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domingo, 19 de maio de 2013

Notre Dame restaura sinos destruídos pela Revolução Francesa – 1

No dia da bênção dos novos sinos
No dia da bênção dos novos sinos

Uma multidão estimada em 30 mil pessoas pela polícia (que habitualmente minimaliza as manifestações católicas) lotou no Domingo de Páscoa a praça da catedral de Notre Dame e as ruas vizinhas, para ouvir a primeira reboada oficial dos novos sinos.

Nessa mesma data, 850 anos atrás, na presença do Papa Alexandre III, o bispo D. Maurício de Sully colocava a primeira pedra para a construção daquela grandiosa catedral dedicada a Nossa Senhora.

Os sinos originais foram destruídos barbaramente pela Revolução Francesa em 1792, com exceção de um, batizado com o nome “Emanuel”.

No século XIX, Napoleão III mandou preencher com sinos de menor qualidade e carentes de afinação o vazio, a ponto de os especialistas dizerem que se tratava do pior conjunto de sinos da Europa.

Por ocasião de sua bênção ritual os sinos recebem nomes que são gravados no seu bronze. O “Emanuel” foi doado há mais de 300 anos pelo rei Luis XIV e pesa 13 toneladas.

Descida dos sinos
Descida dos sinos
“Espírito pós-conciliar” opunha-se aos sinos

Embora se dispusessem do desenho dos sinos originais e das partituras dos carrilhões, quem os faria? Haveria ainda mestres que continuassem o antigo ofício nascido na Idade Média?

A maior dificuldade à existência de sinos provém da oposição de um falso miserabilismo e pseudo espírito de pobreza, em decorrência do qual as igrejas deixaram de tocar os sinos, símbolos de sua riqueza, de seu domínio e poder religioso.

Em alguns casos eles foram substituídos por gravações eletrônicas dessacralizantes e artificiais.

Neste terceiro milênio, após décadas de incansável pregação progressista contra a venerável imagem da Igreja hierárquica, rica e sacral, haveria alguém que quisesse financiar os novos sinos da catedral de Notre Dame?

Apesar de em princípio nenhuma objeção progressista ter consistência para o católico, décadas de propaganda do chamado “espírito pós-conciliar” espalharam uma atmosfera de descrença e respeito humano em relação a hábitos sacralizantes e louváveis como o toque de sinos.

Sinos dispostos na catedral para a bênção
Sinos dispostos na catedral para a bênção
Entusiasmo dos fiéis

Em Villedieu-les-Poèles, cidadezinha da Normandia, uma fundição tradicional — a Cornille Havard — ainda utilizava os velhos métodos de produção dos sinos, técnicas ancestrais que remontam à Idade Média e que poderiam dar vida a réplicas fiéis.

Quando se soube do projeto, um entusiasmo que raiava à loucura empolgou mestres e operários, segundo Paul Bergamo, presidente da fundição.

A emoção, a alegria e a veneração tomaram conta de Villedieu-les-Poèles quando um dos sinos, já sobre a carreta, foi tocado em homenagem aos fundidores. O veículo partiu em meio aos aplausos dos populares.

Por sua vez, a Fundição Real Eijsbouts, da Holanda, encarregou-se de fazer o bourdon (sino de tamanho excepcional), batizado “Marie”, cujos custos foram cobertos com doações de particulares.

A chegada dos novos sinos a Paris, no dia 31 de janeiro de 2013, foi uma apoteose. As autoridades montaram uma arquibancada para o povo que queria vê-los.

Na realidade, durante uma viagem de mais de 300 km, o transporte dos sinos deu origem a uma série de acontecimentos: na autoestrada, as pessoas aguardavam sua passagem de cima das pontes.

Veja vídeo
Notre Dame:
Clique para ouvir
os novos sinos.
(23.03.2013)
Em Paris, o serviço de segurança teve trabalho especial por causa da multidão — aliás, ordeira e respeitosa — que assistia os braços mecânicos descerem os imensos sinos. “Emanuel”, o venerável bourdon do rei Luis XIV, o único dos sinos que escapou da sanha dos revolucionários, recebeu seus futuros “irmãos” de campanário tocando sozinho.

Eles só foram exibidos a partir da bênção solene, ocorrida no dia 2 de fevereiro.

Os sinos se fizeram ouvir pela primeira vez em 23 de março, véspera do Domingo de Ramos, ainda em fase de teste.

O primeiro toque oficial foi o “Grand Solemnel” no Domingo de Páscoa, diante de uma multidão emocionada e entusiasmada.

— “O som dos sinos simboliza a presença de Deus na cidade — comentou um parisiense —, porque seu som é como o próprio Deus: é a suma beleza”.

“Com o som dos sinos é todo o Universo que se põe em movimento”, acrescentou uma senhora presente na catedral.

Arquibancada construída para o público
Arquibancada construída para o público
— Faith Fuller, turista de São Francisco (EUA), não pôde conter as lágrimas: “Isto representa 850 anos de história de uma catedral fantástica e eu estou neste momento histórico ouvindo os sinos pela primeira vez. É emocionante e belíssimo”, narrou à rádio oficial alemã “Deustche Welle”.

“A ideia foi recriar um conjunto de sinos tão magnífico quanto aquele que havia antes da Revolução Francesa”, declarou Paul Bergamo à “Deustche Welle”.

“Os sinos são uma das vozes da catedral porque ecoam a glória de Deus”, acrescentou o reitor-arcipreste da catedral, Mons. Patrick Jacquin.

Segundo Mons. Jacquin, num período de três semanas após a bênção solene, entre 1.000.000 e 1.500.000 pessoas foram visitar, tocar e fazerem-se fotografar junto aos brilhantes sinos.

Continua no próximo post





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domingo, 12 de maio de 2013

Dignidade pessoal nas classes sociais medievais: clero, nobreza e povo

As três classes sociais: clero, nobreza e povo  Religioso, nobre e plebeu
As três classes sociais: clero, nobreza e povo
Religioso, nobre e plebeu
Havia na Idade Média uma forma de distinção própria a cada classe social.

Ela era condicionada à função de cada qual na sociedade.

Havia uma distinção eclesiástica, uma distinção aristocrática e uma burguesa.

É necessário não confundir a distinção, segundo a concepção medieval, com a dos tempos modernos.

No Ancien Régime, por exemplo, a distinção eclesiástica era ter o cabelo empoado, usar lencinho, e uma série de atitudes congêneres que davam idéia de um homem adamado, freqüentando a sociedade mundana.

Hoje, o bispo avançado procura parecer com qualquer um, um sindicalista ou um invasor de terras do tipo emessetista.

Bispo, Notre Dame de Paris
Bispo, Notre Dame de Paris
Na Idade Média, pelo contrário, vemos o espelho da distinção do clero nas imagens de bispos esculpidas nos portais das catedrais góticas:

Homens eretos, de porte firme, olhar profundo e simplicidade de maneiras; mas ao mesmo tempo com racionalidade e nobreza, em tudo extraordinárias; verdadeiros pastores de almas, verdadeiros guias, príncipes na ordem do espírito, sem nenhuma preocupação de caráter mundano.

Eis o verdadeiro símbolo da distinção eclesiástica.

A distinção do nobre era uma distinção guerreira, porque a classe aristocrática era a classe militar.

A distinção do nobre consistia essencialmente em ser um batalhador corajoso, de peito aberto, olhar inflamado, atitude decidida.

A distinção plebéia, no fim da Idade Média, é a distinção do burguês: sério, calmo, bonachão, pensativo, de aspecto grave, colocado atrás de uma verdadeira tribuna, que era o seu balcão.

Nobre, batalha de Crécy
Nobre na batalha de Crécy
É a figura típica do burguês ou do artesão.

Esse modo de ser fazia parte da distinção burguesa.

São três estilos de vida, três funções diferentes na sociedade, dando origem a três tipos distintos.

Porém todos eles, dentro dessas várias ordens, são proprietários das funções que ocupam, e nelas encarnam graus diferentes de distinção, personificando dessa forma os seus respectivos cargos.

Podemos assim ter uma idéia da variedade de tipos e da índole profunda que imperava no conjunto das instituições medievais.

Eram homens profundamente enriquecidos em sua dignidade pessoal, encarnando e personificando as posições que ocupavam.

Esta é uma das mais profundas razões da força e da solidez das instituições medievais.

Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira



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domingo, 5 de maio de 2013

Nobreza: segunda classe da epoca medieval

A nobreza era a classe militar
A nobreza era a classe militar
Na época medieval, a nobreza era a classe militar, obrigada a lutar em tempo de guerra.

Formava por isso a segunda classe social. A primeira, obviamente, era o clero.

O senhor feudal devia garantir a segurança do território

Os plebeus não eram obrigados a combater na época de guerra, a não ser que o contrato com o senhor o exigisse.

E ainda assim, apenas dentro de certos limites de tempo e espaço.

Desta maneira, não lutavam durante o tempo das colheitas, nem deviam deslocar-se além de uma certa distância do lugar onde moravam.

Porém podiam engajar-se como mercenários, ganhando dinheiro com a guerra e enriquecendo com os saques.

O nobre era obrigado a combater, tendo a pagar o imposto do sangue, muito penoso naquela época.

As condições existentes para o tratamento adequado dos traumatismos e mutilações recebidos em combate eram muito precárias no início da Idade Média.

E só foram melhorando nos últimos séculos medievais por obra do clero que criou os hospitais e desenvolveu a medicina.

Nobre dirige os trabalhos no feudo
Nobre dirige os trabalhos no feudo

Além disso, o senhor feudal era obrigado a exercer gratuitamente, em suas terras, as funções de prefeito, juiz e delegado de polícia.

E podia ser punido pelo Rei, caso tais funções não fossem bem executadas.

Outra obrigação sua era a caça às feras daninhas à agricultura, de que a Europa estava cheia, como javalis, ursos e raposas.

Com o passar do tempo essa caça foi sendo organizada como um esporte, mas de qualquer modo era um dever.

E se a Europa ficou livre das feras foi porque os nobres cumpriram sua missão.
O nobre era prefeito, juiz e delegado de polícia gratuito

Todos julgavam muito razoável que não pagasse impostos quem arcava com despesas para a luta armada, o combate aos bandidos e feras, a manutenção de estradas, pontes, cadeias, funcionários de justiça e de administração, etc.

Por outro lado, havia duas espécies de impostos.

Um recaindo sobre as pessoas e as terras, que clérigos e nobres não pagavam.

Porém os impostos indiretos sobre as mercadorias, eram pagos por todos, inclusive os nobres.






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domingo, 28 de abril de 2013

São Silvestre I: tirou a Igreja da miséria das catacumbas e a fez merecidamente pomposa e soberana

São Silvestre I, (280-335 d.C.)
São Silvestre I, (280-335 d.C.)

continuação do post anterior

O princípio da constantinização é duplo:

Primeiro, de ordem política. Esse princípio parte do reconhecimento de que a Igreja Católica é a única verdadeira. E é fácil de perceber que Ela é a única Igreja verdadeira; todo homem que pode conhecer a Igreja e não adere, é culpado.

E a Igreja deve do Estado, a proteção e o apoio, o respeito e as honras que se tributam ao que é divino.

A Igreja é uma entidade mais nobre e poderosa do que o Estado na ordem profunda das coisas, porque Ela é divina.

Daí então a famosa comparação de São Gregório VII: a Igreja é como o sol, e o Estado é como a lua.

A lua recebe a sua luz do sol e o Estado recebia todo o seu lume da Igreja.

Segundo, as coisas esplêndidas e magníficas da terra foram feitas sobretudo para o culto de Deus, e não sobretudo para o uso do homem.

De maneira que os incensos mais magníficos, os tecidos mais estupendos, o ouro mais puro, a prata mais refinada, os materiais mais luxuosos devem ser extraídos da terra pelo homem.

Mas, antes de se destinarem ao adorno da vida humana, destinam-se ao serviço de Deus.

São Silvestre I mostra a Constantino as cabeças de São Pedro e São Paulo,  hoje veneradas em São João de Latrão
São Silvestre I mostra a Constantino as cabeças de São Pedro e São Paulo,
hoje veneradas em São João de Latrão
Isso está de acordo com o gesto de Santa Maria Madalena, que quebrou o vaso com ungüento sobre os pés de Nosso Senhor e enxugou os pés divinos d’Ele com seu próprio cabelo, em sinal de veneração.

Judas não gostou, porque achou que o dinheiro devia ser dado aos pobres.

Mas todos os espíritos bons, em todos os séculos, gostaram.

E Nosso Senhor justificou, dizendo: “Pobres, vós sempre os tereis convosco”. E depois profetizou que sua morte viria em breve.

Aí temos, por contraste, aquilo que os progressistas extremistas chamam de miserabilismo.

Eles dizem: A Igreja de Cristo é a igreja dos pobres. Ela foi feita para os pobres, e não pode se apresentar no luxo porque afronta os pobres.

Ela deve se apresentar na miséria, mas na miséria miserável.

Os templos devem ser como as casas dos pobres mais pobres, para que esses pobres não se sintam mal lá dentro.

O pretexto seria que Cristo odeia os objetos de luxo. O fausto que os ricos puseram na igreja não deve existir nem na casa deles, nem casa de Deus. Não vamos mais usá-lo porque não vale nada.

Imperador Constantino conduz São Silvestre I a Roma,  símbolo do triunfo da Igreja que passava a ser oficial e esplendorosa
Imperador Constantino conduz São Silvestre I a Roma,
símbolo do triunfo da Igreja que passava a ser oficial e esplendorosa
A Igreja – eles acrescentam – não deve ser oficial. Ela deve ser humilde e não deve gozar de honras nem de proteção.

E o católico deve se apresentar ‘humilde’ e miserável.

É, ao pé da letra, o pensamento de Judas Iscariotes.

É o igualitarismo mais monstruoso, porque quer estabelecer a igualdade entre os pobres e Deus, quando Deus é infinitamente superior aos próprios ricos.

Esta atitude priva a Igreja de todo o prestígio merecido e representa, no fundo, um aniquilamento.

Ela arranca do povo a fé que leva a tributar à Igreja todas essas honras. E elimina toda espécie de arte e de beleza, não só da Igreja, mas do convívio social.

Desse modo se reduzem o culto e a sociedade temporal a um estado semelhante ao do selvagem.

Porque quem habita em tocas e em antros é selvagem. E se o selvagem procura a toca, a toca produz o selvagem.

Sob São Silvestre I (na imagem com São Jerônimo e São Martinho de Tours)  a Igreja pôde organizar devidamente o clero e a hierarquia eclesiástica
Sob São Silvestre I (na imagem com São Jerônimo e São Martinho de Tours)
a Igreja pôde organizar devidamente o clero e a hierarquia eclesiástica
Quem age assim desarticula a civilização, renuncia à civilização. E prepara uma forma nova e extrema de decadência.

O verdadeiro católico afina com o espírito constantiniano. Ele deseja e ama o que os progressistas e os teólogos da libertação chamam com menosprezo de Igreja constantiniana, porque esta é deveras a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Os bons católicos têm como lembrança que o Papa que constantinizou a Igreja é um santo canonizado e que está nos altares: São Silvestre; ao passo que se algum Papa haja que desconstantinize a Igreja, eu nem juro que ele seja santo e juro que ele jamais poderá ocupar os altares.

Aí está a grande lição que um Papa santo como São Silvestre dá aos católicos de nossos dias.

Se São Silvestre ressuscitasse e visse essa desconstantinização, o que é que ele faria?

Que maldição, que praga, que furor, que indignação, que terror, não é verdade?

Pois bem, é deste sentimento que devem arder hoje as almas sinceramente católicas face aos atrevidos despojadores da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

(Comentários de Plinio Corrêa de Oliveira feitos em 30-12-1966, sem revisão do autor).




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