domingo, 27 de outubro de 2013

Admiração das catedrais: escola de sabedoria e santidade

Catedral de Salisbury, Inglaterra
Catedral de Salisbury, Inglaterra

Quando nós vemos a Catedral de pedra e o povo que passa, entra e sai, podemos dizer: “Como os homens gostam dela!”

Podemos dizer também: “Deus, no mais alto do Céu, como gosta dela!”

Mais do que isso, Deus no mais alto do Céu gostou, e Nossa Senhora gostou do nosso encanto por aquela Catedral.

Porque mais belo do que a Catedral é o amor que o homem tem à Catedral.

Porque o homem é a obra-prima de Deus nesse universo visível.

E todos os movimentos de alma, para amar aquilo que o Espírito Santo sugeriu para a glória de Deus, são mais belos do que as coisas materiais que o homem faz.

E quando nós sorrimos para a Catedral, Deus e Nossa Senhora sorriem para nós.

E assim é o tesouro de belezas que há no fundo da alma do inocente.

É uma forma de luz.


“Quem não sabe o que procura, não sabe o que encontra”.

Esse ditado, tão verdadeiro, tem a sua limitação.

Às vezes, os grandes encontros de nossa vida são das coisas que nós não sabíamos que procurávamos.

Procurávamos sem saber, porque não há palavras capazes de as exprimir adequadamente.

O melhor de nossa alma está no que nós procuramos sem ter palavras para saber exprimir. E quando encontramos, não temos palavras para suficientemente louvar.

Catedral Santa Cecília, Albi, França
Catedral Santa Cecília, Albi, França
E esse encontro com o que está acima de qualquer louvor comunica uma alegria inexprimível para nossa alma. Aí está o sentido da vida.

Um homem que ao longo de sua vida encontrou o que ele deveria procurar, pode dizer: “Eu vivi!”.

Se ele não encontrou, pode dizer:

“Eu andei pela vida como um cão sem dono. Comi nas latas de lixo, bebi nas sarjetas, descansei na garoa, na lama, na chuva ou no sol, mas eu não vivi.

“Por quê? Porque eu não encontrei a mão amiga que me agradasse, não encontrei o dono bom que me afagasse.

“Eu, cachorro, fui feito para a fidelidade, fui feito para servir, e não encontrei a quem servir. Passei uma vida vazia e morri de qualquer jeito”.

Assim poderia dizer um de nós que não encontrasse aquilo que procurava.

Quando o menino vai se fazendo moço, depois varão, e daí para frente, e essa procura vai sendo satisfeita ao longo de sua vida, ele acaba encontrando a sabedoria.

Da qual nos diz a Escritura que ela é como uma mendiga que bate à porta de todo o mundo, desde a manhã, à espera que abram.

Portanto, à porta de nossas almas, de madrugada, a toda hora, ela espera que acordemos para se oferecer a nós com o seu esplendor de rainha, com as suas carícias de mãe, com as suas iluminações incomparáveis.

E a alma inocente que encontra as belezas que deviam encontrar e amar perfaz o caminho da sabedoria e começa a atingir a santidade.

Quando ela encontra e se maravilha com a beleza de uma catedral, de um castelo, de uma alma, ou o que for, já acha a raiz da santidade.

Catedral de Santo Estevão, Viena
Catedral de Santo Estevão, Viena
O homem que encontra assim a sabedoria e se deixa guiar por ela, diz diante da Santa Igreja Católica Apostólica Romana:

“É preciso parar. Aqui há um mistério. Daqui sai tudo! Esta é a maravilha das maravilhas! Aqui eu me dou, e já de uma vez!

“Mas, dentro dessa maravilha, quanta maravilha para ver! Quanta coisa na Igreja!

“Depois a gente vai vendo, quanta coisa na Civilização Cristã que a Igreja inspirou, quanta coisa no passado católico! Olhe isto, olhe aquilo, olhe aquilo outro!”.

É assim que cada um de nós vai fazendo uma espécie de museu interior com todas essas impressões.

Esse “museu” é mais belo do que qualquer sala adornada. Nele nós recolhemos as lembranças das coisas que nos tocaram a alma, das coisas diante das quais ficamos como que sem respiração e sem saber o que dizer.

A lembrança desses momentos em que nós ficamos num tal ponto de entusiasmo, de satisfação e de equilíbrio que nós não sabemos nem sequer o que dizer.

E depois olhamos para os outros, e perguntamos: “Será que eles também não veem?”

Vem a indagação: “Não. Eu vi sozinho, mas vi. E para mim, eu prefiro ficar com aquilo que eu vi só, e ficar só sem os outros, do que ir atrás dos outros e perder aquilo que eu vi.”

E então, ao longo dos tempos, a gente coleciona coisas que viu, impressões que teve, raciocínios que fez, deliberações que tomou, gestos que presenciou, de bem, de verdadeiro, de bom e de belo.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência proferida em 13/10/79. Sem revisão do autor).



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