domingo, 16 de novembro de 2008

O Ângelus nos mares da Sicília

Nossa Senhora de Buenos Aires
Há costumes católicos que sem terem sido recolhidos de fontes medievais, contudo estão impregnadas do espírito que caracterizou aquela ‘doce primavera da Fé’. Eis um exemplo, contado pelo talentoso Alexandre Dumas.

O dia se tinha escoado em meio a exaustivos cuidados para evitar o naufrágio, e a noite começava a descer. Aproximávamo-nos de Messina, e eu me lembrava da previsão do piloto, que nos havia anunciado que duas horas após a Ave-Maria teríamos chegado ao nosso destino.

Isso me recordou que desde nossa partida eu não havia visto nenhum dos nossos marinheiros cumprir ostensivamente os deveres da Religião, que no entanto os filhos do mar consideram sagrados.

Havia mais: uma pequena cruz de oliveira incrustada de nácar, semelhante àquelas que os monges do Santo Sepulcro fazem e os peregrinos trazem de Jerusalém, havia desaparecido de nossa cabine, e eu a havia reencontrado na proa da embarcação, acima de uma imagem da Madonna di Pie’ di Grotta, sob a invocação da qual nossa pequena embarcação estava colocada.

Depois de me ter informado se havia um motivo particular para mudar a cruz de lugar, e ter sabido que não, eu a retomei de onde estava e a levei à cabine, na qual ficou desde então. Estava claro que a Madonna, agradecida sem dúvida, nos protegera na hora do perigo.

Nesse momento eu me virara, e percebi o capitão próximo a nós.
– Capitão - disse-lhe - parece-me que em todos os navios napolitanos, genoveses ou sicilianos, quando vem a hora da Ave-Maria, se faz uma prece em comum. Não é esse o seu hábito a bordo do Speronare?
– De fato, Excelência, de fato! – respondeu vivamente o capitão – E devo esclarecer que estamos embaraçados por não o podermos fazer.
– Mas o que o impede?
– Desculpe-me, Excelência, mas como nós conduzimos com freqüência ingleses que são protestantes, gregos que são cismáticos e franceses que não são nada, temos sempre receio de ferir a crença ou de excitar a incredulidade de nossos passageiros pela vista de práticas religiosas que não serão as deles. Mas quando os passageiros nos autorizam a agir cristãmente, somos muito agradecidos a eles por isso. De sorte que, se o permite...
– Como não, capitão! Eu lhes peço, e se quiserem podem começar em seguida; parece-me que já está próximo das dezoito horas...

Virgem de Buenos AiresO capitão tirou seu relógio, e vendo que não havia tempo a perder, anunciou em voz alta:
– A Ave-Maria!

A estas palavras, cada um saiu das escotilhas e lançou-se no convés. Mais de um, sem dúvida, já havia começado mentalmente a Saudação Angélica, mas a interrompeu para vir tomar parte na prece geral.

De um extremo ao outro da Itália, essa oração, que cai em uma hora solene, encerra o dia e abre a noite.

Esse momento do crepúsculo, em toda parte cheio de poesia, no mar se acresce de uma santidade infinita.

Essa misteriosa imensidade do ar e das ondas, esse sentimento profundo da fraqueza humana comparada ao poder onipotente de Deus, essa escuridão que avança, e durante a qual o perigo sempre presente vai ainda crescer, tudo isso predispõe o coração a uma melancolia religiosa, a uma confiança santa que soergue a alma nas asas da fé.

Por do sol Terrasini, SiciliaEssa tarde sobretudo, o perigo do qual acabáramos de escapar, e que nos era lembrado de tempos em tempos por uma onda encapelada ou rugidos longínquos, tudo inspirava à tripulação e a nós um recolhimento profundo.

No momento em que nos juntávamos no convés, a noite começava a tornar-se mais espessa no oriente.

As montanhas da Calábria e a ponta do cabo de Pelora perdiam sua bela cor azul para se confundir em uma tintura acinzentada que parecia descer do céu, como se estivesse caindo uma fina chuva de cinzas.

A ocidente, um pouco à direita do arquipélago de Lipari, cujas ilhas de formas extravagantes destacavam-se com vigor sobre um horizonte de fogo, o sol alargado e listrado de longas faixas violetas começava a embeber a orla de seu disco no Mar Tirreno, que, cintilante e movimentado, parecia rolar ondas de ouro fundido.

Santa Maria do MarNesse momento o piloto levantou-se atrás da cabine e tomou em seus braços o filho do capitão, que pôs de joelhos sobre o estrado.

Abandonando o leme, como se a embarcação estivesse suficientemente guiada pela oração, sustentou o menino para que o balanço não lhe fizesse perder o equilíbrio.

Esse grupo singular destacou-se logo sobre um fundo dourado, semelhante a uma pintura de Giovanni Fiesole ou de Benozzo Gozzoli. Com uma voz tão fraca que apenas chegava até nós, e que entretanto subia até Deus, começou a recitar a prece virginal, que os marinheiros escutavam de joelhos, e nós, inclinados.

Eis uma dessas lembranças para as quais o pincel é inábil e a pena insuficiente; eis uma dessas cenas que nenhuma narração pode descrever, nenhum quadro pode reproduzir, porque a sua grandiosidade está inteira no sentimento íntimo dos atores que a realizam.

Para um leitor de viagens ou um amador das coisas do mar, será apenas uma criança que ora, homens que respondem e um navio que flutua. Mas para qualquer um que tiver assistido a uma cena assim, será um dos mais magníficos espetáculos que ele tenha visto, uma das mais magníficas lembranças que ele tenha guardado. Será a fraqueza que reza, a imensidade que olha, e Deus que escuta.

(Fonte : Alexandre Dumas, « Le Speronare », Calmann-Lévy, Éditeurs; Paris, 1888, T. I, pp. 111 a 114.)
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domingo, 26 de outubro de 2008

Largueza de vistas: uma virtude do cavaleiro

Sagração de um cavaleiro
“Em todas as suas ações, diz o autor de “l’Entrée em Espagne”, o cavaleiro deve se propor um duplo fim: a salvação de sua alma e a honra da Igreja da qual ele é o guardião.

“Sustentar a Cristandade é um termo que aparece freqüentemente em nossos velhos poemas, e que exprime bem o que quer dizer”.

“Quando o jovem deixa a casa paterna, a última palavra que a mãe lhe dirige é para lembrá-lo deste augusto dever: “Serve a Jesus Cristo e a Santa Igreja”.

(Fonte: Leon Gautier – “La Chevalerie”)

domingo, 19 de outubro de 2008

Invenção “sui generis” de um monge e Papa: o zero

Monumento ao Papa Silvestre II, Aurillac, França

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O Ocidente latino apresenta um certo número de sábios que recolheram e propagaram as ciências matemáticas tais como as haviam elaborado os antigos gregos e os hindus, e as aperfeiçoaram os árabes.

Dentre eles foi célebre Gerbert, monge da abadia de Aurillac na França que, depois de ter aprendido em Barcelona com mestres árabes, tornou-se primeiramente professor em Reims, onde ensinou as ciências exatas; depois arcebispo de Reims e de Ravena; e por fim, papa sob o nome de Silvestre II (946–1003).

Ele compôs uma aritmética (regula de abaco computi), um tratado da divisão e uma geometria.

Atribui-se-lhe uma invenção que nos pareceria hoje muito simples e que, entretanto, transformou o estudo dos matemáticos proporcionando-lhes os maiores progressos: o zero.

Esta cifra que a Antigüidade clássica não conhecia, simplificou os cálculos e tornou facílimas as operações aritméticas. No século XI, o emprego do zero era já universal.

(Fonte: Jean Guiraud, “Histoire Partiale, Histoire Vraie”)


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quarta-feira, 30 de julho de 2008

O milagre que deu o nome de São Miguel ao Castel Sant'Angelo

Em 590 Roma foi alagada por uma enchente do rio Tibre. Estorou a peste. A cidade perecia. Mas, o Papa era um santo. Mandou fazer uma procissão septiforme. As pessoas morriam durante a procissão e desanimavam. O Santo mandou seguir em frente. Subitamente ouviu-se no Céu, um cântico até então desconhecido... Clique e saiba o que houve.

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Pode nascer uma abadia "medieval" em pleno século XXI nas Américas?


A resposta é positiva segundo os estudantes da Universidade de Kansas que fundaram uma abadia em Clear Creek, nos EUA, para re-editar a influência dos mosteiros medievais, agora visando a gestação de uma nova Civilização Cristã.

Como? Veja aqui.

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sábado, 19 de julho de 2008

A história do rapaz estrangulado pelo demônio

Demônio e Anjo da Guarda no Juízo Final, Notre DameDois estudantes combinaram ir a uma casa de perdição. Um deles, porém, desistiu no último momento. Antes de dormir rezou três Ave-Marias. Era um costume de família.

Assim que deitou, ouviu umas pancadas na porta, e viu seu infeliz companheiro morto que lhe falava, e disse:

O que houvera?

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Túmulo de Bonifácio VIII, Florença"O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

"Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios" – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

"Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

"Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

"Contudo, é preciso que o gládio esteja subordinado ao gládio; a autoridade temporal ao poder espiritual, porquanto diz o Apóstolo: “Não há poder que não venha de Deus, mas os que existem foram instituídos por Deus”; ora, esta ordem não existiria se um dos dois gládios não estivesse subordinado ao outro, e, enquanto seu inferior, ligado por ele à categoria suprema, pois segundo São Dionísio: “A lei da divindade é que as coisas inferiores devem estar ligadas às superiores pelos intermediários”.

Bonifácio VIII, Agnani"Devemos reconhecer que o poder espiritual supera em dignidade e em nobreza todo poder temporal, tanto mais evidentemente quanto as coisas espirituais superam de muito as coisas temporais.

"Cabe ao poder espiritual instituir o temporal e julgá-lo caso não seja bom. Verifica-se, assim, atinente à Igreja e ao poder eclesiástico, o oráculo de Jeremias: “Eu vos constitui sobre as nações e sobre os reinos, etc.”.

"Se, portanto, o poder temporal se desvia, ele será julgado pelo poder espiritual; se o poder espiritual desvia-se, o inferior será julgada pelo superior, e se é o poder superior, só por Deus. Ele não poderá ser julgado pelo homem, como atesta o Apóstolo: “O homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém”.

Fonte: Bula Unam Sanctam, apud Marie-Hippolyte Hemmer, verbete Boniface VIII, in “Díctionnaire de Théologie Catholique”, Tomo II, col. 999s.

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Canção de Rolando (6º) : O conde Olivier entrega sua alma a Deus

O conde Olivier entrega su alma a Deus, Canção de RolandFerido, o bom e sábio conde Olivier caiu no chão.

Sintindo a morte se aproximar, ele fez a confissão de seus pecados, juntou as mãos em direção ao Céu pedindo a Deus que lhe abrisse as portas do Céu, que abençoasse o santo imperador Carlos Magno e à doce França...

Ouça o pranto de Roland.


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Significado do sorriso por trás da força das colunas góticas

As colunas góticas encerram muitos ensinamentos da sabedoria católica medieval. Suas colunas são fortes, quase esmagadoras. Mas, sorriem para quem sabe olhá-las. Por quê?

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Quando reis, cardeais e Papas disputavam em piedade. A origem do "Vinde Espírito Santo"

Roberto II o Piedoso, Grandes Chroniques de France, século XV, ©BNF
Na Idade Média houve de tudo. Mas com uma diferência essencial com as outras épocas. Houve chefes de Estado - monárquicos, aristocráticos ou democráticos - que disputavam em virtude até com cardeais e Papas. O caso do hino "Vinde, Espírito Santo" serve de exemplo.

Ouça-o e veja os que disputam a autoria.

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

São Bernardo: "eu vou executar esse criminoso com minhas próprias mãos!"

São Bernardo de Claraval aos pés de Nossa Senhora. Heiligkreutztal, Andreas PraefckeO famosíssimo São Bernardo de Claraval cruzou com um cortejo que levava um bandido ao patíbulo. Vendo o Santo os presentes acharam que ele pediria clemência.

São Bernardo voltou-se para os verdugos e disse para surpresa de todos:
— Entregai-me este criminoso, e executá-lo-ei com as minhas próprias mãos.

Imagine no que é que acabou a história, e confira o inesperado resultado clicando aqui.

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domingo, 22 de junho de 2008

O primeiro cavaleiro: São Miguel Arcanjo. A cavalaria é a sucessora terrestre da milícia angêlica


O pensamento da Idade Média está penetrado em todas suas partes por crenças religiosas. De um modo análogo está embebido do ideal cavalheiresco, i. é, do pensamento daquele grupo que vive na esfera da corte e da nobreza. As crenças religiosas estão postas a serviço deste ideal.

O feito de armas do arcanjo São Miguel contra Lucifer foi ‘a primeira batalha de uma proeza que jamais conseguiu ser igualada’.

O arcanjo é o antepassado da cavalaria, que, como ‘milice terrienne et chevalerie humaine’

A cavalaria é a sucessora terrestre do exército dos anjos em torno do trono do Senhor.

Fonte: Johan Huizing, “El Otoño de la Edad Media”, Revista de Occidente, S.A. Madrid, 1965, 6ª. ed., p. 101.



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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Chanson de Roland : O grande luto pela morte dos heróis cristãos

Fonte de Roland, Bremen, AlemanhaO combate é tremendo. Os francos lutam muito unidos e causam imensas perdas aos muçulmanos. Mas, um a um vão caindo. Fica só um punhado de heróis. Eles vão morrer. Misteriosos e simbólicos sinais aparecem no céu da França.

Ouça o segundo excerto da Chanson de Roland

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Os três ducados

Era uma vez um homem como todos nós, nem melhor nem pior, um pobre pecador. E estava sendo conduzido à forca da cidade de Toulouse.

Ora, passava por Toulouse o rei René com sua esposa. A rainha viu o condenado já empoleirado no banco, com a cabeça enlaçada pela corda. Não pôde conter um grito, e escondeu o rosto entre as mãos.

O rei deteve a todos, e voltando-se para os cônsules, disse: "Senhores magistrados, a rainha vos pede conceder a esse homem o perdão".

Os cônsules responderam: "Senhor, este homem cometeu um crime para o qual não há perdão...

Leia a lenda dos três ducados e seu ensinamento

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terça-feira, 3 de junho de 2008

Como cantariam os medievais as canções de gesta?

No ano de 778, Carlos Magno fez uma incursão na Espanha invadida pelos muçulmanos. Mas, a retaguarda do seu exército foi massacrada numa emboscada em Roncesvalles (Pireneus). Na batalha pereceram Roland e os Doze Pares de França.

A épica tragédia e os heróicos lances de armas atribuídos aos Doze Pares chefiados por Roland e Olivier, empolgaram o ânimo dos medievais.

A batalha com suas façanhas era cantada nas praças por bardos.
Como soaria essa canção em lábios medievais? Difícil dizé-lo. Mas, eis uma interpretação que nos dá margem para refletir.

Ouça um primeiro excerto da Chanson de Roland

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

São Domingos fundou a Inquisição?

É verdade que, como dizem não raros historiadores dominicanos, São Domingos de Gusmão foi o primeiro inquisidor. Aliás, o próprio Papa Sixto V se fez eco dessa opinião na bula de canonização de São Pedro de Verona (1588)...

O Papa Inocencio III fez então São Domingos, fundador da Inquisição na Espanha?

Santos serviram à Inquisição?

Os Papas a criaram e difundiram para o bem da Igreja?

VEJA UM DOCUMENTADO ARTIGO SOBRE A INQUISIÇÃO OS PAPAS E OS SANTOS

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Origem medieval da Solenidade de Corpus Christi

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.Pelo fim do século XIII, na Abadia de Cornillon, em Lieja, Bélgica, nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos na elevação na Missa e a própria festa do Corpus Christi.

Em 1263, ou 1264, o Papa Urbano IV estava em Orvieto, ao norte de Roma. Numa localidade vizinha de nome Bolsena, um sacerdote duvidava que a Consagração fosse real.

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.


Veja a história completa da festa de Corpus Chisti.

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domingo, 11 de maio de 2008

No feudalismo o poder era largamente participado


No feudalismo, não havia uma concentração do poder numa pessoa ou num parlamento. Pelo contrário, o rei estava em relação ao senhor feudal como um original está para a sua miniatura, mas uma miniatura viva, dotada de verdadeira iniciativa e poder efetivo próprio.

Um príncipe de Condé, por exemplo, era uma miniatura de rei da França. Quer dizer, as autoridades locais eram, em ponto pequeno, reis locais com larguíssima dose de autonomia.

Como se fez isso?

Na França, por exemplo, o rei desmembrava o seu reino em feudos, e dava a cada senhor feudal uma parcela do poder real.

Desse modo o senhor feudal não era apenas uma miniatura do rei, mas participante do poder do rei.

Ele tinha parte no poder real. Ela era, por assim dizer, uma extensão do rei. É miniatura no sentido de que é uma parcela, e não porque possua tamanho menor e se lhe pareça.

Essa ligação que o senhor feudal tem com o rei faz dele uma espécie de desdobramento do próprio rei.

Os senhores feudais de categoria secundária têm um desdobramento do poder do primeiro senhor feudal. Assim, de participação em participação, chegamos às últimas escalas da hierarquia feudal.

Partimos de uma grande fonte de poder, que é o rei, e encontramos nas várias escalas da hierarquia feudal participações sucessivas, que se assemelham aos galhos de uma árvore.

O rei seria o tronco, e as várias categorias de nobreza seriam os galhos, sucessivamente menores e sucessivamente mais delgados, até constituir o cimo da copa da árvore, toda alimentada por uma mesma seiva, que é o poder real, do qual tudo emana e para o qual tudo tende.

Entretanto não é absorvente. Pelo contrário, deita seus inúmeros galhos em todas as direções.

Eis aí configurada a idéia da participação do poder feudal, um dos aspectos originalíssimos do feudalismo.

Custa-nos compreender isso no nosso século onde tudo é planificado por governos que pairam sobre os cidadãos a anos-luz de distanciamento psicológico.

E onde parlamentos e organizações mundiais decidem sobre o destino do simples cidadão, sem interpretar bem o que ele quer, e sem que ele saiba o que se passa de fato nesses cenáculos, como também não entende o que acontece dentro de um OVNI, se é que existe.


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domingo, 4 de maio de 2008

Literatura medieval: a luz da verdade com um sorriso encantador

A era medieval foi pródiga em contos e lendas. Nisto não foi, aliás, nem a primeira nem a última. Persas, chineses, gregos e romanos, para citar só eles, criaram admiráveis narrações míticas ou literárias.

Na Renascença multiplicaram-se os poetas, de moral aliás dúbia ou escandalosa. Os séculos XVII e XVIII viram muitos romances mais bem libertinos. O século XIX encheu-se de literatos exímios mas céticos ou ateus.

Mas a Idade Média teve um talento peculiar para encantar e ensinar. Para mostrar as realidades mais concretas da terra e ligá-las com as mais altas sublimidades do Céu.

Nos contos e lendas medievais, a força e a delicadeza, a rudeza e o requinte, o vigor e a doçura, o terra-terra e o sobrenatural, a natureza e a Fé, o humano e o divino, se encontravam harmonicamente, cada um no seu lugar.

Essas narrações apresentavam verdades profundamente racionais por vezes sob os invólucros de uma admirável fantasia. Por isso, seus ensinamentos traziam uma ordem e uma paz que inebria e conquista as almas.

Veja-se, por exemplo, esta história do senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e um misterioso barrilzinho...

CLIQUE AQUI PARA LER A NARRAÇÃO

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