domingo, 4 de maio de 2014

O mais admirável em Carlos Magno: sua altíssima sacralidade

Carlos Magno busto relicario.
Fundo: cúpula da catedral de Aachen

Leia o post anterior: A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares

O mais admirável da magnífica obra de Carlos Magno foi a criação de um estado de espírito de altíssima sacralidade.

Esse espírito provinha de uma comunicação da graça que abençoava tudo quanto ele fazia.

Por isso sua imensa obra teve uma clave transcendente que está fora de comparação com outras coisas que ele ou outros fizeram.

Esta clave sobrenatural lhe dava uma visão das coisas temporais com uma altura que nem o gênio dá.

Da altura em que ele concebia o poder e a unção de Deus ele via todos os problemas, mesmo naturais do mundo.

Essa participação de Deus formou propriamente o caráter imperial do governo dele.


É uma vastidão de horizontes fenomenal sobre o universo, sobre a vida humana, sobre a terra, as possibilidades do homem, etc., etc., enquanto reflexos de um Deus transcendente.

Ele é um homem que levou uma vida sacrificada terrível, mas tinha a alegria estável da finalidade obtida.

Ele deixou a matriz do feudalismo, suscitando uma grande admiração por um tipo de alma que todos os homens a partir de então e até a Revolução, não deixaram de tender. Essa admiração foi tão grande que até hoje, exceto historiadores preconceituosos, ninguém fala mal dele.

A Igreja, Corpo Místico de Cristo, foi a fonte do espírito que o grande Carlos difundiu.

O mundo só não ficou muito mais carolíngio ainda porque não foi tão católico quanto devia ser. Porque a Igreja é carolingeogênica por definição.

As gente só compreende toda a dimensão da beleza das virtudes pessoais que Carlos Magno teve ou não teve, imaginando-as em Calos Magno.

Carlos Magno teve um problema de casamentos. Isso para um católico é um problema perturbador?

Se você imagina Carlos Magno, você vê a castidade com uma beleza que não é fácil imaginar de outra maneira. Não me interessa, para efeito do que estou falando, este efeito circunscrito, limitado da realidade histórica.

Carlos Magno probo, cultural, fazendo aquele renascimento da cultura, foi completamente diferente de um príncipe Médicis do tempo da Renascença. Quer dizer, ele é um pano de fundo sobre o qual tudo quanto é bonito fica lindo.

Agora o que que é o unum do pano de fundo de Carlos Magno? É o próprio espírito da Igreja, é a Igreja.

São Gregório VII foi para o Papado o que Carlos Magno foi para a ordem temporal.

Vocês, provavelmente não ouviram um elogio tão insistente de Carlos Magno, mas vocês todos não tomam como novidade o que estou dizendo, porque uma graça flutua em torno de nome dele e todos intuem.

Agora, o que que é isto em Carlos Magno? É uma quintessência do espírito da Igreja dado ao laicato. Carlos Magno é o exemplo por excelência do leigo católico.

Não adianta dizer que Carlos Magno não está canonizado. Eu não discuto nada disto.

Eu digo só, que é notório que existe em torno dele esta graça e que sua figura reluzente é uma das poucas coisas que a Revolução não conseguiu destruir. Ela conseguiu pôr em silêncio, mas não conseguiu destruir.

Este fundo revela um predicado na alma dele de onde tudo isto se irradia e o próprio foco deste unum é a Igreja.

Se não fosse a Igreja Carlos Magno não teria nada disto. E o fogo da Igreja se irradia a partir do clero. Esse ponto é preciso não esquecer.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 22/2/86. Sem revisão do autor)



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