domingo, 19 de agosto de 2018

Origens históricas do feudalismo

Carlos Magno
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No século IX, o grandioso Império Carolíngio ficou reduzido a escombros pelos desacordos entre seus descendentes e nobres.

Sobre essas ruínas lançaram-se em novas e devastadoras incursões os bárbaros, os normandos, os húngaros e os sarracenos.

Não podiam as populações, assim acometidas de todos os lados, resistir a tantas calamidades com o mero recurso ao já muito debilitado poder central dos reis.
 
Voltaram-se, muito naturalmente, para os respectivos proprietários de terras, em demanda de quem as comandasse e as governasse em tão calamitosa circunstância.

Acedendo ao pedido, os proprietários construíram fortificações para si e para os “seus”.

Normandos: re-encenação da batalha de Hastings
Com a designação “seus”, o espírito do tempo, profundamente cristão, incluía, paternalmente, não só os familiares, mas a chamada sociedade heril.

Essa era formada pelos empregados domésticos, trabalhadores manuais e respectivas famílias, que habitavam as terras do proprietário.

Para todos havia guarida, alimento, assistência religiosa e comando militar nessas fortificações.

Essas fortificações, com o tempo, se foram transformando nos altaneiros castelos senhoriais, de que restam hoje tantos exemplares.

E, no recinto desses castelos, cabiam por vezes até os bens móveis e o gado que cada família de camponeses conseguia subtrair assim à cupidez dos invasores.

Na reação militar, o proprietário rural e os seus familiares eram os primeiros combatentes.

O dever deles era comandar, estar na vanguarda, na perigosa direção das ofensivas mais arriscadas, das defensivas mais obstinadas.

À condição de proprietário somou-se assim a de chefe militar e de herói.

Muito naturalmente, todas essas circunstâncias revertiam, nos intervalos de paz, em poder político local sobre as terras circundantes.

Esse poder político fazia do proprietário um senhor, um Dominus no sentido pleno da palavra, com funções de legislador e juiz.

E, enquanto tal, um traço de união com o rei.




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domingo, 12 de agosto de 2018

Confrarias de mestres e operários de um mesmo ofício: autonomia, proteção social e fé

Na Europa, até hoje as antigas confrarias de ofícios e de bairros rememoram suas tradições. Foto em Florença, Itália.
Na Europa, até hoje as antigas confrarias de ofícios e de bairros
rememoram suas tradições. Foto em Florença, Itália.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A confraria (dos artesões de um ofício definido, p.ex.: alfaiates), que era de origem religiosa e existia mais ou menos por toda parte, era um centro de ajuda mútua.

Figuravam em primeiro plano as pensões concedidas aos mestres idosos ou já enfermos e os socorros aos doentes, durante todo o tempo da doença e da convalescença.

Era um sistema de seguros em que cada caso podia ser conhecido e examinado em particular, o que permitia dar o remédio apropriado a cada situação e ainda evitar os abusos.

Se o filho de um mestre é pobre e quer aprender, os homens de bem devem lhe ensinar por 5 soldos (taxa corporativa) e por suas esmolas — diz o estatuto dos fabricantes de escudos.

A corporação ajudava ainda no caso de seus membros precisarem viajar ou por ocasião do desemprego.

Thomas Deloney conta-nos este episódio interessante: Tom Dsum, sapateiro inglês em viagem, encontra-se com um jovem senhor arruinado, e se dispõe a acompanhá-lo a Londres:

Em Siena, Itália, as "contrade" ou bairros, revivem em esplendorosa festa suas glórias seculares. Os bairros estavam ligados a um artesanato ou profissão manual.
Em Siena, Itália, as "contrade" ou bairros,
revivem em esplendorosa festa suas glórias seculares.
Os bairros estavam ligados a uma profissão manual.
— Sou eu quem paga. Na próxima cidade nos divertiremos bastante.

— Como?! Pensava que você não tivesse mais que um soldo no bolso.

— Se você fosse sapateiro como eu, poderia viajar de um lado a outro da Inglaterra apenas com um penny (tostão) no bolso.

Em cada cidade acharia boa comida, boa cama e boa bebida, sem mesmo gastar seu penny.

Isto porque nenhum sapateiro deixará faltar alguma coisa a um dos seus.

Pelo nosso regulamento, se algum companheiro chegar a uma cidade sem dinheiro e sem pão, basta ele se dar a conhecer, não precisando se ocupar com outra coisa.

Os outros companheiros da cidade não somente o receberão bem, mas lhe fornecerão gratuitamente víveres e acomodações.

Se quiser trabalhar, sua corporação se encarregará de lhe arranjar um patrão, e ele não terá que procurá-lo”.

Esta curta passagem não necessita comentários.

Assim compreendidas, as corporações eram um centro muito vivo de ajuda mútua, honrando seu lema: “Todos por um, um por todos”.

Elas se glorificavam por suas obras de caridade. Os joalheiros obtiveram assim permissão para vender nas festas dos apóstolos, no domingo e nos feriados em geral.

Siena: as autoridades dos bairros
Siena: autoridades dos bairros, 'contrade', julgavam as pendências trabalhistas
Tudo o que o joalheiro ganhasse então era colocado na caixa da confraria, e do dinheiro desta caixa dava-se todo ano, no dia da Páscoa, um jantar aos pobres do Hospital de Paris.

Na maioria dos ofícios, os órfãos da corporação são educados às suas custas.

Tudo se passa numa atmosfera de concórdia e de alegria, da qual o trabalho moderno não pode dar uma idéia.

As corporações e confrarias tinham cada uma suas tradições, suas festas, seus ritos piedosos e cômicos, canções e insígnias.

Ainda segundo Thomas Deloney, para ser adotado como filho do “nobre ofício” um sapateiro deve saber “cantar, soar o corno, tocar flauta, martelar, combater com a espada e cantar seus instrumentos de trabalho em versos”.

Nas festas da cidade e nos cortejos solenes, as corporações expunham seus estandartes e ocupavam lugares de destaque. São pequenos mundos extraordinariamente vivos e ativos, que dão à cidade seu impulso e sua fisionomia original.
Em resumo, não se poderia melhor caracterizar a vida urbana na Idade Média do que citando o grande historiador das cidades medievais, Henri Pirenne:

O ofício dos falcoeiros era respeitado: trazia alimento pelo falcão
e limitava as espécies danosas pelos bons ofícios da ave.
A economia urbana é digna da arquitetura gótica, da qual é contemporânea. Ela criou uma legislação social inteira, mais completa que a de qualquer outra época, inclusive a nossa.

“Suprimindo os intermediários entre vendedor e comprador, ela assegurou aos burgueses o benefício da vida barata.

Impiedosamente perseguiu a fraude, protegeu o trabalhador contra a concorrência e a exploração, regulamentou seu trabalho e seu salário, velou por sua higiene, providenciou a aprendizagem, impediu o trabalho da mulher e da criança, ao mesmo tempo que conseguiu reservar para a cidade o monopólio de prover com produtos os campos circunvizinhos e encontrar ao longe escoadouros para o seu comércio”.

(Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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domingo, 5 de agosto de 2018

São Gregório VII: 2ª sentença de excomunhão contra o imperador revoltado Henrique IV

São Gregório VII
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O imperador Henrique IV levantou-se contra o Papa São Gregório VII. O príncipe pretendia ter poder sobre o Papa com base em sofismas e uma capciosa interpretação das Escrituras.

Pretendia ainda, entre muitas coisas, ter poder para nomear bispos e destituí-los e até de depor o Sumo Pontífice.

São Gregório VII excomungou-o uma primeira vez. Sentido-se abandonado pelos seus, Henrique IV foi pedir a absolvição ao Papa que se encontrava a bom resguardo no castelo da condessa Matilde, na Toscana.

O imperador destituído passou três dias na neve, vestido de saco, implorando o perdão.

Porém, seu coração era falso e São Gregório VII percebia. A Corte pontifícia e até a própria condessa Matilde não perceberam e intercederam por ele. No fim, o santo Papa achou melhor suspender a excomunhão.

De volta, na Alemanha, o imperador recomeçou tudo. Em consequência, São Gregório VII renovou a condenação no Concílio Romano, em 7 de março de 1080.

Foi a segunda excomunhão formulada nos seguintes termos, onde brilha a santidade da Igreja e a heróica força de alma de um digno Vigário de Jesus Cristo:

Henrique IV pidiu perdão em Canosa. Não foi sincero.
“Ó São Pedro, chefe dos Apóstolos, e tu São Paulo, doutor das gentes, suplico-vos que presteis ouvidos e me escuteis com clemência; pois sois amantes discípulos da verdade, assisti-me para que eu Vos diga a verdade, limpa de qualquer mentira que Vós detestais, de maneira que meus irmãos melhor concordem comigo e saibam e compreendam que por confiança em Vós ‒ depois de Deus e de sua Mãe, Maria sempre Virgem ‒ eu resisto aos maus e aos iníquos...

“E posto que me ordenaste subir a um monte excelso para bradar em alta voz e apontar os pecados do povo de Deus as culpas dos filhos da Igreja, começaram a se insurgir contra mim os filhos do demônio, e premeditaram deitar a mão sobre mim até o sangue.

“Opuseram-se, com efeito, o rei da terra e os príncipes seculares e eclesiásticos, e ainda homens de corte e gente comum, uniram-se contra o Senhor e contra Vós, que sois seus ungidos, dizendo: ‘Rompamos seus grilhões e atiremos fora seu jugo’! E de mil maneiras tentaram lançar-se contra mim, para abater-me de vez com a morte ou com o exílio. (...)

“Confiante no juízo e na misericórdia de Deus e de sua Mãe piedosíssima, Maria sempre Virgem, e apoiando-me em vossa autoridade, excomungo e condeno ao anátema o mencionado Henrique, chamado rei, e a todos seus partidários.

Túmulo de São Gregório VII
“Pela segunda vez, nego-lhe, da parte de Deus onipotente e vossa, o reino da Alemanha e da Itália, e tiro-lhe todo poder e dignidade real; nenhum cristão lhe obedeça como a um rei; e desobrigo do juramento todos aqueles que lho fizeram ou lho farão relativamente ao reino. Em nenhum caso o mesmo Henrique com seus partidários possua forças e jamais em vida obtenha vitória. (...)

“Apreendam agora o rei e todos os príncipes temporais quão grande Vós sois, e quanto podeis. E tenham medo de considerar como coisa mesquinha a ordem de vossa Igreja.

“E executai logo a vossa sentença em relação ao dito Henrique, de modo que todos saibam que ele cairá, não por acaso, mas por vosso poder. Seja coberto de confusão até fazer penitência, para que deseje o céu e seu espírito seja salvo no dia do Senhor.”


(Fonte: CASPAR, Epistolae in usum scholarum, Monumenta Germaniae Historica, II, p.483).




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domingo, 29 de julho de 2018

O mundo moderno redescobre a paz na Idade Média

Casamento de Carlos IV e Maria de Luxemburgo. Grandes Chroniques de France. BNF.
Casamento de Carlos IV e Maria de Luxemburgo.
Grandes Chroniques de France. BNF.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quase todos nós aprendemos na escola que a Idade Média foi uma época de mil anos de trevas e de fanatismo religioso, sem nada digno de ser mencionado nos séculos seguintes.

E não nos damos ao trabalho de estudar as obras, as instituições, a arquitetura, a vida de família e, sobretudo, a profunda religiosidade, que a tornaram insuperável.

Segundo o prestigioso jornal “Economist”, isso começa a mudar:

“Desde os ataques de 11 de setembro, a direita norte-americana desenvolveu um fascínio pela Idade Média e pela Renascença em particular, com a ideia do Ocidente como uma civilização que estava se defendendo de um desafio do Oriente.

“Essa tendência tem sido estimulada pela descoberta do movimento de suas contrapartes europeias que usavam imagens medievais e de cruzados desde o século XIX.”

Para o jornal, alguns exemplos disso são o frequente aparecimento e as ilustrações de cruzados revestidos de capacete e que bradam o grito de guerra Deus vult!

Diz ainda:

“Os jornais e sites contrários ao islamismo se nomeiam segundo o rei franco Charles Martel, que lutou contra exércitos muçulmanos no século VIII, ou a derrota otomana (levemente pós-medieval) em Viena”,

enquanto “milhões de outros [...] são atraídos pela era medieval, de que são testemunhos a popularidade de reconstituições renascentistas ou as fantasias medievais de inspiração, como Game of Thrones”.

Cortejo histórico em Pisa, Itália.
Cortejo histórico em Pisa, Itália.
A esse respeito, o também muito conceituado site do “National Catholic Register” publica uma entrevista com o especialista da Idade Média, Andrew Willard Jones.

Ele é professor de história da Igreja, teologia e doutrina social na Universidade Franciscana de Steubenville, Ohio. Em seu novo livro Diante da Igreja e do Estado: um estudo da ordem social no reino sacramental de São Luís IX, traz considerações acerca de verdades esquecidas e frequentemente negadas sobre a Idade Média, a qual foi chamada de “A doce primavera da Fé” por Montalembert.

Respondendo a uma pergunta sobre o que o levou a escrever seu livro, ele explica:

“Eu estava estudando o papado do século XIII. E fui inspirado pelo que estava lendo.

“Era todo um mundo que não havia sido ainda investigado [...]. Somos abençoados na história medieval.

“Eles [os medievais] tinham se avantajado nas operações de escrita de cartas.

“Havia cartas e manuscritos papais. [...] É um tesouro de registros da Corte, de registros monárquicos e de crônicas”.

Por isso, Jones afirma:

“A Idade Média tem um papel na história do mundo moderno. Nós tendemos a vê-la como um mundo obscuro, de dogma e opressão, pelo que só agora entendemos o que significa liberdade.”

O escritor faz então esta afirmação tantas vezes já repetida:

Castelo Sforza, Milão.
Castelo Sforza, Milão.
“A visão da Idade Média como um período sombrio vem de um ceticismo moderno muito anticatólico.”

Para evitar equívocos, ele esclarece:

“Eu não romantizo excessivamente a Idade Média como uma utopia.”

Mas vê a era medieval como a de uma civilização sacramental e cristianizada. Pelo que afirma:

“Nós somos tendentes a imaginar o catolicismo como vida privada. O catolicismo pede uma civilização da caridade. A Idade Média pode nos ajudar a ver isso de novo.”

Hoje em dia se fala muito em igualdade. É um dogma do mundo moderno. Jones explica:

“A modernidade tem uma noção específica de igualdade. Ela vê a desigualdade [entre as pessoas] como fonte inerente de conflito e competição.

“No cristianismo, as desigualdades levam à paz. Nós vemos diferenças na família: elas se manifestam na busca do bem comum”.

E ainda:

“Eu usei o exemplo de um pai e um filho, dizendo que eles alcançam o bem comum através de diferentes papéis.”

Quer dizer, as diferenças entre ambos os fazem se complementar e completar-se, o que é muito diferente do jargão esquerdista.

Palácio do Tau, onde os futuros reis da França se preparavam para sagração, Reims
Palácio do Tau, onde os futuros reis da França se preparavam para sagração, Reims
Jones afirma:

“No mundo moderno, se entende por paz fazer compromissos, enquanto na Idade Média a paz se obtinha pelo modo de lidar com as diferenças de maneira adequada e caridosa.

“Enquanto os modernos veem [as desigualdades como] uma violação dos direitos, na Idade Média elas consistiam em se restabelecer as diferenças de modo pacífico.

“O mundo moderno é cético. Os medievais não tinham cinismo em relação à doação mútua.

“Por exemplo, há [hoje em dia] conflitos entre pai e filhos, porque não são propriamente diferentes. A mesmice é uma fonte de conflito.

“Somente essa ideia seria proveitosa para a nossa sociedade meditar, quando considerarmos como a cultura popular se tornou infantilizada”.

O autor trata também em seu livro do tão difamado tema da Inquisição, abordando o tema da Inquisição Francesa do século XIII. Jones afirma:

“Há uma visão polêmica e anticatólica da Inquisição. Naquela época havia muito pouco interesse em saber o que as pessoas conservavam em suas mentes.

“O problema era se [na manifestação das ideias] havia rejeição da ordem social e se a heresia se tornava pública.

Pierrefonds sala da Caçada.
Pierrefonds sala da Caçada.
“Uma investigação poderia começar, não havia interesse em pegar ou enganar as pessoas.

“Na maioria das vezes, a penalidade era a correção.

“Temos nossa própria versão da Inquisição e da heresia com os mobs do Twitter”.

E conclui:

“Precisamos ampliar nossa imaginação. A tentativa moderna de um mundo sem Deus vai falhar. Haverá uma concepção cristã de ordem social, mas não o mesmo que a Idade Média [...].

“Meu livro visa afastar os leitores do mundo ao seu redor, e a procurar vê-lo a partir de um ponto de vista mais elevado [como foi o mundo medieval].

“Isso nos salva do desespero. As coisas mudam. A esperança é uma virtude. O bom e o verdadeiro vencerão”.

(Autor: Plinio Maria Solimeo, Blog da Família)




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