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domingo, 25 de janeiro de 2015

A epopeia gloriosa de Santa Joana d’Arc
entra pelo III milênio
Santa Joana d’Arc – 1

Santa Joana d'Arc: estátua em Paris, do escultor Frémiet
Estátua em Paris, de Frémiet


Em 6 de janeiro de 2012 comemorou-se o sexto centenário do nascimento de Santa Joana d’Arc na hoje quase esquecida aldeia de Domrémy-la-Pucelle, na França.

Pastorinha chamada por Deus para realizar um feito sem igual no Novo Testamento, ela restaurou a França, país então sem esperança, arruinado pelo caos político-religioso e ocupado em larga medida pelos ingleses.

Reinstalou no trono o rei legitimo e levou à vitória seus desanimados exércitos.

Considerada como profetisa do Novo Testamento, a santa gravou o nome de Jesus na bandeira com que conduzia as tropas ao combate.

Dois séculos e meio depois, o Sagrado Coração viria pedir a Luis XIV, rei da França, mediante aparição à vidente Santa Margarida Maria Alacoque, que gravasse sua imagem nas bandeiras reais.

Aprisionada por ocasião de uma escaramuça, Santa Joana d’Arc foi julgada por um tribunal iníquo que a condenou a ser queimada como bruxa na cidade de Rouen, em 1431.

Hoje, porém, a história da santa, canonizada em 1920, faz vibrar o mundo.

Muitos eclesiásticos e inúmeros de seus devotos estão certos de que sua missão não terminou.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Como tratar os terroristas: o exemplo de São Luís
e o “Velho da Montanha” (2)

San Luis recebe em Acre os enviados do Velho da Montanha. Georges Rouget (1783-1869) Palácio de Versailles.
San Luis recebe em Acre os enviados do Velho da Montanha.
Georges Rouget (1783-1869) Palácio de Versailles.

“A História é a mestra da vida”, disse Cícero. No momento em que a França e a Europa discutem como responder à provocação terrorista, é esclarecedora a resposta dada por São Luís aos enviados do “Velho da Montanha”, chefe da seita dos Assassinos.

No post anterior já tratamos deste fato histórico: Como São Luis IX tratou aos terroristas do “Velho da Montanha”

Achamos também a descrição do mesmo fato feita por um eminente historiador que acrescenta novos e elucidativos aspectos. Por isso o transcrevemos aqui.

O historiador Henri Wallon (1812-1904) descreve a recepção, baseado nas Memórias do príncipe de Joinville, companheiro de armas de São Luís IX na Primeira Cruzada e historiador máximo do santo rei:

“Durante seu estágio em São João de Acre, ele recebeu os mensageiros do ‘Velho da Montanha’.

“A cena narrada por Joinville lança intensa luz sobre o terror que esse estranho déspota espalhava no mundo por meio de cegos algozes obedientes às suas ordens, e o ascendente que nossas ordens religiosas e militares haviam inculcado no próprio chefe desses fanáticos, desafiando a morte. São Luís bem que merecia pô-lo também a seus pés.

“Ele recebeu os mensageiros na saída da Missa. Estes se apresentaram nesta ordem: à testa, um emir ricamente vestido; atrás dele um assassino, que levava três facas enfiadas uma na outra: a folha da segunda entrava na bainha da primeira, e a da terceira na segunda. Símbolo de morte inevitável: o primeiro assassino deveria ser sucedido pelo segundo, e este pelo terceiro, até o cumprimento da sentença.

“Ao mesmo tempo era sinal do desafio ao rei, e do destino que ele teria em caso de recusa. Atrás vinha um outro, que trazia um lençol envolto em seu braço, como para enterrar aquele que o punhal de seu companheiro ia atingir.

O rei convidou o emir a falar:

— Meu senhor, disse o emir, encomenda-me perguntar-vos se vós o conheceis?

— Não, respondeu tranquilamente São Luís, porque nunca o vi, mas ouvi falar dele.

Um agente do Velho da Montanha (turbante branco) assassina o vizir Nizam-al-mulk. Museu de Topkapi, Estambul
Um agente do Velho da Montanha (turbante branco em pé)
assassina o vizir Nizam-al-mulk. Museu de Topkapi, Estambul
— Posto que vós ouvistes falar dele, respondeu o emir, espanto-me que não tenhais enviado algo de vossa parte para tê-lo como amigo, como o faziam todos os anos o imperador da Alemanha, o rei da Hungria, o sultão de Babilônia e outros, certos de que só poderiam viver enquanto aprouvesse ao meu senhor. Se vós não quiserdes pagar, liberai-o ao menos do tributo que ele deve ao Hospital e ao Templo.

Esse feroz potentado, diante do qual o mundo tremia, de fato pagava um imposto às Ordens do Hospital e do Templo: o que podia ele sobre os grandes mestres dessas ordens, que tão logo fossem assassinados seriam substituídos por outros? Teria sido em vão enviar seus assassinos.

O rei disse ao emir que voltasse após o jantar.

Quando ele voltou, encontrou São Luís sentado entre o Mestre do Hospital e o Mestre do Templo. E o rei lhe disse então que repetisse o que havia dito pela manhã.

O emir respondeu que só o faria diante daqueles que estiveram com o rei pela manhã. Ao que os dois Grandes Mestres disseram:

— “Nós te ordenamos que fales”.

O emir obedeceu e os dois lhe ordenaram que fosse ter com eles no dia seguinte no Hospital.

Ele foi. Os dois Mestres então lhe disseram que o Velho da Montanha tinha ousado demais fazendo o rei ouvir tais palavras.

— Se não fosse pelo amor ao nosso rei, acrescentaram, nós teríamos feito afogar todos os três nas águas sujas do mar de Acre, a despeito de teu senhor. Nós te ordenamos que voltes junto a ele, e que, dentro de quinze dias, retornes, trazendo da parte de teu senhor cartas de fidelidade e joias tais que satisfaçam o rei”.

Ruínas de Alamut, fortaleza do Velho da Montanha, Irã
Ruínas de Alamut, fortaleza do Velho da Montanha, Irã
Na quinzena, os mensageiros voltaram, trazendo como presente a camisa do Velho da Montanha.

“Como a camisa é a veste mais perto do corpo, assim, disseram eles, o Velho quer ter o rei mais perto de seu amor, mais do que qualquer outro rei”.

O sheik também lhe enviava outros símbolos de sua amizade, junto com mais presentes: um anel de ouro muito fino onde estava escrito seu nome, em sinal de seus desponsórios com o rei, com quem queria ser um só a partir de então; um elefante e uma girafa de cristal, maçãs em diversos tipos de cristais; jogos de xadrez e dominó de âmbar, com o âmbar ligado ao cristal com belas filigranas de ouro fino.

O rei ficou contente com esse ato de submissão e não quis ser superado em generosidade: enviou joias, panos de púrpura, taças de ouro e freios de prata ao Velho da Montanha.

Enviou também o Irmão Yves, um bretão que conhecia a língua do país, o mesmo que mandara como embaixador junto ao sultão de Damasco. Pensava provavelmente converter o chefe dos Assassinos.

Esse bom religioso tentou fazê-lo, mas, como Joinville dá a entender, inutilmente, transmitindo uma imagem da corte do Velho própria a desencorajar quem for.

Quando o Velho cavalgava, diante dele ia um arauto com um machado dinamarquês de cabo comprido todo recoberto de prata e eriçado de facas; e o arauto bradava: “Afastai-vos diante daquele que tem em suas mãos a morte dos reis”.

(Autor: Henri-Alexandre Wallon, Saint Louis et son temps, Hachette, Pais 1878, capítulo XI, p. 221-223)



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domingo, 11 de janeiro de 2015

Como São Luis IX tratou aos terroristas do “Velho da Montanha”

São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos"
São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos".
Nicolas-Guy Brenet (1728 - 1792). Capela da École Militaire. Paris.

A seita do “Velho da Montanha” havia sido fundada por Hassan Ibn el-Sabbah um sacerdote persa zoroastriano que se instalou no Cairo. A seita era conhecida como a dos “Assassinos”, e marcou o Oriente Próximo durante perto de um século.

O terror que ela causava ficou condensado na frase de um poderoso senhor local: “Eu não ouso mais obedecer-lhe nem desobedecer-lhe”.

Um outro senhor que recebeu uma mensagem do “Velho da Montanha” intimando-o a se render, preferiu demolir seu castelo, sabendo estar ameaçado de morte a qualquer momento e ser assassinado em caso de desobediência, tal vez por algum de seus familiares drogado com maconha.

No ano de 1090, os membros da seita ismaelita dos “Assassinos” se apoderaram da fortaleza de Alamut (o “refúgio dos abutres”) nas montanhas da Pérsia.

A partir dali, eles estenderam progressivamente sua influência pela Síria e pela Palestina.

Desde aquele rochedo inexpugnável, logo rebatizado, o “refúgio da riqueza”, os grandes mestres da seita governavam por meio de intermediários.

Pelo fim do século XII, um deles de nome Rachid el-Din el-Sinan, era tão poderoso que negociava de igual a igual com Saladino.

Nunca foi anunciada a morte de algum dos grandes mestres. Visavam assim fazer que os adversários acreditassem que eram imortais.

Os cruzados francos apelidaram o poderoso chefe da seita de “Velho da Montanha”.

Os jovens sem rumo que eram recrutados pela seita dos Assassinos tinham que jurar obediência, ficavam fanatizados e drogados com maconha (haschisch). De ali provinha o nome Haschuschin, que deu o termo “assassino”.

A função do “assassino” consistia em executar todo aquele que se recusasse a pagar tributo ao “Velho da Montanha”.

Para garantir a fidelidade dos “assassinos” o grande mestre mandava drogá-los e conduzi-los a uns jardins maravilhosos ao pé dos muros de sua fortaleza.

Lá, no meio de fontes e flores, mulheres pagas se ofereciam a eles.

Quando “acordavam”, os esbirros garantiam a eles que tinham tido um antegosto do Paraíso de Alá!

Enganados, eles não temiam morrer ou mesmo serem despedaçados, e obedeciam cegamente.

Os “assassinos” eram tão cruéis que seus inimigos ficavam aterrorizados.

Onde eles estavam ativos, ninguém podia se considerar seguro, nem os camponeses árabes, nem os peregrinos francos, nem os poderosos senhores, nem mesmo os reis.

Uma madrugada, um sultão hostil à seita acordou com um punhal cravado na cabeceira da cama.

Horrorizado pela sinistra advertência, ele aceitou logo pagar o tributo e exonerou os “assassinos” de pedágios e impostos em seus domínios.

Quando São Luis IX desembarcou em Oriente, os Assassinos eram uma potência inevitável.

O velho da montanha droga seus discípulos.
Biblioteca Nacional da França, departamento dos Manuscritos, Français 2810, fol 17
Aliás, já na III Cruzada, heróis como Raimundo de Trípoli e Conrado de Montferrato tiveram que entrar em certo acordo com a seita e engajaram conversações.

O Velho da Montanha reinava sobre um vasto território, mas mantinha relações de boa vizinhança com os cristãos.

Ele praticava um Islã cismático aos olhos dos outros muçulmanos. Estava constantemente em guerra com seus correligionários e chegou a se opor violentamente aos sucessores de Saladino.

Quando soube da derrota dos cruzados em Mansourah, em fevereiro de 1250, o Velho da Montanha enviou mensageiros a São Luis IX, para que ele também lhe pagasse tributo.

“Os príncipes que vos precederam – mandou dizer o misterioso chefe da seita – como o rei da Hungria ou o imperador da Alemanha pagaram tributo ao sheik Al-Jabal para tê-lo como amigo, tu que foste vencido deves fazer a mesma coisa”.

E para mostrar o poder de seu mestre, os embaixadores exibiram a faca símbolo de sua força, e o lençol em que enterravam suas vítimas.

O rei da França não só recusou o pagamento, mas exigiu “receber antes de quinze dias cartas e presentes de amizade”.

A firmeza do Santo impressionou o grande mestre dos Assassinos.

Duas semanas depois, ele fez chegar ao rei da França seu anel e sua própria camisa “porque a camisa está mais perto do corpo que qualquer outra peça do vestiário, assim o Velho mestre quer estar mais perto do rei franco do que qualquer outro”.

E para dar mais força à seus sinais de amizade, lhe enviou também suntuosos presentes: um jogo de xadrez feito de âmbar perfumado e um elefante e uma girafa de cristal.

Em troca, São Luis lhe ofereceu joias e legou um embaixador permanente: o frade dominicano Yves Le Breton.

Esse religioso eminente selou uma verdadeira aliança entre seu rei e o grande mestre dos Assassinos.

A história dessa seita penetra o presente.

Só os mongóis de Hulagu conseguiram vencer o Velho da Montanha e se apoderar da fortaleza de Alamut, em 1256.

Desde então, a seita se dispersou pela Síria, Líbano, Irã e Índia.

Porém, a seita ismaelita subsiste, e os descendentes dos grandes mestres ainda são venerados em nossos dias na pessoa do Agha Khan.

(Fonte: Louis IX et le “Vieux de la Montagne”, http://chrisagde.free.fr/capet/l9hommes.php3?page=4)




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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

O retorno das pombas à catedral de Dijon

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal


Na Borgonha, as pedras nunca são brancas, por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Pior. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças: tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Nas almas das cancões perfeitas de Natal:
fé, coragem, ternura



É a noite de Natal. A Missa de Galo vai começar. Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno...

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranqüila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

“O nobilíssimo menino de cabelos cacheados dorme em celestial tranqüilidade.”

domingo, 7 de dezembro de 2014

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França


A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

São muitos os que até agora não estão elucidados: desde as fórmulas químicas desaparecidas que dão aos vitrais tonalidades únicas e irreproduzíveis até os mais complexos cálculos matemáticos e astronômicos que orientaram as proporções cósmicas das Bíblias de pedra.

domingo, 30 de novembro de 2014

Como um Papa medieval falava para os bispos

O Beato Urbano II pregando a Cruzada. Na sua direita, os bispos. Na esquerda, os príncipes, no centro, o rei.
O Beato Urbano II pregando a Cruzada.
Na sua direita, os bispos. Na esquerda, os príncipes, no centro, o rei.
Luis Dufaur



Urbano II aos bispos reunidos no concílio de Clermont-Ferrand, França, 1095.

“Meus mais amados irmãos:

“Impulsionado pela necessidade, eu, Urbano, com a permissão de Deus, chefe, bispo e prelado de todo o mundo, vim para estas partes como um embaixador, com uma advertência divina para vocês, servos de Deus.

“Eu esperava encontrá-los tão fiéis e tão zelosos no serviço de Deus quanto eu tinha suposto que fossem.

“Mas, se há em vós quaisquer deformidades ou tortuosidades contrárias as lei de Deus, com a ajuda divina, eu farei o meu melhor para removê-las.

“Porque Deus tem lhes posto como mordomos sobre suas famílias para servi-Lo.

“Feliz de fato você será se Ele o considerar fiel em sua serventia.

domingo, 23 de novembro de 2014

“Uma espécie de rei eterno”(10)
São Luís, estadista da Cristandade 9

São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
Luis Dufaur



continuação do post anterior: Reordena o Reino de Jerusalém


São Luís IX realizou a perfeição da França. Encarnou o país da harmonia, da bondade, da generosidade de alma e da inteira entrega a Nossa Senhora.

Ele parece presente na Sainte-Chapelle e em outros lugares que cantam a glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima.

Foi um santo segundo a alma da França, como São Fernando III de Castela, seu primo-irmão, foi o santo que a Espanha aguardava, ou Santo Henrique imperador foi o anelado da Alemanha.

Ele contribuiu para fazer da Idade Média uma Jerusalém terrestre, imagem da celeste.

Na Alemanha, quando alguém perguntava: “Como você vai?” e o outro ia muito bem, dizia: “Eu vou como vai o bom Deus na França”.

Pois, sob o santo estadista, a França imprimiu na Europa o equilíbrio ideal entre os senhores feudais, a realeza e o povo, entre o Papa e o Imperador, entre os soberanos vizinhos.

O governante sem sabedoria perde seu povo e o rei sábio o salva. Sem sabedoria, o poder civil ou eclesiástico se transforma em instrumento de perdição.

Por isso, Dom Guéranger, o grande abade de Solesmes, formulou um elogio lapidar do santo: “A Sabedoria eterna desceu um dia de seu trono no Céu e pousou sobre São Luís”.

FIM

domingo, 16 de novembro de 2014

Reordena o Reino de Jerusalém
São Luís, estadista da Cristandade 8

São Luís na Cruzada
São Luís na Cruzada
Luis Dufaur


continuação do post anterior: As Cruzadas


A rainha Margarida de Provence salvou Damietta com um punhado de cavaleiros e reuniu o imenso resgate de 400.000 bizantinos de ouro, libertando assim o rei, a maioria dos cavaleiros e grande parte do exército prisioneiro.

São Luís trasladou-se a São João d’Acre, onde consultou os barões do Reino sobre permanecer ou não na Terra Santa.

A rainha-mãe Branca de Castela havia informado que o rei da Inglaterra tramava invadir a França e que o reino corria grande perigo.

Segundo Joinville, São Luís explicou:

“Eu não tenho paz nem trégua com o rei da Inglaterra. Mas o povo de Terra Santa quer impedir-me de partir. Eles dizem que se eu for embora, sua terra estará perdida e será destruída e que eles preferem sair comigo. Eu vos rogo pensar nisto e responder-me em oito dias”.