domingo, 21 de novembro de 2021

Terceiro mito falso: A Igreja é o ópio do povo. Ela manteve o regime feudal para fruir de vantagens mesquinhas.


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






REFUTAÇÃO:

A Igreja converteu os bárbaros e, pela ação da graça, foi infundindo neles os princípios sobrenaturais que mandam cada qual ocupar o lugar que lhe é devido na hierarquia social. Juntamente com isso, pregou aos fortes a caridade, e aos humildes submissão.

DOCUMENTAÇÃO

1–A vassalagem medieval tinha o beneplácito da Igreja, sendo considerada altamente virtuosa

“Tomando o lugar da antiga atitude de mãos estendidas dos orantes, o gesto de mãos postas, imitado da commendise (cerimônia em que o vassalo prestava juramento de fidelidade ou ‘homenagem’ a seu suzerano), torna-se por excelência o gesto da prece, em toda a catolicidade” (Marc Bloch, op. cit. p. 328).

“A linguagem usual acabará por denominar correntemente ‘vassalagem’ a mais bela das virtudes que uma sociedade perpetuamente em armas pôde reconhecer, isto é, a bravura” (Marc Bloch, professor na Universidade de Strasburgo, in “La Société Féodale”, Ed. Albin Michel, Paris, 1970, . p. 231).


2–A Igreja eliminou gradualmente os restos de barbárie, que davam aos medievais um caráter altamente belicoso

“Os dirigentes da Igreja quiseram fazer reinar na Terra a Paz de Deus. O movimento, iniciado no começo do século XI, tinha como meta circunscrever a violência”.

“Para eliminar as guerras fratricidas entre os cristãos, foram colocados sob proteção as igrejas e os terrenos que as cercavam; depois, alguns dias da semana consagrados à prece ou à penitência, as datas litúrgicas, a Quaresma; os clérigos e todos que eram inofensivos e vulneráveis; os comerciantes e a multidão de camponeses”.

“Pela incitação dos bispos, os cavaleiros juravam sobre as relíquias a respeitar a codificação da guerra privada feita pela Igreja, e a negar sua amizade e perseguir a quem a desrespeitasse” (Georges Duby, in “Histoire de la Civilisation Française”–trad. castellana–Fundo de Cultura Económica, México, 1958, p. 57).

3–O nobre, para ser reconhecido, deveria ser capaz de grandes virtudes

“O Príncipe concede e doa anéis a seus súditos; o nobre deve ser clemente, quer dizer, amigo das dádivas” (Friedrich Herr, professor em Viena, in “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, p. 112).

“Naquela época, dar presentes era um gesto essencial; nobre é aquele que dá a seus amigos” (Georges Duby, in “Histoire de la Civilisation Française”–trad. castellana–Fundo de Cultura Econômica, México, 1958, p. 16).




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domingo, 14 de novembro de 2021

Segundo mito falso: Na Idade Média o regime era de opressão.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Diz ainda este mito falso: O senhor extorquia o vassalo, que por sua vez extorquia os que lhe eram inferiores. A base dessa opressão era o vínculo feudal. Os inferiores só obedeciam por medo. Portanto, era uma ordem de coisas odiável, uma cascata de opressão e de desprezo.


REFUTAÇÃO:
A Idade Média foi uma época de harmonia social, porque os homens estabeleceram suas relações no vínculo proteção-serviço. Era uma gradação de mútuo respeito e estima. Portanto, uma ordem de coisas justa e desejável.

DOCUMENTAÇÃO
1–Documentos medievais mostrando a harmonia entre o senhor e o vassalo
POEMA DE “EL CID” (de aproximadamente 1300, com o texto estabelecido por Ramón Menendez Pidal, Edição 1969):

El Cid pensa em dormir em certo lugar, e fala aos vassalos: “Dijoles a todo como ha pensado trasnochar; y todos, buenos vasallos, lo aceptan de voluntad; Pues lo que manda el señor, dispuestos a hacer están”.

“Mio Cid Rodrigo Diaz a Alcácer tiene vendido; Y asi pagó a sus vasallos que en la lucha le han seguido. Lo mismo a los caballeros que a los peones, hizo ricos; Ya no queda ni uno pobre de cuantos le hacen servicio. Aquel que a buen señor sierve, siempre vive em paraíso”.

El Cid expõe a seus cavaleiros o plano de batalha para defender Valencia:

“Oídme, mis caballeros: ... Cerca del amanecer, armados estad; El obispo don Jerónimo la absolución nos dará; Y despues de oir su Misa, dispuestos a cabalgar, a atacarlos nos iremos, de otro modo no será; En el nombre de Santiago y del Señor celestial. Más vale que los venzamos que ellos nos cojan el pan; Entonces dijeron todos: ‘Con amor y voluntad’”.

CHANSON DE ROLAND (o mais famoso poema épico medieval, surgido entre 1090 e 1180):

Na batalha de Roncevaux, Roland incentiva seus guerreiros à luta:

“Pelo seu senhor cada um deve sofrer grandes males, suportar os grandes frios e os grandes calores, e deve perder o sangue e a carne. Golpeia cada um com sua lança e eu com Durendal, minha boa espada que o Rei me deu. Se eu aqui morrer, que o futuro possa dizer que ela foi de um nobre vassalo”.

O Arcebispo Turpin, par de Carlos Magno: “Do outro lado está o Arcebispo Turpin. Ele esporeia seu cavalo e sobe uma elevação. Chama os franceses e lhes faz um sermão: ‘Senhores Barões, Carlos nos colocou aqui. Devemos morrer bem por nosso Rei’”.

Quando um sarraceno ofende Carlos Magno, dizendo que não é um bom senhor, Roland lhe retruca, antes de dar-lhe a morte: “Vil pagão, mentiste! Carlos, meu senhor, nos protege sempre”.

Pranto de Carlos Magno ao encontrar Roland, seu predileto, morto no campo de batalha:

“Amigo Roland, Deus te levou ... Nunca se viu sobre a Terra um cavaleiro tão lutador.

“Minha honra está profundamente abatida. Amigo Roland, Deus ponha tua alma nas flores do paraíso, entre os gloriosos!

“Jamais terei mais o sustento de minha honra: não creio mais ter sobre a Terra um só amigo; se tenho parentes, nenhum é tão bravo ...

“Quem guiará meus exércitos tão vigorosamente, quando está morto aquele que sempre foi o seu chefe?

“Ó França, como fiscastes deserta! Meu luto é tão carregado, que eu queria não existir mais. Roland, quem te matou devastou a França ...

“Tenho um luto tão grande pelos cavaleiros que por mim morreram, que desejaria não viver mais”.

Carlos Magno conclama os francos à vingança do direito ultrajado:

“Barões, eu vos amo e tenho fé em vós. Por mim fizestes tantas batalhas, tantas conquistas de reinos e destronamentos de reis.

“Sei que vos devo agradecer de minha pessoa, em terras, em riquezas.

“Vingai vossos filhos, vossos irmãos e vossos herdeiros, que naquela noite pereceram em Roncevaux. Vós bem sabeis que contra os pagãos o direito é por mim”.

2–Autores modernos

“A imagem medieval de pobreza, a realeza e a vontade divina estão ilustradas em uma ‘Vida de Eduardo o Confessor’, do século XIII.


“Esta história narra que ‘Gilla Michael’, um paralítico inglês, foi a Roma em busca de remédio, mas (o sucessor de) São Pedro lhe disse que ficaria curado se o rei Eduardo da Inglaterra o levasse em suas costas desde a Westminster Hall até a Abadia de Westminster. O virtuoso monarca consentiu.


“Pelo caminho o paralítico sentiu que ‘se lhe afrouxavam os nervos e se lhe estiravam as pernas’.

“O sangue de suas chagas corria pelas vestiduras reais, mas o rei o levou até o altar da abadia.

“Ali ficou curado, começou a andar e pendurou suas muletas, como lembrança do milagre” (Chr. Brooke, professor de História Medieval na Universidade de Liverpool, in “La Baja Edad Media”, Ed. Labor, Barcelona, 1968, p. 32).

“E como as noções de fraqueza e de poder são sempre relativas, vê-se, em muitos casos, o mesmo homem fazer-se simultaneamente dependente de um mais forte e protetor dos mais humildes. 

“Assim se começa a construir um vasto sistema de relações pessoais, cujos fios entrecruzados corriam de um andar a outro do edifício social” (Marc Bloch, professor na Universidade de Strasburgo, in “La Société Féodale”, Ed. Albin Michel, Paris, 1970, p. 213).

“O prestígio real é muito vivo. No fundo dos bosques mais distantes, o último dos camponeses sabe que existe o rei ... ungido com óleos santos, consagrado ... e que está encarregado de manter em todo o território do reino a paz e a justiça” (Georges Duby, in “Histoire de la Civilisation Française”–trad. castellana–Fundo de Cultura Económica, México, 1958, p. 20).

“Um homem, prescrito, entre 925 e 935, na Inglaterra, não tinha senhor? Se se constata essa situação negra, sujeita a sanções legais, sua família deverá designar-lhe um senhor. Ela não quer ou não pode? 

“Então ele será considerado fora da lei, e quem o encontrar poderá matá-lo, como a um bandido” (Marc Bloch, op. cit., p. 259).

 



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domingo, 7 de novembro de 2021

Primeiro mito errado: Uma sociedade concebida segundo os princípios católicos é utopia.

Luis Dufaur
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REFUTAÇÃO:

A Civilização Cristã existiu. Atestam-no os Documentos Pontifícios, os documentos medievais e estudos credenciados de autores contemporâneos, além dos legados culturais indestrutíveis, dos quais até hoje recebemos a salutar influência.


DOCUMENTAÇÃO

Da Idade Média, a despeito desta ou daquela falha, Leão XIII escreveu com eloquência:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados.

“Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.

“Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados.

“Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios.

“Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”

(Encíclica Immortale Dei, de 1/XI/1885).


Assim, a Civilização Cristã não é uma utopia.

É algo de realizável, e que em determinada época se realizou efetivamente.


Algo que durou, de certo modo, mesmo depois da Idade Média, a tal ponto que o Papa São Pio X pôde escrever:

“A civilização não mais está para ser inventada, nem a cidade nova para ser construída nas nuvens.

“Ela existiu, ela existe: é a Civilização Cristã, a cidade católica.

“Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar, sobre seus fundamentos naturais e divinos, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade”

(Carta Apostólica Notre Charge Apostolique).


A refutação dos mitos que vêm em seguida dará a documentação medieval e a dos autores contemporâneos, que atestam claramente que a Idade Média foi a Era Cristã de que falam os Pontífices.



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sábado, 30 de outubro de 2021

Hoje há mais bruxas que na Idade Média?

Hoje há mais bruxas?
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Inglaterra, segundo o censo oficial de 2001, 31.000 mulheres se declararam bruxas por profissão.

Mas, o número real hoje seria muito maior de acordo com o vaticanista de “La Stampa” Giaccomo Galeazzi, em virtude do impulso comunicado às artes diabólicas pela série de filmes e novelas do gênero Harry Potter.

Harry Potter leva ao satanismo, diz ex-bruxa.
Elizabeth Dodd, ex-bruxa de Oxford convertida ao catolicismo, denunciou que o retorno do paganismo e da magia abre as portas a um mundo obscuro do ocultismo e do satanismo, por vezes ligado ao crime ritual.

A Catholic Truth Society de Londres publicou o livrinho “Wicca and Witchcraft, understanding the dangers”, alertando os pais de família para as ameaças contidas nessas práticas condenadas pela Igreja.

Parece que o mundo laicista acabou gerando mais bruxas e contatos com o inferno dos que havia na Idade Média.





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