domingo, 2 de dezembro de 2007

Abolido resto medieval, a calma abandonou Claraval


Claraval (MG) tem 4.500 habitantes que, até há pouco, desfrutavam algo da tranqüilidade da Idade Média. Casas, chácaras e outras terrenos pertenciam ao Mosteiro de Nossa Senhora do Divino Espírito Santo. O que corresponde ao imposto territorial (IPTU) era pago com um dia de trabalho — cerca de R$ 20,00 — dedicado à Abadia Territorial de Claraval.

Em 1869, o casal Francisco Garcia Lopes e Maria Rita do Espírito Santo doou 40 alqueires para a Capela do Divino Espírito Santo das Canoas, e em 1948 a área passou para o regime de enfiteuse — sistema típico da era medieval.

O novo Código Civil, contudo, extinguiu tal sistema. Agora, aos sábados, uma advogada tenta resolver litígios na praça central. A prefeitura acusa o bispo de ganancioso, por tentar vender os lotes, e a diocese qualifica a prefeitura de eleitoreira. Extinguiu-se assim esse vestígio de calma medieval, e os pesadelos modernos passaram a infernizar a vida dos habitantes do município.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Igrejinha medieval é transladada na Alemanha

Clip da translação (TV espanhola)
A igrejinha medieval de Heuersdorf, aldeia da Saxônia (Alemanha) foi mudada integra à localidade vizinha de Borna, a 12 quilômetros de distância (foto). A descoberta de uma importante jazida sob Heuersdorf tornou inviável morar no local. A população aceitou se mudar mas fez questão de salvar a capela de estilo românico construída há mais de 750 anos — a mais antiga da Saxônia.

Realizou-se assim um feito tecnológico: o templo de 1.000 toneladas foi trasladado completo sobre imensa plataforma de concreto e aço, puxada por vários caminhões à velocidade “de passo humano”, sobre um calçamento especialmente concebido para a ocasião. O operativo envolveu 200 funcionários e custou milhões de euros. O amor à tradição prevaleceu, e a técnica se pôs a serviço de uma pequena jóia da Idade Média.

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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Santa Sé anuncia absolvição dos Templários, ordem que está nas origens do Brasil



A Santa Sé anunciou a publicação de um documento pontifício que absolve a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários, dos cargos que lhe foram imputados. Esta ordem militar de cavalaria foi fundada em Jerusalém em 1118, nos tempos das Cruzadas, por Hugo de Payens e Geoffroy de Saint-Omer e companheiros. Ela protegia os peregrinos que iam a Terra Santa.

Túmulo de templários. Temple Church, Londres

O templários tornaram-se lendários pela sua fé e coragem no campo de batalha. Criaram hospitais gratuitos de uma organização e esplendor famosos para romeiros e pobres. Sua Regra foi ditada pelo grande São Bernardo. Sua divisa foi: “não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória”. O nome de Templários vem do fato de eles terem erigido suas primeiras instalações no local onde esteve o Templo de Salomão.

Capela templária do Convento de Cristo, Tomar, Portugal

Os cristãos deram donativos com largueza para as obras da Ordem. A aureola de prestígio e de coragem que rodeava a Ordem, mais sua importância material, suscitou a inveja de reis e potentados picados pela mosca da Revolução contra a Igreja e a Civilização Cristã.

Em 13 de outubro 1307, o rei Felipe o Belo, da França, que haveria de morrer excomungado, fechou todas as sedes da Ordem, expropriou seus bens e promoveu processos contra ela. Acusava-a de adorar o demônio, praticar a homossexualidade, blasfêmia e heresia. O exemplo de Felipe o Belo foi seguido por outros reis, exceção feita, do de Portugal.

Os cavaleiros que fugiram da prisão, cárcere e torturas, refugiaram-se em terras portuguesas. O último Grão-Mestre foi queimado em Paris. (foto)

Felipe o Belo (foto) aduzia uma carta do Papa Clemente V. Mas, agora, o Vaticano afirma ter achado documento do mesmo Papa Clemente V exonerando a Ordem de toda culpa. A publicação ocorrerá sob os auspícios dos Arquivos Secretos do Vaticano e da fundação italiana Scrinium.

Muralhas de Tomar e Convento de Cristo, Portugal

Segundo o historiador medievista Franco Cardini, um dos responsáveis pela edição, “a prerrogativa do Papa (Clemente V) era a de dissolver a ordem, mas ele nunca a condenou”. Cardini acrescenta que o documento achado “testemunha que o Pontífice não a considerava herege”.

A verdade é que se os Templários tivessem continuado existindo teriam sido grave obstáculo à Revolução gnóstica e igualitária que depois jogou o mundo no caos.

Muitos grupelhos ou associações obscuras tentaram durante séculos se apropriar da aureola de prestígio dos Templários, e abusaram do seu nome. De fato, nenhuma associação hoje existente sob o rótulo de Templários ou Templo é autêntica continuadora da genuína Ordem do Templo extinta no século XIV.

Os últimos remanescentes da Ordem do Templo foram a base da Ordem de Cristo criada por Dom Dinis, rei de Portugal. Foram esses cavaleiros que descobriram o território brasileiro e tiraram o Brasil do nada.

Se houve uma “vingança dos templários” ela consistiu em trazer à luz a nação hoje com a maior população católica da Terra, o Brasil, dotado de uma vocação providencial.

Os herdeiros espirituais de Felipe o Belo, entretanto, tentam enlamear e degradar o Brasil para que ele não cumpra essa missão histórica.

Veja o clip da BBC

Fortaleza templária, La Couvertoirade, França.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Idade Média: floresta repleta de símbolos


Para a Idade Média o universo era um livro imenso, escrito pela própria mão de Deus, onde cada ser era uma palavra cheia de significado.

Para o medieval o ignorante apenas olha e vê figuras para se instruir. O sábio se eleva das coisas visíveis às invisíveis. Na natureza ele lê o pensamento de Deus.

A ciência não consistia então em estudar as coisas em si mesmas, mas em penetrar os ensinamentos que Deus nelas pôs para nós homens.


Era assim que o medieval caminhava, numa floresta repleta de símbolos, sob um céu povoado de idéias, iluminado pela luz de Cristo, abençoado pela sua graça, sob o manto maternal da Virgem Mãe de Deus.

Veja exemplos:


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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Do fundo da Idade Média vem uma esperança de decifrar as mudanças climáticas

A terra está super-aquecendo ou não? É culpa do homem ou não? Trata-se de câmbios cíclicos da natureza ou não?

Abandonamos a civilização e vamos ao mato para viver como índios, como querem os ecologistas fanáticos? Ou arrasamos com florestas e a natureza sem pensar muito?

Neste ponto, os cientistas deveriam dar a palavra decisiva. Mas eles estão em desacordo. Há os “apocalípticos” que dizem que Rio de Janeiro afunda lá pelo 2050 ou pouco mais.

Há os dizem que o alarmismo ecológico é obra de ex-comunistas à procura de um engajamento anti-ocidental e anti-capitalista.

A disputa poderia se resolver se houvesse dados objetivos recolhidos com um recuo de tempo suficiente para fundamentar as hipóteses. Mas, quem têm esses dados?

Os cientistas não. Porque as medições começaram no século XIX, as que começaram cedo... Faltam as medições de dimensão histórica exigidas pelo caso.

Monge restaurador, Monte Olivetto

Então?

Então cientistas foram procurar nas abadias medievais! E quanto mais antigas melhor!

Foi o caso do mosteiro de Einsielden (foto acima), nos Alpes suíços, onde os monges escrevem diários desde a Idade Média registrando as condições meteorológicas da região.

A América não estava descoberta e os monges anotavam escrupulosamente as mudanças do clima, vento e umidade...

Por quê? Para o quê? Por amor da sabedoria, por fidelidade à Regra, por participarem desse sonho inspirado pelo Espírito Santo que hoje nós chamamos de Idade Média e que foi a realização numa certa época da Cristandade.

Einselden, fonte da Virgem

Assim era a sabedoria beneditina que inspirou a Idade Média. Toda feita de fé, regra e bom senso, ordem, método e unção, produzindo resultados abençoados em todos os campos em que ela se aplicava.

E recolhendo resultados que nem eles imaginavam, como resolver o destino do século XXI.

O mosteiro beneditino de Einsielden nasceu em 934, no coração da Suíça.

Durante 600 anos foi a sede do governo regional. Controlou a área de Zurique, hoje um dos principais centros financeiros do mundo.

Nos registros lê-se detalhes como volume de chuva, tempo de sol, tamanhos de nuvens, comportamento das árvores, frutas e cultivos e ainda as reações das pessoas aos diferentes climas.

A acuidade e credibilidade dos monges é tal que até hoje o serviço meteorológico suíço confia neles para a coleta dos dados da região.

Não os escrevem mais com pena de ganso em pergaminho, mas num laptop para transmití-los ao governo.
Monges matemáticos


Monges medievais conhecidos por Deus, registraram os dados que podem ajudar o século XXI a determinar o rumo do planeta numa escolha que, se mal feita, pode dar, aí sim, na maior catástrofe da história.

Quem mostrou ter mais sabedoria: o monge medieval, o cientista profissional ou o ecologista aloucado?


São Bento preside refeição
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sábado, 18 de agosto de 2007

Empresários alemães vão a mosteiros para haurir algo da paz e da ordem da Idade Média


“Der Spiegel”, grande semanário alemão, publicou reportagem sobre os empresários germanos que, estressados pela vida de negócios, procuram abadias para imergir na paz e no equilíbrio da atmosfera da Idade Média.

Jan F., 37, jovem executivo da montadora DaimlerChrysler, por exemplo, entrou na cela monacal como que viajando no túnel do tempo: apenas uma cama pobre, uma mesa austera, uma simples cadeira e um livro de salmos. Nada a ver com os hotéis que ele freqüenta. Seu primeiro gesto?: desligar o celular...

Não foi só ele, foram mais 15 empresários. Em outros mosteiros um frade recolhe os celulares na porta de entrada. Jan F. e seu grupo de executivos largaram videoconferências e apresentações de PowerPoint durante sua volta à Idade Média, no estilo monacal. Eles chegaram lá por uma estrada que atravessa uma escura floresta.
A tendência é tão forte que até os protestantes — avessos ao monasticismo — montaram hospedagens imitando os mosteiros católicos, para lucrar com ela... “A demanda está fazendo explodir nossos mosteiros” diz Margot Käßmann, bispo luterano de Hanôver. Mas lhes falta transcendência espiritual e é disso que sentem falta os estafados empresários e homens de negócios.

A abadia católica de Andechs, pelo contrário, é mais espiritual e atraente. Tem também uma fábrica de cerveja.

Michael T., disse que os jovens gerentes da DaimlerChrysler “estavam horrorizados pelo modo como seu estilo de vida estava transformando suas personalidades”. Agora toda sexta-feira, um grupo de empregados da Volkswagen dedica uma hora e meia para fazer sua meditação. “Parece que São Bento — comentou “Der Spiegel” — tem sua parte na montagem de um Golf nos nossos dias”.

E se o mundo nunca tivesse abandonado a sabedoria e a ordem, a força e o empuxe, a grande paz que emanava das abadias da Idade Média, nosso progresso não teria sido mais autêntico? Tal vez maior e melhor? Sem as neuroses, os desequilíbrios, os desesperos, a falta de rumo que muitos sofrem hoje? Ordem espiritual e ordem material estariam em feliz concórdia, seguindo o famoso ditado “Ora et labora” de São Bento, Patriarca do Ocidente.

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

domingo, 5 de agosto de 2007

Gobelins: instituição aristocratizante festeja 400 anos

A célebre Manufacture des Gobelins de Paris festeja 400 anos, produzindo tapeçarias admiráveis (foto). Neste aniversário, ela expõe excepcionalmente algumas das suas mais belas peças tecidas com fios de ouro e prata. A origem da Manufacture des Gobelins se remonta ao século XIII, de tapeceiros dos Países Baixos instalados em Paris. Mas a Manufacture só tomou esse nome sob o rei Henrique IV, no século XVI. Em 1937 ela uniu-se ao Ostel du Roy, que desde o século XIII fazia móveis para os servidores do rei. Hoje a instituição fornece as mais requintadas peças de decoração para os grandes órgãos públicos. A existência de instituições de espírito aristocratizante, como a Manufacture des Gobelins, é um saudável vestígio da França monárquico-aristocrática de séculos atrás, ainda vivo na atual França igualitária nascida da Revolução Francesa.

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Simbolismo medieval da nave: Arca da Salvação, maternidade da Igreja


O nártex (vestíbulo sob o coro) é o primeiro espaço sagrado da casa de Deus. Também é conhecido como galilé, porque dali parte a procissão que, no início da Missa, dirige-se até o altar, simbolizando a jornada de Cristo desde a Galiléia até Jerusalém, rumo ao sacrifício do Calvário.
No nártex, a água benta lembra o batismo, a necessidade do perdão dos pecados, e tem efeito exorcístico sobre o demônio e as tentações.
A nave encarna a “Arca de Salvação”. A Igreja, Ela própria, é essa arca, a Barca de Pedro. Simboliza também o seio materno, pois a Igreja gera as almas para o Céu.

Ela é ainda imagem do Corpo Místico de Cristo posto a serviço de sua cabeça: Deus Nosso Senhor. Um famoso diagrama da Idade Média coloca o Crucificado sobre a planta de uma igreja típica. Sua divina cabeça repousa no presbitério, os braços no transepto, o corpo e as pernas na nave. As colunas da nave representam os Apóstolos, e as colunas do cruzeiro simbolizam os quatro Evangelhos.

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domingo, 29 de julho de 2007

Mont Saint-Michel recupera seu sacral e sublime isolamento



O monte Saint-Michel na Idade Média era chamado Saint-Michel du Mont du Péril: São Miguel do Monte do Perigo. Sua agulha toca o Céu. Rodeiam-na areias movediças e marés furiosas que sobem metros e em instantes engolem os viajantes. O mosteiro era tido residência do próprio São Miguel Arcanjo. Quem ainda lá vai, num dia de poucos turistas, pode sentir sobrenaturalmente o bater das asas do chefe das milícias celestes.
Céus e mar; tempestades e mistério; monges e cavaleiros; cruzes, relíquias e espadas: o Mont Saint-Michel é um cântico da fé e do heroísmo.
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Odiado pela Revolução Francesa, foi transformado em vil prisão. O crime repugnou ateus famosos. Uma ponte e uma barragem forçaram a sedimentação de areia e lama e uniram a ilha-abadia e fortaleza à terra.
O efeito causou horror. Mais. A saudade da incomensurável grandeza sacral dessa jóia medieval feria a alma francesa. Afinal o governo laicista entregou os pontos. Hoje, 29.7.2007, "Le Monde" informa que ele ordenou a demolição de pontes e barragens e a aplicação de 200 milhões de euros para devolver ao Monte do Príncipe das Legiões Celestes a sua altaneira e majestosa alteridade em relação ao continente. Nesta disputa com a modernidade, acabou ganhando a Idade Média!
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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Restos medievais na Justiça dividem ingleses


Os juízes das varas cíveis de Inglaterra e Gales ficaram proibidos de usar as tradicionais perucas brancas e capas vermelhas e douradas que datam do século XVIII.
O pretexto foi economizar US$ 600.000, cifra diminuta dentro dos mastodônticos orçamentos públicos e comunitários.
A exceção por agora tolerada será a dos juízes de distrito e das Cortes Reais. Os juízes das varas criminais também não aceitaram, pois, com bom senso aduziram que a peruca põe em realce a dignidade dos julgamentos. O premio da inépcia foi ganho pelo lord socialista de Justiça, Charles Phillips. Para ele perucas e capas transmitiam uma imagem de respeitabilidade “totalmente alheia à realidade e envolta em tradições desnecessárias”.
Na verdade, capas e perucas, que não eram medievais, perpetuavam a imensa dignidade, esplendor e respeitabilidade com que a ordem medieval rodeou o ínclito Poder Judiciário. Perceberam bem isso os ativistas de esquerda que infiltram esse augusto Poder para abusar de suas atribuições e impor reformas que a sociedade não quer. A força que a Idade Média comunicou às instituições cristãs foi tal que em pleno III milênio ainda se polemiza em torno dela.

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

Primeiro mito errado: Uma sociedade concebida segundo os princípios católicos é utopia.



REFUTAÇÃO:

A Civilização Cristã existiu. Atestam-no os Documentos Pontifícios, os documentos medievais e estudos credenciados de autores contemporâneos, além dos legados culturais indestrutíveis, dos quais até hoje recebemos a salutar influência.


DOCUMENTAÇÃO

Da Idade Média, a despeito desta ou daquela falha, Leão XIII escreveu com eloqüência: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (Encíclica Immortale Dei, de 1/XI/1885).

Assim, a Civilização Cristã não é uma utopia. É algo de realizável, e que em determinada época se realizou efetivamente. Algo que durou, de certo modo, mesmo depois da Idade Média, a tal ponto que o Papa São Pio X pôde escrever: “A civilização não mais está para ser inventada, nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe: é a Civilização Cristã, a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar, sobre seus fundamentos naturais e divinos, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade” (Carta Apostólica Notre Charge Apostolique).

A refutação dos mitos que vêm em seguida dará a documentação medieval e a dos autores contemporâneos, que atestam claramente que a Idade Média foi a Era Cristã de que falam os Pontífices.

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Segundo mito falso: Na Idade Média o regime era de opressão.

Diz ainda este mito falso: O senhor extorquia o vassalo, que por sua vez extorquia os que lhe eram inferiores. A base dessa opressão era o vínculo feudal. Os inferiores só obedeciam por medo. Portanto, era uma ordem de coisas odiável, uma cascata de opressão e de desprezo.


REFUTAÇÃO:
A Idade Média foi uma época de harmonia social, porque os homens estabeleceram suas relações no vínculo proteção-serviço. Era uma gradação de mútuo respeito e estima. Portanto, uma ordem de coisas justa e desejável.

DOCUMENTAÇÃO
1–Documentos medievais mostrando a harmonia entre o senhor e o vassalo
POEMA DE “EL CID” (de aproximadamente 1300, com o texto estabelecido por Ramón Menendez Pidal, Edição 1969):

El Cid pensa em dormir em certo lugar, e fala aos vassalos: “Dijoles a todo como ha pensado trasnochar; y todos, buenos vasallos, lo aceptan de voluntad; Pues lo que manda el señor, dispuestos a hacer están”.
“Mio Cid Rodrigo Diaz a Alcácer tiene vendido; Y asi pagó a sus vasallos que en la lucha le han seguido. Lo mismo a los caballeros que a los peones, hizo ricos; Ya no queda ni uno pobre de cuantos le hacen servicio. Aquel que a buen señor sierve, siempre vive em paraíso”.

El Cid expõe a seus cavaleiros o plano de batalha para defender Valencia: “Oídme, mis caballeros: ... Cerca del amanecer, armados estad; El obispo don Jerónimo la absolución nos dará; Y despues de oir su Misa, dispuestos a cabalgar, a atacarlos nos iremos, de otro modo no será; En el nombre de Santiago y del Señor celestial. Más vale que los venzamos que ellos nos cojan el pan; Entonces dijeron todos: ‘Con amor y voluntad’”.

CHANSON DE ROLAND (o mais famoso poema épico medieval, surgido entre 1090 e 1180):

Na batalha de Roncevaux, Roland incentiva seus guerreiros à luta: “Pelo seu senhor cada um deve sofrer grandes males, suportar os grandes frios e os grandes calores, e deve perder o sangue e a carne. Golpeia cada um com sua lança e eu com Durendal, minha boa espada que o Rei me deu. Se eu aqui morrer, que o futuro possa dizer que ela foi de um nobre vassalo”.

O Arcebispo Turpin, par de Carlos Magno: “Do outro lado está o Arcebispo Turpin. Ele esporeia seu cavalo e sobe uma elevação. Chama os franceses e lhes faz um sermão: ‘Senhores Barões, Carlos nos colocou aqui. Devemos morrer bem por nosso Rei’”.
Quando um sarraceno ofende Carlos Magno, dizendo que não é um bom senhor, Roland lhe retruca, antes de dar-lhe a morte: “Vil pagão, mentiste! Carlos, meu senhor, nos protege sempre”.
Pranto de Carlos Magno ao encontrar Roland, seu predileto, morto no campo de batalha: “Amigo Roland, Deus te levou ... Nunca se viu sobre a Terra um cavaleiro tão lutador. Minha honra está profundamente abatida. Amigo Roland, Deus ponha tua alma nas flores do paraíso, entre os gloriosos! Jamais terei mais o sustento de minha honra: não creio mais ter sobre a Terra um só amigo; se tenho parentes, nenhum é tão bravo ... Quem guiará meus exércitos tão vigorosamente, quando está morto aquele que sempre foi o seu chefe? Ó França, como fiscastes deserta! Meu luto é tão carregado, que eu queria não existir mais. Roland, quem te matou devastou a França ... Tenho um luto tão grande pelos cavaleiros que por mim morreram, que desejaria não viver mais”.

Carlos Magno conclama os francos à vingança do direito ultrajado: “Barões, eu vos amo e tenho fé em vós. Por mim fizestes tantas batalhas, tantas conquistas de reinos e destronamentos de reis. Sei que vos devo agradecer de minha pessoa, em terras, em riquezas. Vingai vossos filhos, vossos irmãos e vossos herdeiros, que naquela noite pereceram em Roncevaux. Vós bem sabeis que contra os pagãos o direito é por mim”.

2–Autores modernos“A imagem medieval de pobreza, a realeza e a vontade divina estão ilustradas em uma ‘Vida de Eduardo o Confessor’, do século XIII. Esta história narra que ‘Gilla Michael’, um paralítico inglês, foi a Roma em busca de remédio, mas (o sucessor de) São Pedro lhe disse que ficaria curado se o rei Eduardo da Inglaterra o levasse em suas costas desde a Westminster Hall até a Abadia de Westminster. O virtuoso monarca consentiu. Pelo caminho o paralítico sentiu que ‘se lhe afrouxavam os nervos e se lhe estiravam as pernas’. O sangue de suas chagas corria pelas vestiduras reais, mas o rei o levou até o altar da abadia. Ali ficou curado, começou a andar e pendurou suas muletas, como lembrança do milagre” (Chr. Brooke, professor de História Medieval na Universidade de Liverpool, in “La Baja Edad Media”, Ed. Labor, Barcelona, 1968, p. 32).

“E como as noções de fraqueza e de poder são sempre relativas, vê-se, em muitos casos, o mesmo homem fazer-se simultaneamente dependente de um mais forte e protetor dos mais humildes. Assim se começa a construir um vasto sistema de relações pessoais, cujos fios entrecruzados corriam de um andar a outro do edifício social” (Marc Bloch, professor na Universidade de Sorbonne, in “La Société Féodale”, Ed. Albin Michel, Paris, 1970, p. 213).

“O prestígio real é muito vivo. No fundo dos bosques mais distantes, o último dos camponeses sabe que existe o rei ... ungido com óleos santos, consagrado ... e que está encarregado de manter em todo o território do reino a paz e a justiça” (Georges Duby, grande historiador moderno, in “Histoire de la Civilisation Française”–trad. castellana–Fundo de Cultura Económica, México, 1958, p. 20).

“Um homem, prescrito, entre 925 e 935, na Inglaterra, não tinha senhor? Se se constata essa situação negra, sujeita a sanções legais, sua família deverá designar-lhe um senhor. Ela não quer ou não pode? Então ele será considerado fora da lei, e quem o encontrar poderá matá-lo, como a um bandido” (Marc Bloch, op. cit., p. 259).

Terceiro mito falso: A Igreja é o ópio do povo. Ela manteve o regime feudal para fruir de vantagens mesquinhas.


REFUTAÇÃO:

A Igreja converteu os bárbaros e, pela ação da graça, foi infundindo neles os princípios sobrenaturais que mandam cada qual ocupar o lugar que lhe é devido na hierarquia social. Juntamente com isso, pregou aos fortes a caridade, e aos humildes submissão.


DOCUMENTAÇÃO

1–A vassalagem medieval tinha o beneplácito da Igreja, sendo considerada altamente virtuosa

“Tomando o lugar da antiga atitude de mãos estendidas dos orantes, o gesto de mãos postas, imitado da commendise (cerimônia em que o vassalo prestava juramento de fidelidade ou ‘homenagem’ a seu suzerano), torna-se por excelência o gesto da prece, em toda a catolicidade” (Marc Bloch, op. cit. p. 328).
“A linguagem usual acabará por denominar correntemente ‘vassalagem’ a mais bela das virtudes que uma sociedade perpetuamente em armas pôde reconhecer, isto é, a bravura” (Marc Bloch, op. cit. p. 231).

2–A Igreja eliminou gradualmente os restos de barbárie, que davam aos medievais um caráter altamente belicoso

“Os dirigentes da Igreja quiseram fazer reinar na Terra a Paz de Deus. O movimento, iniciado no começo do século XI, tinha como meta circunscrever a violência”.

“Para eliminar as guerras fratricidas entre os cristãos, foram colocados sob proteção as igrejas e os terrenos que as cercavam; depois, alguns dias da semana consagrados à prece ou à penitência, as datas litúrgicas, a Quaresma; os clérigos e todos que eram inofensivos e vulneráveis; os comerciantes e a multidão de camponeses”.

“Pela incitação dos bispos, os cavaleiros juravam sobre as relíquias a respeitar a codificação da guerra privada feita pela Igreja, e a negar sua amizade e perseguir a quem a desrespeitasse” (Georges Duby, op. cit., p. 57).

3–O nobre, para ser reconhecido, deveria ser capaz de grandes virtudes


“O Príncipe concede e doa anéis a seus súditos; o nobre deve ser clemente, quer dizer, amigo das dádivas” (Friedrich Herr, professor em Viena, in “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, p. 112).

“Naquela época, dar presentes era um gesto essencial; nobre é aquele que dá a seus amigos” (Georges Duby, op. cit., p. 16).

Quarto mito falso: Na Idade Média havia regime de escravidão


REFUTAÇÃO:

Antes da Idade Média, todos os povos admitiam a escravidão mais completa. A Idade Média, sob o signo do Cristianismo, foi atenuando cada vez mais a idéia de escravidão do Direito Romano, e ao final do período praticamente não havia mais nenhuma forma de escravidão.


DOCUMENTAÇÃO

1–Significado do termo “servo”

”’Servo’, na Idade Média, não tem o significado que a linguagem corrente dá à palavra em nossos dias. ‘Servir’ ou, como também se dizia, ‘ajudar’, ‘proteger’; é nestes termos muito simples que os mais antigos textos resumiam as obrigações recíprocas do vassalo e seu chefe. O liame jamais foi tão forte quanto no tempo em que os efeitos eram expressos de maneira mais vaga, e, em conseqüência, a mais compreensiva” (Marc Bloch, op. cit., p. 309).

“O termo ‘servo’ seguiu sendo corrente, mas designava outra coisa: servo era o ‘homem’ de alguém, isto é, o vassalo” (Georges Duby, op. cit., p. 43).

“Os escravos, os servos, como lhes chamam os dialetos vulgares, são só uma minoria entre os camponeses, por volta do ano 1000” (Georges Duby, op. cit., p. 16).
“Com freqüência um camponês livre se colocava voluntariamente em mãos de um senhor ... com o único fim de obter dele uma proteção jurídica e econômica, e gozar deste modo de uma segurança maior. Este processo continuou nos séculos seguintes” (Gerd Betz, professor em Brunswick, in “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, p. 147).

“A onipotência aparente do senhor feudal tinha um limite: o costume, isto é, o conjunto dos usos antigos guardados na memória coletiva. Era um direito fluido, porque não era fixado por um texto escrito; era conhecido interrogando-se os mais velhos do povo, mas apesar disso se impunha a todos como uma legislação intocável” (Georges Duby, “Histoire de la Civilization Française”, p. 41). Mais sobre o Direito.

2–A Igreja eliminou na Cristandade medieval a escravidão pagã

Iniciemos com uma interessante distinção de Paul Allard. Existiam dois tipos de escravidão: a das pessoas e a do trabalho. Segundo esse autor, a abolição da escravidão das pessoas já era uma obra “quase inteiramente terminada, ou pelo menos inteiramente preparada, antes da segunda metade do século VI”, ou seja, no início da Idade Média.

“Da escravidão não restou senão uma coisa: a obrigação de trabalhar para outros. Mas pouco a pouco também esta obrigação se transformou em uma regra fixa: o servo tornou-se senhor de seu trabalho, com a condição de ceder uma parte do ganho em benefício de seu senhor. Esta transformação não se consumou de modo uniforme: em alguns lugares veio rapidamente, e parece já estar estabelecida desde o século V; em outros, não se pode assinalar com certeza antes do século XI ou XII ... Pode-se ainda constatar (na Itália e na Espanha) a presença de alguns escravos depois do século XIV; mas são fatos excepcionais, isolados, que não contradizem os resultados gerais por nós expostos” (Paul Allard, “Gli Schiavi Cristiani”, Libreria Editrice Fiorentina, 1916).
Por seu livro, Paul Allard recebeu de Mons. Nocelle a seguinte carta, escrita a mando de Pio IX: “Entre os numerosos benefícios que as sociedades humanas receberam da Religião Católica, é justo citar as transformações que trouxe à desventurada condição dos escravos, que por sua influência foi primeiramente mitigada, e depois pouco a pouco destruída e abolida. E é por isso que S.S. Pio IX viu com prazer que V. Sa., em seu livro sobre os “Escravos Cristãos”, pôs às claras esse grande fato, e tributou à Igreja os louvores que lhe são devidos nesse ponto”.

“Depois do ano mil, a França medieval — salvo em suas fronteiras meridionais, em contato com o Islã, onde subsistia por toda a Idade Média um comércio de escravos alimentado pela pirataria — já não conheceu a servidão à maneira antiga, que rebaixava os homens à condição de animais” (Georges Duby, op. cit., p. 42).
“É indiscutível que a difusão das concepções cristãs ... fez com que se reconhecessem os direitos familiares dos servos” (Georges Duby, op. cit., p. 16).
“O cuidado pela salvação, particularmente agudo nas proximidades da morte, inclinava (os senhores) a ouvir a voz da Igreja, que, se não se levantava contra a servidão em si, fazia da libertação do escravo cristão uma obra de piedade por excelência” (Marc Bloch, “La Société Féodale”, p. 360).

3–O trabalho manual foi altamente dignificado

“Por outro lado, concede-se ao trabalho manual muito mais valor, devido à orientação religiosa determinada pelo Cristianismo. Desde São Bento de Nursia o trabalho manual é um elemento essencial das regras monásticas” (Friedrich Heer, in “Historia de la Cultura Occidental”, p. 114). Mais.


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