domingo, 29 de outubro de 2017

Abadias: hotéis gratuitos para peregrinos, viajantes e pobres

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Pela regra de São Bento, os frades deviam dar esmolas e hospitalidade ao necessitado, como se este fosse um outro Cristo.

Por isso os mosteiros serviam de hospedagens gratuitas, seguras e honestas para viajantes, peregrinos e pobres.

Não somente os monges recebiam a todos, mas em alguns casos iam à sua procura.

O hospital monástico de Aubrac tocava um sino especial à noite, para orientar os viajantes perdidos no bosque.

A cidade de Copenhague, na Dinamarca, nasceu em torno de um mosteiro estabelecido pelo bispo Absalon, para socorrer os náufragos.


domingo, 22 de outubro de 2017

Os mosteiros medievais resgataram e transmitiram o saber da Antiguidade

Saladino incendeia uma cidade, Chroniques de Guilhaume de Tyr, BNF.
O Islã foi um dos máximos destruidores da cultura antiga.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Se acreditarmos nos manuais, os de ontem e mais ainda nos de hoje, a herança da Grécia e de Roma foi completamente ignorada no nosso mundo ocidental, desde a queda do Império Romano até a Renascença: mil anos de obscurantismo!

“Afirma-se, no mesmo embalo, que os autores de Antiguidade não foram conhecidos senão por intermédio dos Árabes, únicos capazes de explorar e transmitir essa cultura que nossos clérigos menosprezavam.

“Esses livros falam a vontade dos sábios e dos tradutores de Toledo que no tempo dos califas de Córdoba teriam estudado e teriam tornado conhecidos os autores antigos.

“Mas, eles se esquecem de lembrar que essa cidade episcopal, como muitas outras, e numerosos mosteiros, já no tempo dos reis bárbaros, e bem antes da ocupação muçulmana, era um grande centro de vida intelectual totalmente penetrado pela cultura antiga.

domingo, 15 de outubro de 2017

São Tomás: as vias da perfeição e da ordem do universo para provar que Deus existe

S.Tomás de Aquino (entre Platão e Aristóteles)
esmaga Averroes. Benozzo Gozzoli.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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QUARTA VIA: OS DIFERENTES GRAUS DE PERFEIÇÃO

Vemos que todas as coisas possuem qualidades: beleza, cor, doçura, etc. E vemos que é necessário que haja em algum lugar algum ser que possua essas qualidades na perfeição.

Procuramos o quadro perfeito, a rosa perfeita, a bebida perfeita, o amigo perfeito, etc.

Esse ser perfeito é uma necessidade. E o ser supremamente perfeito que tem em si todas as qualidades é Deus.

Explica São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A quarta via considera os graus de perfeição que há nos seres.

“Vemos nos outros seres que uns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres do que outros, e o mesmo acontece com as diferentes qualidades.

“Mas, o mais e menos se atribui às coisas segundo a sua diferente proximidade do máximo, e por isto se diz que uma coisa está tanto mais quente quanto mais se aproxima do calor máximo.

domingo, 8 de outubro de 2017

Invenções e instituições criadas na época medieval

Mestre relogeiro. Jean Suso, "L'horloge de la Sapience", século XV.
BnF, français 455, folio 4
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Se há algo de espantar na Idade Média é a vertiginosa multiplicação de novas instituições e realizações materiais.

Uma das mais incríveis para os antigos foi a criação dos hospitais. Hoje nós achamos que é a coisa mais natural do mundo.

Tão natural que, se não existissem, os homens clamariam em altas vozes pela sua criação.

Mas nada de semelhante existiu na Antiguidade e nem mesmo nas civilizações pagãs mais requintadas.

O doente ficava entregue a si mesmo, a curas caseiras e, para os mais ricos, o recurso a médicos que mais pareciam com aprendizes ou pais de superstição.

Um início de racionalização da medicina aconteceu na Grécia. Mas faltava de todo a caridade cristã, única capaz de levar homens e mulheres a sacrificar suas vidas pelos doentes.

Foi este sacrifício que fizeram as Ordens religiosas masculinas e femininas que assumiram os cuidados dos doentes e o desenvolvimento da medicina.

domingo, 1 de outubro de 2017

Criação das universidades na época medieval

Universidade de Cambridge, Inglaterra
Universidade de Cambridge, Inglaterra
Luis Dufaur
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Muitos ainda repetem o velho “chavão” de que a Idade Média foi uma época de trevas, ignorância, superstição e repressão intelectual.

Mas não é preciso ir muito longe para verificar o contrário.

Basta considerar uma das máximas realizações medievais: as universidades.

Aliás, foi um aporte exclusivo à História. Nem Grécia ou Roma conheceram algo parecido.

A Cátedra de Pedro foi a maior e mais decidida protetora das universidades. O diploma de mestre, outorgado por universidades como as de Bolonha, Oxford e Paris, dava direito a ensinar em todo o mundo.

Gregório IX aprova os Decretais, Rafael, Stanza della Segnatura, Roma
Gregório IX aprova os Decretais, Rafael, Stanza della Segnatura, Roma
A primeira que ganhou este poder foi a de Toulouse, na França, das mãos do Papa Gregório IX, em 1233.

A Igreja protegeu os universitários com os benefícios do clero. Os estudantes da Sorbonne dispunham de um tribunal especial para ouvir suas causas.

Na bula Parens Scientiarum, Gregório IX confirmou à Universidade de Paris o direito a um governo autônomo e a fixar suas próprias regras, cursos e estudos.

Também a emancipou da tutela dos bispos e ratificou o direito à cessatio — a greve das aulas — se os seus membros fossem objeto de abusos, como aluguéis extorsivos, injúrias, mutilação e prisão ilegal.

Os Papas intervinham com força, a fim de que os professores fossem pagos dignamente.

Completados os estudos, o novo mestre era oficialmente investido. Em Paris, isso ocorria na igreja de Santa Genoveva, padroeira da cidade. O novo mestre ajoelhava-se diante do vice-chanceler da Universidade, que pronunciava esta bela fórmula:

"Eu, pela autoridade com que fui revestido pelos Apóstolos Pedro e Paulo, vos concedo a licença de ensinar, comentar, disputar, determinar e exercer outros atos magisteriais seja na Faculdade de Artes de Paris, seja em qualquer outra parte, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem”.