domingo, 30 de maio de 2010

Na Idade Média nasceu a ciência logicamente sistematizada

A Geometria, The British Library
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Ainda perduram os ecos do laicismo anticristão visceralmente difamador da Idade Média pelo fato de ter sido uma época modelada pela Igreja Católica.

Professores e enciclopedias objetivas e atualizadas abandonaram essas visões laicista anticristãs e anti-medievais.

Um exemplo é a própria Wikipedia que, no verbete Ciência Medieval, fornece ricas e ponderadas informações sobre a Era Medieval, e que reproduzimos a continuação.

Caos pós-queda de Roma

A Europa Ocidental entrou na Idade Média em grandes dificuldades que minaram a produção intelectual do continente.

Os tempos eram confusos e havia-se perdido o acesso aos tratados científicos da antiguidade clássica (em grego), ficando apenas as compilações resumidas e até deturpadas que os romanos tinham traduzido para o latim.

Entretanto, com o início do chamado Renascimento do Século XII, renovou-se o interesse pela investigação da natureza.

A ciência que se desenvolveu nesse período áureo da filosofia escolástica dava ênfase à lógica e advogava o empirismo, entendendo a natureza como um sistema coerente de leis que poderiam ser explicadas pela razão.

Foi com essa visão que sábios medievais se lançaram em busca de explicações para os fenômenos do universo e conseguiram avanços importantes em áreas como a metodologia científica e a física.

Decadência cultural e científica no Império Romano

Costuma-se dizer que os romanos eram um povo de orientação prática. Apesar de maravilhados com as descobertas do passado grego, não chegaram a formar novas instituições que buscassem especificamente entender o universo ou o mundo natural.

Ruinas do foro romano
Os verdadeiros centros de produção de conhecimento do Império Romano localizavam-se no seu lado oriental, de cultura grega. Eles tinham sido fundados antes do domínio romano e já não mantinham a mesma força criativa de períodos anteriores.

Devido ao fato da classe rica do Império ser bilíngue, em latim e em grego, não se sentia a necessidade de traduzir os tratados científico-filosóficos produzidos pela civilização grega.

Entretanto, era comum encontrar compilações resumidas das principais correntes do pensamento grego na língua latina. Esses resumos eram lidos e discutidos nos espaços públicos da agitada vida social romana.

Durante o processo de desestruturação do Império Romano do Ocidente, o ocidente europeu foi perdendo contato com o oriente e a língua grega acabou por ser esquecida.

Desse modo, a Europa Ocidental perdeu o acesso aos tratados originais dos filósofos clássicos, ficando apenas com as versões truncadas desse conhecimento que haviam sido anteriormente traduzidas.

É como se nos dias de hoje perdêssemos quase todos os trabalhos científicos e sobrasse apenas parte dos textos de revistas destinadas ao consumo popular.

A Igreja salvou do caos o que restava da cultura antiga

Abadia de Lagrasse, França
O Império Romano do Ocidente, embora unido pela língua latina, ainda englobava um grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas de uma maneira incompleta pela cultura romana.

Debilitado pelas migrações e invasões de tribos bárbaras, pela desintegração política de Roma no século V e isolado do resto do mundo pela expansão do Islão no século VII, o Ocidente Europeu chegou a ser pouco mais que uma colcha de retalhos de populações rurais e povos semi-nômades.

A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente.

A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou nesse processo, manteve o que restou de força intelectual, especialmente através da vida monástica.

continúa no próximo post

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domingo, 23 de maio de 2010

A Idade Média achava que a Terra era plana?

Deus Criador, geometra, Codex Vindobonensis 2554
Na revista de número 01 da coleção sobre História da ciência da Scientific American, Rudolf Simek desmonta, com muitos documentos, a idéia que, principalmente muitos ateus têm hoje, de que na Idade Média, com base na Bíblia, se acreditava que a Terra era plana:

“A idéia de que antes da Renascença a Terra era considerada plana, ainda persiste. No entanto, a esfericidade do Planeta já era admitida na época medieval”

“[...] Em 1492, quando Martin Behaim fabricou o primeiro globo terrestre e o chamou de Erdapfel (“maçã terrestre”), ele se remeteu à tradição medieval. [...]

O manual de astronomia mais conhecido nas universidades medievais era o Liber de Sphaera (“Tratado sobre a esfera”), escrito pelo inglês Jean de Sacrobosco, na primeira metade do século XIII.

O autor tratava das bases da geometria e da astronomia, apresentando provas evidentes da esfericidade da Terra e de outros corpos celestes. [...]

Biblia, Toledo
Se a esfericidade da Terra ‒ e todas as suas conseqüências ‒ era uma idéia tão corrente na Idade Média, como foi possível chegar ao mito, que ainda persiste, que pretende que o homem medieval acreditava numa Terra plana? [...]

domingo, 16 de maio de 2010

A Igreja enxotou os costumes depravados e criminosos

Abadia medieval
Os padrões de moralidade foram modelados pela Igreja Católica. A moral entre os pagãos atingiram um fundo de poço.

O grande filósofo grego Platão, por exemplo, ensinava a conduta monstruosa de que um doente, ou um incapacitado de trabalhar, devia ser morto.

Na Roma antiga havia 30% mais de homens do que de mulheres. As meninas e os varões deformados eram simplesmente abandonados.

Os estóicos favoreceram o suicídio para fugir da dor ou de frustrações emocionais.

Os romanos afundaram tanto na sensualidade, que até perderam o culto da deusa Castidade. Ovídio, Catulo, Marcial e Suetônio contam que as práticas sexuais do seu tempo eram perversas e até sádicas.

A Igreja restaurou a dignidade da família. Von Wissenlo, Codex Manesse 299r
Segundo Tácito, no século II uma mulher casta era fenômeno raro. Enfim, reinavam os torpes vícios em que hoje vai recaindo o mundo neopagão que apostatou da Cristandade.

A Igreja restaurou a dignidade do matrimônio e gerou um fato desconhecido pelos pagãos: suscitou mulheres capazes de tocar suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos.

A Igreja definiu e delimitou a guerra justa. Nem Platão nem Aristóteles fizeram qualquer coisa de comparável.

Em sentido contrário, o espírito moderno antimedieval teve um mestre em Nicolò Machiavello.

domingo, 9 de maio de 2010

A Igreja não só contribuiu mas fez a civilização ocidental

O Prof. Thomas Woods conclui: "A Igreja não apenas contribuiu para a civilização ocidental, mas Ela construiu essa civilização" (p. 219).  

"Pensamento econômico, lei internacional, ciência, vida universitária, caridade, idéias religiosas, arte, moralidade — estes são os verdadeiros fundamentos de uma civilização, e no Ocidente cada um deles emergiu do coração da Igreja Católica" (p. 221).


Woods constata que as escolas revolucionárias, que dizem ser a fonte da civilização, na realidade trabalharam pela sua demolição.

Abadia de Dryburgh, Inglaterra
As escolas literárias revolucionárias conceberam enredos bizarros que refletem um universo anárquico e irracional. Na música, o mesmo espírito anticristão criou ritmos caóticos como os de Igor Stravinsky.

Na arquitetura produziu a degeneração, hoje evidente, em edifícios destinados a serem igrejas progressistas. Em filosofia, caiu-se a ponto de o existencialismo propor que o universo é absurdo, que a vida carece de significado e que a única razão de viver é enfrentar o vácuo (p. 222-223).


A Renascença e o Romantismo levaram o homem a voltar-se sobre si próprio. Esta tendência desordenada resultou na preocupação obsessiva consigo mesmo e, por fim, no narcisismo e niilismo da arte moderna.

O artista londrino Tracey Emim, por exemplo, criou a absurda "obra de arte" My Bed: uma cama desfeita e suja, com garrafas de vodka, preservativos usados e roupas ensangüentadas.

Hotel Marqués de Riscal: nihilismo da arte moderna
Numa exposição na Tate Gallery, em 1999, vândalos nus pularam na "obra" e beberam o vodka.

O público aplaudiu. Emim ganhou o posto de professor na European Graduate School.

Estas são amostras do abismo em que caiu este mundo, que negou até a possibilidade de aspirar pela restauração da Cristandade.