfera de imponderáveis extremamente difícil de tornar explícita.

Nas sociedades da Antiguidade, como nas sociedades “post-medievais”, todas as relações têm um ar mecânico.

E a única sociedade verdadeiramente orgânica – quer dizer que tem uma vida própria que resulta da boa harmonia de seus órgãos – que houve na História foi a sociedade medieval.

É muito mais fácil entender um mecanismo como o motor de um carro, do que entender a complexidade de um organismo vivo, com seu DNA, por exemplo.

domingo, 1 de junho de 2014

O pai de família medieval: guardião, protetor, mestre, chefe, imagem de Deus e custódio da tradição

Frederico de Sonneburg com seus filhos. Codex Manesse, fol 407r
Frederico de Sonneburg com seus filhos. Codex Manesse, fol 407r
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A solidariedade familiar, exprimindo-se se necessário pelo recurso às armas, resolvia então o difícil problema da segurança pessoal e a do domínio.

Em certas províncias, particularmente no norte da França, a habitação traduz esse sentimento da solidariedade.

O principal compartimento da casa é a sala, que congrega diante da sua vasta lareira a família. Nela se juntam para comer, para festejar os casamentos e os aniversários e para velar os mortos.

Corresponde ao hall dos costumes anglo-saxões, pois a Inglaterra teve na Idade Média costumes semelhantes aos nossos, aos quais permaneceu fiel em muitos pontos.

A esta comunidade de bens e de afeição é necessário um administrador, e naturalmente o pai de família desempenha este papel.

Mas a autoridade que ele desfruta é antes a de um gerente, em lugar de ser a de um chefe, absoluta e pessoal como no direito romano.

Trata-se de um gerente responsável, diretamente interessado na prosperidade da casa, mas que cumpre um dever mais do que exerce um direito.