domingo, 21 de dezembro de 2014

O retorno das pombas à catedral de Dijon

As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal


Na Borgonha, as pedras nunca são brancas, por vontade de Deus.

Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

Pior. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

O vento, a chuva, as geadas, as fumaças: tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Nas almas das cancões perfeitas de Natal:
fé, coragem, ternura

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs










É a noite de Natal. A Missa de Galo vai começar.

Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno...

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranquila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

“O nobilíssimo menino de cabelos cacheados dorme em celestial tranquilidade.”

A canção manifesta submissão de espírito, reverência e compaixão. Mas também alta cogitação.

Foi num ambiente desses que o povo da bravura e da proeza militar compôs essa canção de Natal universal: o “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”).

Uma outra canção natalina alemã conta que os dois iam juntos: Nossa Senhora, a flor de delicadeza, e o Menino, o tesouro do Universo!

E atravessaram um bosque de espinhos que havia sete anos que não florescia.

Nossa Senhora sozinha, trazia o Menino Jesus amparado junto a seu coração.

Mas, enquanto Nossa Senhora atravessava o bosque, os espinhos transformavam-se em rosas perfumadas para Ela.

E Ela compreendeu: foi um gesto de amabilidade de seu Filho!

Comprazida, Ela olhou maternalmente para o Divino Infante.

Ele estava dormindo, mas governava a natureza!

Eis o paradoxo do povo germânico: esse povo dos grandes exércitos impecavelmente ordenados, dos couraceiros com capacetes encimados por águias, na hora da ternura sabe cantar afetuosamente o Natal como nenhum outro.




Noite Feliz: as almas das canções de Natal perfeitas






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domingo, 7 de dezembro de 2014

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França


A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

São muitos os que até agora não estão elucidados: desde as fórmulas químicas desaparecidas que dão aos vitrais tonalidades únicas e irreproduzíveis até os mais complexos cálculos matemáticos e astronômicos que orientaram as proporções cósmicas das Bíblias de pedra.

domingo, 23 de novembro de 2014

“Uma espécie de rei eterno”(10)
São Luís, estadista da Cristandade 9

São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
Luis Dufaur



continuação do post anterior: Reordena o Reino de Jerusalém


São Luís IX realizou a perfeição da França. Encarnou o país da harmonia, da bondade, da generosidade de alma e da inteira entrega a Nossa Senhora.

Ele parece presente na Sainte-Chapelle e em outros lugares que cantam a glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima.

Foi um santo segundo a alma da França, como São Fernando III de Castela, seu primo-irmão, foi o santo que a Espanha aguardava, ou Santo Henrique imperador foi o anelado da Alemanha.

Ele contribuiu para fazer da Idade Média uma Jerusalém terrestre, imagem da celeste.

Na Alemanha, quando alguém perguntava: “Como você vai?” e o outro ia muito bem, dizia: “Eu vou como vai o bom Deus na França”.

Pois, sob o santo estadista, a França imprimiu na Europa o equilíbrio ideal entre os senhores feudais, a realeza e o povo, entre o Papa e o Imperador, entre os soberanos vizinhos.

O governante sem sabedoria perde seu povo e o rei sábio o salva. Sem sabedoria, o poder civil ou eclesiástico se transforma em instrumento de perdição.

Por isso, Dom Guéranger, o grande abade de Solesmes, formulou um elogio lapidar do santo: “A Sabedoria eterna desceu um dia de seu trono no Céu e pousou sobre São Luís”.

FIM

domingo, 16 de novembro de 2014

Reordena o Reino de Jerusalém
São Luís, estadista da Cristandade 8

São Luís na Cruzada
São Luís na Cruzada
Luis Dufaur


continuação do post anterior: As Cruzadas


A rainha Margarida de Provence salvou Damietta com um punhado de cavaleiros e reuniu o imenso resgate de 400.000 bizantinos de ouro, libertando assim o rei, a maioria dos cavaleiros e grande parte do exército prisioneiro.

São Luís trasladou-se a São João d’Acre, onde consultou os barões do Reino sobre permanecer ou não na Terra Santa.

A rainha-mãe Branca de Castela havia informado que o rei da Inglaterra tramava invadir a França e que o reino corria grande perigo.

Segundo Joinville, São Luís explicou:

“Eu não tenho paz nem trégua com o rei da Inglaterra. Mas o povo de Terra Santa quer impedir-me de partir. Eles dizem que se eu for embora, sua terra estará perdida e será destruída e que eles preferem sair comigo. Eu vos rogo pensar nisto e responder-me em oito dias”.

domingo, 9 de novembro de 2014

As Cruzadas
São Luís, estadista da Cristandade 7

São Luis embarca para a Cruzada
São Luis embarca para a Cruzada
Luis Dufaur



continuação do post anterior: Árbitro da Cristandade


São Luís tinha certeza de que Deus queria dele a libertação de Jerusalém. E repetia que desejava salvar as almas dos muçulmanos, convertendo-os.

Joinville, contudo, para quem a salvação desses ímpios passava pelo extermínio, espantava-se ouvindo as intenções de tão grande chefe de armas.

Em 1240, para se livrar das potências marítimas italianas cuja politicagem prejudicara as Cruzadas anteriores, São Luís IX ordenou a construção de uma imensa fortaleza e um porto no Mediterrâneo.

Abriu-se uma estrada entre os pântanos, canalizaram-se fios de água, erigiram-se muralhas e torres de defesa e armazenamento.

A população local, que até então morava em palafitas, sentiu-se protegida com o surgimento da cidade de Aigues-Mortes, verdadeira maravilha arquitetônica a partir da qual o santo monarca embarcou para as Cruzadas — tanto para a sétima, em 25 de agosto de 1248, que durou seis anos, quanto para a oitava, em 1270.

Na VII Cruzada o rei desembarcou diante de Damietta, fortaleza que controlava o acesso ao Cairo, sede do Sultão, chefe máximo dos islamitas no Egito.

domingo, 2 de novembro de 2014

Árbitro da Cristandade
São Luís, estadista da Cristandade 6

São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.  Fundo: rosácea de Notre Dame.
São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
Fundo: rosácea de Notre Dame.


continuação do post anterior: “Resurrreição e Cruzada

A partir 1241 pioraram as notícias provenientes da Europa Oriental e da Terra Santa. A invasão dos mongóis atingiu a Polônia, a Hungria e a Romênia, após devastar a Rússia e a Ucrânia.

O chefe mongol Subedei mirava o coração da Europa, mas após esmagar o rei da Hungria em Mohi, voltou às pressas para a Ásia por razões não esclarecidas.

A corajosa rainha Branca ficou muito temerosa, mas São Luís parecia ser o único a intuir que a invasão não prosperaria.
“Quando viu a Europa ameaçada pelos tártaros — conta Pourrat —, São Luís disse: ‘Tende coragem minha mãe; ou nós os colocamos nas portas do inferno ou eles nos abrirão as portas do Céu’”.

O santo foi arguto estrategista e homem de fé: ou ele os venceria e eles iriam para o inferno enquanto pagãos horrivelmente criminosos, ou ele morreria e iria para o Céu. Nada se perderia lutando contra eles.

domingo, 26 de outubro de 2014

“Ressurreição” e Cruzada
São Luís, estadista da Cristandade 5

São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada
São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada


continuação do post anterior: A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle

São Luís regressou de Taillebourg padecendo uma disenteria que se agravou rapidamente. Esta havia sido a causa da morte de seu pai, Luís VIII.

A rainha-mãe, Branca de Castela, pediu ao abade de Saint-Denis — abadia onde repousam os restos dos reis da França — para expor à veneração pública o corpo do glorioso São Dionísio, protetor do reino, bem como as relíquias de São Eleutério e São Rústico, seus companheiros de martírio. São Luís já tinha feito seu testamento, e murmurava em voz baixa:

— “Olhai para mim. Eu era o homem mais rico e mais nobre do mundo, o mais poderoso de todos pelos tesouros, pelo meu poder e pelos meus amigos, e eis que não posso obter da morte sequer uma trégua, nem uma hora à doença. De que valeu tudo isso?”

Quando ele perdeu o conhecimento, os médicos anunciaram seu fim iminente. O Palácio Real encheu-se de lamentações, suspiros e prantos. O clero recebeu ordem de preparar as exéquias.

Em certo momento, acreditou-se que o santo-herói tinha morrido. Joinville conta:

domingo, 19 de outubro de 2014

A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle
São Luís, estadista da Cristandade 4

São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle. Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle.
Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: O banquete de Saumur



Enquanto punha ordem na França e preparava a Cruzada, São Luís executou um projeto que marca a França até hoje.

Em 1239, o Império de Bizâncio consignou a Coroa de Espinhos a banqueiros venezianos como penhor de uma dívida de 135.000 libras tournois.(5)

A quantia equivalia à metade das entradas do reino francês em um ano! Porém, se comparada com os orçamentos multibilionários dos governos atuais, parece exígua: aproximadamente R$ 84.620.700,00.

São Luís assumiu a dívida, com a condição de a relíquia ficar sob a guarda da casa real francesa, em uma negociação que poderia ser comparada a empréstimos atuais envolvendo o FMI e bancos multinacionais.

Assinados os acordos e apurada a autenticidade da relíquia, ela foi levada à França por religiosos dominicanos.

No dia 10 de agosto de 1239, o santo monarca, seu irmão o príncipe Roberto I de Artois e o Arcebispo de Sens receberam a Santa Coroa, conferiram seus registros de autenticidade e entraram em cortejo na cidade de Villeneuve-l'Archevêque, na França.

Descalços e vestidos com túnicas de penitentes, o rei e o príncipe trasladaram o relicário de ouro e sua caixa de prata até a catedral de Sens.

São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame Jules David, Paris, 1861
São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame
Jules David, Paris, 1861
No dia 11 eles foram de barco até o castelo real de Vincennes, fora dos muros de Paris, e no 18 de agosto, carregando nos ombros o incomparável símbolo do Rei dos reis, o soberano e o príncipe penitentes entraram solenemente na capital em meio às aclamações populares.

No dia seguinte São Luís dispôs a construção da Sainte-Chapelle, para guardar definitivamente a sagrada relíquia, que entrementes ficou na basílica de Saint-Denis.(6)

E providenciou a aquisição de mais sete relíquias da Crucifixão, entre elas a do Santíssimo Sangue de Cristo, da Pedra que fechou o Santo Sepulcro, partes da Santa Lança e da Santa Esponja.

A edificação da Sainte-Chapelle custou 35.000 libras tournois, e o relicário da Coroa de Espinhos e demais relíquias da Paixão consumiram outras 135.000, devido ao ouro e às pedras preciosas empregados.

A Sainte-Chapelle foi concebida como um relicário gigante feito de cristal e pedra.

O movimento da luz através dos imensos vitrais muda o colorido interno e cria uma atmosfera irreal, verdadeiramente sobrenatural, onde a arte mais delicada e a espiritualidade mais alta se fundem num só, segundo Bordonove.

São Luís mandou construir a Sainte Chapelle para servir de relicário da Coroa de Espinhos
São Luís mandou construir a Sainte-Chapelle para ser relicário da Coroa de Espinhos
O imponderável faz esquecer as formidáveis colunas de pedra e as imensas portas da melhor madeira, convidando a alma para um voo místico.

O pensamento se descola da espessa matéria como que espiritualizada pela arte, para partir como um foguete rumo ao Céu. Na Sainte-Chapelle os valores culturais e espirituais assumem a pedra e a matéria como a alma se une ao corpo.

Que ninguém se engane, conclui o referido historiador: São Luís está presente na Sainte-Chapelle não porque as flores de lis da França e os castelos de Castela — símbolos de seu brasão — enchem os muros, mas porque na Sainte-Chapelle lateja a própria alma do santo estadista.

A Sainte-Chapelle [foto] é a capela do Palácio Real e, juntamente com suas relíquias, pertencia à Coroa, e não à Igreja, assentando aliança entre o Rei dos Céus e o rei da França.

A Coroa de Cristo legitimava a Coroa da França, sua vassala por excelência nesta Terra, e ambas se uniam como as duas faces de uma mesma medalha.

“Na linguagem dos liturgistas, a Coroa de Espinhos tornou-se um penhor de Deus confiado ao povo francês. Deus havia penhorado sua Coroa ao rei da França até o dia do Juízo Final, quando Jesus Cristo em pessoa viria bater na porta do Palácio Real de Paris para recobrar a posse da coroa de Seu Reino”.(7)

Até o fim do mundo, a monarquia francesa seria a guardiã da Coroa com que o Redentor julgará a humanidade e encerrará a História. As relíquias foram definitivamente instaladas e a capela consagrada em 26 de abril de 1248.



A pedido de São Luís, foi instituída uma festa litúrgica em 11 de agosto para comemorar a chegada da Santa Coroa à França. Dois meses depois da consagração, o Santo Rei partiu para sua maior campanha militar: as Cruzadas.

Continua no próximo post: "Ressurreição" e Cruzada



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domingo, 12 de outubro de 2014

O banquete de Saumur
São Luís, estadista da Cristandade 3

São Luís na batalha de Taillebourg.  Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
São Luís na batalha de Taillebourg.
Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
Luis Dufaur


continuação do post anterior: Rei enquanto santo e santo enquanto rei

Em 1237, o novo rei investiu seu irmão Afonso como conde de Poitiers, um riquíssimo, brilhante e populoso feudo. Mas, infelizmente, um ninho de revoltas da nobreza local!

Atiçados pelo rei Henrique III, da Inglaterra, que sonhava ser rei da França, os senhores feudais não cessavam de fazer intrigas. Já germinava a discórdia que desfecharia na guerra dos Cem Anos.

Os intrigantes haviam motejado o jovem monarca como “rei dos monges”, como “devoto” incapaz de defender sua herança.

São Luís IX quis conferir à investidura do irmão um caráter oficial e solene.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, totalmente ignorantes da doutrina divina, que obrigaram aos outros pela violência das armas

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristoteles,
esmaga Averroes, 'sábio' maometano

O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:
“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islã):

domingo, 5 de outubro de 2014

Rei enquanto santo e santo enquanto rei
São Luís, estadista da Cristandade 2

São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos, seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos,
seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
Luis Dufaur








continuação do post anterior: O filhote de Leão

São Luís teria preferido viver num mosteiro, na abstinência e na meditação, explicou em conferência o renomado historiador Georges Bordonove.(2)

Porém, nasceu num berço de ouro agitado pela História e com uma missão divina: reger a filha primogênita da Igreja e tornar-se o árbitro da Cristandade no século XIII.

Sua aspiração à santidade foi realizada na responsabilidade tremenda de monarca e estadista europeu.

“Ele sabia comparecer em grande pompa, acolher faustosamente, dava festas e festins quando necessário. Ele respeitava altamente sua condição de rei.

“Mas na vida privada ignorava o luxo, misturava muita água no vinho e nos molhos para lhes tirar o gosto. Quando ia às procissões, levava calçados sem sola para ocultar que caminhava com os pés nus, na lama ou no pedregulho, pois as ruas de Paris não estavam pavimentadas”, explicou Bordonove.

Segundo o historiador Henri Pourrat, São Luís era “louro, delgado, de ombros um pouco curvos, alto e de fisionomia serena. Joinville disse dele: ‘Asseguro-vos que nunca vistes um homem de tão bela aparência, quando armado. E, mais ainda, era o mais altivo cristão que os pagãos jamais conheceram’”.(3)

domingo, 28 de setembro de 2014

O filhote de Leão:
São Luís, estadista da Cristandade 1

Luis Dufaur







Em 25 de abril de 1214 um menino nasceu no castelo de Poissy, perto de Paris.

Há hoje no local um mosteiro para honrar aquela criança, que conhecemos pelo nome de São Luís IX, Rei da França.

O feliz evento aconteceu em meio a uma tormenta política.

Nesse ano, seu avô, o rei Felipe Augusto, derrotou na batalha de Bouvines uma coalizão de príncipes e nobres franceses revoltados, apoiados pelo rei da Inglaterra, João Sem-Terra, sustentados pelo imperador Othon IV e auxiliados por tropas flamengas da Holanda e da Lorena.

João Sem-Terra cobiçava a coroa francesa e o imperador alemão Othon IV tinha sido excomungado pelo Papa.

A vitória de Bouvines foi considerada um “autêntico juízo de Deus” que salvou o trono a ser ocupado um dia pelo principezinho.

Quando ele aprendeu a escrever, assinava Luís de Poissy, gostava de cantar na igreja e ouvir os feitos bélicos de Bouvines dos próprios lábios de seu avô.

Ao subir ao trono, os conselhos do velho monarca inspiraram-no no exercício do poder régio.

Filhote de Leão

domingo, 21 de setembro de 2014

Símbolos Papais requintados na Idade Média

Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Anel do Pescador que foi de Bento XVI.

No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

O Anel do Pescador é dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

Veja mais em: Símbolos dos Papas que tomaram forma final na Idade Média

domingo, 14 de setembro de 2014

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
com Cristo Rei no centro.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo


A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário. Catedral de Chartres
O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão
que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário.
Catedral de Chartres
Tal concepção de arte implica uma visão profundamente idealista do esquema do universo, e a convicção de que tanto a história quanto a natureza devem ser consideradas como grandes símbolos.

Podemos fazer uma tentativa de entender a visão medieval do mundo e da natureza.

O que é o mundo visível? Qual é o significado das miríadas de formas de vida?

O que devia pensar da Criação, o monge contemplando em sua cela, ou o Doutor meditando no claustro da catedral antes de sua palestra?

É apenas aparência, ou realidade?

A Idade Média foi unânime na sua resposta: o mundo é um símbolo.

Assim como a ideia da obra reside antes na mente do artista, da mesma maneira o universo estava na mente de Deus desde o início.

Deus criou, mas criou através da Sua Palavra, ou seja, através de Seu Filho.

O mundo, portanto, pode ser definido como “um pensamento de Deus realizado através da Palavra”.

São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo Catedral de Chartres
São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo
Catedral de Chartres
Se isto é assim, então em cada ser se esconde um pensamento divino; o mundo é um livro escrito pela mão de Deus, no qual toda criatura é uma palavra carregada de significado.

O ignorante vê as formas – as letras misteriosas – sem compreender nada do seu significado, mas o sábio, a partir do visível, se eleva ao invisível, e na leitura da natureza lê os pensamentos de Deus.

O verdadeiro conhecimento, então, não consiste no estudo das coisas em si mesmas – as formas exteriores –, mas em penetrar no significado profundo delas, que Deus pôs para a nossa instrução.

Desse modo, nas palavras de Honório de Autun, “cada criatura é uma sombra da verdade e da vida”.

Todo ser manifesta em suas profundezas um reflexo do sacrifício de Cristo, a imagem da Igreja, das virtudes e dos vícios.

O mundo material e o mundo espiritual refletem uma só e derradeira realidade.


(Autor: Émile Mâle, The Gothic Image: Religious Art in France of the Thirteenth Century, New York, Harper, 1958, pp 1-2, 5, 9-15, 29).




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