domingo, 21 de outubro de 2012

O ensino medieval mudou a história do mundo

Professor medieval dá aula sentado na cátedra para meninos
Professor medieval dá aula sentado na cátedra para jovens

O professor está sentado na cátedra. Embaixo estão os alunos. Parece que são alunos frades, porque estão tonsurados, sentados em bancos e estudando.

Muitas vezes as escolas eram nos mosteiros e o ensino era gratuito.

Alcuíno, abade de York, espécie de ministro de Educação do imperador Carlos Magno, dispôs que todas as dioceses, abadias e paróquias deveriam montar escolas gratuitas e fornecer até vestimenta e refeições aos alunos, com interdição formal de receber qualquer forma de pagamento.

As próprias Universidades, que foram criadas pela Igreja na Idade Média, eram inteiramente gratuitas, podendo o aluno trocar livremente de uma para outra.

Por exemplo, podia trocar de Oxford, na Inglaterra, para Coimbra, em Portugal, ou Bologna, na Itália, se achava bom em função da reputação do ensino e dos professores.

domingo, 7 de outubro de 2012

A doutrina dos “Dois Gládios”. Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios'' – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

“Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

“Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

“Contudo, é preciso que o gládio esteja subordinado ao gládio; a autoridade temporal ao poder espiritual, porquanto diz o Apóstolo:

Os chefes temporais estão submetidos ao poder dos Papas.
O rei da França Luis VI diante do Papa Calisto II.
“Não há poder que não venha de Deus, mas os que existem foram instituídos por Deus”; ora, esta ordem não existiria se um dos dois gládios não estivesse subordinado ao outro, e, enquanto seu inferior, ligado por ele à categoria suprema, pois segundo São Dionísio:

“A lei da divindade é que as coisas inferiores devem estar ligadas às superiores pelos intermediários”.

“Devemos reconhecer que o poder espiritual supera em dignidade e em nobreza todo poder temporal, tanto mais evidentemente quanto as coisas espirituais superam de muito as coisas temporais. Cabe ao poder espiritual instituir o temporal e julgá-lo caso não seja bom.

“Verifica-se, assim, atinente à Igreja e ao poder eclesiástico, o oráculo de Jeremias: “Eu vos constitui sobre as nações e sobre os reinos, etc.”.

“Se, portanto, o poder temporal se desvia, ele será julgado pelo poder espiritual; se o poder espiritual desvia-se, o inferior será julgada pelo superior, e se é o poder superior, só por Deus.

“Ele não poderá ser julgado pelo homem, como atesta o Apóstolo: “O homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém”.


(Fonte: Bula Unam Sanctam, apud Marie-Hippolyte Hemmer, verbete Boniface VIII, in “Díctionnaire de Théologie Catholique”, Tomo II, col. 999s.)





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