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domingo, 21 de agosto de 2022

A odisséia da I Cruzada, ou a “Gesta Dei per Francos”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Dom Gilberto (1053‒ 1125), abade beneditino de Nogent-sous-Coucy, compôs a história da I Cruzada (1095-1099) em sete volumes entre os anos 1108 e 1112.

Ele ouvira o sermão do Bem-aventurado Papa Urbano II aos cavaleiros reunidos em Clermont-Ferrand, no coração da França:

“Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas ações ‒ eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição de vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja! A vós se dirige nosso discurso e nossa exortação!

“De vós mais do que qualquer outro povo Ela exige ajuda, pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas.

“Empreendei, pois este caminho em remissão de vossos pecados, certos da imarcescível glória do reino dos Céus. Quando fores ao ataque dos belicosos inimigos, seja este o grito unânime de todos os soldados de Deus: ‘Deus o quer! Deus o quer!’”

Leia a “Gesta Dei per Francos” completa CLIQUE AQUI


Dom Gilberto registrou os extraordinários fatos daquela vitoriosa cruzada num escrito que ele intitulou “Gesta Dei per Francos”, quer dizer “Proezas de Deus por meio dos francos”.

A desproporção de forças humanas e os sensíveis auxílios divinos aos cavaleiros franceses justificaram a escolha.

domingo, 31 de julho de 2022

Franca, nação eleita por Deus para nela fazer suas maravilhas

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Os apóstolos e construtores da França perceberam desde os primórdios que o povo franco estava chamado a uma alta missão.

O Papa São Leão III instituiu o Sacro Império Romano Alemão na pessoa do rei dos francos, Carlos Magno, na festa de Natal do ano 800.

Alcuíno, abade de York,  se desempenhou como um Ministro de Educação e Cultura do império. Ele veio da Inglaterra e descreveu:

“Uma nova Atenas será criada por nós na França.

“Uma Atenas mais bela do que a antiga, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo superará a sabedoria da Academia.

“Os antigos só têm as disciplinas de Platão como mestre e eles ainda resplandecem inspirados pelas sete artes liberais.

“Mas, os nossos serão mais do que enriquecidos sete vezes com a plenitude do Espírito Santo e deixarão na sombra toda a dignidade da sabedoria mundana dos antigos”.

A França batizada liderou a marcha ascensional da Civilização Europeia. Se as raízes da Europa são cristãs, é em grande medida por influência da França.

domingo, 29 de maio de 2022

A França medieval foi a terra por excelência da devoção a Nossa Senhora

Coroação de Nossa Senhora, catedral de Reims
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Todo espaço é pouco para conter o que Deus fez pela Igreja se valendo da alma francesa, isto é a “gesta Dei per francos”.

Mas, há um ponto em que toda comparação é fraca: a França foi por excelência a terra da devoção a Nossa Senhora.

É para Ela que os francos ergueram suas melhores catedrais como as de Chartres ou Paris. Só em Chartres contam-se 179 imagens da Mãe de Deus por dentro e por fora.

Foi na França que Deus fez nascerem os campeões da devoção à Santíssima Virgem.

Santo Odilon, abade de Cluny, em pleno século XI já praticava a devoção a Nossa Senhora que séculos mais tarde um outro francês, São Luis Maria Grignion de Montfort, desenvolveu com perfeição: a escravidão de amor à Santíssima Virgem.


Assunção de Nossa Senhora, (Museu de Cluny, Paris)
O Beato Adhémar, bispo do Puy, Legado pontifício na I Cruzada, na hora de partir para a conquista do Santo Sepulcro compôs o hino da santa expedição guerreira. Qual foi?

Pois bem, o leitor o conhece e o canta tão bem ou melhor que nós: a Salve Rainha!

No século seguinte, o Doutor Melífluo, São Bernardo de Claraval outro pregador das cruzadas, completou-o com as três invocações finais: “O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria!”

Quem cantou as glórias de Nossa Senhora como o admirável São Bernardo?

Quem atingiu o patamar de amor que transluz no “Lembrai-vos” por ele escrito?

Quando Nossa Senhora quis dar à Igreja seus instrumentos de salvação, escolheu a França. Ela deu o santo rosário ‒ aliás, a Santo Domingos de Gusmão, um santo espanhol ‒ como meio certo de levar à vitória a cruzada dos católicos franceses contra os heréticos cátaros no século XIII.

E no século XIX foi por meio de Santa Catarina Labouré, na rue du Bac, na capital da França que Ela nos deu a Medalha Milagrosa.

E como se isso ainda fosse pouco, escolheu Lourdes para ali aparecer em 1858 e inaugurar um fluxo continuado de graças e milagres, instituindo o santuário mais visitado da Terra no aflito século XXI!

E ainda escolheu La Salette em 1846, nos Alpes franceses, para advertir o mundo de seu descaminho e dos castigos que lhe aguardavam se não fizer penitência. E estes são só exemplos, dos mais eminentes por certo.

Ouçamos a Salve Rainha cantada em gregoriano, modo solene:

Salve Regina





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domingo, 22 de maio de 2022

A França povo eleito desde o batismo,
peça chave da ordem medieval

O batismo de Clóvis, Mestre de Saint-Gilles (século XV), National Gallery of Art, Washington
O batismo de Clóvis, Mestre de Saint-Gilles (século XV),
National Gallery of Art, Washington
Luis Dufaur
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O povo franco foi o primeiro a se batizar em bloco.

Seu rei Clóvis se converteu após a aparição miraculosa de uma Cruz no céu durante a batalha de Tolbiac.

Veja mais sobre essa batalha: O milagre de Tolbiac e a conversão da França

A aparição mudou o rumo do combate que, antes do milagre, se encaminhava para um desastre dos francos.

O rei então pediu a catequese o batismo. Quando o bispo São Remígio pregava a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo ao bárbaro Clóvis e seus homens batiam suas lanças no chão e exclamavam: “Ah! Se eu tivesse estado lá com meus francos!”

São Remígio batizou Clóvis em Reims.