domingo, 31 de maio de 2015

Auxílio sobrenatural para os governantes medievais

Coroação do rei Filipe Augusto da França. Grandes Chroniques de France. Enluminures par Jean Fouquet. Tours, c.1455-1460
Coroação do rei Filipe Augusto da França. Grandes Chroniques de France.
Enluminures par Jean Fouquet. Tours, c.1455-1460




Os governos medievais — monárquicos, aristocráticos ou democráticos — nascidos sob a bênção da Igreja, tinham auxílio sobrenatural. E ao mesmo tempo, eles tinham uma profunda impronta familiar.

O resultado é que do governo descia uma força vigorosa mas doce e cheia de unção, sobrenatural e muito proporcionada ao homem.

Esse auxílio para governar com justiça e suavidade, apalpava-se no dia a dia, sem que o chefe de Estado tivesse que ser santo de altar.

Muitos episódios medievais de governo encantam pela ingenuidade, mas também manifestam uma sabedoria que lembra fatos do Antigo Testamento.

Eis um exemplo acontecido sob o reinado de Filipe Augusto:

domingo, 24 de maio de 2015

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim



No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças


domingo, 17 de maio de 2015

Fidelidade ao senhor feudal

Ato de vassalagem de Carlos o Mau, rei de Navarra, a Carlos V da França.
Ato de vassalagem de Carlos o Mau, rei de Navarra,
a Carlos V da França. Grandes Chroniques de France, BnF.




A partir da época carolíngia existiu aquilo que se poderia chamar uma mística da vassalagem.

Quer dizer, uma vida interior que forjava em inúmeros vassalos a dedicação absoluta pelo seu senhor, razão de ser essencial da instituição.

O caráter religioso da fidelidade jurada contribuiu imensamente para alimentar essa chama.

Belo exemplo dessa fidelidade pode ser ler na exortação dirigida em 843, por uma mulher de alto nascimento e grande cultura, Dhuoda, esposa do Marquês Bernardo de Septimania, a Guilherme, seu filho mais velho.

Dhuoda exorta-o à fidelidade para com o senhor, a quem o seu pai decidiu que viesse a ser recomendado.

Não há dúvida de que esse senhor é o próprio rei Carlos, o Calvo. Mas é um rei cujo poder é contestado.

domingo, 10 de maio de 2015

Inglaterra: saudades do passado medieval católico
no enterro de Ricardo III

Ricardo III, da dinastia Plantageneta, último rei medieval inglês



Há 530 anos morria em combate Ricardo III (1452-1485), o último rei da dinastia Plantageneta, da Inglaterra.

Ele foi vencido na batalha de Bosworth Field por Henrique Tudor, invasor e candidato à coroa, que se tornaria o rei Henrique VII da dinastia que precipitou o país no protestantismo.

Ricardo III foi o último rei medieval inglês.

Reinou de 1483 a 1485 e sua morte marcou o fim das Guerras das Rosas, entre a Casa de Lancaster (representada por uma rosa vermelha) e a Casa de York (representada por uma rosa branca).

O túmulo de Ricardo III estava desaparecido, provavelmente pelo receio de seus seguidores de que pudesse ser profanado pelos Tudor.

domingo, 3 de maio de 2015

Função e simbolismos da música

Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797
Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797




Os pensadores medievais insistiam em que há dois modos de degustar a música.

Uma é a forma vulgar que fica no sensível, no prazer imediato da orelha afagada pelos sons doces.

A outra forma é intelectual: ela eleva a beleza sonora até o mundo das proporções inteligíveis, até o próprio Deus.

Na primeira forma os compositores se comprazem na simples audição e compõem segundo seu capricho.

Na segunda forma, compõem segundo as regras.

Os primeiros são como bêbados que voltam para casa sem conhecer o caminho.

Os outros são sábios que sabem o que fazem e como o fazem.

Para os sábios, a música é uma atividade intelectual e contemplativa. Ouvindo-a com inteligência penetra-se no mundo dos mistérios sublimes, das regras da harmonia, dos números eternos.