domingo, 19 de setembro de 2021

A gruta de São Bento: ponto de partida da Cristandade medieval

Subiaco, panorama desde a Santa Gruta

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Onde e quando nasceu a Cristandade medieval? Quem foi o fundador?

A resposta é paradoxal. Foi numa gruta. E o fundador foi um ermitão isolado.

Um jovem nobre romano que fugiu da imoralidade e da decadência de Roma.

Sim, da Roma que em poucos anos haveria de ser afogada no sangue e no fogo.

Foi o grande São Bento, o Patriarca de Ocidente, a grande alma que deu o ponto de partida da imensa ordem medieval, justa e sacral.

São Bento acabou fundando a Ordem Beneditina, que subsiste até hoje nos seus vários ramos e famílias espirituais. Em torno dos mosteiros beneditinos foram se aglutinando os restos do naufrágio do Império Romano e, também, bandos de bárbaros apenas aculturados.

Subiaco, interior do mosteiro medieval
Subiaco hoje.
As abadias beneditinas ensinaram a ordem àqueles cacos de grupos humanos. E sob o bafejo da graça deram à luz a fascinante Ordem Medieval.

Mas como é o local onde tudo começou? A gruta erma onde São Bento sozinho iniciou sua epopeia espiritual?

O local existe. Chama-se Subiaco. Fica não longe de Roma. A gruta está preservada.

Na gruta de Belém, o Salvador veio ao mundo. Na Gruta de Subiaco, a Cristandade deu seus primeiros vagidos na alma do grande Bento de Núrsia.

A alma de São Bento foi como um incêndio de zelo pela causa de Deus.

Carlos Magno e tantos outros heróis e santos medievais foram como que faíscas desse grande incêndio.

Vejamos como é Subiaco, e prescindindo um pouco das belíssimas construções, imaginemos o grande santo rezando sozinho, ouvindo o uivo das feras e comendo o pão que um corvo todo dia lhe trazia.


* * *

As fotos apresentam-nos uma visão atual do lugar da famosa gruta na qual viveu São Bento durante anos na solidão.

São Bento foge da corrupção de Roma
Esse local tão abençoado foi o ponto de partida da Civilização Cristã, enquanto esta floresceu na Europa Ocidental.

No século V, a Europa encontrava-se na seguinte situação mista: como os bárbaros tinham ocupado o Império Romano do Ocidente, restos de civilização coexistiam com bárbaros em grande quantidade, resultando disso um caos, o qual era preciso extinguir.

A Igreja trabalhava empenhadamente nesse sentido e agindo em função da graça.

E a graça soprando por todos os lados, produzindo flores de cá, de lá e de acolá, algo estava por acontecer de imensamente grande e belo, como desfecho dessa semeadura parcialmente bem recebida por toda parte.

E o desfecho de tal conjunto de fatores consistiu no aparecimento de um jovem de família senatorial romana, família nobre do patriciado. Bento, suscitado para realizar uma obra especial, entregou-se totalmente a essa grandiosa vocação.

Gruta de SubiacoMas, para realizar sua missão, ele não poderia permanecer naquele misto de barbárie e de cultura romana decadente em que se encontrava a Europa.

Retirou-se então à solidão.

E para quê? Para santificar-se.

Escolheu para isso um lugar completamente ermo, onde não houvesse nada que perturbasse sua entrega total a Nosso Senhor.

E ali entregou-se à devoção, à meditação, à penitência, a fim de que a graça se assenhoreasse cada vez mais de sua alma.

Podemos imaginá-lo ainda jovem, não pensando nos seus dotes, não pensando como seria comovedor considerar o isolamento desse moço com tantos antecedentes, naquela gruta ou naquele castelo de grutas, naquele silvestre palácio de grutas em que ele se embrenhou.

São Bento recebe a conversão do rei pagão Totila
São Bento recebe a conversão do rei pagão Totila
Cada gruta dava abertura para outra gruta, como num palácio um salão dá abertura para outro salão.

Nesse ambiente ele jamais pensava em si, mas somente em seu Criador.

* * *

Subiaco é o nome dessa abençoada gruta. Imaginemos São Bento sozinho naquele local.

Dizer que ele se encerrou na gruta, é muito bonito.

Entretanto, imaginemo-lo convivendo com essas ásperas pedras, ríspidas em todo o sentido da palavra, sem nenhuma beleza física.

Tudo é solidão. Mas evoca de algum modo o Céu.

Figuremo-nos São Bento sentado naquele lugar ermo, lendo um livro e pensando.

Ele não sabia, mas, através das graças que recebia, a Cristandade europeia estava nascendo.

Muito melhor que a Europa, a Cristandade europeia estava nascendo!


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 18/11/1988. Sem revisão do autor.)



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domingo, 12 de setembro de 2021

Othon I e os problemas no Sacro Império derivados das diversidades étnicas

Othon I com o Papa João XII
Othon I com o Papa João XII
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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continuação do post anterior: Othon I restaurador do Sacro Império



A noção do Sacro Império Romano Alemão se nos apresenta de um modo feudal. É o conglomerado de reinos que estão debaixo da dependência do imperador sagrado pelo Papa. Assim como temos o rei acima dos duques, acabamos tendo o imperador acima dos reis.

Othon era imperador e rei. Mas juridicamente e teoricamente alguém podia ser imperador sem ser rei.

Sobre este Império pairou desde logo uma ambigüidade. Essa ambigüidade deu origem a polêmicas, a discussões em que os espíritos se rebelavam muito.

Primeiro problema: o Sacro Império abrangia só os povos de nação alemã? Seu título faz pensar nisto, mas o próprio título traz uma contradição: romano. Se é romano não se pode dizer que seja da nação alemã.

Segundo problema: a abranger povos não germânicos quais eram esses povos? Eram apenas povos vizinhos que tivessem sido conquistados ou toda a cristandade estava sujeita naturalmente ao Sacro Império?

Esta questão também era discutida. E o curioso é que ela era discutida entre os povos não alemães e discutida entre os alemães. 

Entre os alemães porque havia Alemães nacionalistas que entendiam que a pertencença de elementos não germânicos dentro do Império diminuía a plena propriedade que os alemães tinham do Império e que o Império era um mecanismo alemão para a Alemanha.

Os outros se consideravam expulsos. Nos outros povos era a tendência à independência, ao nacionalismo que conhecemos.

Em Lechfeld, Othon I salvou a Cristandade dos húngaros ainda pagãos
Em Lechfeld, Othon I salvou a Cristandade dos húngaros ainda pagãos
Entretanto, o fato concreto é que foi tão grande o poder dos imperadores que eles, a partir da constituição em 962, do Sacro Império Romano Alemão, os embaixadores dos imperadores tiveram precedência sobre os embaixadores de todos os reis.

O imperador, quando se encontrava com qualquer rei tinha precedência sobre todos os reis.

Os príncipes da casa imperial tinham precedência sobre os outros príncipes. A dignidade de príncipe do Império era uma dignidade maior que a de qualquer outro príncipe.

A França, sem reconhecer juridicamente a supremacia do Sacro Império, nesse tempo, funcionava como um verdadeiro protetorado do Sacro Império.

Até a queda de Dom João•VI, certos funcionários do Sacro Império Romano Alemão tinham, em Portugal, as mesmas prerrogativas dos funcionários portugueses. Isto é expressão de uma certa jurisdição.

A ideia de Othon I era restaurar o Império de Carlos Magno que, segundo a concepção antiga, existia quase que de direito natural.

A ideia da existência de um Império Romano que se não existia, devia existir, e que a qualquer momento podia ser restaurado, era uma coisa que já vinha do tempo dos bárbaros.

De maneira que quando Othon I, com a aprovação do Papa, que era o poder competente para dispor sobre o Império, segundo a concepção vigente, declarou a coisa restaurada, reputou-se que ele estava investido em toda a dignidade de imperador.

O Sacro Império (em azul) no fim do reinado de Othon I
O Sacro Império (em azul) no fim do reinado de Othon I
Luiz, o Piedoso, quando consentiu na divisão do Império, ele conservou para si a dignidade de imperador e deu três reinos para cada filho. E depois disso houve durante algum tempo a dignidade de imperador acima dos reis. Então entendeu-se que estava perpetuada essa situação.

Othon I, coroado imperador, continuou a luta contra os pagãos. Foi ele que fundou Magdeburgo, instituiu ali um bispado, fundou o bispado de Praga.

Em relação aos eslavos teve a política de conversão pela força, não muito legítima, mas muito eficiente, seguida por Carlos Magno.

Apesar disto, há um fato lamentável. As relações entre os imperadores e os papas tendiam a envenenar-se facilmente.

Em 963, depois de desentendimentos sérios, ele invade a Itália e depõe o Papa João XII, que ele considerava muito independente e cria um anti-papa chamado Leão VIII que ficou exercendo as funções de 963 a 965. Os romanos não satisfeitos com aquilo, em 964 elegem Bento V Papa. Othon o depõe e restaura Leão VIII.

Depois disto ele se desgosta de Leão VIII e levanta outro papa, João XIII. Este João•XIII parece que foi um Papa legítimo e governou de 965 a 972.

Outra démêlé muito forte dele foi com os bizantinos. Os bizantinos eram portadores da coroa imperial e eles não podiam se contentar com o fato de que a dignidade imperial do Ocidente fosse usada por gente nova, semi-bárbara, como eram os germanos. Quando viram restaurada a dignidade imperial, protestaram.
O túmulo de Othon I, hoje, em Magdeburgo, Alemanha
O túmulo de Othon I, hoje, em Magdeburgo, Alemanha

Mas a coisa se aclimatou bem, porque Othon, vendo o desdém dos bizantinos por ele, aborreceu-se e atacou a Itália do Sul. Ele precisava proteger a Itália do Sul contra a investida árabe e ele queria se vingar do desdém dos bizantinos.

Nesta situação, os bizantinos, sentindo que não podiam defender a Itália do Sul, reconheceram o Império e houve o casamento de um filho de Othon com uma princesa bizantina em 972, na igreja de São Pedro, em Roma.

Em 973, Othon I morreu de modo repentino e foi sepultado em Magdeburgo.

Durante seu reinado houve um grande florescimento das Letras, uma espécie de “renascença carolíngia”.




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domingo, 5 de setembro de 2021

Othon I restaurador do Sacro Império

Coroa imperial de Carlos Magno, usada por Othon I
Coroa imperial de Carlos Magno, usada por Othon I
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Othon I, o Grande, restaurador da obra de Carlos Magno



Othon I, segundo os contemporâneos, era um homem grande, de estatura impressionante, de olhos sempre em movimento. Seus olhos estavam constantemente observando todas as coisas.

Logo que subiu ao trono ele encontrou revoltados contra ele e lhe disputando a coroa, o irmão mais velho e o irmão mais moço.

Para resolver a briga, reuniram-se os representantes nobres de toda a nação alemã e decidiram, por eleição, que Othon deveria ser o imperador.

A coroação e unção dele como imperador se deu em Aix-la-Chapelle no ano de 938.

Ele teve guerras em todas as direções. Atacou a França mas não conseguiu conquistá-la. Celebrou a paz com os franceses.

Ao mesmo tempo, ele moveu guerra à Dinamarca e à Polônia nesse tempo pagãs.

O centro do reino de Lotário tinha se deslocado para a Itália e era disputado avidamente por dois carolíngios, Lotário e Besengário. O primeiro morreu e o segundo ficou oprimindo a viúva dele.

Então a viúva de Lotário mandou pedir a Othon que transpusesse os Alpes e fosse em seu socorro na Itália. Ele desceu, libertou a viúva opressa casou-se com ela, ficou rei da Itália e impôs tributo a Besengário. Por esta forma, estendeu seu reino e ficou com seu território consideravelmente ampliado.

Besengário revidou promovendo uma revolta do filho de Othon na Alemanha. O filho era duque da Baviera.

Então ele renunciou a alguns territórios seus em favor da Baviera e lá deixou seu filho. Deu algumas terras a Besengário exigindo que o reconhecesse como rei da Itália e aquietou um pouco essa revolta.

Isto feito, novos inimigos, os húngaros, vinham apontando no horizonte.

Othon I e sua esposa Adelaide, catedral de Meissen
Othon I e sua esposa Adelaide, catedral de Meissen
Os húngaros eram terríveis. No ano 955, somente, é que ele conseguiu, depois de muita luta, acabar com os húngaros. Desta maneira ele estava constantemente em dificuldades por causa da política externa.

Nos ducados étnicos uma porção de duques eram contrários a ele. Othon percebeu que para resolver o caso tinha de depô-los a todos e substituí-los com parentes seus.

Mas era uma tarefa difícil. Primeiro, porque não é fácil tirar-se um duque étnico de um ducado. Segundo, porque os parentes que ele colocou ofereceram muito pouca estabilidade. Estavam sempre se revoltando contra ele.

Foi exatamente o que sucedeu aos parentes do Othon. Não devemos pensar que ele colocava em cada ducado um homem fiel e esse homem aí ficava. Os súditos não gostavam do homem porque ele não era daquele grupo étnico e os homens não agradeciam a Othon como deviam agradecer.

Othon I
A Francônia ele deu a um filho que tinha o nome de Conrado, o Rubro. A Suábia ele acabou tirando a Ludolfo, que era rebelde e deu-o a um genro de Henrique, duque da Baviera. Depois ele também tirou a Baviera de Ludolfo.

Nos flancos dos ducados ele instituiu uma coisa curiosa. Havia os grandes ducados e ele então instituiu, perto dos ducados, os palatinados.

Os palatinados eram territórios que ficavam entre os ducados, mas que constituíam uma espécie de pontos encravados. 
E esses territórios dependiam diretamente dele, eram altamente fortificados e eram as chaves estratégicas para a entrada nos ducados.

De maneira que quando algum ducado fizesse guerra com ele, as tropas dos palatinados marchavam contra o ducado antes mesmo dele ter entrado com suas tropas em ação.

Esse era o mesmo processo com que os imperadores da antiga Pérsia mantinham a unidade do Império. Como o Império era muito extenso eles abriram vias de comunicação magníficas passando todas por pontos estratégicos.

Nesses pontos eles colocaram fortalezas formidáveis em guarnições imponentes. Eles diziam que era para não irritar as cidades.

Mas de fato era impossível a revolta contra eles, porque os pontos de comunicação estavam ocupados. Qualquer revolta que houvesse eles interceptavam e depois debelavam.

Ao mesmo tempo ele era um homem de muito bom gosto e por causa disso compreendeu que se pode muito bem ser, com espírito, com inteligência, com elegância, ao mesmo tempo príncipe espiritual e temporal.

Não ter a situação isolante de muito bispo de hoje que não governa nenhuma terra a não ser espiritualmente. Começou então a instituir principados eclesiásticos.

A parte do rei da Germânia na nomeação dos bispos era muito grande. Ele podia portanto, com seus descendentes colocar em feudos eclesiásticos bispos fiéis a ele e por esta forma ainda agarrar por outro lado o Império.
Trono de Carlos Magno em Aachen, onde foi coroado Othon I

Portanto, sem extinguir os ducados, criando elementos compensadores que evitassem que os ducados extinguissem a própria realeza.

Era uma tendência para instituir o equilíbrio sem destruir o feudalismo. Uma política muito sábia.

Quando Othon se encontrou no ápice de seu poder, ele quis também pensou na sucessão.

O estratagema foi: quando o rei tinha o herdeiro do trono já maduro, ele o fazia eleger como co-rei, de maneira que ficava assegurada a sucessão e a eletividade passava a ser apenas um símbolo.

No ano 961 seu filho Othon, que veio a ser Othon II, foi eleito também rei da Germânia, sagrado em Aix-la-Chapelle.

Othon I, no ano de 962, foi a Roma. E ali ele se fez coroar imperador do Sacro Império Romano Alemão.

Então, neste momento, ele cingia três coroas: a coroa de ferro, que era a coroa de rei da Itália, a famosa coroa da Lombardia; a coroa de prata que era a coroa da Alemanha; e a coroa de ouro que era a coroa de imperador do Sacro Império Romano Alemão.

Este Império abrangia um território muito considerável, o maior território da Europa.


continua no próximo post: Othon I e os problemas no Sacro Império derivados das diversidades étnicas

domingo, 29 de agosto de 2021

Othon I, o Grande, restaurador da obra de Carlos Magno

Othon I representado no sarcófago de Carlos Magno, Aachen
Othon I representado no sarcófago de Carlos Magno, Aachen
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Othon I, o Grande, foi chamado a reger o Sacro Império num momento muito delicado.

O sacro império fora instituído na pessoa de Carlos Magno que foi o ápice da sua dinastia. Os Carolíngios, isto é seus descendentes, gastaram inconsideradamente o patrimônio legado pelo grande Carlos em brigas recíprocas sem glória.

Depois do filho de Carlos Magno Luiz, o Piedoso, o Império foi dividido em três partes.

A França e a parte espanhola do Império coube ao príncipe Luis; a Alemanha coube a Carlos outro filho e a parte central coube a um terceiro filho de nome Lotário.

Esta parte central ocupava os Países Baixos, a Alemanha mais ou menos na linha da Borgonha e da Lorena, a Suíça e a Itália. Formava um grande eixo que corria a Europa de Norte a Sul.

Os Carolíngios alemães decaíram terrivelmente e nem se sabe bem exatamente quando faleceu o último carolíngio alemão.

Em 896 era rei da Alemanha um Carolíngio, Arnolfo, que se fez coroar rei da Itália pelo cardeal Formoso. Por causa disso o cardeal, originário de Óstia, Itália, foi excomungado pelo Papa João VIII.

O reinado de Arnolfo foi característico do caos feudal que grassou na decadência dos descendentes carolíngios. O império foi subdividido entre numerosos reizetes.

Arnolfo se fez coroar imperador em 896 pelo mesmo Formoso que se tinha tornado Papa e haveria de ser processado escandalosamente post mortem.

Alguns o consideram o último carolíngio, mas outros acham que seu filho chamado Luiz, o Menino, coroado no ano de 900, foi quem encerrou a continuidade da dinastia do grande Carlos. Cfr. Wikipedia, verbete Papa Formoso.

Othon I, rei e imperador
Othon I, rei e imperador
Extinta a dinastia, os chefes dos ducados étnicos mais importantes elegeram imperador a Conrado I, o Sábio.

Os eleitores não quiseram saber de imperador ou rei hereditário. Declararam que cada vez que o trono vagasse, elegeriam um outro. Nasceu assim o hábito de ser o imperador eletivo.

Quando Othon subiu ao trono, a Alemanha se compunha dos chamados ducados étnicos. Quer dizer, das grandes famílias de povos alemães: a Saxônia, a Lorena, a Baviera, a Suábia e a Francônia.

O povo alemão muito numeroso tinha uma tendência muito grande para o regionalismo, o individualismo, para a formação de pequenos lares, aldeias e circunscrições ricas em vida própria e inteiramente típicas.

Othon I encontrou diante de si o feudalismo que se formava e que estava na força de sua expansão.

A sua tarefa então consistiu, em primeiro lugar, em não conter nem destruir essas forças feudais que subiam.

Esses grupos feudais alemães julgavam conveniente que provindo todos de uma origem comum deveriam ter um governo comum para os vários grupos. Mas, por outro lado, em virtude de seu regionalismo, viviam brigando entre si.

Othon I realizou a dura tarefa de reunir os povos germanos dispersos
Othon I realizou a dura tarefa de reunir os povos germanos dispersos
Othon então teve que restaurar continuamente a unidade porque ela se desfazia em brigas locais. Mas deveria recriar sempre a união sem asfixiar os grupos feudais que eram os elementos constitutivos do tecido vivo do império.

Ao mesmo tempo, Othon tinha que lutar contra os adversários da Cristandade, que eram muito poderosos no Oriente. Por exemplo, o litoral báltico e a Polônia eram habitados por bárbaros cruéis em perpétua luta contra os alemães.

Então, Othon decidiu expandir a Fé para aquelas paragens e chegar, se possível, até um povo selvagem e inóspito que habitava a atual Dinamarca, e outros mais selvagens e mais inóspitos, na Suécia e na Noruega.