domingo, 20 de agosto de 2017

Alguns grandes nomes da ciência medieval

Santo Alberto Magno, St Dominic, Londres
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Alberto Magno (1193-1280), o Doutor Universal, foi o principal representante da tradição filosófica dos dominicanos.

Além disso, é um dos trinta e três Santos da Igreja Católica com o título de Doutor da Igreja.

Tornou-se famoso por seu vasto conhecimento e por sua defesa da coexistência pacífica da ciência com a religião.

Alberto foi essencial em introduzir a ciência grega e árabe nas universidades medievais, mas nunca hesitou em duvidar de Aristóteles.

Em uma de suas frases famosas, afirmou: a ciência não consiste em ratificar o que outros disseram, mas em buscar as causas dos fenômenos. Tomás de Aquino foi seu aluno.

Robert Grosseteste (1168-1253), Bispo de Lincoln, foi a figura central do movimento intelectual inglês na primeira metade do século XIII e é considerado o fundador do pensamento científico em Oxford.

Tinha grande interesse no mundo natural e escreveu textos sobre temas como som, astronomia, geometria e óptica.

Dom Robert Grosseteste, bispo de Lincoln,
(1168-1253). vitral de Saint Paul, Westernmost
Afirmava que experimentos deveriam ser usados para verificar uma teoria, testando suas consequências; também foi relevante o seu trabalho experimental na área da óptica. Roger Bacon foi um de seus alunos mais renomados.

Roger Bacon (1214-1294), o Doutor Admirável, ingressou para a Ordem dos Franciscanos por volta de 1240, onde, influenciado por Grosseteste, dedicou-se a estudos nos quais introduziu a observação da natureza e a experimentação como fundamentos do conhecimento natural.

Bacon propagou o conceito de “leis da natureza“ e contribuiu com estudos em áreas como a mecânica, a geografia e principalmente a ótica.

As pesquisas em ótica de Grosseteste e Bacon estabeleceram a disciplina como um campo de estudo na universidade medieval e formaram a base para uma duradoura tradição de pesquisa na área.

Tradição que chegou até o início do século XVII, quando Kepler fundou a ótica moderna.

Tomás de Aquino (1227-1274), também conhecido como o Doutor Angélico, foi um frade dominicano e teólogo italiano.

Tal qual seu professor Alberto Magno, é santo Católico e doutor desta mesma Igreja.

Seus interesses não se restringiam à filosofia; também interessou-se pelo estudo de química, tendo publicado uma importante obra química chamada “Aurora Consurgens”.

Entretanto, a verdadeira contribuição de São Tomás para a ciência do período foi ter sido o maior responsável pela integração definitiva do aristotelismo com a tradição escolástica anterior.

Frei João Duns Scot OFM
João Duns Scot (1266-1308), o Doutor Sutil, foi membro da Ordem Franciscana, filósofo e teólogo.

Formado no ambiente acadêmico da Universidade de Oxford, onde ainda pairava a aura de Robert Grosseteste e Roger Bacon, teve uma posição alternativa à de São Tomás de Aquino no enfoque da relação entre a Razão e a Fé.

Para Scot, as verdades da fé não poderiam ser compreendidas pela razão. A filosofia, assim, deveria deixar de ser uma serva da teologia e adquirir autonomia.

Duns Scot foi mentor de outro grande nome da filosofia medieval: William de Ockham.

Jean Buridan (1300-1358) foi um filósofo e padre francês. Embora tenha sido um dos mais famosos e influentes filósofos da Idade Média tardia, ele é hoje um dos nomes menos conhecidos pelo público não-especialista.

Uma de suas contribuições mais significativas foi desenvolver e popularizar da teoria do Ímpeto, que explicava o movimeto de projéteis e objetos em queda livre.

Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da Inércia, de Isaac Newton.

William de Ockham (1285-1350), o Doutor Invencível, foi um frade franciscano, teórico da lógica e teólogo inglês. Occam defendia o princípio da parcimônia (a natureza é por si mesma econômica), que já podia ser visto no trabalho de Duns Scott, seu professor.

Nicolás d'Oresme
William foi o criador da doutrina conhecida como Navalha de Ockham: se há várias explicações igualmente válidas para um fato, então devemos escolher a mais simples. 

Isso tornou-se parte básica do que viria a ser conhecido como método científico e um dos pilares do reducionismo em ciência.

Occam morreu vítima da peste negra. Jean Buridan e Nicole Oresme foram seus seguidores.

Nicolás d'Oresme (c.1323-1382) foi um gênio intelectual e talvez o pensador mais original do século XIV. Teólogo dedicado e Bispo de Lisieux, foi um dos principais propagadores das ciências modernas.

Além de suas contribuições estritamente científicas, Oresme combateu fortemente a astrologia e especulou sobre a possibilidade de haver outros mundos habitados no espaço.

Ele foi o último grande intelectual europeu a ter crescido antes do surgimento da peste negra, evento que teve impacto bastante negativo na inovação intelectual no período final da Idade Média.

A lista não é exaustiva. Outros nomes relevantes da ciência européia no período medieval incluem:

Beato Hermannus Contractus
-- Beda, o Venerável (672-735), monge e historiador

-- Beato Hermannus Contractus (1013–1054), matemático, astrónomo, teórico da música e compositor,

-- Jordanus de Nemore (por volta de 1200), frade dominicano e matemático, escreveu tratados sobre a ciência dos pesos; os algoritmos nos tratados de aritmética prática; aritmética pura; álgebra; geometria e projeçao estereográfica,

-- Theodoric de Freiberg (1250-1310), físico, autor de um tratado clave para o estudo do arco-irís e a difração da luz e a formação das cores

-- Thomas Bradwardine (1290–1349), matemático, físico e arcebispo de Cantuária, e

-- Nicolau de Cusa (1401-1464), cardeal, teólogo e filósofo marca o afastamento do pensamento medieval aristotélico-tomista e abre as portas para o Humanismo.

A lista foca os nomes da ciência na Europa de língua latina: não inclui, por exemplo, a ciência desenvolvida nos territórios sob domínio Árabe.

A "Idade das Trevas" deveria ser chamada de "Idade do Brilho", ela sob vários pontos de vista foi mais brilhante que a nossa época, diz Professor Anthony Esolen, do Providence College:




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domingo, 13 de agosto de 2017

Nobre ou burguês? Escolha: pagar imposto com seu sangue ou com mercadorias?

Nobre cavaleiro medieval
Nobre cavaleiro medieval
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A imagem representa um nobre.

Alguém diria:

“Que diferença! Como é mais agradável ser este nobre!

“Olha como ele é bonitão, como ele está bem armado, como ele cerra de cima!

“Que majestade que tem esse homem! Eu gostaria de ser mais esse homem do que um burguês”.

A resposta é imediata:

“Meu caro, tem bom gosto! Mas, antes de optar, pense um pouco. Os nobres eram os guerreiros da sociedade. A Idade Média não tinha serviço militar obrigatório.

“Só quando a cidade ou a região era atacada que os habitantes da cidade deviam defendê-la. Se o inimigo fugisse, acabava a guerra para eles; se o inimigo tomasse a cidade, também os habitantes desta ficavam lá. O inimigo ia embora e eles ficavam na paz.

“Mas o nobre, não. O nobre tinha obrigação de defender o país. E quando o rei convocava para a guerra, o nobre tinha que ir, pagando de seu bolso os soldados que ele levava.

“O nobre era a classe militar – que derramava seu sangue em todos os campos de batalha da Europa.

Burguês medieval no inverno, col. Lewis E M 011-19
Burguês medieval no inverno, col. Lewis E M 011-19
“E como o sangue, mais do que uma mercadoria – mas, a ser comparado a uma mercadoria, é a mais alta das mercadorias --, ele entregava seu sangue pela pátria. Era a primeira classe social, era a classe dos sacrificados.

“Era a classe, portanto, também dos que tinham poder, dos que eram cercados de admiração e de respeito, porque eram o muro vivo da nacionalidade”.

Agora: imagine se se oferecesse aos indivíduos de hoje esta escolha:

“Vocês vão ser nobres, mas quando houver guerra, é só por cima de vocês. Nós não vamos para a guerra”. - O leitor acha que haveria muitos nobres hoje?

Quantos queriam ser nobres?

Santo Hermenegildo, Francisco de Zurbarán
Santo Hermenegildo, Francisco de Zurbarán
Quantos dos que hoje usam o título de nobres queriam continuar nobres com a condição de ir obrigatoriamente para a guerra?

Não seriam muitos.

Agora, por quê?

Porque a tarefa da guerra era dura e o nobre medieval era um esplêndido batalhador.

Então, quando dizem que os nobres sugavam o povo com impostos, perguntem isso: se eles queriam ser nobres a esse preço, e muitos vão ficar muito embaraçados.

A imagem ao lado é de um guerreiro medieval. É pintado por um pintor de um pouco depois da Idade Média, o grande pintor Zurbarán, e representa um príncipe espanhol Santo Hermenegildo (564–585), filho do rei visigodo Leovigildo.

O pintor o apresenta com suas insígnias de príncipe e com a arma de guerra usada em seu martírio, pois ele recusou aceitar a heresia ariana dominante em sua régia família.

O quadro representa muito bem a estampa de um nobre guerreiro medieval e sua disposição continuada para a guerra e para a morte pelo bem do país e da Igreja.

Junto com São Fernando III, Rei de Castela, é o santo patrono da monarquia espanhola.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 22.04.73. Sem revisão do autor.)



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domingo, 6 de agosto de 2017

Imperador Carlos Magno: nome que ecoa pelos séculos!

Luis Dufaur
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O que é mais admirável em Carlos Magno: o homem de piedade ou o guerreiro? O diplomata ou o organizador do Império? O restaurador da cultura ou o fundador de uma dinastia?

Sinto mal-estar diante da pergunta. Não porque ela não tenha sentido — pode-se fazer tal pergunta, ela tem razão de ser —, mas o modo como ela é feita tende a omitir o mais importante: todo o conjunto.

A questão está mal formulada, porque essas qualidades admiráveis não se excluem. Elas devem ser consideradas concretamente em um homem, e não abstratamente.

Ou seja, no Imperador do Sacro Império, tais qualidades formam um todo que o representa. Uma totalidade que fez com que os dois nomes “Carlos” e “Magno” adquirissem som de prata e de bronze, que ecoa pelos séculos.

Esse é a característica própria de Carlos Magno, que é muito maior do que a soma daquelas qualidades.

Considerando o unum de um homem, podemos melhor compreender como as várias qualidades resultam, de fato, numa beleza maior, pois o conjunto é mais belo que as partes. Mas isto, na medida em que as qualidades isoladas forem muito boas.

Exemplo: um vitral em que cada pedacinho de vidro de má qualidade reflete mediocremente a luz, deixando-a transparecer de forma embaçada e em cores indefinidas, dá um conjunto inexpressivo num vitral ordinário.

É preciso que cada vidrinho seja de muito boa qualidade para que o conjunto fique extraordinariamente lindo.

A matéria-prima tem de ser excelente para que o conjunto seja ainda melhor.

Carlos Magno é um exemplo estupendo desse princípio!

Carlos Magno ((742-814), foi Rei dos francos de 768 a 814, dos lombardos e Imperador do Ocidente de 800 a 814 — coroado em Roma pelo Papa Leão III na noite de Natal do ano 800. Considerado protótipo de Imperador cristão, lançou as bases da Cristandade medieval.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 26 de outubro de 1980. Sem revisão do autor.




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domingo, 30 de julho de 2017

Como passar do caos à Civilização. A obra beneditina

São Bento
Luis Dufaur
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No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais.

No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia.

Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.

Até inícios do século XIV os beneditinos tinham dado à Igreja 24 Papas, 200 cardeais, 7.000 arcebispos, 15.000 bispos e 1.500 santos canonizados. Em seu auge, a Ordem Beneditina reuniu 37.000 mosteiros.

E não é uma questão apenas de números.

A Ordem era tão admirada, que nela foram concluir seus dias 24 imperadores, 10 imperatrizes, 42 reis e 15 rainhas.

Essa colossal rede monástica explica a transformação do caos que existia no início da Idade Média, na civilização por excelência, a despeito de invasões e guerras.

Quando os gregos sofreram a invasão dos dórios no século XII a.C., recaíram durante três séculos no analfabetismo.

 copista medieval
O engajamento dos monges medievais com a leitura, escrita e educação evitou esse terrível destino aos europeus, após a catástrofe da queda do Império Romano do Ocidente.

Não menos devastadoras foram as invasões posteriores de vikings, saxões, magiares ou maometanos.

Mas a determinação inabalável de bispos e monges salvou a Europa de um segundo colapso.

De acordo com o historiador malês Cristopher Dawson, as hordas saquearam mosteiros e queimaram bibliotecas, mas os monges impediram que a luz do conhecimento fosse extinta.

Alguns mosteiros ficaram célebres pelo domínio de certos ramos do saber.

Os monges de Saint-Bénigne em Dijon, na França, davam aulas de medicina.

Universidade de Salamanca
Os do mosteiro de Saint-Gall mantinham uma escola de pintura e gravação.

Em conventos alemães podiam-se assistir aulas em grego, hebreu e árabe.

Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos, especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras.

São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de toda parte.

São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: 
"Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes".

Vídeo: a Igreja e as origens do Direito Internacional







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