domingo, 29 de julho de 2007

Mont Saint-Michel recupera seu sacral e sublime isolamento



O monte Saint-Michel na Idade Média era chamado Saint-Michel du Mont du Péril: São Miguel do Monte do Perigo. Sua agulha toca o Céu. Rodeiam-na areias movediças e marés furiosas que sobem metros e em instantes engolem os viajantes. O mosteiro era tido residência do próprio São Miguel Arcanjo. Quem ainda lá vai, num dia de poucos turistas, pode sentir sobrenaturalmente o bater das asas do chefe das milícias celestes.
Céus e mar; tempestades e mistério; monges e cavaleiros; cruzes, relíquias e espadas: o Mont Saint-Michel é um cântico da fé e do heroísmo.
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Odiado pela Revolução Francesa, foi transformado em vil prisão. O crime repugnou ateus famosos. Uma ponte e uma barragem forçaram a sedimentação de areia e lama e uniram a ilha-abadia e fortaleza à terra.
O efeito causou horror. Mais. A saudade da incomensurável grandeza sacral dessa jóia medieval feria a alma francesa. Afinal o governo laicista entregou os pontos. Hoje, 29.7.2007, "Le Monde" informa que ele ordenou a demolição de pontes e barragens e a aplicação de 200 milhões de euros para devolver ao Monte do Príncipe das Legiões Celestes a sua altaneira e majestosa alteridade em relação ao continente. Nesta disputa com a modernidade, acabou ganhando a Idade Média!
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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Restos medievais na Justiça dividem ingleses


Os juízes das varas cíveis de Inglaterra e Gales ficaram proibidos de usar as tradicionais perucas brancas e capas vermelhas e douradas que datam do século XVIII.
O pretexto foi economizar US$ 600.000, cifra diminuta dentro dos mastodônticos orçamentos públicos e comunitários.
A exceção por agora tolerada será a dos juízes de distrito e das Cortes Reais. Os juízes das varas criminais também não aceitaram, pois, com bom senso aduziram que a peruca põe em realce a dignidade dos julgamentos. O premio da inépcia foi ganho pelo lord socialista de Justiça, Charles Phillips. Para ele perucas e capas transmitiam uma imagem de respeitabilidade “totalmente alheia à realidade e envolta em tradições desnecessárias”.
Na verdade, capas e perucas, que não eram medievais, perpetuavam a imensa dignidade, esplendor e respeitabilidade com que a ordem medieval rodeou o ínclito Poder Judiciário. Perceberam bem isso os ativistas de esquerda que infiltram esse augusto Poder para abusar de suas atribuições e impor reformas que a sociedade não quer. A força que a Idade Média comunicou às instituições cristãs foi tal que em pleno III milênio ainda se polemiza em torno dela.

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Moeda medieval, a mais estável em séculos


No dia de hoje os jornais anunciam que o real e o peso argentino se sobrevalorizam face ao dólar. Poucos anos atrás naufragavam. O euro se desvalorizaa facee à moeda americana, mas até pouco todos clamavam que o euro estava nas nuvens.

Nos EUA não pára a berrina contra o dólar que eles acham "débil", mas Washington gosta assim mesmo. Na Europa o euro "forte" arrebenta a competividade das empresas. Xinga-se o yuan chinês supervalorizada, esperneia-se contra o yen japonês. A ciranda universal não sossega nem para cima nem para baixo, nem na estabilidade.

Amanhã mídia e especialistas falarão o contrário de hoje. E depois de amanhã o contrário do contrário, enquanto correm trilhões de um mercado a outro como fluxos de lava furiosa. Ninguém acha investimento rentável sossegado.

Entretanto, houve ao menos uma moeda que varou os séculos nimbada de prestigio: o luis de ouro medieval!

São Luís IX, Rei da França, viveu no século XIII e alcançou tal prestígio, que até hoje se encontram com facilidade moedas de ouro cunhadas com sua efígie, sempre bem cotadas.

O povo as respeitava e guardava como se fossem medalhas religiosas, quase como relíquias! Por isso ainda há em abundância. O reinado do soberano cruzado, contudo, teve lugar há 700 anos!

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quarta-feira, 25 de julho de 2007

A Igreja sagra Carlomagno imperador e reergue a cultura


A Igreja instituiu, na ordem temporal, o Sacro Império Romano Alemão na pessoa de Carlos Magno, rei dos francos. Ele deu um impulso incomparável à educação e às artes. Nessa obra educadora sobressaiu Alcuíno [foto 4], conselheiro íntimo de Carlos Magno, pupilo de São Beda, o venerável, e abade do mosteiro de Saint Martin em Tours. Falando da biblioteca de sua abadia em York, Alcuíno menciona obras de Aristóteles, Cícero, Lucanus, Plínio, Statius, Trogus Pompeius e Virgílio.


Alcuíno apresenta manuscritos a Carlos Magno

O bem-aventurado Papa Vítor III, que foi abade de Montecassino, na Itália, patrocinou a transcrição de obras de Horácio, Sêneca e Cícero. Santo Anselmo, quando abade de Bec, na Inglaterra,recomendava Virgílio e outros clássicos a seus estudantes, mas prevenia-os contra as passagens imorais. Num exercício escolar de Santo Hildeberto, encontramos excertos de Cícero, Horácio, Juvenal, Persius, Sêneca, Terêncio e outros. Santo Hildeberto, aliás, conhecia Horácio praticamente de memória.
Minúscula carolíngia

Inovação material decisiva foi a minúscula carolíngia. Antes dela os manuscritos não tinham minúsculas, pontuação ou espaços em branco entre as palavras. A minúscula carolíngia, com sua “lucidez e sua graça insuperável, apresentou a literatura clássica num modo que todos podiam ler com facilidade e prazer” (p. 14). O medievalista Philippe Wolff equipara este desenvolvimento à invenção da imprensa.

O fácil acesso ao latim abriu as portas ao conhecimento dos Padres da Igreja e dos clássicos greco-romanos. Pois é mito falso que os grandes autores da Antiguidade só vieram a ser resgatados pela Renascença, época histórica que iniciou o multissecular processo revolucionário que em nossos dias atingiu um clímax.

Lord Kenneth Clark mostrou que “só três ou quatro manuscritos antigos de autores latinos existem ainda; todo nosso conhecimento da literatura antiga se deve à coleta e cópia que começou sob Carlos Magno, e quase todo texto clássico que sobreviveu até o século VIII sobrevive até hoje!” (p. 17).

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