domingo, 9 de agosto de 2026

Crítica “woke” da Idade Média caiu no ridículo

Quando Notre Dame pegou fogo, uma multidão comovida pagou sua restauração
Quando Notre Dame pegou fogo, 
uma multidão comovida pagou sua restauração
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Prof. Paulo Freitas do Amaral apontou que a moda de denegrir a Idade Média ficou ridícula.

Dicionários como o famosíssimo Webster’s, a suprimiram.

Essa velha fake iluminista foi engolida pela moda “woke” que falsifica para condenar, desclassifica com moral perversa e igualitária.

Ela finge não saber, com ignorância culposa ou asnática obsessão, que os monges medievais salvaram os grandes escritos da Antiguidade em abadias como Monte Cassino, Cluny e Cîteaux.

Sem os monges medievais nem o pretencioso humanismo “woke” poderia existir, concluiu.

Os mosteiros medievais salvaram a cultura da Antiguidade
Os mosteiros medievais salvaram a cultura da Antiguidade
A ironia é que muitos dos que hoje denunciam o “obscurantismo cristão” escrevem as suas teses num alfabeto que só sobreviveu graças à Igreja e numa universidade cuja origem está nas escolas catedrais de Paris, Bolonha ou Oxford.

A Idade Média inventou as universidades, o hospital, o relógio mecânico, os óculos, o moinho de vento, o sistema bancário e a própria ideia de ciência experimental.

Roger Bacon, monge franciscano do século XIII, já defendia que o conhecimento devia basear-se na experiência e na observação, séculos antes de Galileu. 

Que trevas são estas, afinal, que brilham com tanto engenho?

Mas o preconceito persiste e infiltra-se até no discurso político.

Em fevereiro de 2023, no Parlamento português, Rui Tavares, historiador e deputado do Livre, ao defender a vacinação, perguntou se queríamos “voltar à Idade das Trevas, onde se permite nada mais do que uma linha ortodoxa feita dogma”. A citação é literal. E ele não está sozinho.

A imagem da “Idade das Trevas” é corrente no discurso político progressista internacional quando se trata de denunciar retrocessos civis: o deputado trabalhista britânico David Lammy chegou a qualificar um ataque racista como algo que “belongs in the dark ages”.

Nos EUA, Kamala Harris e Joe Biden usaram a expressão “not going back to the dark ages” em defesa dos direitos reprodutivos; e até em parlamentos da Commonwealth a fórmula reaparece para condenar propostas vistas como regressivas.

Esses usos políticos do termo reforçam o seu estatuto como arma retórica: conveniente, eficaz, mas historicamente imprecisa.

O wokismo histórico é, pois, um anacronismo travestido de virtude. Julga o século XIII com os critérios do século XXI, ignora as continuidades e transforma mil anos de história num espantalho político.

E, ao fazê-lo, apaga-nos a memória das catedrais, dos mosteiros, dos mestres que ensinaram a pensar e dos inventores que transformaram a Europa rural num laboratório de engenho.

E apaga a revolução espiritual das ordens mendicantes feita no coração da Idade Média por beneditinos, franciscanos e dominicanos, que levaram a cultura até ruas e pobres.

São Francisco de Assis, restituiu o amor pela natureza por meio da Fé em Deus.

Os frades acenderam o cuidado dos pobres, da fraternidade e da humildade.

Se isto foi uma idade de trevas, então como é que o mundo poderia ser mais iluminado?, concluiu no “The Blind Spot”. 



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