domingo, 11 de março de 2018

A placidez operosa do copista


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Um medieval está copiando certo livro. Deveria ser desses copistas profissionais, dos quais alguns eram artistas verdadeiros.

Sentado numa mesa junto à janela, ele está vestido com uma roupa que podemos imaginar de cor entre marrom e preto, ampla, na qual se percebe que ele se movia completamente à vontade, e que o agasalhava bem.

À sua direita, uma janela com vidros de fundo de garrafa, tal vez de cor verde, um pouco dado ao claro, fechada de tal maneira que a luz penetrava da direita para a esquerda, portanto iluminando o trabalho como deveria fazê-lo.

Ele, sentado com rosto plácido, escreve com uma pena de pato grande.

E o copista faz tranquilamente seu trabalho; um trabalho belo, para o qual — percebe-se — ele tem habilidade.

Sem pressa, sem angústia, sem cansaço. Vê-se que está ali sumamente entretido. Ganhando a vida e entretido.

Mas entretido com o quê? Com aquele ambiente que exprimia determinados valores morais.



Por exemplo, o seguinte valor: placidez operosa. A placidez em si é uma qualidade moral.

Uma placidez operativa reúne duas perfeições opostas — porque aparentemente a placidez é o contrário da ação — mas harmônicas.

Não tem noção de que o dia se passou extraordinariamente bem. Para ele foi um dia normal.

Essa normalidade não foi deliciosa, foi apenas deleitável.

A diversão e o prazer são uma exceção na vida. O normal é essa deleitabilidade de cada dia.

É o verdadeiro entretenimento da normalidade, da tranquilidade, da placidez.



(Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008, p. 50.)



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2 comentários:

liberdade de expressão disse...

Belo e inspirado blog o vosso!

Abs,
Carlos

http://liberdadedeexpressao.multiply.com

Anônimo disse...

Apocalipse 20: Posso considerar os 1000 anos como sendo a Idade Média?

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