domingo, 16 de dezembro de 2012

Como nasceu o Panetone: sorriso da alma católica medieval

O Panetone, como tantos outros costumes católicos ligados ao Natal, teve sua origem em plena Idade Média, na Lombardia, Itália.

Tipicamente ele tem uma base cilíndrica com cerca de 30 cm de altura, a qual termina numa espécie de cúpula como que extravasando de sua forma original.

Composto de água, farinha, manteiga, ovos, frutas cristalizadas, cascas de laranja e cedro, além de uvas passa e muita imaginação, a tradição lhe atribui diversas origens.

Uma das versões mais respeitadas atribui a origem da receita aos tempos que governava Milão o turbulento duque Ludovico Maria Sforza, dito o Mouro (1452 – 1508).

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Natal nas canções
perfeitas: fé e ternura
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O belicoso Ludovico, já renascentista em espírito, encomendou um suntuoso jantar de Natal que devia coroar sua glória como duque da poderosa cidade de Milão. Para o evento convidou toda a nobreza das cidades vizinhas.

O cozinheiro fez tudo quanto de mais fabuloso lhe ocorreu. E nada lhe faltou para isso.

Só falhou num pormenor: esqueceu o bolo da sobremesa no forno, e este acabou carbonizado.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Alemães lotam festival para voltar por um instante à Idade Média


A Idade Média fascina a muitos alemães, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle.

Em Colônia, por exemplo, um festival reúne fãs e curiosos que comem, vestem-se e se divertem como se vivessem no mundo medieval.

“O cheiro de carne assada se mistura com a música tocada por harpas, violinos e tambores de uma era remota e ao tilintar das correntes, descreve a rádio alemã.

“A viagem ao passado começa já na bilheteria, onde os modernos euros são trocados por moedas medievais.

“A maioria dos funcionários e visitantes veste trajes medievais.

E assim, de um instante para outro, você está na Idade Média”.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A união europeia ordeira e cristã medieval e a desunião caótica da União Europeia hodierna

A agricultura teve enormes desenvolvimentos na Idade Média.

No paganismo ela era tida como uma profissão vil e, por isso mesmo, tarefa de escravos maltratados, usando instrumentos pífios e produzindo pouco.

Porém, nas abadias medievais tudo mudou. Os monges desenvolveram prodigiosamente os instrumentos agrícolas, criaram modos de recuperar as terras, mesmo as menos aproveitáveis, descobriram o modo de adubar e de fertilizar, combater os insetos, selecionar as espécies, preservar os insetos e animais úteis, criar gado de modo intensivo, fazer hortas nos espaços confinados das abadias; estudaram vegetais e animais para extrair deles os mais variegados produtos, alimentícios ou medicinais, secaram pântanos, canalizaram rios, racionalizaram o aproveitamento das florestas, importaram e exportaram de ou para outras abadias próximas ou longínquas novas variedade vegetais ou animais; aplicaram novas técnicas colheita, transporte e estocagem de grãos e carnes, criaram toda espécie de queijos, vinhos, cervejas, champagnes, frios e doces, e ainda e alista é limitada!

domingo, 18 de novembro de 2012

Catedrais: resumo simbólico da ordem do universo onde o medieval lia como num livro

Notre Dame
Notre Dame

A Igreja inspirou as grandes catedrais. Na foto, vemos a abside de Catedral de Notre-Dame. É uma verdadeira jóia!

A gente não sabe por onde esta catedral é mais bela!

A gente poderia dizer dela, utilizando uma palavra da Escritura, que ela é o edifício de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro!

Se isto não é bonito, não há beleza na terra!

E o vitral da catedral, também.

Uma renda de pedra, uma sinfonia de cores, inspirada pelo clero.

Nos vitrais se representavam os fatos fundamentais da História Sagrada, do Antigo e do Novo Testamento, a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e a vida dos santos.

Na grande rosácea da fachada é representado o Apocalipse.

Jesus Cristo está no centro, na sua segunda vinda como Juiz triunfante, e em volta d’Ele estão os justos e os símbolos de que fala o livro que encerra a Bíblia.

domingo, 21 de outubro de 2012

O ensino medieval mudou a história do mundo

Professor medieval dá aula sentado na cátedra para meninos
Professor medieval dá aula sentado na cátedra para jovens

O professor está sentado na cátedra. Embaixo estão os alunos. Parece que são alunos frades, porque estão tonsurados, sentados em bancos e estudando.

Muitas vezes as escolas eram nos mosteiros e o ensino era gratuito.

Alcuíno, abade de York, espécie de ministro de Educação do imperador Carlos Magno, dispôs que todas as dioceses, abadias e paróquias deveriam montar escolas gratuitas e fornecer até vestimenta e refeições aos alunos, com interdição formal de receber qualquer forma de pagamento.

As próprias Universidades, que foram criadas pela Igreja na Idade Média, eram inteiramente gratuitas, podendo o aluno trocar livremente de uma para outra.

Por exemplo, podia trocar de Oxford, na Inglaterra, para Coimbra, em Portugal, ou Bologna, na Itália, se achava bom em função da reputação do ensino e dos professores.

domingo, 7 de outubro de 2012

A doutrina dos “Dois Gládios”. Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios'' – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

“Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

“Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

“Contudo, é preciso que o gládio esteja subordinado ao gládio; a autoridade temporal ao poder espiritual, porquanto diz o Apóstolo:

Os chefes temporais estão submetidos ao poder dos Papas.
O rei da França Luis VI diante do Papa Calisto II.
“Não há poder que não venha de Deus, mas os que existem foram instituídos por Deus”; ora, esta ordem não existiria se um dos dois gládios não estivesse subordinado ao outro, e, enquanto seu inferior, ligado por ele à categoria suprema, pois segundo São Dionísio:

“A lei da divindade é que as coisas inferiores devem estar ligadas às superiores pelos intermediários”.

“Devemos reconhecer que o poder espiritual supera em dignidade e em nobreza todo poder temporal, tanto mais evidentemente quanto as coisas espirituais superam de muito as coisas temporais. Cabe ao poder espiritual instituir o temporal e julgá-lo caso não seja bom.

“Verifica-se, assim, atinente à Igreja e ao poder eclesiástico, o oráculo de Jeremias: “Eu vos constitui sobre as nações e sobre os reinos, etc.”.

“Se, portanto, o poder temporal se desvia, ele será julgado pelo poder espiritual; se o poder espiritual desvia-se, o inferior será julgada pelo superior, e se é o poder superior, só por Deus.

“Ele não poderá ser julgado pelo homem, como atesta o Apóstolo: “O homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém”.


(Fonte: Bula Unam Sanctam, apud Marie-Hippolyte Hemmer, verbete Boniface VIII, in “Díctionnaire de Théologie Catholique”, Tomo II, col. 999s.)





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domingo, 23 de setembro de 2012

Para entender a Idade Média: abertura popular para o bem. Exemplo do padre Foulques de Neuilly

Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo
Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado
a pregador da Cruzada e taumaturgo

Um exemplo significativo da flexibilidade de espírito dos medievais vem da história de Foulques, vigário de Neuilly-sur-Marne, na França.

Ele, de início, foi um vigário relaxado que vivia como um leigo na ignorância da religião. E na Idade Média havia duas categorias bem definidas de vigários: o relaxado e não relaxado.

Esse vigário relaxado à certa altura se converteu e se transformou num bom vigário.

Sua ação começou a se difundir em torno de Neuilly-sur-Marne. Depois começou a ser conhecido fora, mas mal visto.

A conversão dele datava de apenas dois anos, quando ele soube que havia uma assembleia geral de abades para tratar das Cruzadas.

domingo, 19 de agosto de 2012

Como os homens puderam esquecer o gótico durante séculos?

Catedral de Siena, Itália
Catedral de Siena, Itália
Diante da beleza, da sacralidade e da superioridade por exemplo, da catedral de Orvieto, pode-se perguntar como foi possível que as almas que geraram um estilo tão sublime foram ficando insensíveis a ele, e durante séculos deixaram de construir edifícios desse gênero.

Mais ainda: construíram incontáveis igrejas, mosteiros, abadias, edifícios públicos, residências particulares em estilo clássico, com o surradíssimo arco em semicírculo ou com a surradíssima linha reta dos pórticos clássicos.

Mas jamais, jamais, jamais o gótico. Ele ficou posto de lado durante séculos.

Por exemplo, o pintor Rafael representou anjos revelando incontestável talento, mas também uma falta de discernimento, de bom gosto em vários aspectos, de chocar.

Por que esse homem fez tantas representações angélicas que parecem ignorar completamente os anjos de Fra Angélico?

domingo, 12 de agosto de 2012

O “homem Sainte-Chapelle”: Jesus Cristo, modelo perfeito

Antes da Revolução e da confusão atual, havia na Igreja uma coisa curiosa.

Contemplando uma igreja, viam-se primeiro as várias partes, das quais depois se desprendia uma impressão de conjunto.

Por exemplo, na Sainte-Chapelle veem-se em primeiro lugar as várias formas, vitrais, colunas, imagens, cores, paredes etc.

Porém, em certo momento desprende-se de tudo uma impressão única que produz uma ressonância na nossa alma e nos faz exclamar: igreja é isso!

O mais íntimo de nossa alma encontra nela sua realização: uma antecâmara do Céu para a qual fomos feitos, para a qual nascemos e a qual queremos.

A alma do católico que quer ser inteiramente fiel procura instintivamente um homem que represente o espírito da Igreja para entrar em consonância com ele.

domingo, 5 de agosto de 2012

Como eram os medievais: sensíveis para a sublimidade. Um exemplo

Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
A França do tempo das Cruzadas passava por ser a nação franca por excelência. Mas a nação franca no melhor sentido da palavra, quer dizer, generosa, desprendida, larga, cavalheiresca.

Veneza nunca foi tida como nação franca. Era uma nação mercadora.

Na Idade Média se considerava os mercadores com a sobrancelha carregada e cheio de desconfiança.

Veneza justificou muito largamente esta desconfiança!

Era uma cidade brilhante, bonita, meio impudica e pecadora e que tantas vezes traíra e iria trair o Ocidente com os seus contratos com o Oriente.

domingo, 17 de junho de 2012

A devoção medieval a Nossa Senhora e o senso da honra



A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

Eis alguns dos mais inimaginados...

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domingo, 3 de junho de 2012

O grande sorriso medieval: o conto do senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho

Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

domingo, 20 de maio de 2012

A espada: símbolo de heroísmo e pompa

Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa.

Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado "imortal" -- da mais mortal das imortalidades -- não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula. Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

Espada imperial de Baviera, Munich
Espada imperial de Baviera, Munich
Até algum tempo atrás, ao fardão dos diplomatas era também incorporada a espada. Atualmente não sei se ainda a conservam.

Espada de Carlos o Temerário, Schatzkammer, Palácio imperial de Viena
Espada de Carlos o Temerário
Por que razão isso é assim?

Porque a espada ficou ligada a uma série de aspectos poéticos e heróicos, símbolos da cavalaria e da dignidade humana, que não se dissociam dela.

Por isso nela costumam estar presentes não só a beleza da forma, mas também a excelente qualidade do material utilizado em sua confecção, muitas vezes ornamentado com incrustações de metais nobres e pedras preciosas.

E quando seu detentor é possuidor de fé ardente e espírito sacral, não hesita em colocar uma relíquia do Santo de sua maior devoção no punho da mesma.

Na Antiguidade clássica, ainda não se construíra em torno da espada toda a legenda que, sobre ela, formou-se durante a Idade Média.

Esta fase histórica soube ver com profundidade a espada, sublimá-la e transformá-la no mais alto símbolo da dignidade humana.

Espada da coroação dos imperadores do Sacro Império, Palácio imperial de Viena, Hofburg
Espada de coroação, Sacro Império
Um rei para ser coroado usa sempre a espada.

Para tudo de elevado, de pompa que o igualitarismo moderno ainda deixou de elevado, usa-se a espada.

O que é mais bonito dizer: "Eu herdei de meu pai uma espada" ou "eu herdei de meu pai uma geladeira, um Cadillac ou uma indústria"?

Pode ser mais lucrativo herdar do pai uma indústria, porém há mais beleza em dizer:

"Eu herdei de meu pai uma espada que, nos campos de batalha, defendeu a civilização cristã. Ele foi um herói e morreu na guerra.

"A espada que usava como militar, como combatente, ele me legou!"

Uma espada assim deveria ser guardada numa capela. Pois ela transformou-se numa relíquia.




Video: Armadura e espada: testes de eficacia








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domingo, 25 de março de 2012

Por quê o Monte de São Miguel Arcanjo foi consagrado ao Príncipe das Mílicias Celestes


Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

domingo, 18 de março de 2012

Idade Média: modelo para imitar, mas não para copiar servilmente

Coroa da rainha Maria, século XIX

Qual é para nós hoje o remédio, depois de alguns séculos desse processo complicado, de crescimento e degenerescência simultâneos?

Voltar pura e simplesmente à Idade Media?

Seria uma solução tão simplista quanto a do medico que julgasse consistir a cura do adolescente, já feito moço, em voltar aos seus 15 anos. É preciso curar a tuberculose, e não fazer voltar atrás os ponteiros do relógio.

E neste ponto o discurso de Pio XII (aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas, 7 de setembro de 1955) contém um princípio que domina do mais alto todo o assunto.

A doutrina do Evangelho é imutável. Mas, ao ser posta em pratica, ela deve atuar sobre inúmeras circunstâncias concretas das mais variáveis, ordenando-as, corrigindo-as, elevando-as.