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domingo, 26 de outubro de 2014

“Ressurreição” e Cruzada
São Luís, estadista da Cristandade 5

São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada
São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada
continuação do post anterior: A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle

São Luís regressou de Taillebourg padecendo uma disenteria que se agravou rapidamente. Esta havia sido a causa da morte de seu pai, Luís VIII.

A rainha-mãe, Branca de Castela, pediu ao abade de Saint-Denis — abadia onde repousam os restos dos reis da França — para expor à veneração pública o corpo do glorioso São Dionísio, protetor do reino, bem como as relíquias de São Eleutério e São Rústico, seus companheiros de martírio. São Luís já tinha feito seu testamento, e murmurava em voz baixa:

— “Olhai para mim. Eu era o homem mais rico e mais nobre do mundo, o mais poderoso de todos pelos tesouros, pelo meu poder e pelos meus amigos, e eis que não posso obter da morte sequer uma trégua, nem uma hora à doença. De que valeu tudo isso?”

Quando ele perdeu o conhecimento, os médicos anunciaram seu fim iminente. O Palácio Real encheu-se de lamentações, suspiros e prantos. O clero recebeu ordem de preparar as exéquias.

Em certo momento, acreditou-se que o santo-herói tinha morrido. Joinville conta:

“Ele chegou a tal ponto, que uma das damas em volta quis puxar o pano por cima do rosto, dizendo que estava morto. Outra não quis. E enquanto discutiam, Nosso Senhor agiu nele e lhe devolveu a saúde.

“Tão logo pôde falar, pediu que lhe impusessem a Cruz, e assim foi feito. Então, ao ouvir dizer que ele falara, a rainha-mãe manifestou o maior júbilo que podia.

“Mas quando soube que o filho se tinha cruzado [decidido ir para a Cruzada], como ele mesmo dizia, ela ficou num estado de luto como se o tivesse visto morto”.

Vitral da catedral Notre Dame representando a São Luís
Vitral da catedral Notre Dame
representando a São Luís
São Luís IX explicou que Nosso Senhor o havia tirado dentre os mortos para que adotasse a Cruz, montasse um exército e reconquistasse Jerusalém, que gemia desde 1187 sob a tirania muçulmana.

As rainhas Branca e Margarida, os conselheiros reais e as altas autoridades eclesiásticas tentaram de tudo para dissuadi-lo. Mas em vão.

Ele tinha certeza de que fora salvo das fauces da morte para cumprir essa missão, e não por uma simples misericórdia de Deus. Do antigo reino de Jerusalém só ficava São João d’Acre e mais alguns portos periclitantes.

O espírito sobrenatural da Cruzada estava morto. São Luís IX o ressuscitaria com o fervor dos tempos de Godofredo de Bouillon e seus companheiros de expedição.

Reformador sábio e prudente

Prevendo uma ausência longa ou definitiva, Luís IX quis, antes de se lançar na Cruzada, apalpar o estado do reino, dar proteção aos mais fracos e conciliar os poderosos.

Em 1247, inspetores percorreram o reino como outrora os missi dominici de Carlos Magno. Dominicanos e franciscanos, Ordens que viviam um momento de fervor e seriedade, iam em duplas anotando as queixas dos pobres nos campos e nas cidades, sem tomarem contato com os bailios (governadores de província, ao mesmo tempo juízes, chefes militares e coletores de impostos).

O inquérito permitiu a São Luís modificar o Conselho Real, trocar três-quartos dos bailios e definir os limites precisos de seus poderes.

Também moderou os poderes judiciários da alta nobreza, fazendo com que todo o reino pudesse apelar ao rei como juiz supremo.

O escudo de ouro de São Luís
O escudo de ouro de São Luís
São Luís também estabeleceu regulamentos relativos aos costumes das corporações de ofício — os “sindicatos” da época — concedendo-lhes autonomia e estabilidade.

Reorganizou a Prefeitura de Paris e criou uma moeda: o escudo de ouro e o grand denier de prata para facilitar o comércio, pôr fim às fraudes e moralizar a atividade econômica.

Um governante hodierno que mexesse tanto nos costumes do país seria antipatizado, mas o carisma real e a luz da santidade do monarca brilharam nessas reformas e ele foi abençoado pelo povo.

O escudo de ouro foi a primeira moeda, no sentido moderno, emitida por um rei. Nela estava cunhado o escudo — de onde o nome — com o brasão fleurdelisé do santo rei.

O escudo de São Luís foi padrão até a Idade Moderna, sendo reeditado pelos seus sucessores e imitado por bispos, príncipes e senhores que emitiam moeda, e até mesmo pelos Papas, porque era digno de fé e isento de fraude.

A moeda foi conservada por muitos como uma medalha religiosa! Assim, houve um plebiscito mudo aprovando a confiança dos franceses em seu rei.

Continua no próximo post



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domingo, 19 de outubro de 2014

A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle
São Luís, estadista da Cristandade 4

São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle. Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle.
Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
continuação do post anterior: O banquete de Saumur

Enquanto punha ordem na França e preparava a Cruzada, São Luís executou um projeto que marca a França até hoje.

Em 1239, o Império de Bizâncio consignou a Coroa de Espinhos a banqueiros venezianos como penhor de uma dívida de 135.000 libras tournois.(5)

A quantia equivalia à metade das entradas do reino francês em um ano! Porém, se comparada com os orçamentos multibilionários dos governos atuais, parece exígua: aproximadamente R$ 84.620.700,00.

São Luís assumiu a dívida, com a condição de a relíquia ficar sob a guarda da casa real francesa, em uma negociação que poderia ser comparada a empréstimos atuais envolvendo o FMI e bancos multinacionais.

Assinados os acordos e apurada a autenticidade da relíquia, ela foi levada à França por religiosos dominicanos.

No dia 10 de agosto de 1239, o santo monarca, seu irmão o príncipe Roberto I de Artois e o Arcebispo de Sens receberam a Santa Coroa, conferiram seus registros de autenticidade e entraram em cortejo na cidade de Villeneuve-l'Archevêque, na França.

Descalços e vestidos com túnicas de penitentes, o rei e o príncipe trasladaram o relicário de ouro e sua caixa de prata até a catedral de Sens.

São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame Jules David, Paris, 1861
São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame Jules David, Paris, 1861
No dia 11 eles foram de barco até o castelo real de Vincennes, fora dos muros de Paris, e no 18 de agosto, carregando nos ombros o incomparável símbolo do Rei dos reis, o soberano e o príncipe penitentes entraram solenemente na capital em meio às aclamações populares.

No dia seguinte São Luís dispôs a construção da Sainte-Chapelle, para guardar definitivamente a sagrada relíquia, que entrementes ficou na basílica de Saint-Denis.(6)

E providenciou a aquisição de mais sete relíquias da Crucifixão, entre elas a do Santíssimo Sangue de Cristo, da Pedra que fechou o Santo Sepulcro, partes da Santa Lança e da Santa Esponja.

A edificação da Sainte-Chapelle custou 35.000 libras tournois, e o relicário da Coroa de Espinhos e demais relíquias da Paixão consumiram outras 135.000, devido ao ouro e às pedras preciosas empregados.

A Sainte-Chapelle foi concebida como um relicário gigante feito de cristal e pedra.

O movimento da luz através dos imensos vitrais muda o colorido interno e cria uma atmosfera irreal, verdadeiramente sobrenatural, onde a arte mais delicada e a espiritualidade mais alta se fundem num só, segundo Bordonove.

São Luís mandou construir a Sainte Chapelle para servir de relicário da Coroa de Espinhos
São Luís mandou construir a Sainte Chapelle para servir de relicário da Coroa de Espinhos
O imponderável faz esquecer as formidáveis colunas de pedra e as imensas portas da melhor madeira, convidando a alma para um voo místico.

O pensamento se descola da espessa matéria como que espiritualizada pela arte, para partir como um foguete rumo ao Céu. Na Sainte-Chapelle os valores culturais e espirituais assumem a pedra e a matéria como a alma se une ao corpo.

Que ninguém se engane, conclui o referido historiador: São Luís está presente na Sainte-Chapelle não porque as flores de lis da França e os castelos de Castela — símbolos de seu brasão — enchem os muros, mas porque na Sainte-Chapelle lateja a própria alma do santo estadista.

A Sainte-Chapelle [foto] é a capela do Palácio Real e, juntamente com suas relíquias, pertencia à Coroa, e não à Igreja, assentando aliança entre o Rei dos Céus e o rei da França.

A Coroa de Cristo legitimava a Coroa da França, sua vassala por excelência nesta Terra, e ambas se uniam como as duas faces de uma mesma medalha.

“Na linguagem dos liturgistas, a Coroa de Espinhos tornou-se um penhor de Deus confiado ao povo francês. Deus havia penhorado sua Coroa ao rei da França até o dia do Juízo Final, quando Jesus Cristo em pessoa viria bater na porta do Palácio Real de Paris para recobrar a posse da coroa de Seu Reino”.(7)

Até o fim do mundo, a monarquia francesa seria a guardiã da Coroa com que o Redentor julgará a humanidade e encerrará a História. As relíquias foram definitivamente instaladas e a capela consagrada em 26 de abril de 1248.



A pedido de São Luís, foi instituída uma festa litúrgica em 11 de agosto para comemorar a chegada da Santa Coroa à França. Dois meses depois da consagração, o Santo Rei partiu para sua maior campanha militar: as Cruzadas.

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domingo, 12 de outubro de 2014

O banquete de Saumur
São Luís, estadista da Cristandade 3

São Luís na batalha de Taillebourg.  Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
São Luís na batalha de Taillebourg.
Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
continuação do post anterior: Rei enquanto santo e santo enquanto rei

Em 1237, o novo rei investiu seu irmão Afonso como conde de Poitiers, um riquíssimo, brilhante e populoso feudo. Mas, infelizmente, um ninho de revoltas da nobreza local!

Atiçados pelo rei Henrique III, da Inglaterra, que sonhava ser rei da França, os senhores feudais não cessavam de fazer intrigas. Já germinava a discórdia que desfecharia na guerra dos Cem Anos.

Os intrigantes haviam motejado o jovem monarca como “rei dos monges”, como “devoto” incapaz de defender sua herança.

São Luís IX quis conferir à investidura do irmão um caráter oficial e solene.

As festas incluíram um famoso banquete no castelo de Saumur e foram descritas por Joinville, autor de uma inigualável biografia do rei santo e espécie de primeiro-ministro do conde de Champagne, um dos mais poderosos, ricos e autônomos senhores da França.

— “O rei reuniu uma grande Corte em Anjou. Eu estava lá e dou testemunho que foi a melhor ordenada que já vi”.

E após descrever os grandes homens do reino sentados à mesa em suas brilhantes roupagens, prossegue:

“Atrás deles havia bem aproximadamente 30 cavaleiros vestidos com túnicas de seda que os protegiam. E, por trás dos cavaleiros, um grande número de lacaios com as armas do conde de Poitiers bordadas sobre tafetá.

“O rei estava vestido com uma túnica de seda bordada de cor azul, tendo por cima um manto de seda vermelha bordada e forrada de arminho, com um chapéu de algodão sobre a cabeça, o qual, aliás, não lhe ficava muito mal!!!, porque ele era jovem”.

Assim se apresentou o terceiro franciscano que ia descalço nas procissões, pois assim o exigiam o bem da ordem política e social, a harmonia da ordem cristã, a vocação e o cargo que Deus lhe deu.

O “devoto” no combate

São Luís recebe a vassalagem de Henrique III da Inglaterra
São Luís recebe a vassalagem de Henrique III da Inglaterra
Por detrás da deslumbrante festa crepitava o drama. Com as cerimônias, São Luís quis patentear seu poder supremo sobre o feudo.

Mas os insubordinados senhores locais interpretaram-na como provocação e tiraram pretexto para revolta.

O chefe dos dissidentes era Hugues de Lusignan, conde de la Marche, que a exemplo de Iscariote à mesa com Jesus na Última Ceia, estava sentado à mesa do rei. E seu suserano era o rei da Inglaterra, Henrique III.

A murmuração correu como rastilho de pólvora: São Luís queria usurpar os direitos do rei inglês.

A prova?

O festim e a nomeação de seu irmão como conde de Poitou!

Louco de raiva, Hugues de Lusignan abandonou Saumur às pressas, prometeu repudiar a vassalagem ao rei da França e montou uma liga militar contra a Coroa.

O rei da Inglaterra garantiu-lhe tropas que viriam por mar. Os amotinados aguardavam reforços da Espanha e o ataque do imperador alemão, que surpreenderia o rei francês pelas costas.

São Luís não se descuidou: estava perfeitamente informado dos planos, tratativas e reuniões secretas dos adversários. E antes de as tropas inglesas desembarcarem, empreendeu a ofensiva!

Os castelos de Hugues de Lusignan capitularam um após outro. E quando o rei inglês pôs o pé em terra com seu exército, era tarde demais.

Ele, porém, ousou enfrentar o “rei devoto”. O choque se deu em Taillebourg, em 1242, batalha completada em Saintes.

A carga de cavalaria conduzida pelo santo sobre um soberbo cavalo branco decidiu a batalha e mudou os rumos da Europa feudal.

São Luís em Taillebourg. Paul Lehugeur
“Luís — narra o historiador Henri Pourrat(4) —, à testa de somente oito homens de armas, lançou-se sobre a ponte de Chernete e sustentou o embate de mil ingleses, até o momento em que sua gente chegou, entusiasmada com o feito do rei”.

Séculos depois, o pintor Delacroix imortalizou a façanha. Pouco faltou para o rei inglês cair prisioneiro. A partir de Taillebourg, a Europa ficou sabendo que esse rei dos monges manejava a espada com implacável maestria.

Esplêndido vencedor, São Luís manifestou magnanimidade, inteligência, tato político e visão histórica que impressionaram a Europa feudal. Seus conselheiros quiseram convencê-lo a despojar os vencidos.

O santo reafirmou que isso estava no seu direito, mas não pediu senão aquilo que julgou politicamente inteligente.

Ao rei inglês derrotado cedeu as regiões francesas de Limousin, Périgord, Agenais, Saintonge e parte de Quercy, com a condição de tornar-se seu vassalo mediante o sagrado juramento de vassalagem.

Luís IX quis firmar os laços de amor entre os filhos de ambas as coroas. O rei da Inglaterra passou a lhe prestar as homenagens de um subordinado.

Assim fazendo, a Guerra dos Cem Anos ficou adiada de um século. Ao conde Hugues de Lusignan, chefe dos revoltosos, o rei perdoou um terço dos bens. Retirando-se para suas terras, morreu de desgosto.

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terça-feira, 7 de outubro de 2014

São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, totalmente ignorantes da doutrina divina, que obrigaram aos outros pela violência das armas

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristoteles,
esmaga Averroes, 'sábio' maometano

O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:
“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islã):

Militantes do ISIL no Iraque
Militantes do ISIL no Iraque
“a) Ele (Maomé) seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.

“b) Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

“c) Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

“d) Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível.

“Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

“e) Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram.

Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria
Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria
Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.

“f) Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Antigo e do Novo Testamento.

“Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura.

“g) Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra creem levianamente”.

(Autor: São Tomás de Aquino. Suma contra los Gentiles. Livro I, Capítulo VI, Club de Lectores, Buenos Aies, 1951, 321. p.76 e ss.).



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 5 de outubro de 2014

Rei enquanto santo e santo enquanto rei
São Luís, estadista da Cristandade 2

São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos, seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos,
seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
continuação do post anterior: O filhote de Leão

São Luís teria preferido viver num mosteiro, na abstinência e na meditação, explicou em conferência o renomado historiador Georges Bordonove.(2)

Porém, nasceu num berço de ouro agitado pela História e com uma missão divina: reger a filha primogênita da Igreja e tornar-se o árbitro da Cristandade no século XIII.

Sua aspiração à santidade foi realizada na responsabilidade tremenda de monarca e estadista europeu.

“Ele sabia comparecer em grande pompa, acolher faustosamente, dava festas e festins quando necessário. Ele respeitava altamente sua condição de rei.

“Mas na vida privada ignorava o luxo, misturava muita água no vinho e nos molhos para lhes tirar o gosto. Quando ia às procissões, levava calçados sem sola para ocultar que caminhava com os pés nus, na lama ou no pedregulho, pois as ruas de Paris não estavam pavimentadas”, explicou Bordonove.

Segundo o historiador Henri Pourrat, São Luís era “louro, delgado, de ombros um pouco curvos, alto e de fisionomia serena. Joinville disse dele: ‘Asseguro-vos que nunca vistes um homem de tão bela aparência, quando armado. E, mais ainda, era o mais altivo cristão que os pagãos jamais conheceram’”.(3)

domingo, 28 de setembro de 2014

O filhote de Leão:
São Luís, estadista da Cristandade 1


Em 25 de abril de 1214 um menino nasceu no castelo de Poissy, perto de Paris.

Há hoje no local um mosteiro para honrar aquela criança, que conhecemos pelo nome de São Luís IX, Rei da França.

O feliz evento aconteceu em meio a uma tormenta política. Nesse ano, seu avô, o rei Felipe Augusto, derrotou na batalha de Bouvines uma coalizão de príncipes e nobres franceses revoltados, apoiados pelo rei da Inglaterra, João Sem-Terra, sustentados pelo imperador Othon IV e auxiliados por tropas flamengas da Holanda e da Lorena.

João Sem-Terra cobiçava a coroa francesa e o imperador alemão Othon IV tinha sido excomungado pelo Papa.

A vitória de Bouvines foi considerada um “autêntico juízo de Deus” que salvou o trono a ser ocupado um dia pelo principezinho.

Quando ele aprendeu a escrever, assinava Luís de Poissy, gostava de cantar na igreja e ouvir os feitos bélicos de Bouvines dos próprios lábios de seu avô.

Ao subir ao trono, os conselhos do velho monarca inspiraram-no no exercício do poder régio.

Filhote de Leão