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domingo, 2 de fevereiro de 2025

Horas de trabalho ditadas pela natureza, e incontáveis dias de repouso

O ritmo do trabalho na Idade Média era ditado pelos ritmos da natureza.
O ritmo do trabalho na Idade Média era ditado pelos ritmos da natureza.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



O ritmo da jornada de trabalho varia muito na Idade Média, segundo as estações.

É o sino da paróquia ou do mosteiro vizinho que chama o artesão à oficina e o camponês aos campos, e as horas das trindades mudam com a duração do dia solar.

Em princípio, as pessoas deitam-se e levantam-se ao mesmo tempo que o Sol.

No Inverno o trabalho começa por volta das oito ou nove horas, para terminar às cinco ou seis.

No verão a jornada começa a partir das cinco ou seis da manhã, para só terminar às sete ou oito da noite.

Com as duas interrupções para as refeições, delimitam-se jornadas de trabalho que variam de oito a nove horas no inverno, e no verão até doze ou treze, por vezes quinze horas.

É este ainda o regime habitual das famílias camponesas.

Mas isto não se verifica todos os dias.

Em primeiro lugar, pratica-se aquilo a que se chama a semana inglesa.

Todos os sábados, e nas vésperas dos feriados, o trabalho cessa à uma hora da tarde em certos ofícios; e para todas as pessoas nas vésperas, quer dizer, o mais tardar por volta das quatro horas.

Aplica-se o mesmo regime às festas que não são feriados, isto é, uma trintena de dias por ano, tais como o dia de Cinzas, das Implorações, dos Santos Inocentes, etc.

Repousa-se igualmente na festa do padroeiro da confraria e da paróquia, além de feriado completo no domingo e nos dias de festas obrigatórias.

As festas são muito numerosas na Idade Média: de trinta a trinta e três por ano, segundo as províncias.

Às quatro festas que conhecemos hoje em dia em França acrescentavam-se não só o dia de Finados, a Epifania, as segundas-feiras de Páscoa e de Pentecostes, e três dias na oitava do Natal.

Numerosas outras festas passam mais ou menos desapercebidas atualmente, tais como Purificação, Invenção e Exaltação da Santa Cruz, Anunciação, São João, São Martinho, São Nicolau, etc.

O calendário litúrgico regula assim todo o ano, introduzindo grande variedade, tanto mais que se dá a estas festas muito mais importância do que nos nossos dias.

É pelas datas das festas que se mede o tempo, e não pelos dias do mês. Fala-se do “Santo André”, e não de 30 de novembro, e diz-se três dias depois do São Marcos, de preferência a 28 de abril.

Em sua honra são igualmente preteridas exigências de ordem social, tais como as da justiça, por exemplo.

Os devedores insolúveis, aos quais é designada uma residência forçada — regime que faz lembrar a prisão por dívidas, embora sob uma forma mais doce — podem abandonar a prisão e ir e vir livremente da Quinta-feira Santa até a terça-feira de Páscoa, do sábado à terça-feira de Pentecostes, da véspera de Natal até a Circuncisão.

Estas são noções que nos é difícil hoje em dia compreender perfeitamente.

No total, havia cerca de noventa dias por ano de feriados completos, com setenta dias e mais de feriados parciais, ou seja, cerca de três meses de férias repartidas ao longo do ano, o que garantia uma variedade inesgotável na cadência do trabalho.

Em geral as pessoas queixavam-se mesmo, como o sapateiro de La Fontaine, de ter demasiados dias feriados.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)




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domingo, 15 de setembro de 2024

A construção com os materiais da região

Bruges, na Bélgica.
Bruges, na Bélgica.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Sabe-se na Idade Média que não existe conforto sem paredes espessas servindo de proteção.

Segundo os recursos do local, são construídas em tijolo ou em pedra talhada, no caso dos ricos.

Na maior parte dos casos, mistura-se madeira e adobe, como acontece um pouco por toda parte até aos nossos tempos.

Constrói-se no chão toda a armadura da fachada, em vigas sabiamente unidas umas às outras.

A seguir procede-se de uma só vez ao levantamento, com a ajuda de cabrestantes, macacos e polés, para depois se guarnecer os interstícios com tijolos ou com o material usado na região.

As igrejas que nos restam dão em geral a nota do aspecto das casas.

No Languedoc triunfa o tijolo rosa, que dá um brilho tão particular às igrejas de Toulouse ou de Albi.

Kayserberg, na Alsácia, França.
Kayserberg, na Alsácia, França.
Em Auvergne constrói-se em pedra, aquela sombria pedra de Volvic de que a catedral do Puy ou a de Clermont-Ferrand fornecem imponentes exemplos.

Nas regiões de terra argilosa, como no Midi provençal, casas e monumentos são cobertos de telhas, que tomaram ao sol essa cor de mel tão característica em aldeias como Riez ou Jouques.

Na Borgonha a telha é de preferência envernizada, rebrilhando os telhados em cores ofuscantes, como no hospício de Beaune e Saint-Bénigne de Dijon.

Na Touraine, no Anjou, utiliza-se a ardósia extraída na região.

E quando as igrejas não são abobadadas, apenas emadeiradas como acontece frequentemente no norte e em torno da bacia parisiense, é porque as florestas, mais numerosas do que as pedreiras, tornavam este modo de revestimento mais econômico.

Nessas regiões, as residências dos particulares eram quase sempre cobertas de colmo, mesmo na cidade, o que não deixava de aumentar os riscos de incêndio.


Leis municipais ditadas pelo costume e os usos locais

Beehive Cottage, em Lyndhurst. Grã-Bretanha. Exemplo de casa camponesa.
Beehive Cottage, em Lyndhurst. Grã-Bretanha. Exemplo de casa camponesa.
Um pouco em toda parte, as autoridades municipais prescreviam aos habitantes medidas de prudência para evitar os sinistros.

O toque de recolher não tinha outra razão de ser.

Em Marselha recomenda-se aos armadores, quando procedem à brusque (operação que consiste em aquecer a quilha do navio em construção, para o besuntar mais facilmente de pez), que vigiem a chama para esta não ultrapassar uma certa altura.

Dizem os estatutos da cidade: “Nem sempre está ao alcance do homem conter as chamas que ele próprio ateou”.

Após um incêndio que ocorreu em Limoges em 1244, destruindo vinte e duas casas, mandou-se construir vastos reservatórios de água, aonde os burgueses se vinham abastecer em caso de alerta.

Quando se declarava um incêndio, era dever de todos acorrer com um balde d’água ao toque a rebate.

Toda a gente devia colocar outro balde diante da porta de casa, por precaução.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)







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domingo, 7 de julho de 2024

Gastronomia original nasceu em aldeias à sombra de castelos e abadias

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Paralelamente ao fervor religioso que deu origem às peregrinações na Idade Média, foram se formando aldeias pitorescas aos pés dos santuários voltadas, muitas vezes ao atendimento dos peregrinos, ou simplesmente vivendo da vida da abadia, do castelo ou do santuário.

Várias dessas aldeias depois deram origem a cidades até grandes como Munique, na Alemanha.

Um exemplo menor, porém cheio de autenticidade e muito conservado até hoje é a charmosa aldeia construída colada ao Monte São Miguel,.

Toda a população do povoado (nunca foi grande, e ainda hoje contém menos de 100 pessoas) sempre teve sua vida voltada para o acolhimento dos peregrinos dos tempos remotos e dos turistas na atualidade.

No século XIX houve um reafervoramento desse espírito religioso e das peregrinações, tendo como conseqüência dois subprodutos culturais na região: as famosas omeletes da Mère Poulard e a carne de cordeiro pré-salgada.

Quanto à carne de cordeiro pré-salgada, é assim chamada porque os rebanhos de ovelhas que se criam junto ao Monte São Miguel alimentam-se de capim regularmente banhado pelas águas salgadas do mar.

Os animais — trata-se de uma variedade da raça Suffolk — crescem então com uma carne rica em sal e iodo, muito apreciada pelos gastrônomos.

A alimentação medieval, assim como as vestimentas, casas e tudo o que é necessário para a existência humana desconhecia a produção industrial de massa.

Tratava-se para cada região de viver com o que fornecia a natureza circundante.

O desejo das coisas nobres e requintadas continuamente alimentado pela Igreja, fazia que camponeses, artesões, donas de casa, em suma, todos os membros de uma mesma comunidade, estivessem sempre a procura de melhorar e requintar os elementos naturais de que dispunham na região.

Assim nasceram incontáveis maravilhas da gastronomia que até hoje turistas e importadores tentam saborear ou comerciar.

A simples mas deliciosa omelette da Mère Poulard, ou as carnes dos cordeiros e ovelhas do Monte Saint-Michel são um modesto e suculento exemplo.





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domingo, 21 de abril de 2024

Gastronomia original nasceu em aldeias à sombra de castelos e abadias

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Paralelamente ao fervor religioso que deu origem às peregrinações na Idade Média, foram se formando aldeias pitorescas aos pés dos santuários voltadas, muitas vezes ao atendimento dos peregrinos, ou simplesmente vivendo da vida da abadia, do castelo ou do santuário.

Várias dessas aldeias depois deram origem a cidades até grandes como Munique, na Alemanha.

Um exemplo menor, porém cheio de autenticidade e muito conservado até hoje é a charmosa aldeia construída colada ao Monte São Miguel,.

Toda a população do povoado (nunca foi grande, e ainda hoje contém menos de 100 pessoas) sempre teve sua vida voltada para o acolhimento dos peregrinos dos tempos remotos e dos turistas na atualidade.

No século XIX houve um reafervoramento desse espírito religioso e das peregrinações, tendo como conseqüência dois subprodutos culturais na região: as famosas omeletes da Mère Poulard e a carne de cordeiro pré-salgada.

Quanto à carne de cordeiro pré-salgada, é assim chamada porque os rebanhos de ovelhas que se criam junto ao Monte São Miguel alimentam-se de capim regularmente banhado pelas águas salgadas do mar.

Os animais — trata-se de uma variedade da raça Suffolk — crescem então com uma carne rica em sal e iodo, muito apreciada pelos gastrônomos.

A alimentação medieval, assim como as vestimentas, casas e tudo o que é necessário para a existência humana desconhecia a produção industrial de massa.

Tratava-se para cada região de viver com o que fornecia a natureza circundante.

O desejo das coisas nobres e requintadas continuamente alimentado pela Igreja, fazia que camponeses, artesões, donas de casa, em suma, todos os membros de uma mesma comunidade, estivessem sempre a procura de melhorar e requintar os elementos naturais de que dispunham na região.

Assim nasceram incontáveis maravilhas da gastronomia que até hoje turistas e importadores tentam saborear ou comerciar.

A simples mas deliciosa omelette da Mère Poulard, ou as carnes dos cordeiros e ovelhas do Monte Saint-Michel são um modesto e suculento exemplo.





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