domingo, 25 de julho de 2021

A fecundidade do silêncio dos mosteiros da Idade da Luz

Monges de uma cartuxa cantando o ofício divino
Monges de uma cartuxa cantando o ofício divino
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs










Os monges não trabalhavam nem em benefício próprio, nem mesmo pelo sucesso.

Mas unicamente para a glória de Deus.

Seu objetivo era o de fazer reviver, na memória de seus irmãos, os acontecimentos passados de seu tempo e de sua região.

De relembrar aquilo que eles haviam testemunhado ou que lhes havia sido transmitido pela tradição.

Ora, graças à organização social da Idade Média, essa tradição tornara-se tão poderosa quanto durável.

Os monges escreviam na intimidade da paz e da liberdade do claustro, com toda candura e sinceridade na alma.

Calmos no interior da segurança, da obediência claustral e das alegrias da santa pobreza, os monges analistas ofereciam aos cristãos o fruto fecundo de seus longos estudos, que a vida no mundo completava com conhecimentos históricos.







(Autor: Montalembert, "Les Moines d'Occident" - Vol. VI, p. 234)



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domingo, 18 de julho de 2021

Mais antigo Crucificado de madeira está em Lucca

Volto Santo de Lucca é a mais antiga representação em madeira da Crucificação
Volto Santo de Lucca
é a mais antiga representação em madeira da Crucificação
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O mais antigo crucifixo de madeira venerado em toda a Europa é o da Santa Face de Lucca (Volto Santo di Lucca, em italiano).

Objetava-se que podia ser uma réplica entalhada por artistas no século XIII.

A estátua original, segundo a tradição, é aqueropita, isto é, não feita por mãos humanas.

A objeção dizia que a atual seria uma réplica feita após a original ficar muito danificada, segundo explicou reportagem de “La Stampa” de Turim.

A capelinha do Volto Santo na catedral de Lucca
A capelinha do Volto Santo
na catedral de Lucca
O Crucifixo é venerado numa capelinha especial que é uma verdadeira joia de arte, dentro da Catedral de San Martino.

Os testes com carbono 14, muito criticados quando se tentou usá-los com o Santo Sudário, datavam o Crucifixo entre os séculos VIII e IX.

Porém, segundo antigos textos, o Crucifixo de 247 centímetros de altura chegou a Lucca no ano 782 diretamente da Terra Santa.

A superposição com o Santo Sudário de Turim apresenta uma impressionante identidade de proporções.

Agora foi feita uma descoberta “marcante” que permitiu definir com certeza se tratar da escultura da Morte de Cristo em madeira mais antiga do Ocidente.

As dúvidas foram desfeitas.


A imagem sagrada foi estudada em Florença na sede da Rede do Patrimônio Cultural do Instituto Nacional de Física Nuclear.

Volto Santo de Lucca chegou de Terra Santa no ano782
Volto Santo de Lucca chegou de Terra Santa no ano782
A ocasião do estudo foram as comemorações dos 950 anos da refundação da Catedral de Lucca, que aconteceram no ano 2020.

A Santa Face é o símbolo de Lucca, rica cidade em história e cultura que chegou a ser uma República – não revolucionária – independente durante séculos.

Pela sua antiguidade, sempre se acreditou que representa a mais próxima imagem de Cristo na sua Crucificação. 

Desde a Idade Média foi centro de um fluxo ininterrupto de peregrinações ao longo da Via Francigena.

Via Francigena ia até Roma. Em sentido contrário fazia uma parte até Compostela
Via Francigena ia até Roma.
Em sentido contrário fazia
uma parte até Compostela
Essa Via constituiu na Idade Média um dos três trajetos de romaria mais importantes junto com as que iam para Terra Santa e para Santiago de Compostela.

Era percorrida pelos peregrinos que vinham, principalmente, da “Terra dos Francos” – de ali o nome – ou franceses, mas também alemães e anglo-saxões, na era pós-carolíngia, em direção a Roma: eram os “romeiros” nome dado aos que peregrinaram a Roma.

E também era usada pelos italianos dos reinos do sul como Nápoles e Sicília que iam para Compostela.

“A presença da Santa Face na catedral – disse o Pe. Mauro Lucchesi, reitor da Catedral de Lucca –sempre foi o ponto de referência da vida civil da República originária e depois da cidade, a ponto de sendo reconhecido e coroado como Rex Lucentium, ou Rei Iluminador, ou até Rei da Visão Beatífica.

“Sua imagem foi reproduzida nos edifícios, nas portas da cidade, em escrituras oficiais do governo e até em moedas.

“Ainda hoje, a festa que se celebra em sua homenagem, todos os anos, nos dias 13 e 14 de setembro, continua a ser o evento mais aguardado e envolvente da cidade e da região”, completou o reitor da Catedral.


Vídeo: Novas descobertas no célebre Volto Santo de Lucca, clicar na foto





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domingo, 11 de julho de 2021

Monges trapistas fazem a melhor cerveja do mundo

30 garrafas de Westvleteren XII com seus copos
e a caixa (no fundo) para presente
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A cerveja Westvleteren XII, produzida na Abadia de São Sixto de Westvleteren (Bélgica), há anos vem sendo eleita a melhor do mundo por milhares de especialistas.

Em consequência, os pedidos dessa bebida se multiplicaram, a cerveja se esgotou e muitos clientes exigiram aumento de produção.

A abadia, contudo, não pretende faze-lo. “Para nós, a vida na abadia vem primeiro, não a cervejaria” — explicou o monge Mark Bode ao jornal "De Morgen".

Na abadia, cerca de 30 monges trapistas levam uma vida de reclusão, orações e trabalho manual.

No primeiro ano (2013) que prestamos atenção a cerveja Westvleteren XII no site Ratebeer voltava a ser apontada como “a melhor cerveja do mundo” (“Best Beer in the World”).

Poderia ser essa uma mera avaliação daquele ano em concreto, superada por outros em outros anos? 

Continuariam os monges produzindo-a ou pararam, ou cairam de nível, impulsionados para abaixo pelo mau gosto da modernidade?

Continuamos verificando. Chegamos a julho de 2021. E que encontramos?

Pequena cervejaria de monges faz a melhor cerveja do mundo.
Pequena cervejaria de monges faz a melhor cerveja do mundo.
Que está cotada no primeiro lugar do mundo, e a melhor de todas as épocas! Confira: Ratebeer.

Ela continua impávida, superando - e por pouco - outra cerveja de mosteiro: a dos trapistas de Rochefort, Namur, Bélgica. Confira.

A imprensa especializada se pergunta como isso pode ser possível, superando em qualidade os maiores holdings e empresas de cerveja do mundo.

Muitos pequenos fabricantes tentam imitar seus procedimentos.

Uma das maiores dificuldades dos monges de São Sixto é que a Westvleteren XII, é tão procurada que se esgota logo.

Os monges trapistas ficam então obrigados a vender quantias limitadas por cliente.

Os monges não acostumam dar entrevistas e a mídia em geral se sente incomodada não sendo recebida.

Tampouco fazem propaganda de suas cervejas. Acresce o fato que a cerveja monástica é vendida sem etiqueta desde 1945.

Porém, para cortar o caminho a maledicências, o monge Mark Bode ratificou à imprensa que a abadia não tem intenção de aumentar a produção malgrado a demanda.

“Nós fazemos a cerveja para viver, mas nós não vivemos para fazer cerveja”, esclareceu. O eventual lucro excedente é destinado a obras de caridade.

Os monges de São Sixto não ligam para a fama justamente conquistada pelas suas cervejas.

Os visitantes não-monásticos da abadia em geral são dissuadidos de entrar, mas podem encontrar informação num centro sobre a abadia e as cervejas.

Os frades desejam produzir só o necessário para a comunidade poder prosseguir sua vida de oração, silencio e contemplação.

Restos ainda vivos da Idade Média, época que no ensinamento de S.S.Leão XIII, a filosofia do Evangelho impregnava as instituições e a civilização produziu frutos superiores a toda expectativa.




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domingo, 4 de julho de 2021

Hierarquia e dignidade na cozinha medieval

Tribunal de Poitiers, salle des pas perdus
Fogões do Tribunal de Poitiers, salle des pas perdus
Luis Dufaur
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Na cozinha (imaginemos aquela cozinha de heróis, com sete fogões gigantescos, que é o único conservado até hoje do que fora o Palácio Ducal de Dijon) está sentado o cozinheiro de plantão numa poltrona, situada entre o fogão e os diversos serviços, da qual pode contemplar a cozinha inteira.

Na mão tem uma grande colher de pau “que lhe serve para duas finalidades: a primeira, experimentar as sopas e os molhos; a segunda, empurrar os serventes da cozinha para as suas obrigações e, se for necessário, bater neles mais de uma vez”.

Em raras ocasiões ‒ quando chegam as primeiras trufas ou o primeiro arenque novo ‒ apresenta-se o cozinheiro para servir pessoalmente, nesse caso levando a tocha na mão.

Para o grave cortesão que no-las descreve (La Marche) todas estas coisas são sacros mistérios, dos quais fala com respeito e com uma espécie de discurso escolástico.

“Quando eu era pajem ‒ diz La Marche ‒ era ainda demasiado jovem para entender questões de precedência e cerimonial”.

La Marche propõe a seus leitores importantes questões de hierarquia e etiqueta, para ter o gosto de resolvê-las com maduro tato:

‒ “Por que assiste o cozinheiro, e não o servente de cozinha à refeição do senhor? De que modo deve ser nomeado o cozinheiro? Quem deve representá-lo em caso de ausência: o 'hatcur' (encarregado dos assados) ou o 'potagier' (encarregado da sopa)?

domingo, 27 de junho de 2021

Sem a Cristandade medieval
nunca teria reinado a paz na Europa

Bárbaros antes da cristianização.
Bárbaros antes da cristianização.
Luis Dufaur
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A Idade Média, tal como se apresentava, corria o risco de nunca conhecer senão caos e decomposição.

Nascida de um império desmoronado e de vagas de invasões sucessivas, formada por povos desarmônicos.

Esta Europa tão dividida, tão perturbada quando do seu nascimento, atravessa uma era de harmonia e de união tal como ela nunca conhecera e não conhecerá talvez mais no decorrer dos séculos.

Vemos a Europa inteira estremecer à palavra de um Urbano II, de um Pedro, o Eremita, mais tarde de um São Bernardo ou de um Foulques de Neuilly.

Vemos monarcas, preferindo a arbitragem à guerra, submeter-se ao julgamento do papa ou de um rei estrangeiro para regularizar as suas dissensões.

Praticamente, a Cristandade pode definir-se como a “universidade” dos príncipes e dos povos cristãos obedecendo a uma mesma doutrina, animados de uma mesma fé, e reconhecendo desde logo o mesmo magistério espiritual.

domingo, 20 de junho de 2021

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim
Luis Dufaur
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No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa, como também fazem hoje.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes.

Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças


São Pio V era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sobre a Europa. Em dezembro de 1566, o Papa convidou as nações católicas a se unirem numa liga em defesa da Cristandade.

domingo, 13 de junho de 2021

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”


“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford:

 “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

domingo, 6 de junho de 2021

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
Luis Dufaur
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O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.