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| A Temple Church foi o primeiro banco de Londres |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
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Na Fleet Street, uma das mais movimentadas do centro de Londres, um pátio tranquilo leva a uma capela circular, e a uma estátua de dois cavaleiros em cima de um único cavalo.
É a Temple Church (Igreja do Templo), a “casa londrina dos cavaleiros do Templo” construída pela Ordem dos Templários em 1185. O nome provinha do fato de sua sede principal estar construída na esplanada do antigo Templo de Salomão, em Jerusalém.
A Temple Church foi o primeiro banco de Londres, explica Tim Harford redator de economia no “Financial Times” e animador do programa “as 50 coisas que fizeram a Economia Moderna” na BBC.
Os cavaleiros templários eram monges guerreiros, inspirados pela missão de ser um exército armado dedicado à “guerra santa” contra o Islã que invadira a Terra Santa.
Eles se dedicavam inteiramente à defesa de peregrinos cristãos a caminho de Jerusalém reconquistada na primeira Cruzada em 1099.
Desde aquela data ondas de peregrinos viajaram milhares de quilômetros pela Europa e pelo Meio Oriente para venerar os locais sagrados onde pregou, padeceu e morreu Nosso Senhor Jesus Cristo para nossa Redenção.
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| A Temple Church foi o primeiro banco de Londres |
Obviamente, esses peregrinos precisavam carregar consigo grandes somas de dinheiro para meses de comida, transporte e acomodação, fato que os tornava alvo de assaltantes das estradas.
Acrescia que naqueles tempos não havia policiamento e perseguir os criminosos era tarefa dos senhores feudais locais.
Mas esses também estavam sobrecarregados de funções de governo e administração.
Os Templários deram a solução. O peregrino podia deixar seu dinheiro na Temple Church em Londres, ou em qualquer outra casa templária no caminho.
Ele recebia uma carta encriptada que ele podia exibir nessas casas e retirar a quantia que precisava carregando assim o dinheiro necessário para a etapa, como se fosse um cartão de crédito.
Os Cavaleiros do Templo eram por excelência as pessoas de confiança para lhe entregar as moedas de outro e prata, instrumento que se usava na época.
Eles não cobravam nenhum juro ou serviço e ainda por cima ofereciam proteção armada contra bandidos e pagãos, hospital, hospedagem e comida gratuita ao longo de milhares de quilômetros.
Também eram famosos pelo seu heroísmo. Em quem confiar mais?
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| Templários: Em quem confiar mais? |
Na dinastia Tang na China ouve o “feiquan” - “dinheiro voador”, operado pelo governo.
Mas o sistema dos Templários funcionava como um banco privado – obedecendo aos Mandamentos sob severa regra e autoridade do Papa – ligado a reis e príncipes na Europa toda e gerenciado por monges com voto de pobreza.
Em seu livro
Money Changes Everything (
“Dinheiro muda tudo”, em tradução livre), William Goetzmann diz que eles ofereciam uma série de serviços financeiros reconhecidamente avançados para a época.
O rei Henrique III da Inglaterra comprou a ilha de Oleron, a noroeste de Bordeaux, na costa oeste da França com o auxílio dos Templários.
O rei pagou 200 libras por ano por cinco anos para os Templários em Londres, e quando seus homens tomaram posse da ilha, os Templários zelaram para que o vendedor tivesse recebido todo o dinheiro.
Desde os anos 1200, as Joias da Coroa foram instaladas no Templo – e ali seguem bem resguardadas até hoje, ainda quando os templários não existem mais.
O Templo conservava valores de terceiros pela segurança que inspirava e como garantia de empréstimos, agindo a casa dos Templários como uma casa de penhor em quem todos confiavam.
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| Sede dos templários em Paris |
Os Templários passaram a constituir a maior potência econômica da Europa, sem as mazelas a que estamos acostumados no III milênio.
Só em Paris o bairro que era sua sede ocupava uma quarta parte da cidade.
Isso suscitou uma inveja indissimulável. Os príncipes e Papas penetrados do espírito renascentista que começava a se infiltrar cobiçavam essa influência moral que resultava na administração de enormes riquezas.
Riquezas aliás que não iam para proveito da Ordem, mas para financiar as Cruzadas, hospitais, hospedagens e auxílios de toda espécie para os romeiros.
As necessidades se tornaram mais prementes e depois que Jerusalém caiu na posse dos infiéis em 1244
O rei Felipe o Belo todo penetrado do novo espírito revolucionário materialista, ávido de gozar descontroladamente os prazeres da vida, confabulou com o Papa Clemente V, a extinção da Ordem em 1312 levantando contra ela falsas e monstruosas acusações.
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Monges guerreiros fundaram um sistema bancário sem mazelas e foram invejados
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Os bens da Ordem foram confiscados para lucro do rei e cúmplices, o Grão Mestre foi queimado vivo, os cavaleiros foram supliciados, salvo os que conseguiram fugir para Portugal e Rússia.
Muitos anos depois uma bula vaticana reconheceu que as acusações tinham sido falsas, mas já não ficava nada da Ordem.
A finalidade da proibição foi se apropriar do dinheiro que aliás não era dos Templários, mas dos romeiros.
Ali começou a desgraça para o povo. A
BBC exemplifica com a grande feira de Lyon em 1555, maior mercado para comércio internacional de toda a Europa, citando o jornalista
Tim Harford que escreve sobre economia no Financial Times.
Nela foi pego um comerciante italiano que fazia fortunas no local sem comprar nem vender nada. Tudo com uma mesa e um tinteiro, onde recebia comerciantes e assinava pedaços de papel e ficava rico.
Os comerciantes honestos de mentalidade medieval olhavam para ele com suspeita.
Mas para a nova elite internacional das grandes casas de comercio da Europa todas penetradas de espírito cínico renascentista, suas atividades eram perfeitamente legítimas.
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Detalhe do sarcófago dos templários em Santa Maria la Blanca (Villalcázar de Sirga, Espanha). Pobreza até na morte |
O que comercializava esse desconhecido personagem? Comprava e vendia dívidas gerando um considerável valor econômico.
Um comerciante de Lyon que queria lã de Florença, podia ir a esse banqueiro e pedir um empréstimo chamado de “conta de troca”, ou um documento de crédito, que não especificava a moeda de transação.
O valor era expressado em “ecu de marc”, uma moeda privada usada por uma rede internacional de banqueiros.
A “conta de troca” do banqueiro de Lyon seria aceita pelos banqueiros de Florença, que trocariam pela moeda local e assim pela Europa toda.
Os agentes dessa rede de banqueiros se encontravam em grandes feiras como a de Lyon, conferiam suas anotações e acertavam as contas entre si.
Assim chegamos a nosso sistema financeiro atual, mais desenvolvido é claro.
Mas essa rede de serviços bancários, já desde aquela época tinha – e sempre teve – lados obscuros, diz o jornalista
Tim Harford que escreve sobre economia no Financial Times.
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Dar tudo pela Terra onde Jesus viveu: um outro conceito da finalidade do dinheiro.Temple Church
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Transformando obrigações pessoais em dívidas negociáveis internacionalmente, esses banqueiros renascentistas criaram seu próprio dinheiro privado, fora do controle dos governantes.
Ficaram tão ricos e poderosos, que eles não precisavam mais se submeter às moedas soberanas de seus países. Os reis acabaram se endividando com eles.
De certa forma isso ainda é feito hoje em dia. Os bancos internacionais estão fechados em uma rede de obrigações mútuas difícil de entender ou controlar.
Eles podem usar seu alcance internacional para tentar contornar impostos e regulamentações até o ponto que quando bancos estão fragilizados ou com problemas, o sistema monetário do mundo todo também fica vulnerável.
Nós ainda estamos tentando entender o que fazer com esses bancos. Nós não podemos viver sem eles, ao que parece, mas também não temos certeza de que queremos viver com eles, escreve
Tim Harford.
A paz e estabilidade econômica e financeira dos pobres monges templários desapareceu quando eles foram iniquamente fechados.






