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domingo, 13 de agosto de 2023

Farmácias: invenção dos monges medievais para progresso da saúde


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No coração de Florença prossegue aberta uma das farmácias mais antigas do mundo: a Officina Profumo – Farmaceutica di Santa Maria Novella, segundo noticiou o site “Panorama farmacêutico”.

A farmácia foi fundada pelos frades dominicanos por volta de 1.221, ano de sua chegada na região italiana. A Ordem dos Pregadores é o nome oficial dos dominicanos.

Ela foi fundada pelo nobre espanhol Santo Domingo de Gusmão e se distinguiu na luta contra as heresias e sua participação na Inquisição contra a Perfídia dos Hereges.

As farmácias monacais medievais eram gratuitas e abertas para qualquer um que se apresentasse com algum mal-estar. Hoje a Officina Profumo é privada e paga.

As primeiras preparações farmacêuticas usavam ervas medicinais cultivadas nos jardins do mosteiro.

Com essas e a sabedoria monacal eram feitos remédios, pomadas, licores, perfumes, pastilhas e bálsamos, entre outros.

De início, visavam atender os frades doentes, mas logo as multidões de todas as classes sociais acorriam a elas, confiando mais nos monges que nos médicos da época. E eram gratuitas.

A tendência para a medicina natural foi menosprezada como artifício de uma época de ignorância e atraso. Hoje a tendência mudou.

Após séculos de industrialismo exacerbado na farmacêutica, hoje se reconhece que a medicina natural típica da Idade Média também traz valiosos ensinamentos e fórmulas eficazes para tratar determinadas patologias.

A Officina Profumo é considerada uma das melhores e mais tradicionais marcas de Florença, ainda fiel aos seus métodos artesanais e tradicionais, oferecendo produtos de alta qualidade.

Depois de 407 anos atendendo no mesmo prédio no número 16 da Via della Scala, a marca decidiu abrir uma segunda loja, uma miniboutique dentro do Hotel Savoy, da Rocco Forte Hotels.

Os hóspedes que reservam uma suíte no Hotel Savoy terão direito a uma visita à casa histórica da Officina, que passou por um restauro completo em 2012, preservando as características históricas das obras de arte e detalhes arquitetônicos.

O local foi o favorito da rainha da França Catarina de Médici, nascida ela própria em Florença.

A rainha Catarina ajudou a fazer a fama da farmácia por usar a Acqua di Colonia Santa Maria Novella, que até hoje é o produto mais vendido.

Pois a sábia medicina medieval não procurava só o útil (o bonum na linguagem teológica) mas o belo e deleitável (o pulchrum também na linguagem da teologia aristotélico-tomista).




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domingo, 30 de julho de 2023

Das abadias medievais: criação e impulso aos licores espirituosos

Abadia de Hautvilliers, onde nasceu o champagne
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Pouco se fala do impulso decisivo dado pelos monges medievais para a criação e/ou requinte de aguardentes, licores, vinhos, cerveja, sidra e outras bebidas alcoólicas hoje muito apreciadas.

A tradição continuou introduzindo nos mosteiros após a Idade Média sucessivos aperfeiçoamentos e novos requintes, como o champanhe.

Os inventos dos monges passaram rapidamente aos leigos, que seguindo o impulso primeiro das abadias adquiriram voo próprio na elaboração de refinadas bebidas.

Dom Perignon, abade a quem se atribui o champagne
O colunista Reinaldo Paes Barreto, especialista em vinhos, escreveu interessante matéria da qual reproduzimos alguns excertos.

Na Idade Média, o clero atuou em todos os campos da atividade política, social e pessoal dos seus contemporâneos.

Inclusive, que é o que nos interessa aqui, na produção de vinhos, cervejas, “eau-de-vies” e licores.

Foi no silêncio dos monastérios, ou nas experiências dos laboratórios improvisados, que os monges, com a participação de “alquimistas” (químicos), procuraram obstinadamente soluções medicinais que prolongassem a vida.

Como colocar ‘espírito’ nas bebidas para que elas transmitissem vigor, alegria e energia vital.

Mas só por volta do século XIV, na França, eles começaram a macerar plantas e frutas para fabricar os primeiros licores.

E só quatro séculos depois, com a chegada à Europa do açúcar de cana, vindo das Antilhas, é que os produtores de licor definiram a fórmula – no mais das vezes secreta – com a qual produzem, até hoje, os emblemáticos digestivos que são servidos mundo afora.

Chartreuse: um dos licores mais premiados do mundo
Essas bebidas “espirituosas” devem ser apreciadas em pequenas quantidades junto com o café ou após a refeição.

E além de se dirigirem “ao espírito” elas também falam ao coração.

Existem dois processos para a fabricação de licores de qualidade:

Destilação – as frutas, ervas e outros ingredientes são macerados em álcool e a mistura então é destilada.

Este processo é mais usado para especiarias voláteis (hortelã, laranja, tomilho);

Infusão – é o processo de adição de frutas e outras especiarias ao álcool, cujo produto é filtrado e, depois, adocicado.

Os licores mais conhecidos são:

Amaretto (licor com sabor de amêndoas, produzido originalmente na Itália com caroços de abricó.

O amaretto Disaronno vem sendo produzido desde 1525).

Tia Maria (licor de café, à base de rum aromatizado com especiarias típicas da Jamaica).

Cointreau (licor incolor produzido com a casca de pequenas laranjas verdes originárias da ilha de Curaçau, Antilhas Holandesas).

Destilaria dos monges cartuxos faz Chartreuse
Chartreuse (o verde é produzido pelos monges cartuxos, perto de Grenoble, na França.

Chamado de “liqueur de santé” (licor da saúde), quase teve a sua fórmula destruída pela Revolução Francesa.

Mas ela foi salva, ainda uma vez, por um monge.

Composto por álcool, açúcar e 130 plantas, não contém nenhum produto químico e é o único licor verde no mundo, de cor natural).

Quarenta e três (43 ingredientes entram nesse licor espanhol, feito à base de brandy com ligeiro sabor de baunilha).

Drambuie (antigo e famoso licor de uísque, produzido com “highland malt whisky” e mel de urze).

Grand Marnier (licor de laranja do tipo curaçau macerada no conhaque).

Beirão (licor português com base em diversas plantas – entre as quais o eucalipto, a canela, o alecrim e a alfazema – e sementes aromáticas).




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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Santo Tomás de Aquino entrega sua alma a Deus com um ato de fidelidade e submissão à Santa Igreja

São Tomás de Aquino esmaga os heréticos, Benozzo Gozzoli
Santo Tomás de Aquino esmaga os heréticos, Benozzo Gozzoli
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O santo faleceu a 7 de março 1274 no convento cisterciense de Fossanova, Itália, onde parou para se recuperar de um acidente sofrido durante viagem para o Concílio de Lyon.

No livro intitulado “S. Tommaso d’Aquino”, lemos os seguintes dados relativos aos últimos momentos do Doutor Angélico.

“Devido à fraqueza que o dominava, não podia mais acompanhar a comunidade nos ofícios religiosos na capela. Pediu ardentemente para receber o Viático e a comunhão”.

“O Santo Viático foi-lhe ministrado solenemente a 4 ou 5 de março. O próprio abade levou a comunhão ao quarto do enfermo.

“Ao redor, estavam, de joelhos, os religiosos do mosteiro e um bom número de frades menores (franciscanos), os quais, na maioria, pertenciam ao séquito do bispo Francisco de Terrafina, também presente nessa circunstância.

“E, finalmente, muitos frades pregadores (dominicanos), que, à notícia da doença do mestre Tomás, acorreram dos conventos vizinhos de Agnani e Gaeta.

domingo, 4 de setembro de 2016

Monges fazem a melhor cerveja do mundo,
como na Idade Média

Westvleteren XII a melhor cerveja do mundo é feita por monges trapistas que levam vida de penitência.
Westvleteren XII a melhor cerveja do mundo
é feita por monges trapistas que levam vida de penitência.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Há perto de três anos pudemos comentar um artigo vindo da França, narrando que a cerveja Westvleteren XII, produzida pelos monges trapistas da abadia de São Sixto de Westvleteren, na Bélgica, ocupava o primeiro lugar das melhores cervejas do mundo, segundo o site americano especializado www.rateBeer.com.

Mas as modas mudam. Há pressões econômicas para transformar em puro negócio aquilo que é uma tradição religiosa de vários séculos.

Também o chamado “progressismo católico” tem uma declarada animadversão aos costumes e às tradições católicas que remontam à Idade Média, uma idade de fé em que o Evangelho penetrava todas as instituições, segundo ensinou o Papa Leão XIII.

No mês de junho do presente ano (2016), o site da revista italiana “Pane & Focolare” trouxe a notícia de que os monges trapistas de São Sixto de Westvleteren prosseguem imperturbáveis a tradição de fabrico de cerveja artesanal da mais alta qualidade.

E que, em consequência, essa cerveja monacal continua sendo votada como a melhor do mundo no referido site de apreciadores da bebida. Confira.

Os monges não querem saber de um aumento de produção ou qualquer argumento econômico que possa por em perigo o recolhimento de sua vida monástica.

A imagem representa um monge da abadia de São Sixto de Westvleteren que faz a famosa cerveja.
A imagem representa um monge da abadia
de São Sixto de Westvleteren que faz a famosa cerveja.
Continuam produzindo a melhor cerveja do mundo sem finalidade de lucro, para garantir sua sobrevivência, sem procurar notoriedade ou fama.

Os Trapistas (Ordem dos Cistercienses de Estrita Observância) possuem 171 monastérios no mundo, mas apenas oito têm o direito de usar o logo Authentic Trappist Product.

Um deles é o de São Sixto de Westvleteren, na fronteira da Bélgica com a França.

Com formato delicado e elegante, a garrafa não tem etiqueta alguma: todas as informações estão na tampinha. Ela vem sendo produzida desde 1838 somente para sustento do convento.

Tampouco produzem o ano todo, e só vendem num período limitado deste.

Quando a data se aproxima, a notícia se espalha como mancha de óleo, sem publicidade.

O Padre Joris, responsável pela produção, explicou ao jornal americano de grande tiragem USA Today por que não vão aumentar a quantia elaborada:

“Não somos produtores de cerveja. Somos monges. Produzir cerveja nos permite ser monges. Não há motivo para ganhar dinheiro.

“Se aumentássemos a produção e abríssemos franquias, esta atividade deixaria de ser parte integrante da nossa existência.

“Portanto, a produção ficará em 4.500 hectolitros por ano, com uma venda ao público limitada num período de 70 a 75 dias”.

As abadias medievais levaram ao requinte a produção de cerveja.
As abadias medievais levaram ao requinte a produção de cerveja.

Nenhuma comercialização em grande escala ou e-commerce.

No dia em que começa a venda ao público, a região é invadida, tendo sido registradas filas de carros de três quilômetros.

A polícia é mobilizada para garantir a ordem.

Os monges recomendam a seus clientes de não revenderem a cerveja com finalidades lucrativas, sobretudo evitarem a sua comercialização a preços injustos, pois a garrafinha chega a ser oferecida na Internet por 450 dólares.

Recentemente, os monges tiveram de reformar o mosteiro, danificado por obra dos anos. Para reunir os fundos necessários, criaram uma bela caixinha com os dizeres “Uma cerveja por um tijolo”, também em número limitado, solicitando ajuda para a ampliação do mosteiro e a restauração do claustro da Abadia.

Como na Idade Média, na fidelidade estrita ao “Ora et labora” do grande São Bento, fundador da família beneditina há XVI séculos!


Vídeo: Degustação da Westvleteren XII





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