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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Convite aos fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé

Castelo de Chaumont


O historiador Rodney Stark colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. 

Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. 

Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. 

Por que não cresceram como a ocidental e cristã?

Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica. 

As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação. 

Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé. 

Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”.  

Clemente de Alexandria, no século III, insistia: “Não julgueis que o que nós dissemos deve ser aceito só pela fé, mas deve ser acreditado pela razão”. Santo Agostinho consagrou tal ensinamento, e Santo Tomás, com suas Summas, levou-o a um píncaro.


Índia: pagãos despejam leite, especiarias e moedas sobre ídolo

Além do mais, os mitos abstrusos do paganismo degradam seus próprios seguidores.

Basta olhar para os pagãos da Índia, que despejam sobre um ídolo leite, especiarias e moedas de ouro de que podem ter necessidade, como se vê na foto.

 Os monges medievais aplicaram a lógica racional à vida quotidiana e criaram uma regra de vida. 

Surgiram então prédios de uma beleza até então desconhecida; o trabalho foi dignificado e organizado; surgiram escolas de todo tipo; códigos civis e comerciais, leis internacionais, hospitais, fábricas, invenções, remédios eficazes; vinhos e licores, etc. 

A vassalagem do monge em relação ao abade e as relações das abadias entre si inspiraram a organização política feudal. 

Uma força de elevação e requinte foi transmitida pela Igreja à sociedade no transcurso de gerações, e ergueu-se assim o mais formidável e esplendoroso edifício civilizador da História.



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 13 de abril de 2014

Via Sacra: acompanhando a Jesus pela Via da Paixão em Jerusalém


A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação espiritual ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.

As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras. Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.

Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário. Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.

Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.

O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram espiritualmente o percurso de Jesus carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando à Paixão de Cristo.

domingo, 6 de abril de 2014

A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares

Carlos Magno batalha contra os saxões, British Library
Leia o post anterior sobre Carlos Magno: A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

Vamos imaginar Carlos Magno no momento de se jogar contra os sarracenos que invadiram o sul da Espanha.

Então, ele está com a tenda dele armada, mas é uma tenda bonita, guerreira, militar, com pendões etc., etc.

Uma tenda medieval com guerreiros andando de um lado para o outro com uma compenetração que é de homem que está andando para a guerra sagrada.

Entram cinco, oito, dez homens. São os pares de Carlos Magno que se aproximam. Carlos Magno está majestoso, num repouso fecundo, desses repousos dos quais homens prontos para a batalha.

domingo, 30 de março de 2014

Os escolásticos medievais fundaram a economia científica

Um dado muito pouco conhecido é que a Igreja inspirou o pensamento econômico na Idade Média.

Até então os homens não tinham racionalizado os sistemas econômicos.

Alguns grandes pensadores como Aristóteles trataram de alguns problemas muito básicos da atividade econômica.

Porém, a imensa maioria dos homens e as civilizações antigas tocavam a vida econômica em função da agricultura, o artesanato, o comércio e o intercâmbio básico, e não raciocinavam sobre isso.

Para eles, a economia era o que a palavra significa ao pé da letra : as "regras da casa" ou "administração doméstica" ( de 'eco' = casa e 'nomos' = regras ou costumes).

Joseph Schumpeter, um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX, em sua History of Economic Analysis (1954), disse dos escolásticos (a escola teológica que unificiou a linguagem e a formulação dos conceitos na Idade Média):
“Foram eles os que chegaram, mais perto do que qualquer outro grupo, a serem os ‘fundadores’ da economia científica”.

domingo, 23 de março de 2014

Reconhecidos os ossos do “Pai da Europa”: Carlos Magno

Carlos Magno: busto relicário em Aachen, Alemanha
Cientistas alemães anunciaram que, após quase 26 anos de pesquisa, os ossos contidos há séculos em preciosas urnas e relicários da catedral de Aachen, podem ser tidos com grande certeza como os próprios de Carlos Magno, informou The Local, jornal com noticias em inglês editado na Alemanha.

Os estudos científicos e suas conclusões foram apresentados no dia 28 de janeiro de 2014, 1.200º aniversário da morte do grande imperador.

Os cientistas contabilizaram 94 ossos e fragmentos nos relicários do Rei dos Francos, coroado Imperador do Sacro Império Romano Alemão pelo Papa São Leão III.

Carlos Magno tem direito a culto como bem-aventurado em numerosas dioceses da França, Alemanha e Bélgica, com Missa especial e orações próprias.

Imagens do Beato Carlos Magno são cultuadas em igrejas e catedrais dessas dioceses.

O busto relicário contém parte da calota craniana de Carlos Magno
Em 1988, a equipe abriu o sarcófago principal exposto ao culto na Catedral de Aachen.

Porém, os cientistas agiram em segredo, pois se trata de um personagem altamente polêmico, com furiosos inimigos anticristãos. Os resultados do estudo só agora se tornaram públicos.

O professor Frank Rühli, chefe do Centro de Medicina Evolutiva da Universidade de Zurique, Suíça, um dos cientistas responsáveis pelo trabalho, declarou:

“Em virtude dos resultados obtidos desde 1988 até o presente, podemos dizer com grande probabilidade que se trata do esqueleto de Carlos Magno”.

domingo, 16 de março de 2014

A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

O Sacramentário de Tyniecki adotou a minúscula carolíngia, clara, fácil de ler
O Sacramentário de Tyniecki adotou
a minúscula carolíngia, clara, fácil de ler
Leia o post anterior: Como e por que Carlos Magno mandou alfabetizar o maior número possível

Nada de mais básico para a leitura do que uma escritura legível e uma boa caligrafia ou tipografia.

O leitor imagine um texto todo escrito em maiúsculas, sem espaços entre uma palavra e outra. Seria muito penoso de ler.

Era o caso da escritura dos romanos da qual provém a nossa.

Os romanos escreviam assim, como está registrado em inúmeros monumentos, como no arco de Septimio Severo em Roma por exemplo.

Devemos a facilidade de leitura da nossa escritura à Idade Média.

E sobre tudo ao imperador Carlos Magno.

Por volta do ano 780, o imperador ordenou que a Escola Palatina, que funcionava em seu palácio, passasse a usar letras minúsculas e pusesse espaços entre as palavras.

Foi assim que se tornou oficial a “Minúscula carolíngia”, antepassada direta de nossa escritura.

Carlos Magno agiu aconselhado pelo abade Alcuíno, monge beneditino de York, e que foi uma espécie de ministro de Educação muito prezado pelo imperador.

domingo, 9 de março de 2014

Como e por que Carlos Magno mandou alfabetizar o maior número possível

Carlos Magno, alma do renascimento da cultura e introdutor da alfabetização popular
Leia o post anterior: Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

Continuação da uma Epístola de Carlos Magno endereçada a Baugulgum, abade de Fuldens:
“Está escrito (quer dizer, está escrito no Antigo Testamento ou no Novo Testamento): “Tu serás justificado ou condenado por tuas palavras”. Se bem seja muito melhor agir bem do que ser sábio, entretanto é preciso saber antes de agir.

“Que cada um compreenda tanto mais a vastidão de seus deveres quanto mais a sua língua se entregue sem erro aos louvores de Deus”.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento. Vida e milagres de Santo Amando, século XII. Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59
Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento.
Vida e milagres de Santo Amando, século XII.
Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59
Leia o post anterior: A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

No livro “Charlemagne” de Alphonse Vétault (Tours, Ed. Alfred Mame et fils, 1876) se encontra uma Epístola ad Baugulfum abbatem Fuldens.

É uma carta do imperador Carlos Magno endereçada a esse abade de Fuldens:

Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos Longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus Todo-Poderoso, saudação.

Há frases aqui que cantam e tem uma grandiloquência que não se sabe como elogiar: “Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus todo poderoso, saudação”.

Numa saudação está tudo dito.

Saiba vossa devoção a Deus, que depois de ter deliberado com nossos fiéis, estimados que os bispados e mosteiros que, pela graça de Cristo, foram colocados sob nosso governo, além da ordem da vida regular e as prática da nossa santa religião, deve, também aplicar seu zelo ao estudo das letras, e ensinar aqueles que com auxílio de Deus, possam aprendê-las, cada qual segundo sua capacidade.

Assim, enquanto a regra bem observada sustenta a honestidade dos costumas, a preocupação de aprender e de ensinar, de bem aprender e de ensinar, põe a ordem do idioma, de maneira que aquele que queiram agradar a Deus vivendo bem, não lhe negligenciaram de lhe agradar falando bem.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

São Leão III Papa sagra Carlos Magno
imperador do Sacro Império na noite de Natal do ano 800
Leia o post anterior: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

A Igreja reconheceu e coroou na terra Carlos Magno que Deus por certo terá coroado no Céu, em virtude da promessa divina a São Pedro: “tudo o que atares sobre a terra será atado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos céus.(Mt 16, 19).

A coroação tem este lado de bonito, que é a ideia do poder de um Papa.

O Império Romano pagão não nasceu dos Papas. Ele foi feito pelo Senado romano.

O Senado romano é que criou a grandeza romana. Os imperadores romanos apareceram durante a decadência da república romana; uma instituição pagã, portanto, mas que se cristianizou com Constantino.

O Papa se julgava no poder de recompor o Império Romano! Recompôs e fundou o Sacro Império Romano, quer dizer, o Império Romano Sagrado, feito para a defesa da Fé.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III
Leia o post anterior: Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

Carlos Magno foi um homem de uma piedade acendrada, mas ao mesmo tempo era analfabeto.

E esse analfabetismo nos mostra muito quão pouca coisa é aprender a ler e escrever mecanicamente como se faz modernamente.

Há um vício para aqueles que aprendem a ler e escrever e é a ideia de que o pensamento começa no livro.

Segundo este vício, quando o sujeito se dispõe a pensar qualquer coisa, a primeira coisa que deve fazer é comprar um livro para ler algo, e depois pensar sobre o que leu.

Então ele pode achar que Carlos Magno não sabendo ler nem escrever não poderia ter pensamento.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

Busto-urna com relíquias de Carlos Magno. Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.
Busto-urna com relíquias de Carlos Magno.
Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.
Leia o post anterior: Momento providencial em que apareceu Carlos Magno


Carlos Magno, grande guerreiro foi ao mesmo tempo um grande formador de homens.

Ele formou um conjunto de heróis que passou para a História como o conjunto dos conjuntos, que foram os Doze Pares de Carlos Magno.

Quando se fala de Par de Carlos Magno, se fala também de uma relação ideal entre um senhor e seu servidor.

Na ordem temporal, nunca a relação entre um chefe e seus súditos foi tão nobre, tão elevada, tão forte, nunca condição de súdito foi tão categórica, mas ao mesmo tempo comunicativa de tanta grandeza, quanto alguém ser um Par de Carlos Magno.

Entre Carlos Magno e seu pares havia um andar de diferença. E ele era de tal maneira, que todos os Pares juntos não davam o que ele era.

Mas um Par de Carlos Magno era como que uma projeção de um aspecto da personalidade dele.

Um Par de Carlos Magno era como um filho e um embaixador de Carlos Magno, trazendo consigo toda a carlomanicidade que ele tinha, participando da majestade de Carlos Magno, da força, da grandeza... Eram outros ele mesmo, embora ele fosse inconfundível.

Nessa relação está exatamente a beleza do nexo que o unia a eles.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Momento providencial em que apareceu Carlos Magno

Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.  Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.
Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.
Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Leia o post anterior: Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval


O Império romano cristianizado havia sido derrubado pela avalanche dos bárbaros. Os bárbaros eram todos eles ou arianos ou pagãos.

O arianismo era uma heresia que pode ser vagamente comparada ao protestantismo.

O ariano era tão anticatólico quanto o é o protestante, quer dizer, cortado da Igreja, herege, excomungado, inimigo.

Um bispo ariano chamado Úlfilas tinha pervertido os pagãos bárbaros para a religião ariana.

De maneira que grande parte dos bárbaros que invadiram o Império Romano, que era católico, vinham com a intenção de impor a religião ariana.

Outros eram pagãos, e a intenção deles era impor o paganismo.

Uns e outros eram bárbaros. E como bárbaros, eram incompatíveis por hábito, por psicologia, por tendência natural, à civilização.

Eles se estabeleceram no Império Romano do Ocidente, e foram espandongando, querendo ou não querendo, a civilização.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval

Carlos Magno, iluminura do século XV. British Library
Carlos Magno, iluminura do século XV.
British Library

Leia o post anterior

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira teceu os seguinte comentários sobre o grande imperador:

Nós lemos o seguinte sobre Carlos Magno, na grande “História Universal” de João Baptista von Weiss, historiador alemão católico condecorado pelo Papa Beato Pio IX com a Ordem de São Gregório:

Em 772, com 30 anos, Carlos tomou o governo do reino dos francos. Com razão Carlos se chamou Magno. Mereceu esse nome como general e conquistador, como ordenador e legislador de seu imenso império e como incentivador de toda a vida espiritual do Ocidente.

Por seu governo, as idéias cristãs alcançaram vitórias sobre os bárbaros. Sua vida foi uma constante luta contra a grosseria e a barbárie, que ameaçavam a Religião Católica e a nova cultura que nascia.

Nada menos que 53 expedições militares foram por ele empreendidas, a saber: dezoito contra os saxões, uma contra a Aquitânia, cinco contra os lombardos, sete contra os árabes, da Espanha, uma contra os turíngeos, quatro contra os ávaros, duas contra os bretões, uma contra os bávaros, quatro contra os eslavos, cinco contra os sarracenos da Itália, três contra os dinamarqueses e duas contra os gregos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

No 1200º aniversário: Carlos Magno
sob a luz dourada da História e da lenda

Busto-relicário de Carlos Magno.
Fundo: catedral de Aachen, Alemanha, capital de seu império

Em 28 de janeiro de 2014, a Cristandade comemorou 1.200 anos do falecimento do imperador Carlos Magno (*748–†814).

Em sua pessoa o Papa instituiu o Sacro Império Romano Germánico, obra prima da ordem social e política cristã, hoje infelizmente posta de lado.

Eventos culturais do mais alto nível estão anunciados pela Europa toda para comemorar a data.

O Museu Nacional da Suíça, por exemplo, lhe consagra uma exposição especial reunindo objetos prestigiosos, verdadeiras relíquias, emprestados por numerosos museus e instituições suícas e estrangeiras.

É difícil, reconhecem os organizadores, montar o quadro completo dos imensos progresos que o grande imperador católico, venerado em certas dioceses como Beato, trouxe para a Civilização Cristã.

No domínios da educação, da arte, da arquitetura e da religião não houve como ele.

Salas temáticas serão consagradas à personalidade do grande Carlos e seus colaboradores mais próximos. A seu império, aos conventos, igrejas e palácios que mandou construir e retratam de modo vivo sua época de influência pessoal nas décadas de 740 a 900.

domingo, 22 de dezembro de 2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

Árvore de Natal: uma tradição medieval
criada por Santos e reis católicos



O costume de ornar um pinheiro nas festas de Natal data dos tempos do Papa São Gregório Magno (540-604), que impulsionou a cristianização das tribos germânicas no início da época medieval.

Estas tribos tinham o costume esdrúxulo de adorarem árvores e lhes oferecerem sacrifícios.

Os missionários e monges aproveitaram então a forma triangular do pinheiro para explicar aos bárbaros o mistério da Santíssima Trindade.

Mas as coisas não eram fáceis.

A primeira árvore de Natal remonta ao longínquo ano 615. São Columbano, monge irlandês fora à França para abrir mosteiros.

Mas a indiferença dos habitantes era tal que ele estava quase desanimando.

domingo, 24 de novembro de 2013

“Os 12 dias de Natal”: canção e catecismo secreto dos católicos perseguidos

São Gabriel, Rodez, França
São Gabriel, Rodez, França

Há uma bela música de Natal inglesa intitulada Twelve Days of Christmas (Os 12 dias do Natal), pouco conhecida entre nós, e que surgiu durante a época da perseguição anglicana contra os católicos naquele país, no século XVI.

Com a pseudo-reforma protestante, países como a Inglaterra, ao abandonarem o regaço da Santa Igreja e caírem na heresia, começaram a perseguir os católicos, tornando quase impossível a prática da verdadeira Religião.

Para comunicar aos fiéis a sã doutrina e poderem celebrar sem medo de represálias o Natal do Salvador, segundo a tradição da Santa Igreja, católicos ingleses compuseram tal música, que é um catecismo secreto, porquanto expressa em símbolos a rea¬lidade de nossa fé.

Ela foi também utilizada muitas vezes pelos católicos durante as perseguições anticristãs e anti-monárquicas da Revolução Francesa.

Video: “Os 12 dias de Natal”

domingo, 17 de novembro de 2013

Monges trapistas fazem a melhor cerveja do mundo

30 garrafas de Westvleteren XII com seus copos
e a caixa (no fundo) para presente
A cerveja Westvleteren XII, produzida na Abadia de São Sixto de Westvleteren (Bélgica), há anos vem sendo eleita a melhor do mundo por milhares de especialistas.

Em conseqüência, os pedidos dessa bebida se multiplicaram, a cerveja se esgotou e muitos clientes exigiram aumento de produção.

A abadia, contudo, não pretende faze-lo. “Para nós, a vida na abadia vem primeiro, não a cervejaria” — explicou o monge Mark Bode ao jornal "De Morgen".

Na abadia, cerca de 30 monges trapistas levam uma vida de reclusão, orações e trabalho manual.

Neste ano (2013) a cerveja Westvleteren XII voltou a ser apontada como “a melhor cerveja do mundo” (“Best Beer in the World”). Confira no site Ratebeer.

A imprensa especializada se pergunta como isso pode ser possível, superando em qualidade os maiores holdings e empresas de cerveja do mundo.

Muitos pequenos fabricantes tentam imitar seus procedimentos.

domingo, 10 de novembro de 2013

A luz fugidia dos vitrais falando de Deus como nenhuma outra coisa consegue

Luz de um vitral batendo na pedra do chão
A luz da graça que desceu no começo da construção da Cristandade foi se definindo à medida em que ia tomando conta a Civilização Cristã nascente.

E os artistas e o povo iam se enchendo cada vez mais dessa luz.

Por isso se podia dizer de muito católico medieval aquilo que por excelência se diz dos santos: “Ele é luz”.

Poderia se dizer: “A luz se chama fulano”.

domingo, 3 de novembro de 2013

A galáxia das catedrais que poderiam ter existido – uma pálida amostra da beleza de Deus

Catedral de York, Inglaterra
Catedral de York, Inglaterra
Contemplando maravilhada e desinteressadamente uma catedral gótica, do fundo de nossas almas sobe uma coisa que é luz, superluz.

Mas, ao mesmo tempo, é penumbra ou obscuridade sem ser treva.

É a ideia de todas as catedrais góticas do mundo – as que foram construídas e as que não foram – dando uma ideia de conjunto de Deus que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que esse cojunto.

Essa contemplação nos leva para o espírito que inspirou todas essas catedrais.

E aí, realmente, nós vivemos mais no Céu do que na Terra.

Aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro – tão interno em mim, que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele –, esse desejo se realiza.

A alma diz: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

Por que o Céu?

Porque o homem sabe perfeitamente que um caco de vidro é um caco de vidro. Ele sabe que o sol não é senão o sol.

E que tudo o que existe seria uma ilusão se não fosse a expressão de um Ser infinitamente maior que se oculta aos nossos sentidos, mas que se mostra através desses símbolos.

domingo, 27 de outubro de 2013

Admiração das catedrais: escola de sabedoria e santidade

Catedral de Salisbury, Inglaterra
Catedral de Salisbury, Inglaterra

Quando nós vemos a Catedral de pedra e o povo que passa, entra e sai, podemos dizer: “Como os homens gostam dela!”

Podemos dizer também: “Deus, no mais alto do Céu, como gosta dela!”

Mais do que isso, Deus no mais alto do Céu gostou, e Nossa Senhora gostou do nosso encanto por aquela Catedral.

Porque mais belo do que a Catedral é o amor que o homem tem à Catedral.

Porque o homem é a obra-prima de Deus nesse universo visível.

E todos os movimentos de alma, para amar aquilo que o Espírito Santo sugeriu para a glória de Deus, são mais belos do que as coisas materiais que o homem faz.

E quando nós sorrimos para a Catedral, Deus e Nossa Senhora sorriem para nós.

E assim é o tesouro de belezas que há no fundo da alma do inocente.

É uma forma de luz.

domingo, 20 de outubro de 2013

São Bernardo exorta Manuel Comneno, Imperador de Constantinopla a apoiar a Cruzada

São Bernardo de Claraval
São Bernardo de Claraval
Ao grande e glorioso Manuel, Imperador de Constantinopla, o irmão Bernardo, abade de Claraval, saudação e orações.

1. Se eu me permito escrever a uma Majestade como a vossa, não me acuseis nem de temeridade nem de audácia. Agindo assim eu só cedo diante de uma inspiração da Caridade que não duvida de nada.

Pois, da minha parte, quem sou eu e que posição ocupa minha família em meu país para que eu ouse escrever a um tão grande imperador?

domingo, 13 de outubro de 2013

São Bernardo aos barões da Bretanha: “Quem não tem espada, compre-a!”

São Bernardo consola Jesus Crucificado. Bamberg, Alemanha
São Bernardo consola Jesus Crucificado. Bamberg, Alemanha
Em 1146, o Doutor Melífluo – assim denominado pela unção que emanam de seus escritos, especialmente os dedicados a Nossa Senhora – escreveu uma carta aos barões da Bretanha.

Naquele tempo o ducado de Bretanha constituía um Estado independente.

“1. A terra inteira treme e está abalada porque o Rei do Céu perdeu sua pátria aqui embaixo, os locais que seus pés pisaram.

Os inimigos de sua Cruz conjuraram-se contra Ele e exibindo-se cheios de audácia e orgulho, bradaram todos juntos: “Apoderar-nos-emos de seu santuário”.

Eles querem se apoderar dos Santos Lugares onde se efetivou nossa salvação, e ameaçam emporcalhar com sua presença os locais regados com o sangue de nosso Salvador.

Mas o que eles querem no mais fundo de seu coração é destruir o tesouro insigne da religião cristã, esse Sepulcro onde o corpo do Salvador foi depositado e sua Face divina recoberta com um Sudário.

domingo, 6 de outubro de 2013

Felicitacões de São Bernardo a Hugo, filho do conde de Champagne, que se fez cavaleiro templário

São Bernardo de Claraval. Juan Correa de Vivar (1510-1566)
Em 1125, São Bernardo escreveu a Hugo, filho de Thibaut III e conde de Champagne, para felicitá-lo por ter ingressado na Ordem de Cavalaria do Templo e assegurar-lhe sua eterna gratidão.

“Se for por Deus que de conde vos tornastes um simples soldado; e em pobre de rico que fostes, eu vos felicito do mais fundo de meu coração, e dou glória a Deus, porque eu estou convencido de que essa mudança foi obra da destra do Altíssimo.

“Entretanto, sinto-me obrigado a vos confessar que não posso facilmente renunciar, por uma ordem secreta de Deus, a vossa amável presença, e de nunca mais voltar a vos ver, a vós junto a quem eu teria desejado ter passado minha vida inteira, se isso tivesse sido possível.

domingo, 29 de setembro de 2013

São Pio X: a verdadeira liberdade da Igreja num Estado católico. Absurdo do Estado laico

São Pio X recebe honras militares subindo à carruagem pontifícia de gala
São Pio X recebe honras militares subindo à carruagem pontifícia de gala

Para comemorar o 16º centenário do Edito de 313, através do qual o Imperador Constantino o Grande reconheceu oficialmente o Cristianismo em todo o Império Romano, o Papa São Pio X decretou um Jubileu universal e concedeu uma generosa Indulgência Plenária.

Na Carta Apostólica Magni Faustique (O grande e portentoso evento), aquele grande santo, Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro ensina a razão de ser altamente desejável e benéfica do reconhecimento oficial do Catolicismo pelo Estado.

E mostra indiretamente a falsidade dos que postulam um Estado laico como sendo o ideal para a Igreja.

Eis o texto:

domingo, 22 de setembro de 2013

Governantes e súbditos: relacionamento com protocolo, cerimônia e grande respeito mútuo


Como os governantes – senhor feudal, bispo, autoridades municipais – comunicavam ao povo as informações e decisões de interesse geral?

Hoje confia-se tudo aos meios de comunicação social que, muitas vezes deixam o que desejar.

Na Idade Média – e até em épocas posteriores, inclusive no Brasil imperial – exerciam essa função proclamadores oficiais.

Seu ofício era dar a conhecer, lendo ou recitando, as normas ou informações a viva voz, a pé ou a cavalo, pelas ruas e praças, por vezes acompanhados de trompetes, ou outros instrumentos sonoros.

E, para caracterizar bem a dignidade e importância de sua missão, iam revestidos de símbolos que indicavam a autoridade que os tinha enviado.

domingo, 15 de setembro de 2013

Os Papas percebem a necessidade da Cruzada,
mas os príncipes não ouvem bem

Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
continuação do post anterior

Em 1075, o grande papa Gregório VII já pressionava avidamente os príncipes cristãos à guerra santa, prevista por Carlos Magno, implorada por Silvestre II.

Ele impôs, neste mesmo ano, a peregrinação de Jerusalém ao abominável Cencius, que tinha odiosamente atentado contra sua liberdade e sua vida.

50 mil cristãos se levantaram, contudo, faltavam-lhes chefes, pois os príncipes cristãos se mantinham surdos.

Em 1085, Roberto, o Frísio, tendo se associado ao governo dos Estados de Flandres, seu filho primogênito, Roberto II, partiu para a santa viagem, mais ou menos ao mesmo tempo em que Berenguer II, conde de Barcelona; Fréderic, conde de Verdun, e Conrado, conde de Luxemburgo, a quem a santa peregrinação estava prescrita em expiação, assim como havia sido para Roberto da Normandia, a Fulque d'Anjou, a Frotmond e a outros personagens culpados por assassinatos ou rebelião. Sobre FoulqueS de Anjou e sua vida veja: MONTREUIL BELLAY: EQUILIBRIO DE BELICOSIDADE BELEZA E PENITENCIA