domingo, 19 de fevereiro de 2017

Catedrais e universidades:
criações e florões da cultura medieval

Catedral de Soissons, detalhe do púlpito
Catedral de Soissons, detalhe do púlpito
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Quando os cristãos saíram das catacumbas, após o Edito de Milão (313), ocuparam antigos templos pagãos e os consagraram ao culto verdadeiro.

Aproveitaram também prédios civis como as imponentes basílicas, onde outrora desenvolviam-se atividades judiciais, comerciais, bancárias e feiras no inverno.

As basílicas romanas eram imponentes, solenes e espaçosas.

Mas, o conceito que presidiu sua construção em nada se assemelha ao conceito de catedral elaborado na França.

A “filha primogênita da Igreja” ideou a catedral como resumo do Universo todo ele ordenado em função da glória do Criador e de sua Santíssima Mãe, Nossa Senhora.

Elas foram chamadas de “Bíblia dos pobres”, explica um dos maiores autoridades em catedrais góticas, o professor Émile Mâle .

Nelas, a “sancta plebs Dei” ‒ a santa plebe de Deus ‒ aprendia com seus olhos quase tudo o que sabia sobre a fé.

As estátuas distribuídas segundo um plano escolástico simbolizavam a maravilhosa ordem que, por meio do gênio de Santo Tomás de Aquino, reinava no mundo do pensamento.

Assim, por meio da arte os mais altos conceitos da teologia penetravam nas mentes mais humildes.

Catedral, detalhe da fachada.
Catedral, detalhe da fachada.
Os grandes temas representados na estatuária ou nos vitrais de catedrais como as de Paris, Chartres ou Reims encontram-se admiravelmente desenvolvidos em Burgos, Toledo, Siena, Orvieto, Bamberg, Friburg ou Cracóvia.

Mas, em poucas eles estão tão bem expressos como na França. Em toda Europa ‒ observa Emile Mâle ‒ não há um só conjunto de obras de arte dogmática comparável ao da catedral de Chartres.

Nos canteiros de abadias e catedrais góticas a “filha primogênita da Igreja” gerou os vitrais.

Tratava-se de livros escritos com luz que iluminavam as mentes com a linguagem das imagens, resumiam todo o saber humano, eram um espelho da vida, um apanhado do passado, do presente e do futuro.

Notre Dame de la Belle Verrière, catedral de Chartres, França
Notre Dame de la Belle Verrière, catedral de Chartres, França
Os primeiros vitrais do século X foram meras aberturas para permitir a entrada de luz e preenchidas com cristais coloridos.

O gótico, porém, quis liberar imensos muros para instalar colossais vitrais. Só a catedral de Metz tem hoje 6.496 m2 de vitrais!

Os vitrais encerram múltiplos significados e simbolismos, inclusive místicos.

O principal deles é que o universo é uma imagem do Criador.

A graça divina ilumina a inteligência e lhe faz ver o lado das coisas que espelha melhor a Deus.

No vitral a luz do sol (símbolo da graça) torna a realidade compreensível, bela e admirável e facilita subir até a fonte de tudo, o sol, quer dizer, Deus, com grande e nobre prazer estético.

Na catedral de Chartres, o vitral mais famoso é o de Notre Dame de La Belle Verrière. (ao lado)

Mas, há muitas outras joias como o vitral da Árvore de Jessé (genealogia de Jesus Cristo), o da vida de Santo Eustáquio, ou o dos feitos de Carlos Magno.

Outro conjunto supremo é o da Sainte-Chapelle em Paris. Entrando nela logo à direita lê-se de baixo para cima o Gênese, a história da Criação.

As janelas seguintes resumem o Antigo Testamento até chegar no altar mor.

Ali lemos no vitral a Vida, Paixão e Morte de Cristo. Continuando o giro, encontramos os Atos dos Apóstolos e a vida dos Santos.

Por fim, fechando a volta, acima da entrada resplandece a rosácea do Apocalipse, portanto o anúncio do fim do mundo. É um percurso do início ao fim da História da humanidade.

As igrejas olhavam para o Oriente, de onde Cristo há de vir na sua segunda vinda. Então, quando o sol nascia iluminava o vitral da vida de Cristo centro da História.

Mas quando se punha fazia brilhar a rosácea do fim da História, com Cristo gladífero que virá julgar os vivos e os mortos.


Nos vitrais, as crianças aprendiam o catecismo, a História Sagrada e a vida dos Santos. Os adultos encontravam a descrição da ordem das ciências, das técnicas e profissões.

Os doutores tiravam inspiração para suas eruditas disputas.

Os simples fiéis sofredores recebiam afago, sorriso, compreensão, novo ânimo e apoio sobrenatural.


Vídeo: O sonho da catedral de cristal







AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sob o Catolicismo as ciências progrediram mais
que em qualquer outra civilização

Refeitório da Universidade de Oxford, Inglaterra
Refeitório da Universidade de Oxford, Inglaterra
Luis Dufaur
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O século que precedeu a Renascença, o século XIV, foi, no dizer de M. Coville, “uma época de grande atividade intelectual”.

A Universidade de Paris exercia a profissão de fazer falar a “razão no seio da Igreja – Ratio dictans in Ecclesia”.

Gerson a chamava “nosso Paraíso terrestre no qual estava a árvore da ciência do bem e do mal”.

Seus ensinamentos tinham gerado centenas de mestres seguidos por milhares de estudantes.

“A Faculdade de Artes nos dá, em 1349, 502 mestres regentes (titulares); em 1403 já havia 790, e esse número é inexato. No sínodo de Paris de 1406, Jean Petit falava de mil mestres e um assistente o interrompeu para retificar, afirmando existirem dois mil”.

Não se saberia determinar o número dos estudantes. Juvenal de Ursins diz seriamente, a propósito de um desfile em 1412:

“O desfile foi feito da Universidade de Paris até Saint-Denis; e quando os primeiros estavam em Saint-Denis, o reitor estava ainda em Saint-Mathurin, rua Saint-Jacques”.

Isto significa um cortejo de estudantes com mais de 12 quilômetros de extensão!

O historiador da ciência Edward Grant indaga:

"O que tornou possível à civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais, de uma maneira que nenhuma outra civilização o fizera anteriormente? A resposta, estou convencido, encontra-se num espírito de investigação generalizado e profundamente estabelecido como conseqüência da ênfase na razão, que começou na Idade Média” (p. 66).

Série da EWTN apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental".

AULA 3. Legendada em Português.







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domingo, 5 de fevereiro de 2017

A França povo eleito desde o batismo,
peça chave da ordem medieval

O batismo de Clóvis, Mestre de Saint-Gilles (século XV), National Gallery of Art, Washington
O batismo de Clóvis, Mestre de Saint-Gilles (século XV),
National Gallery of Art, Washington
Luis Dufaur
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O povo franco foi o primeiro a se batizar em bloco.

Seu rei Clóvis se converteu após a aparição miraculosa de uma Cruz no céu durante a batalha de Tolbiac.

Veja mais sobre essa batalha: O milagre de Tolbiac e a conversão da França

A aparição mudou o rumo do combate que, antes do milagre, se encaminhava para um desastre dos francos.

O rei então pediu a catequese o batismo. Quando o bispo São Remígio pregava a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo ao bárbaro Clóvis e seus homens batiam suas lanças no chão e exclamavam: “Ah! Se eu tivesse estado lá com meus francos!”

São Remígio batizou Clóvis em Reims.

Na hora de se aproximar à pia batismal, o rei perguntou maravilhado: “Meu pai, isto já é o Céu?”.

domingo, 29 de janeiro de 2017

A Igreja extirpou a escravidão na Idade Média

Conselho do rei e bispos
Conselho do rei e bispos
Luis Dufaur
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“A escravidão acabou na Europa medieval somente porque a Igreja estendeu seus sacramentos a todos os escravos e depois trabalhou para impor a proibição da escravidão de cristãos (e de judeus).

“No contexto da Europa medieval, essa proibição foi de modo efetivo, uma lei de abolição universal.

“Com os escravos sendo plenamente reconhecidos como humanos e cristãos, os sacerdotes começaram a urgir os proprietários a liberarem os seus escravos como sendo um "ato infinitamente recomendável" que ajudaria a garantir a própria salvação.

“Muitas emancipações foram registradas em documentos que ainda perduram. A doutrina de que os escravos eram humanos e não gado teve outra consequência importante: o casamento entre livres e escravos. (...)

“há sólidas provas de uniões mistas já no século VII, envolvendo, pelo geral, homens livres e mulheres escravas. A mais famosa dessas uniões teve lugar em 649, quando Clovis II, rei dos Francos, desposou sua escrava britânica Bathilda.

domingo, 22 de janeiro de 2017

"Caso Galileu": manipulação para abalar a hierarquia medieval das ciências

Universidade de Cambridge, Inglaterra
Luis Dufaur
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Os últimos séculos da Idade Média se caracterizaram por um extraordinário florescimento das letras e das artes.

Apareceram, então, artistas e intelectuais que podem ombrear com os maiores que a humanidade tenha conhecido em qualquer tempo.

Porém, nos séculos XV e XVI, a influência do Humanismo e da Renascença prepararam o Protestantismo. Iniciou-se, então, uma Revolução contra a Igreja.

Nesse contexto estourou o “caso Galileu” para tentar desmoralizar a autoridade da Igreja.

A continuação, o Prof. Thomas Woods desmitifica e esclarece com profundo conhecimento da matéria o lado de montagem propagandística anti-católica do caso.


Série da EWTN apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental".

domingo, 15 de janeiro de 2017

Arquivista do Vaticano diz ter esclarecido o "segredo" dos templários: eles veneravam o Santo Sudário

Arquivo Secreto Vaticano
Arquvo Secreto Vaticano
Luis Dufaur
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Uma ciência que se ouve mencionar pouco é a Diplomática, ou “corpo de conceitos e métodos com o objetivo de provar a fidedignidade e a autenticidade dos documentos.

“Ao longo do tempo ela evoluiu para um sistema sofisticado de ideias sobre a natureza dos documentos, sua origem e composição, suas relações com as ações e pessoas a eles conectados e com o seu contexto organizacional, social e legal”.


Barbara Frale
Barbara Frale
Essa ciência apresentou resultados que darão para falar.

Em artigo estampado no quotidiano vaticano “L'Osservatore Romano” Barbara Frale (foto), investigadora do Arquivo Secreto Vaticano, defende que, segundo os documentos que possui a Santa Sé, os cavaleiros da Ordem do Templo custodiaram e veneraram o Santo Sudário no século XIII.

A versão segundo a qual eles adoravam uma cabeça barbada não teria passado de uma difamação.

Esta foi promovida pelo iníquo rei da França Felipe IV o Belo com a intenção de fechar a Ordem e confiscar seus bens.

O fechamento aconteceu em 1307 com a anuência do Papa Clemente V.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Visibilidade, hierarquia e simbolismo da igreja

Luis Dufaur
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As igrejas e catedrais medievais foram construídas nos locais de máxima relevância. Isso lhes conferia um ar triunfante e glorioso.

Mas essa não era a única finalidade, nem a mais importante até. Elas visavam obedecer os conselhos evangélicos.

Para os construtores de igrejas as palavras de Cristo são normativas, diz o arquiteto americano Michel Rose, que estudou a arquitetura eclesiástica modernista no livro "Feia como o Pecado" (Ugly as Sin, Sophia Institute Press, Manchester, NH, 2001).

O Divino Mestre, diz Rose, ensinou no Sermão das Bem-aventuranças: “Não pode se esconder uma cidade que está situada sobre um monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 14-15).

domingo, 18 de dezembro de 2016

O “Bolo dos Reis”


Luis Dufaur
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No início do mês de janeiro, as vitrines das pâtisseries de Paris se enchem de “galette des rois” ou “gateau des rois”, conta “Le Petit Journal”.

O nome, como o de tantos produtos culinários franceses não tem tradução, mas alguns tentaram “bolo dos reis”.

Ele é vendido já com uma coroa especial. Em 2014 entre 85% e 97% dos franceses diziam come-la na festa da Epifania, ou Reis.

O Bolo dos Reis com a fava
As receitas, acompanhamentos e formas são incontáveis, em geral redondas.

Quando contêm o prezado marzipã e chamado de “parisiense”. Com frutas abrilhantadas é o “bordelês”.

Existem outras receitas em Nova Orleans (EUA), Bélgica, o “bolo rei” em Portugal, a “rosca” no México, a “vassilopita” na Grécia e a “pitka” na Bulgária, para só citar algumas.

O mais típico é que a criança mais nova sentada na mesa se encarregue de cortar a “galette des rois” e distribua um pedaço a cada um.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Costumes católicos do Natal: la “bûche de Noël” na França


Luis Dufaur
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Durante séculos, na noite de Natal as famílias francesas acendiam um pedaço de lenha de árvores frutíferas como cerejeira, ameixeira, macieira ou oliveira, ou de madeiras nobres ou comuns. Ficou conhecida como a “bûche de Noël”.

A família aquecida por esse fogo se reunia para a Ceia de Natal entoando canções, conta “Le Petit Journal”.

Os restos das achas de lenha dos anos passados ficavam ornando a lareira para simbolizar que enquanto o tempo passa, a chama do Natal e sua benção perduram eternamente.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A multiforme inspiração do Espírito Santo
nos panettones de Natal

Christmas pudding inglês
Christmas pudding inglês
Luis Dufaur
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No Natal, os britânicos preparam o tradicional “pudding”, oriundo da Idade Média e que segundo instrução da Igreja Católica, “deve ser feito no domingo 25, após a Trindade.

“Ele é preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e em cuja massa todos os membros da família devem dar uma mexida durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”.
Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles” ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.

domingo, 27 de novembro de 2016

Festa de coroação do Imperador Romano-Alemão

Conrado III imperador, Chronica Regia Coloniensis (s 13)
Conrado III imperador.
Chronica Regia Coloniensis (s 13)
Luis Dufaur
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Desde o Imperador Conrado até Fernando I, irmão de Carlos V, isto é de 911 a 1556, a coroação teve lugar em Aachen (Aix-la-Chapelle).

Maximiliano II começou em 1564 a série de Imperadores eleitos de Frankfurt.

A partir desse momento, a sala principal do magnífico edifício central de Frankfurt, o Rómer, serviu para a proclamação dos Imperadores, e denominou-se esta sala Kaisersaal, Sala do Imperador.

E' um recinto oblongo, vasto, discretamente iluminado em sua extremidade oriental por cinco estreitas janelas desiguais que se elevam no sentido do muro externo do Romer.

Na Kaisersaal há móveis preciosos, entre os quais a mesa de couro dos Príncipes Eleitores.

Em suas quatro altas paredes abundam afrescos esmaecidos pelo tempo. E sob uma abóbada de madeira com nervuras de um dourado envelhecido, encontram-se, em prestigiosa penumbra, os quarenta e cinco retratos dos continuadores do Império Carolíngio, figurados em bustos de bronze, cujos pedestais mostram as duas datas que abrem e fecham cada reinado, alguns ornados com lauréis, como os Césares romanos, outros cingidos com o diadema germânico.

Ali entreolham-se silenciosamente, cada um dentro de seu nicho ogival, os três Conrados, os sete Henriques, os quatro Ottons, o único Lotário, os dois Albertos, o único Luiz, os quatro Carlos que sucederam a Carlos Magno, o único Wenceslau, o único Roberto, o único Segismundo, os dois Maximilianos, os três Fernandos, o único Matias, os dois Leopoldos, os dois Josés, os dois Franciscos, os quais durante nove séculos, de 911 a 1806 marcaram a História do mundo, com a espada de São Pedro numa mão e o globo de Carlos Magno na outra.

domingo, 20 de novembro de 2016

São Gregório VII face aos atentados
contra os fiéis ministros da Igreja

Busto de São Gregório VII  em ouro e prata, na catedral de Salerno
Busto de São Gregório VII  em ouro e prata, na catedral de Salerno
Luis Dufaur
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São Gregório VII foi, sem dúvida, o Papa por excelência da História da Igreja.

Lutador indomável contra o cisma do Oriente, as heresias, o Império revoltado e um antipapa usurpador, foi também o idealizador das Cruzadas que libertaram o Santo Sepulcro de Nosso Senhor.

Entretanto, um tal gigante na defesa da Igreja não descuidava dos humildes.

Ele sabia descobrir, no combate humilde e corajoso, o ferido que sofria pela causa da Igreja, e o cercava de uma admiração e de uma ternura que não podia dar aos chefes, cuja fidelidade era devida ao preço da glória.

Leia-se esta carta a um pobre padre milanês chamado Liprand, que os simoníacos haviam mutilado de maneira bárbara:

“Se nós veneramos a memória dos santos que foram mortos depois que seus membros foram cortados pelo ferro, se celebramos os sofrimentos daqueles que nem o gladio nem os sofrimentos puderam separar da fé em Cristo, tu és mais digno de louvores ainda, por ter merecido uma graça que, se a ela se juntar a perseverança, te dá uma inteira semelhança com os santos.

“A integridade de teu corpo não existe mais; mas o homem interior, que se renova dia a dia, desenvolveu-se em ti com grandeza.

domingo, 13 de novembro de 2016

Nos mosteiros:
escolas gratuitas para crianças de todas as condições

São Bento ressuscita uma criança do convento morta em acidente.
Lorenzo Monaco (1370 – 1425). Galleria degli Uffizi, Florença.
Luis Dufaur
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Fora do mundo secular, um espaço social lentamente impôs uma nova perspectiva à educação infantil: o monacato .

Os monges criaram verdadeiros “jardins de infância” nos mosteiros, recebendo indistintamente todas as crianças entregues, vestindo-as, alimentando-as e educando-as, num sistema integral de formação educacional.

As comunidades monásticas célticas foram as que mais avançaram nesse novo modelo de educação, pois se opunham radicalmente às práticas pedagógicas vigentes das populações bárbaras, que defendiam o endurecimento do coração já na infância.

Pelo contrário, ao invés de brutalizar o coração das crianças para a guerra e a violência, os monges o abriam para o amor e a serenidade .

As crianças eram educadas por todos do mosteiro até a idade de quinze anos. A Regra de São Bento prescreve diligência na disciplina: que as crianças não apanhem sem motivo, pois “não faças a outrem o que não queres que te façam.”