terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Esplendor das Universidades medievais


Não é verdade que a Idade Média tenha sido uma época de estreitamento intelectual, escreveu Jean Guiraud.

O testemunho que ela deixou de si mesma nos dá uma impressão toda contrária.

O século que precedeu a Renascença, o século XIV, foi, no dizer de M. Coville, “uma época de grande atividade intelectual”.

A Universidade de Paris exercia a profissão de fazer falar a “razão no seio da Igreja – Ratio dictans in Ecclesia”. Gerson a chamava “nosso Paraíso terrestre no qual estava a árvore da ciência do bem e do mal”.

Seus ensinamentos tinham gerado centenas de mestres seguidos por milhares de estudantes.

“A Faculdade de Artes nos dá, em 1349, 502 mestres regentes (titulares); em 1403 já havia 790, e esse número é inexato. No sínodo de Paris de 1406, Jean Petit falava de mil mestres e um assistente o interrompeu para retificar, afirmando existirem dois mil”.

Não se saberia determinar o número dos estudantes. Juvenal de Ursins diz seriamente, a propósito de um desfile em 1412:

“O desfile foi feito da Universidade de Paris até Saint-Denis; e quando os primeiros estavam em Saint-Denis, o reitor estava ainda em Saint-Mathurin, rua Saint-Jacques”.

Isto significa um cortejo de estudantes com mais de 12 quilômetros de extensão!

Universidade de Coimbra

E isto não nos deve deixar admirados porque, já no século XIII, estimava-se em 30.000 a população universitária de Paris e em 20.000 a de Bologna.

Tornando-se mais importante pelo seu renome e a multidão de seus mestres, a Universidade de Paris tinha numerosas rivais na França e na Europa inteira.

O mundo cristão apresentava uma população de estudantes tão considerável, que mesmo nossos tempos não podem superá-la em número.

Ora, durante todos os séculos da Idade Média, este povo de estudantes tinha dado provas de uma vida intelectual intensa.

“Em certas ruas, escreve M. Coville, não havia casa sem escola; de todo lado se elevavam as construções imponentes dos colégios; em toda parte ensinava-se, discutia-se.

A vida se passava em longos comentários de autores e em argumentação ou 'disputas', segundo a expressão consagrada.

“Havia as sessões solenes de argumentação na Faculdade de Artes, nos colégios da Navarra e da Sorbonne onde estes exercícios se prolongavam mesmo durante o recreio.

“É ao começo do século XIV que se reporta a instituição da sustentação dita “Sorbonnique” onde o autor devia sustentar uma tese durante doze horas.

“A Universidade nunca havia tido uma atividade intelectual tão intensa”.

Essas controvérsias, tocando as questões as mais graves, eram encorajadas pela própria Igreja.

Capela da Universidade de Coimbra

O Anjo da Escola, São Tomás de Aquino, não havia ensinado que a razão pode render conta da fé e que a teologia é uma ciência?

“Seriam necessários inúmeros volumes – nos diz Victor Le Clerc – para enumerar a multidão dos teólogos que floresceram no século XIV, teólogos esses tão numerosos e tão fecundos que se faziam notar pelo ardor de suas especulações”.

(Fonte: Jean Guiraud - “Histoire Partiale, Histoire Vraie”)

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3 comentários:

disse...

Olá meu amigo Santiago!
Que bom seria se pudessemos viver na idade média novamente, pelo menos nosso povo seria um pouco mais culto e daria mais valor aos estudos.
Fico maravilhada ao vir por aqui, minha alma se enche de cultura e fé...
Recebo seus email sempre e fico muito agradecidade por seu carinho e gentileza.
Beijos em seu coração!
Rosane!

Diácono Valderi disse...

É fato que na Idade Média houve um auvorecer de cultura e ciencia que hoje em dia nao é encontrado em nenhum ponto da historia moderna... fico feliz ao saber de tais divulgacoes de vossa parte sobre estes temas.
Abraços, e sempre persistam neste trabalho.

Drica disse...

É interessante verificar que na idade média o ensino era algo de grande importância, mas infelizmente como nos dias atuais, o ensino completo que dá ao homem o senso crítico e abre as portas da cultura era algo reservado apenas às elites. Pois os universitários eram os filhos dos nobres que vinham de toda europa.
O que me pergunto é até quando permanecerá existindo diferenças na sociedade. E o que nós, estudantes e professores que somos estamos fazendo para mudar isso. O saber é algo reservado de maneira completa, não apenas para alguns, mas sim para a sociedade como um todo. Merecedora que é de crescer e se desenvolver sem pé de desigualdade. Coisa que desde a idade média podemos verificar que que existe.
Abraçosem todos, atenciosamente
Adriana costa

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