domingo, 24 de maio de 2020

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo, abade de Claraval, Heiligenkreuz, Áustria
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários.

Era uma ordem militar de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias.

“Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas.

“E sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

São Bernardo aqui expõe uma teoria da confiança na guerra.

Ele figura um punhado pequeno de cavaleiros católicos que se metem no meio de adversários incomparavelmente mais fortes.

Mas, apesar da ferocidade dos adversários, os cavaleiros católicos carregam como lobos no meio de cordeiros.

Hábito-uniforme dos Templários
Hábito-uniforme dos Templários
Quer dizer, a ferocidade do adversário não vale de nada, porque há uma super-combatividade, uma super-força bélica da parte dos católicos que lhes vem toda do Céu.

Eles sabem que eles não têm recursos, que eles são menos numerosos. Mas Deus dá uma força invencível.

Além disso, Deus também cria as circunstâncias favoráveis à luta, por meios às vezes divinamente ardilosos. Deus liberta os verdadeiros cavaleiros dos adversários que podem atacá-los.

Prossegue São Bernardo:

“Experiência grande têm eles dessa verdade, porque mais de uma vez lhes aconteceu derrotar e pôr em fuga o inimigo, lutando na proporção de um contra mil e de dois contra dez mil.

“Enfim, esses soldados de Cristo, por modo maravilhoso e singular, se mostram tão mansos como cordeiros e tão ferozes como leões, de sorte que não se sabe se chamá-los monges ou guerreiros, ou dar-lhes outro nome mais próprio, que compreenda esses dois, posto que sabem juntar a mansidão de uns com o valor e a fortaleza dos outros.

“Acerca de tudo o que dizer senão que tudo isso é obra de Deus e obra admirável a nossos olhos?”

Neste parágrafo, São Bernardo dá a ideia de que o cavaleiro é manso como o monge; quer dizer, ele não ataca ninguém, ele não toma iniciativa de ferir a ninguém, o seu hábito é não estar lutando contra ninguém.

Templários monges
Templários monges
Ele é pacífico como um monge, mas posto na luta, ele é feroz como um leão.

Então, pergunta São Bernardo, o que é que se deve dizer dele? Deve-se chamá-lo leão, ou deve-se chamá-lo monge?

Diz ele: mais do que isso, é o monge-leão, ou o leão-monge.

Quer dizer, o guerreiro que é o homem que se fez frade para ser guerreiro.

Tem então a mansidão do Cordeiro de Deus ‒ Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado na Escritura, tantas vezes, de Cordeiro de Deus ‒, mas também tem a combatividade invencível do Leão de Judá, título de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Bernardo acrescenta ainda:

“Eis aqui homens fortes que o Senhor foi escolhendo desde um confim do mundo até outro, entre os mais bravos da Igreja, para torná-los soldados de sua escolta, a fim de que guardassem o leito do verdadeiro Salomão.

“Quer dizer, o Santo Sepulcro, e ao redor do qual os pôs para que estejam alertas como sentinelas fiéis, armados de espada e habilíssimos, nas artes da luta”.

Os católicos chamados a uma fidelidade autêntica no século XXI também são objeto de uma luta tremenda, se bem que incruenta, por parte dos adversários da Igreja.

Casa mãe dos Templários, Paris 1450
Casa mãe dos Templários, Paris 1450
Eles também são pouquíssimos em face de incontáveis; também têm enfrentado batalhas muito grandes, embora muito pouco numerosos e muito pouco ricos.

E isso acontece porque a força dos católicos não vem deles, mas vem de Deus Nosso Senhor por meio de Nossa Senhora.

Eles têm a experiência do que diz São Bernardo: nossa confiança deve estar toda em Deus.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira em 19-12-1966. Sem revisão do autor)




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domingo, 17 de maio de 2020

Santa Sé absolveu os Templários, ordem que está nas origens do Brasil


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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A Santa Sé anunciou a publicação de um documento pontifício que absolve a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários, dos cargos que lhe foram imputados.

Esta ordem militar de cavalaria foi fundada em Jerusalém em 1118, nos tempos das Cruzadas, por Hugo de Payens e Geoffroy de Saint-Omer e companheiros.

Ela protegia os peregrinos que iam a Terra Santa.

Túmulo de templários. Temple Church, Londres

O templários tornaram-se lendários pela sua fé e coragem no campo de batalha.

Criaram hospitais gratuitos de uma organização e esplendor famosos para romeiros e pobres.

Sua Regra foi ditada pelo grande São Bernardo.

Sua divisa foi: “não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória”.

O nome de Templários vem do fato de eles terem erigido suas primeiras instalações no local onde esteve o Templo de Salomão.

Capela templária do Convento de Cristo, Tomar, Portugal
Os cristãos deram donativos com largueza para as obras da Ordem.

A aureola de prestígio e de coragem que rodeava a Ordem, mais sua importância material, suscitou a inveja de reis e potentados picados pela mosca da Revolução contra a Igreja e a Civilização Cristã.

Em 13 de outubro 1307, o rei Felipe o Belo, da França, que haveria de morrer excomungado, fechou todas as sedes da Ordem, expropriou seus bens e promoveu processos contra ela.

Acusava-a de adorar o demônio, praticar a homossexualidade, blasfêmia e heresia.

O exemplo de Felipe o Belo foi seguido por outros reis, exceção feita, do de Portugal.

Os cavaleiros que fugiram da prisão, cárcere e torturas, refugiaram-se em terras portuguesas. 

O último Grão-Mestre foi queimado em Paris.

Felipe o Belo (foto) aduzia uma carta do Papa Clemente V.

Mas, agora, o Vaticano afirma ter achado documento do mesmo Papa Clemente V exonerando a Ordem de toda culpa.

A publicação ocorrerá sob os auspícios dos Arquivos Secretos do Vaticano e da fundação italiana Scrinium.

Muralhas de Tomar e Convento de Cristo, Portugal
Segundo o historiador medievista Franco Cardini, um dos responsáveis pela edição, “a prerrogativa do Papa (Clemente V) era a de dissolver a ordem, mas ele nunca a condenou”.

Cardini acrescenta que o documento achado “testemunha que o Pontífice não a considerava herege”.

A verdade é que se os Templários tivessem continuado existindo teriam sido grave obstáculo à Revolução gnóstica e igualitária que depois jogou o mundo no caos.

Tomar e Convento de Cristo, Portugal
Muitos grupelhos ou associações obscuras tentaram durante séculos se apropriar da aureola de prestígio dos Templários, e abusaram do seu nome.

De fato, nenhuma associação hoje existente sob o rótulo de Templários ou Templo é autêntica continuadora da genuína Ordem do Templo extinta no século XIV.


Foram esses cavaleiros que descobriram o território brasileiro e tiraram o Brasil do nada.

Se houve uma “vingança dos templários” ela consistiu em trazer à luz a nação hoje com a maior população católica da Terra, o Brasil, dotado de uma vocação providencial.

Os herdeiros espirituais de Felipe o Belo, entretanto, tentam enlamear e degradar o Brasil para que ele não cumpra essa missão histórica.


Fortaleza templária, La Couvertoirade, França
Fortaleza templária, La Couvertoirade, França




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domingo, 10 de maio de 2020

Tratado médico medieval inspira combate às epidemias

Atenção aos enfermos na Idade Média
Atendimento dos enfermos na Idade Média
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Os princípios gerais de combate às epidemias foram elaborados na Idade Média, como bem demonstra o Regimento de preservação da pestilência, do século XIV.

Ele compendia medidas, remédios e tratamentos para prevenir o contágio que estão sendo utilizados hoje na luta contra o coronavírus.

Esse tratado foi composto pelo mestre em Arts i Medicina Jaime d’Agramont, catedrático de Medicina da Universidade Estudi General de Lérida, em face da violenta epidemia chamada Peste Negra, lembrou o jornal “La Vanguardia”, reproduzido por “Clarín”.

Fac-símile Regiment de preservació de pestilència, Lleida, 1348. Jacme d'Agremont, Biblioteca Virtual Cervantes
Fac-símile Regiment de preservació de pestilència,
Lleida, 1348. Jacme d'Agremont, Biblioteca Virtual Cervantes
Na verdade, d’Agramont não excogitou sozinho o referido tratado, que é uma compilação de sábios conselhos elaborados por monges medievais para auxiliar os médicos e seus ajudantes.

A medicina sistematizada nasceu principalmente nas abadias medievais.

A própria instituição hospitalar era desconhecida na Antiguidade, até mesmo pelas civilizações pagãs mais requintadas.

Nelas, o doente ficava entregue a si mesmo, a curas caseiras e, para os mais ricos, havia o recurso a médicos que mais pareciam aprendizes e curandeiros supersticiosos.

O hospital como o conhecemos hoje nasceu em Jerusalém por obra dos cavaleiros hospitalares, mais conhecidos como Ordem de Malta, no auge das Cruzadas.

Copiando o modelo de Jerusalém, pulularam na Europa medieval os hospitais gratuitos.

Um peregrino alemão de nome Teodorico de Würzburg, que o conheceu, ficou maravilhado ao visitar um deles:

Hospital medieval
Hospital medieval
“Não podemos de maneira alguma fazer uma ideia do número de pessoas que ali se recuperam. Vimos um milhar de leitos. Nenhum rei ou tirano seria suficientemente poderoso para manter diariamente o grande número de pessoas alimentadas nessa casa”.

E era tudo gratuito!

Diante da epidemia surgida em outubro de 1347 na Catalunha, conhecida como Peste Negra, Jaime d’Agramont compreendeu ter chegado a hora de tomar medidas a fim de impedir a sua difusão.

Compôs então o seu tratado. Tal epidemia apareceu inicialmente no porto de Messina, quando uma frota de 12 galeras de Gênova ancorou ali, fugindo da invasão dos tártaros.

Os navegantes não sabiam, mas seus barcos foram os portadores do vírus que em apenas quatro anos fulminou a terça parte da população europeia.

A pandemia da Peste Negra foi definida pelo vocabulário médico da época como maxima pestis generalis.

Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica. Iluminura de 1353.
Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica.
Iluminura de 1353.
Em inícios de 1348 a peste negra avançou pela região francesa do Roussillon, dizimando cidades como Montpellier e Avignon.

Jaime d’Agramont sistematizou em seis meses o primeiro tratado conhecido para conter a epidemia.

Infelizmente há poucos dados biográficos do benemérito autor, mas “seu Régiment foi o primeiro a ser escrito com ânimo de utilidade pública e em função da peste negra”, defende o historiador da Medicina Dr. Francisco Cremades, da Universidade de Alicante.

O Prof. Cremades mostra que o coronavírus é combatido com as mesmas instruções deixadas por d’Agramont, como o confinamento, a desinfecção, a limpeza e ventilação de casas e ruas.

Procissão de flagelantes pedindo o fim da peste.
Procissão de flagelantes pedindo o fim da peste.
O manuscrito é datado de 24 de abril de 1348 e depois da Peste Negra permaneceu ignorado durante mais de cinco séculos, tendo sido recuperado e transcrito no século XX, em Lérida, no arquivo da paróquia de Santa Maria em Verdú.

O texto entusiasmou os descobridores, pois destacava a importância dos fatores psicológico-morais na cura das enfermidades, princípios esquecidos nos séculos posteriores de positivismo e materialismo.

D’Agramont, por exemplo, insistia na importância do bom ânimo do paciente para derrotar a doença, bem como o auxílio religioso — que hoje foi até banido dos grandes hospitais, em detrimento das pessoas doentes.





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domingo, 3 de maio de 2020

Simbolismo medieval da nave:
Arca da Salvação, maternidade da Igreja


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O nártex (vestíbulo sob o coro) logo na entrada da igreja é o primeiro espaço sagrado da casa de Deus.

Também é conhecido como galilé, porque dali parte a procissão que, no início da Missa, dirige-se até o altar, simbolizando a jornada de Cristo desde a Galiléia até Jerusalém, rumo ao sacrifício do Calvário.

No nártex, a água benta lembra o batismo, a necessidade do perdão dos pecados, e tem efeito exorcístico sobre o demônio e as tentações.

A nave encarna a “Arca de Salvação”.

A Igreja, Ela própria, é essa arca, a Barca de Pedro.

Simboliza também o seio materno, pois a Igreja gera as almas para o Céu.

Ela é ainda imagem do Corpo Místico de Cristo posto a serviço de sua cabeça: Deus Nosso Senhor.

Um famoso diagrama da Idade Média coloca o Crucificado sobre a planta de uma igreja típica.

Sua divina cabeça repousa no presbitério, os braços no transepto, o corpo e as pernas na nave.

As colunas da nave representam os Apóstolos,.

E as quatro colunas do cruzeiro simbolizam os quatro Evangelhos.



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