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domingo, 5 de março de 2023

São Gregório VII: 2ª sentença de excomunhão contra o imperador revoltado Henrique IV

São Gregório VII
São Gregório VII
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O imperador Henrique IV levantou-se contra o Papa São Gregório VII. O príncipe pretendia ter poder sobre o Papa com base em sofismas e uma capciosa interpretação das Escrituras.

Pretendia ainda, entre muitas coisas, ter poder para nomear bispos e destituí-los e até de depor o Sumo Pontífice.

São Gregório VII excomungou-o uma primeira vez. Sentido-se abandonado pelos seus, Henrique IV foi pedir a absolvição ao Papa que se encontrava a bom resguardo no castelo da condessa Matilde, na Toscana.

O imperador destituído passou três dias na neve, vestido de saco, implorando o perdão.

Porém, seu coração era falso e São Gregório VII percebia. A Corte pontifícia e até a própria condessa Matilde não perceberam e intercederam por ele. No fim, o santo Papa achou melhor suspender a excomunhão.

De volta, na Alemanha, o imperador recomeçou tudo. Em consequência, São Gregório VII renovou a condenação no Concílio Romano, em 7 de março de 1080.

Foi a segunda excomunhão formulada nos seguintes termos, onde brilha a santidade da Igreja e a heroica força de alma de um digno Vigário de Jesus Cristo:

Henrique IV pidiu perdão em Canosa. Não foi sincero.
“Ó São Pedro, chefe dos Apóstolos, e tu São Paulo, doutor das gentes, suplico-vos que presteis ouvidos e me escuteis com clemência; pois sois amantes discípulos da verdade, assisti-me para que eu Vos diga a verdade, limpa de qualquer mentira que Vós detestais, de maneira que meus irmãos melhor concordem comigo e saibam e compreendam que por confiança em Vós ‒ depois de Deus e de sua Mãe, Maria sempre Virgem ‒ eu resisto aos maus e aos iníquos...

“E posto que me ordenaste subir a um monte excelso para bradar em alta voz e apontar os pecados do povo de Deus as culpas dos filhos da Igreja, começaram a se insurgir contra mim os filhos do demônio, e premeditaram deitar a mão sobre mim até o sangue.

“Opuseram-se, com efeito, o rei da terra e os príncipes seculares e eclesiásticos, e ainda homens de corte e gente comum, uniram-se contra o Senhor e contra Vós, que sois seus ungidos, dizendo: ‘Rompamos seus grilhões e atiremos fora seu jugo’! E de mil maneiras tentaram lançar-se contra mim, para abater-me de vez com a morte ou com o exílio. (...)

“Confiante no juízo e na misericórdia de Deus e de sua Mãe piedosíssima, Maria sempre Virgem, e apoiando-me em vossa autoridade, excomungo e condeno ao anátema o mencionado Henrique, chamado rei, e a todos seus partidários.

Túmulo de São Gregório VII
“Pela segunda vez, nego-lhe, da parte de Deus onipotente e vossa, o reino da Alemanha e da Itália, e tiro-lhe todo poder e dignidade real; nenhum cristão lhe obedeça como a um rei; e desobrigo do juramento todos aqueles que lho fizeram ou lho farão relativamente ao reino. Em nenhum caso o mesmo Henrique com seus partidários possua forças e jamais em vida obtenha vitória. (...)

“Apreendam agora o rei e todos os príncipes temporais quão grande Vós sois, e quanto podeis. E tenham medo de considerar como coisa mesquinha a ordem de vossa Igreja.

“E executai logo a vossa sentença em relação ao dito Henrique, de modo que todos saibam que ele cairá, não por acaso, mas por vosso poder. Seja coberto de confusão até fazer penitência, para que deseje o céu e seu espírito seja salvo no dia do Senhor.”


(Fonte: CASPAR, Epistolae in usum scholarum, Monumenta Germaniae Historica, II, p.483).




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domingo, 24 de abril de 2022

São Gregório VII face aos atentados
contra os fiéis ministros da Igreja

Busto de São Gregório VII  em ouro e prata, na catedral de Salerno
Busto de São Gregório VII  em ouro e prata, na catedral de Salerno
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




São Gregório VII foi, sem dúvida, o Papa por excelência da História da Igreja.

Lutador indomável contra o cisma do Oriente, as heresias, o Império revoltado e um antipapa usurpador, foi também o idealizador das Cruzadas que libertaram o Santo Sepulcro de Nosso Senhor.

Entretanto, um tal gigante na defesa da Igreja não descuidava dos humildes.

Ele sabia descobrir, no combate humilde e corajoso, o ferido que sofria pela causa da Igreja, e o cercava de uma admiração e de uma ternura que não podia dar aos chefes, cuja fidelidade era devida ao preço da glória.

Leia-se esta carta a um pobre padre milanês chamado Liprand, que os simoníacos haviam mutilado de maneira bárbara:

“Se nós veneramos a memória dos santos que foram mortos depois que seus membros foram cortados pelo ferro, se celebramos os sofrimentos daqueles que nem o gladio nem os sofrimentos puderam separar da fé em Cristo, tu és mais digno de louvores ainda, por ter merecido uma graça que, se a ela se juntar a perseverança, te dá uma inteira semelhança com os santos.

“A integridade de teu corpo não existe mais; mas o homem interior, que se renova dia a dia, desenvolveu-se em ti com grandeza.

“Exteriormente as mutilações desonram teu rosto, mas a imagem de Deus, que é o brilho da Justiça, fez-se em ti mais graciosa por tua ferida, mais atraente pela deformação que se imprimiu a teus braços.

“A Igreja diz de si mesma no Cântico: ‘Eu sou negra, ó filhas de Jerusalém’.

“Assim, portanto, tua beleza interior não diminuiu com essas cruéis mutilações.

“Teu caráter sacerdotal, que é santo, e que é preciso reconhecer muito mais na integridade das virtudes do que na dos membros, não sofreu nenhuma desvantagem.

São Gregório VII excomunga o imperador Enrique IV que perseguia a Igreja.
São Gregório VII excomunga o imperador Enrique IV que perseguia a Igreja.
“Antigamente o Imperador Constantino foi visto beijar respeitosamente, no rosto de um bispo, a cicatriz de um olho que lhe fora arrancado pela sua fidelidade ao nome de Cristo.

“O exemplo dos Padres e as antigas escrituras nos recomendam manter os mártires no exercício do ministério sagrado, mesmo depois das mutilações que eles sofreram em seus membros.

“Tu, portanto, mártir de Cristo, sê pleno de segurança no Senhor. Olha a ti mesmo como tendo dado um passo a mais em teu sacerdócio. Ele te foi conferido com os óleos santos, e hoje, ei-lo selado com teu próprio sangue.

“Se muito te reduziu, muito te é necessário pregar o que é o bem, e semear esta palavra que produziu cem por um.

“Nós sabemos que os inimigos da Santa Igreja são teus inimigos e teus perseguidores.

“Não os temas, e nem tremas diante deles, porque nós guardamos com amor, sobre nossa tutela e da Sé Apostólica, tua pessoa e tudo o que se refere a ti.

“E se for necessário recorreres a nós, aceitamos desde já teu apelo, dispostos a te receber com alegria e grande honra, logo que venhas até nós e até esta Santa Sé”.


(Autor: D. Guéranger, “L’Année Liturgique”- Paris, 1897, vol. 3, p. 503)




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domingo, 23 de maio de 2021

Os “Ditames do Papa” e o maior Papa da Idade Média:
São Gregório VII

São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro  a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.  Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.
São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro
a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.
Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.
Luis Dufaur
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No ano do Senhor de 1075 foram incluídos nos registros pontifícios, os famosos Dictatus Papae, ou Ditames do Papa. I. é, regras, avisos, ordens ou doutrinas do Papa, redigidos em forma concisa e penetrante.

Os Ditames versam sobre as relações entre a Igreja (especificamente do Papado) com o Império, e a ordem temporal em geral.

No ano da inscrição, o Papa felizmente reinante São Gregório VII livrava tremenda batalha contra as indevidas pretensões do Imperador Henrique IV.

Nessa famosa querela ‒ também conhecida como “querela das investiduras” ‒ Henrique IV teve que pedir perdão a São Gregório VII, quem o tinha excomungado.

O grande Papa estava no castelo de Canossa, na Toscana. Henrique IV passou três dias do lado de fora, na neve, vestido de penitente até receber o perdão. De ali vem a expressão “ir a Canossa”.

Como São Gregório VII temia, o arrependimento de Henrique IV não era sincero. Voltou à Alemanha, montou um exército e assaltou Roma.

São Gregório VII foi assim obrigado a se refugiar no sul da Itália, morrendo em Gaeta, não muito depois.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Enlevo pela Idade Média revive episódios históricos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Com armas, armaduras, estandartes, cruzes e apetrechos, milhares de europeus revivem cada ano grandes momentos da gesta medieval.

Eles recriam ambientes e exércitos que causam inveja ao cinema pela exatidão da reconstituição histórica.

Na Inglaterra por volta de 20.000 pessoas participam de 300 re-encenações por ano, segundo a BBC.

Elas são sempre mais numerosas.

Destaca-se a re-encenação da batalha de Hastings (1066) [fotos].

Nela, Guilherme o Conquistador, vindo da Normandia, fez valer seus direitos ao trono de Santo Eduardo III, Rei e Confessor, da Inglaterra.

Andreas Wenzel, 30, participante em Hastings, é manager de marketing mas fala constantemente sobre armaduras, armas e histórias de guerra do século XV.

Ele deplora a falta de autenticidade dos filmes.

Para estas re-encenações, os arqueiros reconstituíram os arcos da época.

De fato, eles não eram mais fabricados porque são tão fortes que “o pessoal não consegue usá-los”.

O professor Martin Daunton, da Royal Historical Society, sublinha o valor educativo para as crianças.

Mas, para os adultos é uma via de fugir do presente enfadonho e imergir num ambiente onde as coisas tinham transcendência.

Homens e mulheres modernos se vestem e se armam como na Idade Média, engajam combates (virtuais) e gastam nisso quantias apreciáveis dos seus recursos.

Fariam isso se não estivessem cansados da chatice moderna?


VEJA MAIS FOTOS DA RE-ENCENAÇÃO DA BATALHA DE HASTINGS



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sábado, 16 de junho de 2007

Mais fotos da re-encenação da batalha de Hastings

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