domingo, 15 de novembro de 2009

Requintes medievais na arte de ensinar aos alunos


Para os homens da época (medieval), as palavras eram transparentes: havia um prazer muito grande em saborear o sentido etimológico delas.

Os intelectuais de então diziam que o homem é um ser que esquece suas experiências. Ele consegue resgatá-las através da linguagem . Assim, a expressão educação era entendida como estando associada à sua raiz etimológica latina: educe, “fazer sair”.

Como o conhecimento já existia inato no indivíduo, restava responder à seguinte pergunta: de que modo o estudante era conduzido da ignorância ao saber?

Como o aluno aprendia? Essa era a questão básica dos educadores medievais.

Preocupados com a forma da aquisição, os pedagogos de então tiveram uma importante consciência: cabia ao professor “acender uma centelha” no estudante e usar seu ofício para formar e não asfixiar o espírito de seus alunos. Muito moderna a educação medieval!

(Fonte: Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. Home-page: www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br. Texto completo em Mania de História).



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 8 de novembro de 2009

A Idade Média: “segunda Criação” obra da Igreja


“Na Idade Média há muitas coisas. Por um lado o isolamento das cidades, a queda de impérios, luta de raças, confusão de povos, violências, gemidos; corrupção, barbárie, instituições que caem ou ficam apenas no bosquejo; homens que vão aonde vão os povos; e povos que vão aonde outro quer e eles nem sabem; há luz apenas suficiente para ver que todas as coisas estão fora de seu lugar e que não lugar para coisa alguma: Europa é caos.

“Porém, além do caos há uma outra coisa: a presença da Igreja, Esposa imaculada de Nosso Senhor. Então, há um grande acontecimento nunca antes visto pelos povos: há uma segunda Criação operada pela Igreja.


“Da Idade Média nada me parece assombroso senão a sua criação, e nada há que me pareça adorável salvo a Igreja.

“Para operar esse grande prodígio, Deus escolheu esses tempos obscuros, eternamente famosos ao mesmo tempo pela explosão de todas as forças brutais e pela manifestação da impotência humana.

“Nada é mais digno da Divina Majestade e da divina grandeza que trabalhar ali, onde homens, povos e raças se agitam confusamente e ninguém obtém nada.

“Querendo Deus demonstrar em duas solenes ocasiões que a corrupção só é estéril e que só a virgindade é fecunda, quis que Maria nascesse e contraísse desposórios com a Igreja. Então, a Igreja foi mãe de povos, como Maria é Mãe dEla.

“Viu-se então àquela imaculada Virgem, ocupada em fazer o bem – do mesmo modo que seu divino Esposo ‒, levantar o ânimo dos caídos e moderar o ímpeto dos violentos; dar a uns o pão dos fortes e a outros o pão dos mansos.

“Aqueles ferozes filhos do pólo, que humilharam a majestade romana escarnecendo-a, caíram vencidos pelo amor aos pés da indefensa Virgem.


“Então o mundo todo contemplou, entre atônito e assombrado, por espaço de muitos séculos, a renovação da Igreja, a renovação do prodígio de Daniel protegido contra todo mal em meio à cova dos leões.

“Após ter amansado amorosamente aquelas grandes iras e após ter serenado só com um olhar aquelas furiosas tempestades, viu-se a Igreja tirar um monumento da ruína; uma instituição de um costume; um princípio de um fato; uma lei de uma experiência.

“Para dizer tudo de vez: o ordenado do esdrúxulo; o harmônico do confuso.

“Sem dúvida, todos os instrumentos de sua Criação, como o próprio caos, existiam antes em meio ao caos; mas pertenceu a Ela a força vivificante e criadora.

“No caos estava, como no embrião, tudo o que haveria de vir e de ganhar vida. Porém, na Igreja despojada de tudo, só havia o ser e a vida.

“Tudo passou a viver quando o mundo prestou ouvido atento às suas amorosas palavras e fixou o olhar na sua resplandecente beleza.”

(Fonte: “Obras Completas de D. Juan Donoso Cortés", BAC, Madri, vol. II, p. 630).

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 1 de novembro de 2009

Nobilitação do estado matrimonial e proteção da mulher e das crianças: outros legados medievais

Familia von Kurneberg, Glória da Idade MédiaOs bispos carolíngios do século IX tentaram regulamentar o casamento cristão, redigindo uma série de tratados (espelhos).

Neles, o casamento era valorizado, a mulher reconhecida como pessoa com pleno direito familiar e em pé de igualdade com o marido e a violência sexual denunciada como crime grave e do âmbito da justiça pública .

As crianças também foram objeto de reflexão nesses espelhos: a maternidade foi considerada um valor (charitas) e o casal tinha a obrigação de aceitar e reconhecer os filhos.

Assim, a ação da ordem clerical foi dupla: de um lado, os bispos lutaram contra a prática do infanticídio, de outro, os monges revalorizaram a criança, que passou por um processo de educação direcionada, de cunho integral e totalmente igualitária – por exemplo, as escolas monacais carolíngias davam preferência a crianças filhas de escravos e servos ao invés de filhos de homens livres, a ponto de Carlos Magno ser obrigado a pedir que os monges recebessem também para educar crianças filhas de homens livres.

Estes séculos da Alta Idade Média foram cruciais para a implantação do modelo de casamento cristão conhecido por todo o mundo ocidental, para a valorização da mulher como parceira e igual do marido e para a idéia de criança como ser próprio e com necessidades pedagógicas específicas.

Cerimônia de casamento nos séculos XII e XIII

Por fim, a sociedade era pensada como o conjunto de pessoas casadas (ordo conjugatorum), e a criança tinha um papel fundamental nessa estrutura, pois era o fim último da união.

(Fonte: Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. Home-page: www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br. Texto completo em Mania de História).



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 25 de outubro de 2009

A Igreja extirpou a escravidão na Idade Média


“A escravidão acabou na Europa medieval somente porque a Igreja estendeu seus sacramentos a todos os escravos e depois trabalhou para impor a proibição da escravidão de cristãos (e de judeus). No contexto da Europa medieval, essa proibição foi de modo efetivo, uma lei de abolição universal.

“Com os escravos sendo plenamente reconhecidos como humanos e cristãos, os sacerdotes começaram a urgir os proprietários a liberarem os seus escravos como sendo um "ato infinitamente recomendável" que ajudaria a garantir a própria salvação.

“Muitas emancipações foram registradas em documentos que ainda perduram. A doutrina de que os escravos eram humanos e não gado teve outra conseqüência importante: o casamento entre livres e escravos. (...) há sólidas provas de uniões mistas já no século VII, envolvendo, pelo geral, homens livres e mulheres escravas. A mais famosa dessas uniões teve lugar em 649, quando Clovis II, rei dos Francos, desposou sua escrava britânica Bathilda.

“Quando Clovis morreu em 657, Bathilda governou como regente até que seu filho mais velho atingiu a maioria de idade. Bathilda usou de sua posição para montar uma campanha para parar o comércio de escravos e resgatar os que estavam na escravidão. Após sua morte, a Igreja a reconheceu como santa.

“No fim do século VIII, Carlos Magno se opôs à escravidão, enquanto o Papa e muitas outras poderosas e eficazes vozes clericais fizeram eco a Santa Bathilda.

“No crepúsculo do século IX, o bispo Agobard de Lyon trovejava: "Todos os homens são irmãos, todos invocam o mesmo pai: Deus; o escravo e o dono, o pobre e o rico, o ignorante e o instruído, o fraco e o forte (...) não há escravo ou livre, mas em todas as coisas e sempre há somente Cristo".

“No mesmo tempo, o Abade Smaragde de Saint-Mihiel escreveu numa obra dedicada a Carlos Magno: "Bondadosíssimo rei, proibi que possa haver qualquer escravo em vosso reino". Logo, ninguém "duvidou que a escravidão em si mesma era contra a lei divina".

“Mais ainda, durante o século XI São Wulfstan e Santo Anselmo fizeram campanha para remover os últimos vestígios de escravidão na Cristandade, e logo pôde se dizer "que nenhum homem, nenhum verdadeiro cristão de nenhuma classe poderia ser de agora em diante ser tido legitimamente como propriedade de um outro".”

(Fonte: Rodney Stark, “A Vitória da Razão”, Random House, New York, 2005).

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 18 de outubro de 2009

Nos mosteiros: escolas gratuitas para crianças de todas as condições


Fora do mundo secular, um espaço social lentamente impôs uma nova perspectiva à educação infantil: o monacato .

Os monges criaram verdadeiros “jardins de infância” nos mosteiros, recebendo indistintamente todas as crianças entregues, vestindo-as, alimentando-as e educando-as, num sistema integral de formação educacional.

As comunidades monásticas célticas foram as que mais avançaram nesse novo modelo de educação, pois se opunham radicalmente às práticas pedagógicas vigentes das populações bárbaras, que defendiam o endurecimento do coração já na infância.

Pelo contrário, ao invés de brutalizar o coração das crianças para a guerra e a violência, os monges o abriam para o amor e a serenidade .

As crianças eram educadas por todos do mosteiro até a idade de quinze anos. A Regra de São Bento prescreve diligência na disciplina: que as crianças não apanhem sem motivo, pois “não faças a outrem o que não queres que te façam.”

O sistema medieval e monástico previa a aplicação de castigos. Na Bíblia há passagens sobre os castigos com vara que devem ser aplicados aos filhos; na Regra de São Bento há várias passagens (punição com jejuns e varas , pancadas em crianças que não recitarem corretamente um salmo), e esse ponto foi muito destacado e criticado pela pedagogia moderna, que, no entanto, não levou em consideração as circunstâncias históricas da época.

Naturalmente isso se deve a um anacronismo e preconceito que não condizem com a postura de um historiador sério. Basta buscar os textos de época que vemos a felicidade dos egressos dos mosteiros pelo fato de terem sido amparados, criados e educados.

Ao se recordar do mosteiro onde passou sua infância, São Cesário de Arles (c. 470-542) diz:

“Essa ilha santa acolheu minha pequenez nos braços de seu afeto. Como uma mãe ilustre e sem igual e como uma ama-de-leite que dispensa a todos os bens, ela se esforçou para me educar e me alimentar”.

Por sua vez, Walafried Strabo (806-849), então jovem monge, nos conta em seu Diário de um Estudante:

Eu era totalmente ignorante e fiquei muito maravilhado quando vi os grandes edifícios do convento (…) fiquei muito contente pelo grande número de companheiros de vida e de jogo, que me acolheram amigavelmente. Depois de alguns dias, senti-me mais à vontade (…) quando o escolástico Grimaldo me confiou a um mestre, com o qual devia aprender a ler. Eu não estava sozinho com ele, mas havia muitos outros meninos da minha idade, de origem ilustre ou modesta, que, porém, estavam mais adiantados que eu. A bondosa ajuda do mestre e o orgulho, juntos, levaram-me a enfrentar com zelo as minhas tarefas, tanto que após algumas semanas conseguia ler bastante corretamente (…) Depois recebi um livrinho em alemão, que me custou muito sacrifício para ler mas, em troca, deu-me uma grande alegria…”

Esses são apenas dois de muitos exemplos que contam a felicidade e a alegria que os medievais sentiram com o fato de terem tido a sorte de serem acolhidos em um mosteiro.

(Fonte: Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. Home-page: www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br. Texto completo em Mania de História).

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email

AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 11 de outubro de 2009

Sem a Igreja Católica não teria havido ciência e progresso autênticos


A alegada hostilidade da Igreja Católica à ciência não resiste a qualquer análise.

A verdade é que, sem a Igreja, não teria havido ciências sistemáticas e dinâmicas, diz o Prof. Thomas E. Woods "Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental".

De fato, a idéia de um mundo ordenado, racional — indispensável para o progresso da ciência — está ausente nas civilizações pagãs.

Árabes, babilônios, chineses, egípcios, gregos, indianos e maias não geraram a ciência, porque não acreditavam num Deus transcendente que ordenou a criação com leis físicas coerentes.

Os caldeus acumularam dados astronômicos e desenvolveram rudimentos da álgebra, mas jamais constituíram algo que se pudesse chamar de ciência. Os chineses "nunca formaram o conceito de um celeste legislador que impôs leis à natureza inanimada" (p. 78).

O paganismo impediu a ciência. Culto na China.


Resultado: descobriram a bússola, mas não sabiam para o que servia e a usavam em adivinhações.

A Grécia antiga confundia os elementos com deuses perversos e caprichosos.

O Islã recusava a existência de leis físicas invariáveis, porque coarctariam a vontade absoluta de Alá (p. 79). Essas crendices todas tornam impossível a ciência (p. 77).

O historiador da ciência Edward Grant indaga: "O que tornou possível à civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais, de uma maneira que nenhuma outra civilização o fizera anteriormente? A resposta, estou convencido, encontra-se num espírito de investigação generalizado e profundamente estabelecido como conseqüência da ênfase na razão, que começou na Idade Média” (p. 66).

Série da EWTN apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental". Episódio 2, parte 1. Legendado em Português.



Episódio 2, parte 2. Legendado em Português.




Episódio 2, parte 3. Legendado em Português.



Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 4 de outubro de 2009

O amor às crianças é um fruto abençoado da Cristandade medieval

Familia von Kurneberg, Glória da Idade MédiaA primeira herança da Antigüidade não é nada boa: a vida da criança no mundo romano dependia totalmente do desejo do pai. O poder do pater famílias era absoluto: um cidadão não tinha um filho, o tomava. Caso recusasse a criança – e o fato era bastante comum – ela era enjeitada. E o que acontecia à maioria dos enjeitados? A morte.

A segunda herança que a Idade Média herda da Antigüidade, a cultura bárbara, foi-nos passada especialmente por Tácito. Ele nos conta que a tradição germânica em relação às crianças era um pouco melhor que a romana.

Os germanos não praticavam o infanticídio, as próprias mães amamentavam seus filhos e as crianças eram educadas sem distinção de posição social.

Dessas duas tradições culturais que se mesclaram e fizeram emergir a Idade Média, concluo que o status da criança naquelas sociedades antigas era praticamente nulo. Até o final da Antigüidade as crianças pobres eram abandonadas ou vendidas; as ricas enjeitadas – por causa de disputas de herança – eram entregues à própria sorte.

Nesse contexto histórico-cultural é que se compreende a força e o impacto do cristianismo, que rompeu com essas duas tradições.

Cristo disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”. (Mt 18, 1-4).

Conceito medieval da família: muitas gerações unidas por uma mesma herança espiritual e materialA tradição cristã abriu, portanto, uma nova perspectiva à criança. No entanto, foi um processo bastante lento, um processo civilizacional levado a cabo pela Igreja.

Em sua História dos Francos, Gregório de Tours nos conta o sentimento de tristeza e a lamentação de Fredegunda (concubina e depois esposa do rei dos francos Chilperico), quando da morte de crianças:

“Essa epidemia que começou no mês de agosto atacou em primeiro lugar a todos os jovens adolescentes e provocou sua morte. Nós perdemos algumas criancinhas encantadoras e que nos eram queridas, a quem nós havíamos aquecido em nosso peito, carregado em nossos braços ou nutrido por nossa própria mão, lhes administrando os alimentos com um cuidado delicado [...]

“O rei Chilperico também esteve gravemente doente. Quando entrou em convalescença, seu filho mais novo, que não era ainda renascido pela água e pelo Espírito Santo, caiu enfermo. Assim que melhorou um pouco, seu irmão mais velho, Clodoberto, foi atingido pela mesma doença, e sua mãe Fredegunda, vendo-o em perigo de morte e se arrependendo tardiamente, disse ao rei:
“A misericórdia divina nos suporta há muito tempo, nós que fazemos o mal, porque sempre ela nos tem advertido através das febres e outras doenças, mas sem que nos corrijamos. Nós perdemos agora os nossos filhos, eis que as lágrimas dos pobres, as lamentações das viúvas e os suspiros dos órfãos os matam e não nos resta esperança de deixar os bens para ninguém.

“Nós entesouramos sem ter para quem deixar. Os tesouros ficarão privados de possuidor e carregados de rapina e maldições! Nossas adegas não abundam em vinho? Nossos celeiros não estão repletos de trigo? Nossos tesouros não estão abarrotados de ouro e de prata, de pedras preciosas, de colares e outras jóias imperiais? Nós perdemos o que tínhamos de mais belo! Agora, por favor, venha!
Queimemos todos os livros de imposições iníquas e que nosso fisco se contente com o que era suficiente ao pai e rei Clotário.” (Gregório de Tours, Historiae, V, 34)

(Fonte: Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo. Home-page: www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br. Texto completo em Mania de História).

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 27 de setembro de 2009

Por quê o Mont Saint-Michel foi consagrado ao Príncipe das Mílicias Celestes


Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

Há exatos 1300 anos, em 16 de outubro de 709, Santo Aubert consagrou ali a primeira igreja em honra do Arcanjo, e o monte tomou a partir de então o nome do Chefe da Milícia Celeste.

Durante a Idade Média, o Monte São Miguel tornou-se um dos mais importantes centros de peregrinação, ao lado de Roma e de Santiago de Compostela. Os penitentes tomavam o “caminho do Paraíso” em busca do auxílio do Arcanjo.


Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 20 de setembro de 2009

Cluny vai comemorar 1.100 anos envolta numa aura de veneração

A pequena cidade de Cluny, na França, mobilizou-se para comemorar os 1.100 anos de sua mítica abadia.

Cluny foi a capital monástica da Cristandade durante a Idade Média.

A abadia estava à testa de uma galáxia de 30.000 mosteiros na Europa toda. A igreja abacial, dedicada a São Pedro era a maior do orbe.

São Pedro de Roma atingiu o tamanho atual para poder ser por 50 centímetros a maior do catolicismo.

Entretanto, o ódio seletivo da Revolução Francesa demoliu aquele formidável complexo arquitetônico. Hoje só fica em pé o 8% dele [foto].

Mas, a lembrança dos tempos gloriosos de Cluny fizeram dessas ruínas verdadeiras relíquias.

Junto elas, os habitantes de Cluny e inúmeros turistas sonham com a glória beneditina medieval.

Sinal das crescentes saudades é que as autoridades receberam perto de 200 projetos para comemorar essa data, informou o diário “La Croix” de Paris.



Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 13 de setembro de 2009

Mont Saint-Michel: píncaro de força, beleza e fé

Quem observe o mapa da França, notará em sua costa ocidental, banhada pelo Atlântico, duas pontas ou imensas penínsulas: a maior, toda recortada em ilhas e pequenas baías, a desafiar o imenso oceano; a menor, lembrando um chifre voltado para a Inglaterra, situada ao norte.

A primeira corresponde à Bretanha; e a segunda pertence à Normandia. Uma baía separa as duas penínsulas, e um rio, o Couesnon, divide os dois grandes ducados históricos.

Pirâmide maravilhosa

No fundo dessa baía, circundada por imensos bancos de areia caprichosamente desvelados ou recobertos pelas águas ao sabor das marés, surge aos olhos do viajante –– “como uma coisa sublime, uma pirâmide maravilhosa”, no dizer de Victor Hugo –– a pequena ilha de rochedos encimada por gigantesca abadia, que se eleva em esplendorosa agulha a apontar para o céu.

A seus pés, uma graciosa aldeia e vigorosos bastiões de defesa militar. É o Monte São Miguel — “Le Mont Saint-Michel, merveille d’Occident”, como tão bem soa em francês.

Para o literato Émile Bauman, no monte e nos arredores todas as horas são de beleza: “O céu engrandece as areias e as areias parecem engrandecer o céu”.

Madame Sévigné escreveu à sua filha, na época de Luís XIV, lembrando como o via de sua janela (ela habitava na região): orgulhoso e altaneiro, cheio de beleza.


E o literato Guy de Maupassant olhava a abadia como um castelo fantástico, a erguer-se escarpada longe da terra, maravilhosa como um palácio de sonho, inverossimilmente estranha e bela.

Neste cenário fantástico, o monte impressiona ao emergir das brumas da manhã com sua silhueta imprecisa, ou como esplendoroso monumento em dias límpidos.

Num relance podem-se ali vislumbrar o píncaro transcendente da visão religiosa, o espírito da fortaleza militar e a doçura de viver da pacífica aldeia do “menu peuple de Dieu” — o povinho que ainda praticava os Mandamentos.


Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 30 de agosto de 2009

Quer fazer uma viagem pela gênese, desenvolvimento e glória da Civilização Cristã?

No auge da Idade Média, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dos infiéis o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo e instituir um reino cristão na Terra Santa.

Hoje a situação parece invertida. São os muros em ruínas da “cidadela cristã” que importa defender contra o neopaganismo revolucionário que as assalta.

A criança por nascer é ameaçada pelo aborto; o casamento segundo a Lei de Deus é substituído pelo “amor livre” ou o “divórcio online”; a propriedade privada amparada pelos 7º e 10º Mandamentos da Lei da Deus é golpeada pelo socialismo; a cultura católica é atropelada pela Revolução Cultural.

Em síntese, os restos da Civilização Cristã são hostilizados, proscritos, demolidos. Chega-se a pregar que os católicos devem desistir da restauração dela, pois seria um sonho impossível!

São Luiz embarca para a CruzadaPorém, nesse auge do materialismo e da impiedade, uma nova geração de historiadores, arquitetos, economistas e cientistas, sobretudo nos Estados Unidos, começa a voltar-se para o estudo consciencioso do que está sendo demolido.

Nauseados pelos horrores a que nos tem conduzido a negação da Cristandade, eles constataram que a civilização ocidental jamais teria visto a luz do dia se não existisse a Igreja Católica.

Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome.

Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja.

E essa obra prodigiosa nasceu e se desenvolveu na Idade Média. Por isso, e só por isso, essa época é tão caluniada.

O Prof. Thomas E. Woods Jr. é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores ("How the Catholic Church built Western Civilization", Regnery Publishing, Washington DC, 2005, 280 p.).

O Prof. Woods deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Idade Média. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas.

Seu livro foi um sucesso e já foi traduzido ao português ("Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental", Quadrante, São Paulo, 2008, 222 p.).

Mais recentemente Woods iniciou uma série de aulas sobre seu livro na TV. Eis as primeiras com legendas em português.

Como esses historiadores chegaram a essas e outras conclusões que reabilitam a Idade Média?

Faça uma viagem pela gênese, desenvolvimento, esplendor e glória da Civilização Cristã neste blog.

A Igreja Católica: Construtora da Civilização — Ep. 1, parte 1



A Igreja Católica: Construtora da Civilização — Ep. 1, parte 2



A Igreja Católica: Construtora da Civilização — Ep. 1, parte 3



Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 16 de agosto de 2009

O pai e a família toda rodeados de imenso respeito na sociedade medieval

Nos camponeses de certa região da Espanha, o pai de família presidia a refeição numa poltrona; a esposa ao lado direito dele também numa poltrona.

Poltrona de camponês, de madeira, feita até com bonito trabalho por eles nas noites de inverno.

Depois, cadeiras com encosto para os filhos mais velhos, sem encosto para a criançada.

E sobre a mesa um pão enorme que a dona de casa tinha mandado cozinhar entre outras coisas para o almoço.

Quando o pai chegava à cabeceira da mesa ele fazia o nome do padre. Todos seguiam, e ele dizia uma oração: “Que o Menino Jesus que nasceu em Belém bendiga esse alimento e nós também”. Bom, daí todos diziam “Amém”.

Sentavam-se, ele pegava o pão, cortava o primeiro pedaço e ia distribuindo para cada um. Aí começava a refeição.

Qualquer refeição dos “famosos” de hoje não tem um centésimo dessa respeitabilidade.

Mas não é que não tem, eles não querem que tenha; odeiam! Se oferecessem a eles, eles repudiariam com furor, não gostam disso.

Não é dizer que eu esteja fazendo um elogio da aristocracia; eu elogio a aristocracia porque ela tem a sua razão de ser na ordem posta por Deus.

Mas, não é disso que eu estou tratando, esta forma de grandeza séria que existe em tudo dentro da ordem católica, e que se estendia até um trinco ou uma fechadura.

Há portas medievais com uma ferronerie, com uma tira de ferro prendendo várias ripas de madeira. É uma coisa tão comum!

É só para manter a madeira da porta toda unida, e não poder ser arrebentada. É preciso dar mais coesão às tábuas: então prendiam uma tira de ferro.

A cultura contemporânea faz isso de um modo horrendo.

Eles faziam de um modo bonito. Faziam tiras de ferro que terminava em geral numa cabeça de flor de Lys, uma coisa qualquer assim.

Eles adornavam, mas o adorno simples, do pobre, no ferro, hoje em dia se vende por uma fábula num antiquário.


Esta respeitabilidade era acompanhada de uma coerência em tudo na Idade Média.

Na organização da sociedade civil, da eclesiástica, das partes internas da sociedade, e tudo mais, tudo é coerente com tudo.

E no topo da pirâmide medieval encontrava-se a obra-prima da coerência e da respeitabilidade do espírito humano: a escolástica, a teologia da Igreja Católica.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/91. Sem revisão do autor)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 2 de agosto de 2009

A grandeza do sacerdote, do juiz e do professor na Idade da Luz


A grandeza convém mais ao clero do que qualquer classe ‒ é evidente, porque sua missão diz respeito mais de perto a Deus.

Mas, a grandeza convém também àquilo que é da ordem temporal.

Por causa disso, na Idade Média, todas as coisas da ordem temporal tinham uma proporcionada grandeza.

Por exemplo, um edifício onde tem juízes que estão resolvendo casos.

A função de juiz entendida não como ela é entendia em alguns países hodiernos, mas como ela é entendida segundo a ordem divina, essa função é muito alta, nobre e elevada.

O juiz julga, mas Deus assiste o juiz no seu julgamento.

Sobre tudo se ele é um varão católico e pede a Nossa Senhora para ser iluminado e lançar sentenças justas.

O juiz não ganha muito dinheiro, ele não é um alto potentado, mas ele exerce uma alta função.

Por causa disso, o prédio de um tribunal ainda que seja num feudozinho pequeno, com pouco dinheiro para construir um grande prédio, é muito respeitável.

A gente entra lá e encontra as janelas com forma de ogivas presentes em toda espécie de edifícios temporais, espirituais, os vitrais.

A cadeira do juiz era colocada sobre um estrado elevado.

A distância com que as partes falam com ele, o modo pelo qual os huissiers falam com o juiz, falam com o povo, etc., etc.

O silêncio que todo o mundo deve manter na sala onde trabalha o juiz.

Até o pequeno juiz de aldeia era cercado de uma respeitabilidade grave, séria.

Isso se aplicava também ao professor por manifestas razões. O professor deve ser respeitado.

Ele entra na sala, todos devem se levantar, não podem se sentar antes dele sentar.

Mas, ele também deve respeitar sua própria função, e, portanto, ao iniciar a aula, o início da aula tem que ter o aspecto de um pórtico respeitável...

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/91. Sem revisão do autor)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 19 de julho de 2009

Seriedade e respeitabilidade até no pequeno: uma nota dominante da Idade Média


A Idade Média foi um fenômeno que se deu na Europa considerada como um todo.

Na Europa havia reinos grandes como a Inglaterra e lugarejos como o reino da Córsega ou da Sardenha que era um reino pequeníssimo numa ilha de proporção reduzida.

Pequenos e grandes, monarquias e repúblicas, todos constituíam a Europa da Idade Média. E apesar da diferença de línguas, de trajes, de tudo, havia uma nota comum entre todos eles.

Alguma coisa dominava o ambiente da Idade Média e que era a alma ou o rosto da Idade Média.

É esse rosto da Idade Média que faz até hoje com que ela tenha admiradores e tenha, sobre tudo, pessoas que a odeiam.

O quê esse rosto, essa alma ou centro psicológico da Idade Média?

O que havia na psicologia não só de todos os homens, nações, instituições, obras de arte, enfim, em tudo que a era medieval fez?

O que era esse centro comum, essa alma? O que pensar a respeito dele?

A mentalidade medieval é a mentalidade da Igreja Católica, que é a própria mentalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esse centro comum a todas as coisas da Idade Média era ter muita grandeza!

Sem dúvida havia edifícios com grandeza material como a catedral de Colônia com a altura excepcional de suas torres. Mas, o lado físico ‒ que, aliás, vem a propósito ‒, é secundário.

O principal é a impressão de majestade, respeitabilidade, venerabilidade que todo edifício eclesiástico medieval tinha.

Máxime as igrejas onde se realizava a missa, se guardava o Santíssimo, que é Nosso Senhor Jesus Cristo realmente presente, e se faziam os outros atos do culto católico.

As igrejas tinham, sem dúvida, uma nota de celestialmente grande.

Mas, também a menor igrejinha medieval tinha uma grande venerabilidade e respeitabilidade.

Por exemplo, a capelinha de Domremy (foto ao lado) onde a camponesa Joana d'Arc rezava no período em que ela ouvia vozes e recebia sua missão.

Ser grande, profundamente respeitável e sério até no pequeno é uma das notas dominantes da Idade Média.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/91. Sem revisão do autor)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE SIMBOLOS
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 5 de julho de 2009

A Igreja medieval não inventou a perseguição aos hereges

São Domingos queima livro pestilenciais, Glória da Idade MédiaDesde os primórdios do Cristianismo houve, da parte de potentados temporais, a aplicação de medidas punitivas contra hereges.(1)

Isso porque, quer no Império Romano cristão do Ocidente, quer no Bizantino, e sobretudo nas nações cristãs que foram compondo a Cristandade Medieval, a Religião Católica, sua moral, suas leis e doutrinas respondiam em muito larga medida pela urbanização e sustentação da ordem civil.(2)

Isto não era novidade. Era um conceito comum em toda a Antiguidade. E nas civilizações pagãs, inclusive as menos decadentes punham em prática esse critério com largas doses de abuso e crueldade.

A heresia afigurava-se, pois, freqüentes vezes, como uma séria ameaça à ordem civil estabelecida. Tanto mais quanto quase todas as heresias, que assolaram a Igreja e a Cristandade naqueles séculos, revestiam-se de um caráter nitidamente anarquista e anti-social.(3)

Foi assim que a iniciativa da perseguição - com o fim de aplicação de penas temporais - aos hereges não partiu da Igreja, mas da sociedade civil.

Alguns dos últimos Imperadores romanos - antes da Idade Média, portanto - desterravam hereges, confiscavam-lhes os bens, mas, via de regra, só aplicavam a pena capital aos culpados de atos de violência contra os cristãos.(4)

A ameaça à ordem civil nas nações cristãs da Idade Média, representada pelas heresias, levou muitos monarcas a tomar a iniciativa de perseguir os hereges. Notadamente as heresias neomaniquéias que se desenvolveram no sul da França, nos séculos XII e XIII - os albigenses que assolaram progressivamente quase toda a Cristandade, puseram em contínuo sobressalto reis e imperadores.(5)

São Domingos preside auto-da-féVemos, pois, um Roberto o Piedoso, Rei da França, que, no século XI, solicita insistentemente ao Papa medidas punitivas contra os hereges. Temos ainda, no século XII, Henrique, Arcebispo de Reims e irmão do Rei da França, Luiz VII, que, por instâncias deste último, se apressa a perseguir os hereges cátaros. São os próprios hereges que apelam ao Papa e dão motivo a uma carta de Alexandre III ao Arcebispo de Reims, recomendando-lhe doçura e clemência para com aqueles.

Advogando, junto ao Papa, a causa da punição dos hereges pode ser citado o próprio Rei Luiz VII, encontrando ele, porém, resistências por parte de Alexandre III.(6)

Até mesmo monarcas temporariamente em oposição à Igreja - como Felipe Augusto, da França - ou francamente hostis e excomungados - como Henrique II, da Inglaterra, responsável pelo martírio de São Tomás Becket - se puseram a perseguir, julgar e punir hereges, com a finalidade de manter a ordem civil em seus respectivos Estados

Dentre os Imperadores alemães, o péssimo Frederico Barbarroxa - que alimentou motins, expulsou o Papa de Roma, zombou das excomunhões e suscitou antipapas - bem como seu neto, Frederico II de Hohenstaufen –– dificilmente igualável em ambição e maldade, ele mesmo excomungado –– foram dos mais aguerridos perseguidores dos hereges.(7) Foi mesmo este último que, no século XIII, decretou pela primeira vez a morte dos hereges na fogueira.(8)

Compreende-se, pois, perfeitamente, a quantos abusos o exercício desta indispensável tarefa –– qual seja, a preservação da ordem pública –– se prestava quando executada unicamente pelas autoridades civis.(9) Como poderiam estas últimas, sem a dignidade eclesiástica e os estudos necessários, emitir retamente juízos em matéria de fé e moral?

Em muitos casos, aqueles juízos ocultavam meras vinganças contra inimigos pessoais dos príncipes.

Foi justamente com o fim de coibir semelhantes abusos que a Santa Sé reivindicou para a Igreja a exclusividade do julgamento dos hereges. Nasceram assim os Tribunais da Inquisição.

Primeiramente, a Santa Sé recomendou aos bispos que, diretamente ou através de legados, se incumbissem de tal tarefa, colaborando desta forma com o poder temporal. Posteriormente a própria Santa Sé assumiu a direção geral da Inquisição, através de legados especiais, inquisidores, por ela nomeados, revestidos de poderes especiais e devendo atuar em íntima colaboração com os ordinários e com as autoridades temporais.

Sucessivos regulamentos foram sendo elaborados por bispos e inquisidores, tendo por objetivo estabelecer procedimentos afins com a justiça e a caridade.

Foi o Papa Gregório IX que, através de uma bula de 20 de abril de 1233, estabeleceu os últimos delineamentos da Inquisição Medieval, confiando-a preferencialmente à Ordem de São Domingos. Posteriormente também à de São Francisco.

Consciente de que sua missão primordial é a salvação das almas, a Igreja, na direção da Inquisição, buscava antes de tudo o arrependimento e a conversão dos hereges. Ou pelo a cessação de seu proselitismo subversivo, tendo em vista preservar os fiéis dos males da heresia. Nessas condições, nunca o réu era entregue ao poder civil - "braço secular", segundo a expressão corrente - para a execução da pena. A Igreja, maternalmente, os tomava sob sua proteção.

Apenas os hereges "contumazes" e nocivos à ordem pública eram entregues ao "braço secular". O Estado então executava a sentença, quase sempre de morte na fogueira.

Como se vê, a aplicação da pena capital aos hereges "contumazes" sempre esteve a cargo do poder civil, e disso nunca se ocupou a Igreja.

Histórica e cronologicamente distinta da Inquisição Medieval foi a chamada Inquisição espanhola. Nesta última, e já nos Tempos Modernos, Frei Tomás de Torquemada atuou como inquisidor para os reinos de Castela e Leão em fins do século XV, sendo nomeado para tal função em fevereiro de 14821.(10)

Ora, a historiografia costuma apresentar como principais marcos históricos, indicativos do fim da era medieval e início da época moderna, a. tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, ou a invenção da imprensa por Guttenberg em 1445

Um exemplo pouco conhecido: o Tribunal da Inquisição foi o único na História em que à virtude da Justiça veio aliar-se a da misericórdia.

NOTAS
1. Cfr. Jean Guiraud. Inquisition Médievale, Bernard Grasset, Paris. 1923, pp 70 e ss., William Thomas Walsh Personajes de la Inquisición, Espasa Calpe S/A, Madrid, 1948, p.50.
2. Cfr. Lea, A Hislory of lhe bU/uisilioll ill lhe Middle Ages. I. p. 106, aplld. W. T. Walsh, op. cit., p.54-55.
3. Cfr. jean Guiraud, 01'. cit, pr. 72 c S5. 4 crI'. W. T. Walsh. op. cit., p. 50.
5. Cfr. Pe. Rohrbacher. Histoire Universelle de l'Église Calholique. Gaume Frères, Libraries. Paris. 1844. tomo XI, pp. 413-114.
6. Cfr. Jean Guiraud. op. cit., pp. 74-76.
7. Cfr. W. T. Walsh. op. cit, pr. 62-65.
8. Cfr. Bernardino Loca S.J . Manual de Historia Eclesiástica. Editorial Labor, Barcelona, 1942, pp. 418-419; Emanuel Barbier, Histoire Populaire de l'Église. Pe. Lethielleux, Paris, 1922.2ª parte, tomo II,. p. 92.
9. Cfr.. Jean Guiraud. op. cit., pp. 76 e ss.
10. Cfr. W. T. Walsh, op. cit., p. 184.

Original publicado em CATOLICISMO.

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL

domingo, 21 de junho de 2009

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários. Era uma ordem de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias. Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas; e sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

São Bernardo aqui expõe uma teoria da confiança na guerra.

Ele figura um punhado pequeno de cavaleiros católicos que se metem no meio de adversários incomparavelmente mais fortes. Mas, apesar da ferocidade dos adversários, os cavaleiros católicos carregam como lobos no meio de cordeiros.

Hábito e armadura de templárioQuer dizer, a ferocidade do adversário não vale de nada, porque há uma super-combatividade, uma super-força bélica da parte dos católicos que lhes vem toda do Céu.

Eles sabem que eles não têm recursos, que eles são menos numerosos. Mas Deus dá uma força invencível.

Além disso, Deus também cria as circunstâncias favoráveis à luta, por meios às vezes divinamente ardilosos. Deus liberta os verdadeiros cavaleiros dos adversários que podem atacá-los.

Segue São Bernardo:

“Experiência grande têm eles dessa verdade, porque mais de uma vez lhes aconteceu derrotar e pôr em fuga o inimigo, lutando na proporção de um contra mil e de dois contra dez mil. Enfim, esses soldados de Cristo, por modo maravilhoso e singular, se mostram tão mansos como cordeiros e tão ferozes como leões, de sorte que não se sabe se chamá-los monges ou guerreiros, ou dar-lhes outro nome mais próprio, que compreenda esses dois, posto que sabem juntar a mansidão de uns com o valor e a fortaleza dos outros. Acerca de tudo o que dizer senão que tudo isso é obra de Deus e obra admirável a nossos olhos?”

Neste parágrafo, São Bernardo dá a idéia de que o cavaleiro é manso como o monge; quer dizer, ele não ataca ninguém, ele não toma iniciativa de ferir a ninguém, o seu hábito é não estar lutando contra ninguém.

Templários mongesEle é pacífico como um monge, mas posto na luta, ele é feroz como um leão.

Então, pergunta São Bernardo, o que é que se deve dizer dele? Deve-se chamá-lo leão, ou deve-se chamá-lo monge?

Diz ele: mais do que isso, é o monge-leão, ou o leão-monge. Quer dizer, o guerreiro que é o homem que se fez frade para ser guerreiro. Tem então a mansidão do Cordeiro de Deus ‒ Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado na Escritura, tantas vezes, de Cordeiro de Deus ‒, mas também tem a combatividade invencível do Leão de Judá, título de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Bernardo prossegue:

“Eis aqui homens fortes que o Senhor foi escolhendo desde um confim do mundo até outro, entre os mais bravos da Igreja, para torná-los soldados de sua escolta, a fim de que guardassem o leito do verdadeiro Salomão, quer dizer, o Santo Sepulcro, e ao redor do qual os pôs para que estejam alertas como sentinelas fiéis, armados de espada e habilíssimos, nas artes da luta”.

Os católicos chamados a uma fidelidade autêntica no século XXI também são objeto de uma luta tremenda, se bem que incruenta, por parte dos adversários da Igreja.

Casa mãe dos Templários, Paris 1450
Eles também são pouquíssimos em face de incontáveis; também têm enfrentado batalhas muito grandes, embora muito pouco numerosos e muito pouco ricos.

E isso acontece porque a força dos católicos não vem deles, mas vem de Deus Nosso Senhor por meio de Nossa Senhora. Eles têm a experiência do que diz São Bernardo. Nossa confiança deve estar toda em Deus.

(Fonte: comentário de Plinio Corrêa de Oliveira em 19-12-1966. Sem revisão do autor)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL

domingo, 7 de junho de 2009

Templários: ideal de fé, pureza e bravura

São Bernardo de Claraval, Lourdes, Fr Lawrence OP O grande paladino de Nossa Senhora, São Bernardo abade de Claraval, falou sobre a vida que devem levar aqueles que combatem por Jesus Cristo, com estas palavras:

“Quando se aproxima a hora do combate, armam-se de fé os cavaleiros, abrem-se a Deus em sua alma e cobrem-se, por fora, de ferro, não de ouro, a fim de que assim sejam bem apercebidos de armas, não adornados com jóias, infundam medo e pavor aos seus inimigos, sem excitar sua cobiça.”
Aqui a gente vê a prudência do santo. Nós estamos no tempo da guerra medieval, e muitos cavaleiros, tomados por um certo mundanismo que invadia o ambiente da Cavalaria, gostavam de se apresentar com couraças de ouro ou prata, recamadas de pedras preciosas.

Agora, acontece que o ouro e a prata oferecem ao adversário um obstáculo muito menos forte do que o ferro; e por outro lado, quando os maometanos viam uma couraça de ouro e de prata reluzente de pedras preciosas, o gênio comercial fazia com que houvesse o desejo de apreender aquilo que ingenuamente estava rutilando de objetos dignos de cobiça.

Então, São Bernardo entra argutamente no assunto e diz: para quem combate seriamente por Jesus Cristo, nada de mundanismo, nada de couraças que atraem o ódio do adversário, atraem a cobiça do adversário e não lhe metem medo. Nós precisamos ter couraças que metam medo e não atraiam a cobiça. Quer dizer, é um modo de apresentar onde se apalpa a prudência do santo.
“É preciso ter cavalos fortes e velozes, não formosos e bem ajaezados”.
A outra idéia é lembrar exatamente que o cavalo bonito em batalha não serve; e é preciso ter cavalos fortes e velozes também.

Cavalo veloz serve para ir para a frente, mas para trás também. Mas a questão é que quando é preciso recuar, na hora de recuar, é preciso recuar. E se há um momento em que a virtude da prudência manda fugir, é preciso saber fugir.

O cavalo veloz é muito bom para o ataque, porque o impacto da lança do adversário está em razão da velocidade do cavalo. Mas, por outro lado, o cavalo veloz é muito bom na hora da fuga e a gente vê que São Bernardo estima o cavalo para os dois efeitos. Então, ele dá essa recomendação absolutamente pertinente.

Ele continua:

“pois o verdadeiro cavaleiro pensa mais em vencer do que em fazer proezas”.

Como isto é bem achado! A proeza não adianta de nada, o que adianta é vitória. O que a gente quer é esmagar o inimigo e implantar o Reino de Maria. Se um tal processo, ou tal outro processo dá mais resultado mais vistoso ou menos, pouco importa. O que é preciso é alcançar o resultado.

Templários na defesa da cidade“e os cavaleiros mundanos precisamente o que desejam é causar admiração e pasmo e não causar medo”.

Ora, diz ele, o que é preciso para um cavaleiro católico é causar turbação e medo.

Depois ele continua:

“Mostrando-se em tudo verdadeiros israelitas, que se adiantam ao combate pacífica e sossegadamente; mas apenas o clarim dá o sinal do ataque, deixando subitamente sua natural benignidade, parecem gritar com o salmista: Não temos odiado, Senhor, aos que te aborrecem? Não temos consumido de dor, ao ver a conduta de teus inimigos?”

Quer dizer, o exército católico marcha calmo e tranquilo em direção ao adversário. Quando chega perto, exclama: Senhor, não é verdade que odiamos o teu adversário? E começa então uma batalha que ninguém agüenta, que ninguém é capaz de deter, uma investida que ninguém é capaz de deter.

O contraste é magnífico: calma, fleuma, reflexão, e depois, em determinado momento, o ataque furioso. Esse ataque só o homem refletido faz; o homem irrefletido não faz.

É toda uma apologia da reflexão dirigindo todas as coisas, ou seja, da sabedoria dirigindo todas as coisas.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 3.12.66, sem revisão do autor).

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL

domingo, 24 de maio de 2009

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

catedral de Burgos
Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

Glória pela “doce primavera da Fé”, época em que o teólogo e o arquiteto uniram seus talentos para louvar a Deus.

Catedral de Strasbourg na noite* * *

Se alguém, no entanto, quiser intuir num simples golpe de vista o fulgor dessa glória, basta observar as fotos de nosso post.

O jogo de luzes e sombras realça o imponderável da cena. Do belo edifício gótico aparecem apenas algumas partes, iluminadas por intensa luz dourada.

As muralhas e as ogivas imergem no mistério.


* * *

Capela de Saint-Hubert, castelo de AmboiseConstruída sobre rocha escarpada às margens do Loire, no jardim da França.

A capela de Santo Huberto lembra o apogeu da Idade Média, embora o castelo a que pertença, Amboise, tenha sido edificado em estilo renascentista.

Apogeu que infelizmente teve breve duração, mas que iluminou o firmamento da História assim como um corisco ilumina a abóbada celeste.

Fixa nesse instante de glória, a capela de Santo Huberto irradia ao longo dos séculos o esplendor da arte gótica!
(Fonte: “Catolicismo”.)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL

domingo, 10 de maio de 2009

A sociedade medieval: algo do Céu na Terra

Altar Santo André
A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.

Fra Angélico“Assim, uma ogiva, o vitral, a torre de um castelo, uma batalha, a armadura de cavaleiro, etc., causam-nos essa impressão, que contém algo de celeste”.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, agosto de 2006.)

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas em meu email. Hoje recebem:

CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL

domingo, 19 de abril de 2009

Arquivista do Vaticano diz ter esclarecido o "segredo" dos templários: eles veneravam o Santo Sudário

Arquivo Secreto VaticanoUma ciência que se ouve mencionar pouco é a Diplomática, ou “corpo de conceitos e métodos com o objetivo de provar a fidedignidade e a autenticidade dos documentos. Ao longo do tempo ela evoluiu para um sistema sofisticado de idéias sobre a natureza dos documentos, sua origem e composição, suas relações com as ações e pessoas a eles conectados e com o seu contexto organizacional, social e legal”.

Barbara FraleEssa ciência apresentou resultados que darão para falar.

Em artigo estampado no quotidiano vaticano “L'Osservatore Romano” Barbara Frale (foto), investigadora do Arquivo Secreto Vaticano, defende que, segundo os documentos que possui a Santa Sé, os cavaleiros da Ordem do Templo custodiaram e veneraram o Santo Sudário no século XIII.

A versão segundo a qual eles adoravam uma cabeça barbada não teria passado de uma difamação. Esta foi promovida pelo iníquo rei da França Felipe IV o Belo com a intenção de fechar a Ordem e confiscar seus bens.

O fechamento aconteceu em 1307 com a anuência do Papa Clemente V.

Após um polêmico e expeditivo processo, Jacques de Molay, Grão Mestre templário foi queimado vivo em Paris com mais 137 monges-guerreiros.

Eles protestaram inocência até o fim. Os bens da Ordem foram confiscados por reis e eclesiásticos.

A autora do artigo especializou-se na polêmica existência dos templários. O caso ainda hoje faz correr abundante tinta.

O artigo da Dra. Frale “Os templários e o Sudário – Os documentos demonstram que o tecido lençol foi custodiado e venerado pelos cavaleiros da Ordem no século XIII” é uma antecipação do seu livro que sairá a público no próximo verão europeu.

Frale já publicou “L'ultima battaglia dei Templari. Dal codice ombra d'obbedienza militare alla costruzione del processo per eresia” (Roma, Libreria Editrice Viella, 2001); “Il Papato e il processo ai Templari. L'inedita assoluzione di Chinon alla luce della diplomatica pontificia (Roma, Libreria Editrice Viella, 2003); “I Templari” (Bolonha, Il Mulino, 2007); “Notizie storiche sul processo ai Templari” (in “Processus contra Templarios”, Cidade do Vaticano, Archivio Segreto Vaticano, 2007).

Primeira sede dos Templários, atual mesquita Al Aqsa, JerusalémA Ordem nasceu em Jerusalém pouco depois da primeira Cruzada. Ela visava defender os cristãos na Terra santa.

Seu nome era “Pobres Irmãos-Soldados de Cristo e do Templo de Salomão” porque instalaram sua primeira sede nas ruínas do palácio do rei-profeta.

A Regra dos cavaleiros-monges foi aprovada pelo Concílio de Troyes em 1129. São Bernado de Claraval teceu um subido elogio do estilo de vida dos frades-soldados.

Rapidamente tornou-se a ordem mais poderosa e ilustre da Cristandade medieval.

Era uma coluna que defendia militarmente as fronteiras da Cristandade e sustentava o combate contra o Islã invasor.

Santo Sudário, Ciência confirma a IgrejaNo ano de 1287 o jovem nobre Arnaut Sabbatier ingressou no Templo. Na cerimônia, Arnaut foi conduzido a um local só acessível para os monges-soldados do Templo.

Ali foi-lhe mostrado um lençol de linho que tinha impressa a figura de Nosso Senhor. Ele a beijou ritualmente três vezes na altura dos pés.

O documento está no processo contra os templários. Mas segundo Barbara Frale, tratava-se do Santo Sudário de Turim.

O histórico, hoje muito estudado, da mais famosa relíquia da Cristandade abona a teoria.

Em 1978 o historiador de Oxford, Ian Wilson, reconstituiu o percurso do sagrado lençol, passando pelo saque da capela dos imperadores de Bizâncio durante a quarta cruzada em 1204.

Entre as calúnias promovidas pelo rei da França estava a de adorar um misterioso “ídolo”: uma cabeça com barba. Mas Wilson concluiu que deveria se tratar, em verdade, do Santo Sudário.

Para Wilson, os anos em que não se tem notícia do paradeiro do Santo Sudário correspondem ao período em que a relíquia foi custodiada no maior segredo pelos cavaleiros templários.

Os templários, acrescenta Barbara Frale, promoveram liturgias especiais da sagrada relíquia. Eles tocavam elementos de seu hábito no Santo Sudário para pedir proteção contra os inimigos no campo de batalha.

A forma de devoção praticada pelo jovem templário Arnaut Sabbatier é idêntica à que praticou São Carlos Borromeu em 1578 quando a venerou em Turim seguindo os costumes dos dignitários do Templo.

A agencia ACIPrensa destaca que os templários custodiaram o Santo Sudário para que não caísse nas mãos dos hereges do Oriente (heresias diversas) e do Ocidente (cátaros) que negavam que Jesus Cristo fosse verdadeiro homem.

Os templários guardavam a santa relíquia numa urna especial que só permitia ver o rosto.

A relíquia “era o melhor antídoto contra todas as heresias” pois nela pode-se “ver, tocar e beijar” o próprio pano encharcado de sangue que envolveu Nosso Senhor Jesus Cristo na sua sepultura.

É a prova mais evidente de sua Humanidade Santíssima e da veracidade de sua Paixão e Morte.
Santo Sudário, negativos de fotos, corpo inteiroO diário “The Times” de Londres , assim como o diário “The Telegraph” relembraram que a relíquia, “desapareceu” para só reaparecer após o fechamento dos templários em Lirey, França, no ano de 1353.

Ela formava parte do espólio do templário Geoffroy de Charney, queimado junto ao Grão Mestre da Ordem Jacques de Molay.

Desde então muitas imposturas tem circulado a respeito de falsas continuidades da Ordem do Templo, com ritos e iniciações esdrúxulas sem autenticidade.

O auge dessas inépcias novelescas deu-se com o malicioso livro “O Código da Vinci” desprovido de toda seriedade.

Pergaminho de ChinonEm 2003 a Dra Frale descobriu o Pergaminho de Chinon . O documento prova que o Papa Clemente V exonerou de culpa os templários. Porém, eles foram dispersos e seus bens apropriados indevidamente.

A relíquia foi adquirida pela dinastia de Sabóia no século XVI. No século XX foi objeto de exigentes análises científicas que produziram um impressionante volume de dados que abonam sua autenticidade.

Barbara Frale imposta seu livro de um ponto de vista histórico-arqueológico. Ela não entra em questões teológicas. Mas, seu trabalho suscita questões da mais alta importância... para o século XXI!

A única continuidade genuína dos templários foi a Ordem de Cristo, fundada em 14 de Março de 1319, a pedido do rei Dom Diniz de Portugal, por bula do papa João XXII.

A nova ordem acolheu os últimos templários. As naus que descobriram o Brasil levavam a insígnia da Ordem de Cristo, estabelecendo uma ponte entre o País e os eventos que agora foram revelados.

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de "Glória da Idade Média" em meu email. Hoje recebem:


CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS ORAÇÕES CONTOS CIDADE
AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVAL