domingo, 13 de dezembro de 2015

A Idade Média: “segunda Criação” obra da Igreja

A Idade Média nasceu na queda do Império Romano, de lutas de raças,  confusão de povos, violências, gemidos, corrupção e barbárie.
A Idade Média nasceu na queda do Império Romano, de lutas de raças,
confusão de povos, violências, gemidos, corrupção e barbárie.




“Na Idade Média há muitas coisas.

“Por um lado o isolamento das cidades, a queda de impérios, luta de raças, confusão de povos, violências, gemidos; corrupção, barbárie, instituições que caem ou ficam apenas no bosquejo; homens que vão aonde vão os povos; e povos que vão aonde outro quer e eles nem sabem; há luz apenas suficiente para ver que todas as coisas estão fora de seu lugar e que não lugar para coisa alguma: Europa é caos.

“Porém, além do caos há uma outra coisa: a presença da Igreja, Esposa imaculada de Nosso Senhor. Então, há um grande acontecimento nunca antes visto pelos povos: há uma segunda Criação operada pela Igreja.

A presença da Igreja no caos inicial fez da Idade Média uma 'segunda Criação'
A presença da Igreja no caos inicial
fez da Idade Média uma 'segunda Criação'
“Da Idade Média nada me parece assombroso senão a sua criação, e nada há que me pareça adorável salvo a Igreja.

“Para operar esse grande prodígio, Deus escolheu esses tempos obscuros, eternamente famosos ao mesmo tempo pela explosão de todas as forças brutais e pela manifestação da impotência humana.

“Nada é mais digno da Divina Majestade e da divina grandeza que trabalhar ali, onde homens, povos e raças se agitam confusamente e ninguém obtém nada.

“Querendo Deus demonstrar em duas solenes ocasiões que a corrupção só é estéril e que só a virgindade é fecunda, quis que Maria nascesse e contraísse desposórios com a Igreja.

“Então, a Igreja foi mãe de povos, como Maria é Mãe dEla.

“Viu-se então àquela imaculada Virgem, ocupada em fazer o bem – do mesmo modo que seu divino Esposo ‒, levantar o ânimo dos caídos e moderar o ímpeto dos violentos; dar a uns o pão dos fortes e a outros o pão dos mansos.

“Aqueles ferozes filhos do polo, que humilharam a majestade romana escarnecendo-a, caíram vencidos pelo amor aos pés da indefesa Virgem.

“Então o mundo todo contemplou, entre atônito e assombrado, por espaço de muitos séculos, a renovação da Igreja, a renovação do prodígio de Daniel protegido contra todo mal em meio à cova dos leões.

“Após ter amansado amorosamente aquelas grandes iras e após ter serenado só com um olhar aquelas furiosas tempestades, viu-se a Igreja tirar um monumento da ruína; uma instituição de um costume; um princípio de um fato; uma lei de uma experiência.

“Para dizer tudo de vez: o ordenado do esdrúxulo; o harmônico do confuso.

“Sem dúvida, todos os instrumentos de sua Criação, como o próprio caos, existiam antes em meio ao caos; mas pertenceu a Ela a força vivificante e criadora.

“No caos estava, como no embrião, tudo o que haveria de vir e de ganhar vida. Porém, na Igreja despojada de tudo, só havia o ser e a vida.

“Tudo passou a viver quando o mundo prestou ouvido atento às suas amorosas palavras e fixou o olhar na sua resplandecente beleza.”


(Autor: Juan Donoso Cortés, “Obras Completas", BAC, Madri, vol. II, p. 630).



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domingo, 6 de dezembro de 2015

À procura do Paraíso: as almas dos construtores da Idade Média





Para a mentalidade medieval esta terra é uma terra da exílio na qual, entretanto, há um paraíso: a Santa Igreja Católica, a única igreja verdadeira do único Deus verdadeiro. E os vitrais eram as janelas desse paraíso.

Os romanos descobriram o vidro, mas nunca fizeram um vitral.

Quando começou então a história do vitral?

domingo, 8 de novembro de 2015

Combate medieval:saudade de valores genuínos
num novo esporte

A "Battle of the Nations" realizada todos os anos, requer pequenos estádios para o crescente público
A "Battle of the Nations" realizada todos os anos, requer estádios para o crescente público



Uma nova disciplina esportiva reconhecida em muitos países do mundo, deitou suas raízes na Argentina e está fazendo o mesmo no Brasil: o “Combate Medieval”.

Cavaleiros revestidos com armaduras que obedecem aos padrões históricos do século XIII em diante realizaram, em agosto de 2015, o primeiro torneio sulamericano, etapa da série mundial Historical Medieval Battles ou Batalhas Medievais HistóricasHMB.

O novo esporte surgiu há poucas décadas na Europa do Leste e já está bastante desenvolvido nos EUA, na Europa e em países asiáticos como o Japão e até na Austrália.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Idade Média: uma novidade que empolga as novas gerações

Anúncios de eventos como este espantam pessoas muito desatualizadas. O Brasil estava representado por combatentes.
Anúncios de eventos como este espantam pessoas muito desatualizadas.
O Brasil estava representado por combatentes.



Foi-se o tempo em que a máxima desqualificação de algo consistia em dizer que era “medieval”. Essa visualização mudou 180º.

Por isso, escritores e ativistas que ficaram esclerosados no antigo padrão protagonizam engraçados episódios.

Foi o que aconteceu com a jovem jornalista argentina Diana Fernández Irusta, de “La Nación”, galardoada com o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha.

Certo dia a jornalista, que estava tratando do joelho e andava com dificuldade, foi gentilmente auxiliada por uma nova vizinha do prédio em que mora. É Cecília, uma jovem professora de música e cantora, mãe de três filhos, que lhe deu apoio durante o tratamento. Diana ficou com uma alta imagem de Cecília.

domingo, 23 de agosto de 2015

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha




Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

domingo, 12 de julho de 2015

Sem a Cristandade medieval
nunca teria reinado a paz na Europa

Bárbaros antes da cristianização.
Bárbaros antes da cristianização.




A Idade Média, tal como se apresentava, corria o risco de nunca conhecer senão caos e decomposição.

Nascida de um império desmoronado e de vagas de invasões sucessivas, formada por povos desarmônicos.

Esta Europa tão dividida, tão perturbada quando do seu nascimento, atravessa uma era de harmonia e de união tal como ela nunca conhecera e não conhecerá talvez mais no decorrer dos séculos.

Vemos a Europa inteira estremecer à palavra de um Urbano II, de um Pedro, o Eremita, mais tarde de um São Bernardo ou de um Foulques de Neuilly.

Vemos monarcas, preferindo a arbitragem à guerra, submeter-se ao julgamento do papa ou de um rei estrangeiro para regularizar as suas dissensões.

Praticamente, a Cristandade pode definir-se como a “universidade” dos príncipes e dos povos cristãos obedecendo a uma mesma doutrina, animados de uma mesma fé, e reconhecendo desde logo o mesmo magistério espiritual.

domingo, 28 de junho de 2015

A fecundidade do silêncio dos mosteiros da Idade da Luz

Monges de uma cartuxa cantando o ofício divino
Monges de uma cartuxa cantando o ofício divino




Os monges não trabalhavam nem em benefício próprio, nem mesmo pelo sucesso, mas unicamente para a glória de Deus.

Seu objetivo era o de fazer reviver, na memória de seus irmãos, os acontecimentos passados de seu tempo e de sua região; de relembrar aquilo que eles haviam testemunhado ou que lhes havia sido transmitido pela tradição.

domingo, 14 de junho de 2015

Hierarquia e dignidade na cozinha medieval

Tribunal de Poitiers, salle des pas perdus
Tribunal de Poitiers, salle des pas perdus



Na cozinha (imaginemos aquela cozinha de heróis, com sete fogões gigantescos, que é o único conservado até hoje do que fora o Palácio Ducal de Dijon) está sentado o cozinheiro de plantão numa poltrona, situada entre o fogão e os diversos serviços, da qual pode contemplar a cozinha inteira.

Na mão tem uma grande colher de pau “que lhe serve para duas finalidades: a primeira, experimentar as sopas e os molhos; a segunda, empurrar os serventes da cozinha para as suas obrigações e, se for necessário, bater neles mais de uma vez”.

Em raras ocasiões ‒ quando chegam as primeiras trufas ou o primeiro arenque novo ‒ apresenta-se o cozinheiro para servir pessoalmente, nesse caso levando a tocha na mão.

Para o grave cortesão que no-las descreve (La Marche) todas estas coisas são sacros mistérios, dos quais fala com respeito e com uma espécie de discurso escolástico.

“Quando eu era pajem ‒ diz La Marche ‒ era ainda demasiado jovem para entender questões de precedência e cerimonial”.

La Marche propõe a seus leitores importantes questões de hierarquia e etiqueta, para ter o gosto de resolvê-las com maduro tato:

‒ “Por que assiste o cozinheiro, e não o servente de cozinha à refeição do senhor? De que modo deve ser nomeado o cozinheiro? Quem deve representá-lo em caso de ausência: o 'hatcur' (encarregado dos assados) ou o 'potagier' (encarregado da sopa)?

domingo, 7 de junho de 2015

Os “Ditames do Papa” e o maior Papa da Idade Média:
São Gregório VII

São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro  a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.  Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.
São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro
a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.
Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.



No ano do Senhor de 1075 foram incluídos nos registros pontifícios, os famosos Dictatus Papae, ou Ditames do Papa. I. é, regras, avisos, ordens ou doutrinas do Papa, redigidos em forma concisa e penetrante.

Os Ditames versam sobre as relações entre a Igreja (especificamente do Papado) com o Império, e a ordem temporal em geral.

No ano da inscrição, o Papa felizmente reinante São Gregório VII livrava tremenda batalha contra as indevidas pretensões do Imperador Henrique IV.

Nessa famosa querela ‒ também conhecida como “querela das investiduras” ‒ Henrique IV teve que pedir perdão a São Gregório VII, quem o tinha excomungado.

O grande Papa estava no castelo de Canossa, na Toscana. Henrique IV passou três dias do lado de fora, na neve, vestido de penitente até receber o perdão. De ali vem a expressão “ir a Canossa”.

Como São Gregório VII temia, o arrependimento de Henrique IV não era sincero. Voltou à Alemanha, montou um exército e assaltou Roma.

São Gregório VII foi assim obrigado a se refugiar no sul da Itália, morrendo em Gaeta, não muito depois.

Suas últimas palavras foram: “Amei a justiça e detestei a iniqüidade, por isso morro no exílio”.

domingo, 24 de maio de 2015

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim



No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças


domingo, 10 de maio de 2015

Inglaterra: saudades do passado medieval católico
no enterro de Ricardo III

Ricardo III, da dinastia Plantageneta, último rei medieval inglês



Há 530 anos morria em combate Ricardo III (1452-1485), o último rei da dinastia Plantageneta, da Inglaterra.

Ele foi vencido na batalha de Bosworth Field por Henrique Tudor, invasor e candidato à coroa, que se tornaria o rei Henrique VII da dinastia que precipitou o país no protestantismo.

Ricardo III foi o último rei medieval inglês.

Reinou de 1483 a 1485 e sua morte marcou o fim das Guerras das Rosas, entre a Casa de Lancaster (representada por uma rosa vermelha) e a Casa de York (representada por uma rosa branca).

O túmulo de Ricardo III estava desaparecido, provavelmente pelo receio de seus seguidores de que pudesse ser profanado pelos Tudor.

domingo, 3 de maio de 2015

Função e simbolismos da música

Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797
Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797




Os pensadores medievais insistiam em que há dois modos de degustar a música.

Uma é a forma vulgar que fica no sensível, no prazer imediato da orelha afagada pelos sons doces.

A outra forma é intelectual: ela eleva a beleza sonora até o mundo das proporções inteligíveis, até o próprio Deus.

Na primeira forma os compositores se comprazem na simples audição e compõem segundo seu capricho.

Na segunda forma, compõem segundo as regras.

Os primeiros são como bêbados que voltam para casa sem conhecer o caminho.

Os outros são sábios que sabem o que fazem e como o fazem.

Para os sábios, a música é uma atividade intelectual e contemplativa. Ouvindo-a com inteligência penetra-se no mundo dos mistérios sublimes, das regras da harmonia, dos números eternos.

domingo, 19 de abril de 2015

O equilíbrio: ponto de partida da alegria
e da calma da Idade da Luz

Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
Muralhas da cidade de Ávila, Espanha




Nas muralhas dos castelos, ou das catedrais, ou das cidades da Idade Média, algo fala de batalhas e lutas.

Mas, ao mesmo tempo, algo fala de equilíbrio, de harmonia e, portanto, de contentamento de alma.

As famosas muralhas de Ávila foram construídas para repelir as invasões mouras. Aquelas muralhas retas, com aquelas torres, falam de dias de tragédia.

Algum daqueles locais no alto a muralha pode ter sido o primeiro lugar de onde viram, na poeira da distância, a cavalaria de um exército árabe que chegava. Era a desventura de uma luta, de um assédio contra a cidade com os perigos que trazia consigo.

Podiam perder a cidade e serem reduzidos a escravos.

Podiam ser levados escravos, por exemplo, esposo e esposa.

Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
A esposa vendida num mercado, o esposo noutro, perderem-se de vista completamente.

Os filhos mortos na presença deles, e sobretudo privados dos Sacramentos.

Numa civilização lasciva e imoral como a muçulmana as ocasiões de pecado eram inúmeras.

A pessoa corria o risco de morrer sem contrição e ir para o inferno. Portanto, na hora da batalha a boca do inferno se abria para aqueles heróis.

Mas, de outro lado, naquelas muralhas há equilíbrio de alma, a dignidade dos que enfrentavam tudo com Fe. E a tranqüilidade e a dignidade, numa bonita tarde, da alegria das pedras resplandecendo à luz do sol.

Coisas equilibradas!

Equilíbrio entre a esfera temporal e espiritual: bispos abençoam o rei
Equilíbrio entre a esfera temporal e espiritual: bispos abençoam o rei
O equilíbrio foi o ponto de partida da alegria da Idade Média.

Nela todas as disposições lícitas de alma se equilibravam umas com as outras e se davam a mão.

Então, a alma sentia aprumo, segurança, tranqüilidade, distância-psíquica para considerar as coisas mais belas e para subir até Nossa Senhora e até Deus.

I. é, para o ponto de partida de todas as grandes alegrias, de todos os heroísmos e de todas as santidades.

É este equilíbrio, portanto, o que mais do que tudo o católico deve procurar. Procuremos esse equilíbrio e teremos a alegria da Idade Média, da Santa Igreja Católica.


(Autor: Plinio Correa de Oliveira, 21/8/90, texto sem revisão do autor.)




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domingo, 12 de abril de 2015

O Papa Gregório IX e o estabelecimento da Inquisição

Gregório IX aprova os Decretais. Rafael, Stanza della Segnatura, Vaticano.



Como evitar o envenenamento espiritual de toda a sociedade sem consentir em injustiças contra os inocentes ou contra os próprios hereges?

Como conduzir a nau em rumo seguro, entre a indiferença desesperadora de muitos Bispos ou sua susceptibilidade à política local, e de outro lado a impetuosidade das massas populares ou dos agentes imperiais?

O grande Papa (Gregório IX) certamente considerou profundamente este problema. Como Pai da Cristandade, não desejava a morte, mas a correção de seus filhos transviados.

Gregório teve entre suas preocupações uma feliz inspiração: por que não se servir das novas ordens mendicantes?

Até mesmo Lea (historiador contrário à Inquisição) lhes reconheceu a utilidade: