domingo, 23 de agosto de 2026

A mulher na Igreja medieval

Profissão Solene de uma religiosa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Precisamente por causa da valorização prestada pela Igreja à mulher, várias figuras femininas desempenharam notável papel na Igreja medieval.

Certas abadessas, por exemplo, eram autênticos senhores feudais, cujas funções eram respeitadas como as dos outros senhores.

Administravam vastos territórios como aldeias, paróquias; algumas usavam báculo, como o bispo...

Seja mencionada, entre outras, a abadessa Heloisa, do mosteiro do Paráclito, em meados do século XII: recebia o dízimo de uma vinha, tinha direito a foros sobre feno ou trigo, explorava uma granja...

Ela mesma ensinava grego e hebraico às monjas, o que vem mostrar o nível de instrução das religiosas deste tempo, que às vezes rivalizavam com os monges mais letrados.

Pena faltar estudos mais sérios sobre o tema..

.É surpreendente ainda notar que a enciclopédia mais conhecida no século XII se deve a uma mulher, ou seja, à abadessa Herrade de Landsberg.

Santa Hildegarda de Bingen
Tem o título "Hortus Deliciarum" (Jardim das Delícias) e fornece as informações mais seguras sobre as técnicas do seu tempo.

Algo de semelhante se encontra nas obras de Santa Hildegarda de Bingen.

Gertrude de Helfta, no século XIII conta-nos como se sentiu feliz ao passar do estado de "romancista" ao de "teóloga".

Conforme Pedro, o Venerável, ela, em sua juventude, não sendo freira e não querendo entrar num convento, procurava, todavia, estudos muito áridos, ao invés de se contentar com a vida mais frívola de uma jovem.

Ao percorrer o ciclo de estudos preparatórios ela galgara o ciclo superior, como se fazia na Universidade.

Veio da abadia feminina de Gandersheim um manuscrito do século X contendo seis comédias, em prosa rimada, imitação de Terêncio, e que são atribuídas à famosa abadessa Hrotsvitha, da qual, há muito tempo, conhecemos a influência sobre o desenvolvimento literário nos países germânicos.

Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como prova de uma tradição escolar que terá contribuído para o teatro da Idade Média.

(Autor: Régine Pernoud, “Idade Média ‒ o que não nos ensinaram”).



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 9 de agosto de 2026

Crítica “woke” da Idade Média caiu no ridículo

Quando Notre Dame pegou fogo, uma multidão comovida pagou sua restauração
Quando Notre Dame pegou fogo, 
uma multidão comovida pagou sua restauração
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Prof. Paulo Freitas do Amaral apontou que a moda de denegrir a Idade Média ficou ridícula.

Dicionários como o famosíssimo Webster’s, a suprimiram.

Essa velha fake iluminista foi engolida pela moda “woke” que falsifica para condenar, desclassifica com moral perversa e igualitária.

Ela finge não saber, com ignorância culposa ou asnática obsessão, que os monges medievais salvaram os grandes escritos da Antiguidade em abadias como Monte Cassino, Cluny e Cîteaux.

Sem os monges medievais nem o pretencioso humanismo “woke” poderia existir, concluiu.

Os mosteiros medievais salvaram a cultura da Antiguidade
Os mosteiros medievais salvaram a cultura da Antiguidade
A ironia é que muitos dos que hoje denunciam o “obscurantismo cristão” escrevem as suas teses num alfabeto que só sobreviveu graças à Igreja e numa universidade cuja origem está nas escolas catedrais de Paris, Bolonha ou Oxford.

A Idade Média inventou as universidades, o hospital, o relógio mecânico, os óculos, o moinho de vento, o sistema bancário e a própria ideia de ciência experimental.

Roger Bacon, monge franciscano do século XIII, já defendia que o conhecimento devia basear-se na experiência e na observação, séculos antes de Galileu. 

Que trevas são estas, afinal, que brilham com tanto engenho?

Mas o preconceito persiste e infiltra-se até no discurso político.

Em fevereiro de 2023, no Parlamento português, Rui Tavares, historiador e deputado do Livre, ao defender a vacinação, perguntou se queríamos “voltar à Idade das Trevas, onde se permite nada mais do que uma linha ortodoxa feita dogma”. A citação é literal. E ele não está sozinho.

A imagem da “Idade das Trevas” é corrente no discurso político progressista internacional quando se trata de denunciar retrocessos civis: o deputado trabalhista britânico David Lammy chegou a qualificar um ataque racista como algo que “belongs in the dark ages”.

Nos EUA, Kamala Harris e Joe Biden usaram a expressão “not going back to the dark ages” em defesa dos direitos reprodutivos; e até em parlamentos da Commonwealth a fórmula reaparece para condenar propostas vistas como regressivas.

Esses usos políticos do termo reforçam o seu estatuto como arma retórica: conveniente, eficaz, mas historicamente imprecisa.

O wokismo histórico é, pois, um anacronismo travestido de virtude. Julga o século XIII com os critérios do século XXI, ignora as continuidades e transforma mil anos de história num espantalho político.

E, ao fazê-lo, apaga-nos a memória das catedrais, dos mosteiros, dos mestres que ensinaram a pensar e dos inventores que transformaram a Europa rural num laboratório de engenho.

E apaga a revolução espiritual das ordens mendicantes feita no coração da Idade Média por beneditinos, franciscanos e dominicanos, que levaram a cultura até ruas e pobres.

São Francisco de Assis, restituiu o amor pela natureza por meio da Fé em Deus.

Os frades acenderam o cuidado dos pobres, da fraternidade e da humildade.

Se isto foi uma idade de trevas, então como é que o mundo poderia ser mais iluminado?, concluiu no “The Blind Spot”. 



AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS