segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Feliz concórdia entre Sacerdócio e Império
no cerne do regime medieval

O rei Filipe I da França conversa com o Papa Pasqual II. Grandes Chroniques de France, Bibliotèque National de France.
O rei Filipe I da França conversa com o Papa Pasqual II.
Grandes Chroniques de France, Bibliothèque National de France.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No âmago da grande paz e da luminosa ordem medieval nós encontramos a união entre o Poder Espiritual e o Poder Temporal.

Não havia indiferentismo do Estado, nem laicismo agressivo, nem oposição crônica e desgastante entre os dois.

A Igreja não só respeitava as legítimas autoridades. Foi Ela, muitas vezes, a que instituiu e organizou os sistemas de governo, a partir de realidades embrionárias preexistentes, como o reino bárbaro dos francos ou dos hunos (húngaros).

E Ela vigiava como uma mãe para que o filho perseverasse pelo bom caminho.

Hoje, na imensa maioria dos casos, o filho está em estado de indiferença ou até revolta contra a mãe.

E então vemos imensas durezas na vida diária, crises e desajustes um pouco por toda parte. Os cidadãos sofrem as consequências, como filhos de pais divorciados em perpétua briga.

domingo, 23 de outubro de 2016

Subiaco: no ponto de partida da Cristandade medieval está a gruta de São Bento

Subiaco, panorama desde a Santa Gruta

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Onde e quando nasceu a Cristandade medieval? Quem foi o fundador?

A resposta é paradoxal. Foi numa gruta. E o fundador foi um ermitão isolado.

Um jovem nobre romano que fugiu da imoralidade e da decadência de Roma.

Sim, da Roma que em poucos anos haveria de ser afogada no sangue e no fogo.

Foi o grande São Bento, o Patriarca de Ocidente, a grande alma que deu o ponto de partida da imensa ordem medieval, justa e sacral.

São Bento acabou fundando a Ordem Beneditina, que subsiste até hoje nos seus vários ramos e famílias espirituais. Em torno dos mosteiros beneditinos foram se aglutinando os restos do naufrágio do Império Romano e, também, bandos de bárbaros apenas aculturados.

domingo, 16 de outubro de 2016

Seriedade e respeitabilidade até no pequeno:
uma nota dominante da Idade Média

Retábulo de São Pedro. Bernardo Martorell (1400c.-1452). Museu diocesano de Girona, Espanha.
Retábulo de São Pedro. Bernardo Martorell (1400c.-1452).
Museu diocesano de Girona, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A Idade Média foi um fenômeno que se deu na Europa considerada como um todo.

Na Europa havia reinos grandes como a Inglaterra e lugarejos como o reino da Córsega ou da Sardenha que era um reino pequeníssimo numa ilha de proporção reduzida.

Pequenos e grandes, monarquias e repúblicas, todos constituíam a Europa da Idade Média.

E apesar da diferença de línguas, de trajes, de tudo, havia uma nota comum entre todos eles.

Alguma coisa dominava o ambiente da Idade Média e que era a alma ou o rosto da Idade Média.

É esse rosto da Idade Média que faz até hoje com que ela tenha admiradores e tenha, sobre tudo, pessoas que a odeiam.

domingo, 9 de outubro de 2016

O amor às crianças é um fruto abençoado da Cristandade medieval

Frederico de Sonneburg e seus filhos. Codex Manesse, fol. 407r.
Frederico de Sonneburg e seus filhos.
Codex Manesse, fol. 407r.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A primeira herança da Antiguidade não é nada boa: a vida da criança no mundo romano dependia totalmente do desejo do pai.

O poder do pater famílias era absoluto: um cidadão não tinha um filho, o tomava.

Caso recusasse a criança – e o fato era bastante comum – ela era enjeitada. E o que acontecia à maioria dos enjeitados? A morte.

A segunda herança que a Idade Média herda da Antiguidade, a cultura bárbara, foi-nos passada especialmente por Tácito. Ele nos conta que a tradição germânica em relação às crianças era um pouco melhor que a romana.

Os germanos não praticavam o infanticídio, as próprias mães amamentavam seus filhos e as crianças eram educadas sem distinção de posição social.

Dessas duas tradições culturais que se mesclaram e fizeram emergir a Idade Média, concluo que o status da criança naquelas sociedades antigas era praticamente nulo.

Até o final da Antiguidade as crianças pobres eram abandonadas ou vendidas; as ricas enjeitadas – por causa de disputas de herança – eram entregues à própria sorte.

domingo, 2 de outubro de 2016

A sociedade medieval: algo do Céu na Terra

Altar Santo André

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.