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domingo, 27 de julho de 2014

A grandeza do sacerdote, do juiz e do professor
na Idade da Luz


A grandeza convém mais ao clero do que qualquer classe ‒ é evidente, porque sua missão diz respeito mais de perto a Deus.

Mas, a grandeza convém também àquilo que é da ordem temporal.

Por causa disso, na Idade Média, todas as coisas da ordem temporal tinham uma proporcionada grandeza.

Por exemplo, um edifício onde tem juízes que estão resolvendo casos.

A função de juiz entendida não como ela é entendia em alguns países hodiernos, mas como ela é entendida segundo a ordem divina, essa função é muito alta, nobre e elevada.

O juiz julga, mas Deus assiste o juiz no seu julgamento.

Sobre tudo se ele é um varão católico e pede a Nossa Senhora para ser iluminado e lançar sentenças justas.

O juiz não ganha muito dinheiro, ele não é um alto potentado, mas ele exerce uma alta função.

Por causa disso, o prédio de um tribunal ainda que seja num feudozinho pequeno, com pouco dinheiro para construir um grande prédio, é muito respeitável.

A gente entra lá e encontra as janelas com forma de ogivas presentes em toda espécie de edifícios temporais, espirituais, os vitrais.

Tribunal penal na Idade Média
Tribunal penal na Idade Média
A cadeira do juiz era colocada sobre um estrado elevado.

A distância com que as partes falam com ele, o modo pelo qual os huissiers falam com o juiz, falam com o povo, etc., etc.

O silêncio que todo o mundo deve manter na sala onde trabalha o juiz.

Até o pequeno juiz de aldeia era cercado de uma respeitabilidade grave, séria.

Isso se aplicava também ao professor por manifestas razões. O professor deve ser respeitado.

Ele entra na sala, todos devem se levantar, não podem se sentar antes dele sentar.

Mas, ele também deve respeitar sua própria função, e, portanto, ao iniciar a aula, o início da aula tem que ter o aspecto de um pórtico respeitável...

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/91. Sem revisão do autor)



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domingo, 20 de julho de 2014

Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média

Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) é a coroa própria dos Papas.

Ela está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.

Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés:

“Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).

Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.

O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara.

Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.

A primeira coroa da tiara reúne simbolicamente a jurisdição eclesiástica do Papa e a coroa do governo temporal sobre os feudos pontifícios.

Tiara de Pio VII
Tiara de Pio VII.
Bonifacio VIII (1294-1303), que sofria execrável revolta do rei da França Filipe o Belo, acrescentou a segunda coroa, para sublinhar que a autoridade espiritual do Papa está por cima da autoridade temporal dos reis.

Bento XII (1334-1342) acrescentou a terceira coroa para simbolizar a autoridade efetiva do Papa sobre todos os soberanos, o que inclui o poder de instituí-los (como fez São Leão III com Carlos Magno imperador) ou destituí-los (como São Gregório VII com o imperador Henrique IV).

As três coroas representam também a potestade máxima na Ordem do Sacerdócio, na Jurisdição (ou poder de mando) Universal e no Magistério Supremo, exclusivos do Sumo Pontífice.

No século XIII foram acrescentadas as fitas posteriores. Elas evocam as fitas que na Antiguidade cingiam a cabeça dos sacerdotes.

A tiara era imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiacono pronunciando a seguinte fórmula:

“Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve todo honor e toda glória pelos séculos dos séculos”.

Em virtude destes significados, a tiara foi particularmente odiada pelos inimigos da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tiara de Gregorio XVI, 1834
Mas, em sentido contrário, ela foi amada até a efusão do sangue pelos santos e pelos fiéis especialmente devotados ao sucessor de Cristo.

Nações e dioceses fizeram questão de doar mais ricas e esplendorosas tiaras ao Pai comum da Cristandade.

Por isso há várias tiaras. Elas competem em arte, beleza e riqueza. Alguns Pontífices sobremaneira amados ganharam mais de uma, como o bem-aventurado Pio IX. Várias se conservam no Vaticano.

A tiara não era usada no dia-a-dia, mas nas solenidades. Na hora da Missa, o Papa usava a mitra.

O último a usar a tiara de público foi S.S. Paulo VI na basílica de São Pedro no dia 30 de junho de 1963.

Em 13 de novembro de 1964, na terceira sessão do Concílio Vaticano II, o secretário do mesmo, Mons. Pericle Felici, anunciou que o Papa Paulo VI doava sua tiara aos pobres.

Então Paulo VI desceu do trono e depôs a tiara sobre a mesa do altar em meio às aclamações dos padres conciliares.

Aquela tiara lhe fora presenteada pela arquidiocese de Milão, da qual ele foi arcebispo, com o contributo dos fiéis até dos mais humildes e sacrificados. Desde então, nem ele nem seus sucessores, nunca mais a usaram. Hoje está num museu nos EUA.

Desde a eleição de S.S. João Paulo I, em agosto de 1978, a cerimônia da coroação foi substituída pela simples imposição do pálio.

O Estado da Cidade do Vaticano tem um brasão. Ele se compõe com duas chaves cruzadas, a tiara pontifícia sobre fundo vermelho e a inscrição “Estado da Cidade do Vaticano” e uma estrela de oito pontas.

Brasão do Estado da Cidade do Vaticano
A mais antiga representação das chaves cruzadas tendo sobre si a tiara é também medieval.

Mais precisamente, do tempo do pontificado de Martinho V (1417-1431). O sucessor, Eugenio IV (1431-1447), cunhou esse emblema numa moeda de prata, conhecida como o “grosso papale”.

As chaves simbolizam os poderes dados ao Papa por Nosso Senhor Jesus Cristo Evangelho (Mat, 16-19).

Uma chave é dourada e significa que o Papa tem o poder supremo na ordem espiritual.

A chave de prata indica que o Poder supremo do Papa sobre a ordem temporal é circunscrito a tudo aquilo que se refere à Fé e à Moral, conservando a ordem temporal sua autonomia naquilo que excede esses campos superiores. A chave dourada passa por cima da chave de prata.

As duas chaves, as Chaves de Pedro, condensam todos os poderes do Papa.

(Fonte: L'Osservatore Romano, 10 agosto 2008)



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domingo, 13 de julho de 2014

Dez datas chaves da História da Igreja e da civilização

"Dez datas que todo católico deveria conhecer"
"Dez datas que todo católico deveria conhecer"

A jornalista Julia Duin publicou no diário Washington Times, uma resenha sobre as datas essenciais da história da civilização ocidental selecionadas por Diane Moczar, especialista em história medieval do Northern Virginia Community College (EUA).

A lista está exposta no livro "Ten Dates Every Catholic should know" (foto) da professora Moczar.

Ela deplora que os católicos estejam esquecidos de sua história e da importância do catolicismo na História Universal.

“A história católica é a história da civilização ocidental”, diz Moczar .

“Os católicos não apreciam a herança de sua fé e não tem noção do que está sendo perdido. Ainda mais, sabem pouco das heresias e do Islã”.

Por isso ela propõe as “Dez datas que todo católico deve conhecer”. Eis elas:

Catedral de Winchester, Inglaterra
Catedral de Winchester, Inglaterra
1) 313: Edito de Milão acaba com as perseguições aos cristãos;

2) 452: S. Leão Papa salva Roma dos hunos;

3) 496: batismo de Clovis, rei da França;

4) 800: sagração de Carlos Magno imperador da Cristandade;

5) 910: fundação do mosteiro de Cluny;

6) 1000: novo impulso do cristianismo na Europa;

7) 1517: Lutero inicia a revolta em Wittenberg;

8) 1571: católicos derrotam muçulmanos em Lepanto;

9) 1789: Revolução Francesa ataca a Igreja Católica;

10) 1917: revolução comunista e aparição de Fátima.

Para a professora o auge do catolicismo deu-se na civilização medieval.

O período preferido dela é o século XIII porque foi “o maior de todos os séculos” e porque foi a época em que a Igreja Católica estava no seu melhor nível.

“A civilização medieval foi grande porque estava centrada em Deus, era Cristocentrica”, explicou, “a Igreja modelava todas as instituições. Ela era a campeã dos direitos dos servos e dos pobres”.

“Foi o século mais criativo, o período de criatividade mais concentrado desde o século V a. C. [N.R.: século de grandes filósofos gregos como Sócrates e Platão].

“Nesse século, São Tomás de Aquino ensinava a Filosofia, aproveitando as recentes traduções de Aristóteles para o latim. O alto estilo gótico florescia e era o mais recente estilo arquitetônico criado em 700 anos”.

Santos como São Francisco, São Boaventura, Santa Isabel de Hungria, São Luis rei da França iluminavam os horizontes.

Para a professora Moczar, o século XIV trouxe uma série de desastres que começaram com a peste negra por volta de 1340 e que fez morrer um terço da população européia.

Outras desgraças foram a Guerra dos Cem Anos iniciada em 1337, e o Grande Cisma de Ocidente que instalou anti-papas em Avignon, França.

“Hoje, concluiu, os estudantes não tem senso do tempo nem das datas. Os rapazes se perguntam se Napoleão veio antes ou depois de Colombo. Não podemos cair tão baixo, se queremos ter estudantes brilhantes a nível colegial”.



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domingo, 6 de julho de 2014

O Clero, primeira classe da sociedade medieval

A via da Verdade. Via Veritatis, Andrea da Firenze.
A via da Verdade. Via Veritatis, Andrea da Firenze.
Na Idade Média a sociedade compunha-se de três classes sociais: o Clero, a nobreza e o povo. O Clero era a primeira classe.

Basicamente, o Clero divide-se em Clero secular e Clero regular. O Clero secular depende diretamente do Bispo e vive em paróquias.

O Clero regular é constituído pelos religiosos que moram em conventos e pertencem às várias ordens e congregações.

Santos Gregório Magno (Papa, com tiara), Ambrósio (cardeal com capelo vermelho), Agostinho e Jerônimo (bispos com mitra)
Santos Gregório Magno (Papa, com tiara), Ambrósio (cardeal com capelo vermelho),
Agostinho e Jerônimo (bispos com mitra)
A hierarquia eclesiástica compõe-se, em sentido estrito, de apenas três graus: o Papa, os Bispos e os párocos.

Eles têm o poder de jurisdição na Igreja.

Porém, a Igreja elaborou outros graus, que concedem um primado honorífico.

Tal é o caso de Patriarcas e Cardeais, Arcebispos, monsenhores e cônegos.

Tais matizes honoríficos são vistos pelo povo como parte da hierarquia eclesiástica.

Os Patriarcas geralmente são Arcebispos de sedes muito antigas, que durante algum tempo tiveram liderança sobre determinadas regiões ou países, especialmente nas Igrejas Orientais. Na Igreja Latina isto ocorreu durante a Idade Média.

Mitra (privativa dos bispos) e paramentos para a Missa
Primaz é o titular da sede mais antiga de um país.

No Brasil o primaz é o Arcebispo de Salvador, na Bahia, a primeira cidade brasileira a ter bispos.

Os cônegos constituem uma espécie de senado do Bispo, para o governo da diocese.

O Clero regular, e as organizações das ordens religiosas, em geral obedecem a princípios comuns.

Tiara (coroa tríplice do Papa), usada pelo Beato Pio IX
Há o Superior Geral da ordem, que é a autoridade máxima, abrangendo todos os países.

Abaixo dele estão os Provinciais, com jurisdição sobre as casas da ordem num país, ou em algumas regiões de um país.

Finalmente, os Superiores das diversas casas da ordem, individualmente consideradas.

Além disso, em casa religiosa há os sacerdotes e os simples irmãos leigos.

Esta organização obedece à natureza da Igreja e do sacerdócio como foi instituido por Nosso Senhor Jesus Cristo, e teve seu desenvolvimento pleno na Idade Média. E assim perdura até hoje.

A hierarquia clerical também estava repleta de símbolos.

A coroa papal, a tiara, é uma superposição de três coroas sobre uma armação completamente fechada.

Do mesmo modo variavam, em cores e adornos, os chapéus dos Cardeais, as mitras de Arcebispos e Bispos e o barrete dos padres.

Havia outros símbolos, como o báculo do Abade, com a volta para dentro, representando sua autoridade dentro da abadia.

São Patrício, bispo, apóstolo da Irlanda, com báculo.
O báculo do Bispo tinha a volta para fora, indicando sua autoridade externa.

A volta na ponta do báculo é sinal de submissão ao Papa.

Mas o báculo do Papa não tem volta alguma.

Na realidade ele usa a férula, cajado que não tem volta, como símbolo de sua autoridade suprema e universal.

(Fonte: CATOLICISMO, março de 1998)



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