domingo, 26 de abril de 2015

A Cavalaria e a ciência aliadas com a Fé

Reis e cavaleiros na catedral de York, Inglaterra
Reis e cavaleiros na catedral de York, Inglaterra




Tal é o fundamento de todas estas ideias: a nobreza é chamada a proteger e purificar o mundo por meio do cumprimento do ideal cavalheiresco.

A vida reta e a reta virtude da nobreza são os meios de salvação para os maus tempos: o bem e a paz da Igreja e da Monarquia, o império da justiça, dependem dela.

Duas coisas há - isso se diz na vida de Boucicaut, um dos mais puros representantes do ideal cavalheiresco da última Idade Média - postas no mundo como dois pilares pela vontade de Deus, para sustentar a ordem das leis divinas e humanas; sem elas, o mundo seria só confusão; tais coisas são a cavalaria e a ciência, “chevalerie et science, que moult bien conviennent ensemble”.

“Science, Foy et Chevalerie” são os três lírios do “Chapel des Fleurs de Lys” de Philippe de Vitri. Representam três estados.

A nobreza é chamada a proteger e amparar os outros dois.

domingo, 19 de abril de 2015

O equilíbrio: ponto de partida da alegria
e da calma da Idade da Luz

Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
Muralhas da cidade de Ávila, Espanha




Nas muralhas dos castelos, ou das catedrais, ou das cidades da Idade Média, algo fala de batalhas e lutas.

Mas, ao mesmo tempo, algo fala de equilíbrio, de harmonia e, portanto, de contentamento de alma.

As famosas muralhas de Ávila foram construídas para repelir as invasões mouras. Aquelas muralhas retas, com aquelas torres, falam de dias de tragédia.

Algum daqueles locais no alto a muralha pode ter sido o primeiro lugar de onde viram, na poeira da distância, a cavalaria de um exército árabe que chegava. Era a desventura de uma luta, de um assédio contra a cidade com os perigos que trazia consigo.

domingo, 12 de abril de 2015

O Papa Gregório IX e o estabelecimento da Inquisição

Gregório IX aprova os Decretais. Rafael, Stanza della Segnatura, Vaticano.



Como evitar o envenenamento espiritual de toda a sociedade sem consentir em injustiças contra os inocentes ou contra os próprios hereges?

Como conduzir a nau em rumo seguro, entre a indiferença desesperadora de muitos Bispos ou sua susceptibilidade à política local, e de outro lado a impetuosidade das massas populares ou dos agentes imperiais?

O grande Papa (Gregório IX) certamente considerou profundamente este problema. Como Pai da Cristandade, não desejava a morte, mas a correção de seus filhos transviados.

Gregório teve entre suas preocupações uma feliz inspiração: por que não se servir das novas ordens mendicantes?

Até mesmo Lea (historiador contrário à Inquisição) lhes reconheceu a utilidade:

domingo, 5 de abril de 2015

Cerimonial de uma ceia real na Inglaterra no início da Guerra dos Cem Anos




No 25 de setembro de 1338, às cinco horas da tarde menos um quarto, o grande salão do Palácio de Westminster ainda não estava iluminado a não ser por quatro tochas mantidas por braços de ferro selados aos ângulos das paredes e das quais o luar incerto e trêmulo tinha grande dificuldade em dissipar a escuridão provocada pela diminuição dos dias, já tão sensível ao fim do verão e começo do outono.

Entretanto essa luz era suficiente para guiar nos preparativos da ceia a criadagem do castelo que se via, no meio do lusco-fusco, apressar-se em cobrir com iguarias e vinhos, os mais apreciados daquela época, uma longa mesa escalonada em três alturas diversas, a fim de que cada um dos convivas pudesse ai sentar-se no lugar que lhe designava seu nascimento ou seu rango.

Logo que os preparativos foram concluídos, o maître d’hotel entrou gravemente por uma porta lateral, fez com vagar o turno de inspeção dos serviços para certificar-se que cada coisa estava em seu lugar; depois, feita a revisão, parou diante de um lacaio que aguardava suas ordens cerca da grande porta, e disse-lhe com a dignidade de um homem que conhece a importância de suas funções: Tudo está bem; soai a água.

Denominava-se “soar a água” (corner l’eau) o ato de dar o sinal de inicio da ceia, porque os convivas lavavam as mãos antes de sentar-se à mesa.