domingo, 2 de fevereiro de 2020

São Tomás: a terceira via para demonstrar que Deus existe

No Juízo Final, rosácea do Apocalipse, Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






TERCEIRA VIA: A CONTINGÊNCIA DOS SERES

Os seres que vemos são limitados ‒ contingentes ‒ inclusive no tempo e acabam morrendo e se desfazendo.

Portanto todos os seres que vemos não existem desde sempre e um dia vão deixar de existir.

E portanto houve um momento em que nada existiu.

Se nada existiu, alguém criou.

Esse alguém deve estar desprovido de toda contingência, vive desde sempre e nunca morrerá: é eterno.

Esse ser necessário para que qualquer coisa exista, causa de todos os seres contingentes, é Deus.

Assim ensina São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A terceira via considera o ser possível ou contingente e o necessário, e pode formular-se assim:

“Encontramos na natureza coisas que podem existir ou não existir, pois vemos seres que se engendram ou produzem e seres que morrem ou se destroem, e, portanto, têm possibilidade de existir ou de não existir.

Santíssima Trindade, col. De Ricci
“Ora bem: é impossível que os seres de tal condição tenham existido sempre, já que o que tem possibilidade de não ser houve um tempo em que de fato não existiu.

“Logo, se todas as coisas existentes tiveram a possibilidade de não ser, houve um tempo em que de fato nenhuma existiu.

“Mas, se isto fosse verdade, agora também não existiria coisa nenhuma, porque o que não existe não começa a existir a não ser em virtude do que já existe, e, portanto, se nada existia, foi impossível que começasse a existir alguma coisa, e, consequentemente, não existiria nada agora, coisa evidentemente falsa.

“Por conseguinte, nem todos os seres são meramente possíveis ou contingentes, mas forçosamente há de haver entre os seres algum que seja necessário.

“Mas de duas uma: este ser necessário ou tem a razão da sua necessidade em si mesmo ou não a tem.

“Se a sua necessidade depende de outro, como não é possível admitir uma série indefinida de coisas necessárias cuja necessidade depende de outras ‒ segundo vimos ao tratar das causas eficientes ‒ é forçoso chegar a um Ser que exista necessariamente por si mesmo, ou seja, que não tenha fora de si a causa de sua existência necessária, mas que seja causa da necessidade dos demais.

“E a este Ser absolutamente necessário chamamos Deus.”

Que o ser necessário se identifica com Deus é coisa clara e evidente, tendo em conta algumas das características que a simples razão natural pode descobrir com toda a certeza nele.




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