domingo, 20 de junho de 2021

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim
Luis Dufaur
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No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

Esta antiquíssima devoção foi largamente difundida por São João Bosco porque resplandeceu numa hora em que os islâmicos ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa, como também fazem hoje.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs.
Seu insolente intuito era sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes.

Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convidou os príncipes a unirem suas forças


São Pio V era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sobre a Europa. Em dezembro de 1566, o Papa convidou as nações católicas a se unirem numa liga em defesa da Cristandade.

Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto contra os islamitas, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto
contra os islamitas, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Em meados de maio de 1571, emergiu a boa nova: estava concluída a Santa Liga.

A aliança ajustada entre o Papa, o Rei da Espanha e a República de Veneza devia ser estável, ter caráter ofensivo e defensivo e dirigir-se não somente contra o sultão, mas também contra seus Estados tributários.

O Sumo Pontífice publicou um Jubileu geral, para atrair as bênçãos do Deus das batalhas sobre o exército cristão.

Tomou parte nas procissões rogatórias, que se realizaram ainda no mês de maio em Roma, e mandou cunhar uma medalha comemorativa.

Em 7 de outubro, na baía de Lepanto as esquadras se aproximaram. 

O vento mudara inesperadamente.

Os estandartes do Crucificado e da Virgem de Guadalupe investem contra as bandeiras vermelhas do Islã, marcadas com a meia-lua, estrelas e o nome de Alá.

Foi a maior batalha naval que a História jamais registrara.

Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçador


Soube-se depois que, no fragor da batalha, os soldados de Islã tinham avistado acima dos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.

Bem longe dali, no mesmo dia 7 de outubro o Papa aguardava ansioso notícias da esquadra católica. 

De repente, abriu uma janela e entrou em êxtase.

Logo depois voltou-se e disse: “Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer”. E dirigiu-se à sua capela.

As notícias do desfecho da batalha chegaram a Roma duas semanas depois.

A vitória foi por todos atribuída à intervenção da Virgem.

O Santo Padre acrescentou à Ladainha Lauretana uma invocação que nascera pela “vox populi”, no momento da grande proeza: “Auxílio dos Cristãos”.

Na Espanha e na Itália começaram a surgir igrejas e capelas com a invocação de Nossa Senhora da Vitória.

O senado veneziano pôs debaixo do quadro que representava a batalha a seguinte frase: 

“Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória” — “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”.

Gênova e outras cidades mandaram pintar em suas portas a efígie da Virgem do Rosário, e algumas puseram em seu escudo a imagem de Maria Santíssima calcando aos pés o Crescente.




AS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 13 de junho de 2021

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”


“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford:

 “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

domingo, 6 de junho de 2021

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
Luis Dufaur
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O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.

domingo, 30 de maio de 2021

O Papa Gregório IX e o estabelecimento da Inquisição

Gregório IX aprova os Decretais. Rafael, Stanza della Segnatura, Vaticano.
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Como evitar o envenenamento espiritual de toda a sociedade sem consentir em injustiças contra os inocentes ou contra os próprios hereges?

Como conduzir a nau em rumo seguro, entre a indiferença desesperadora de muitos Bispos ou sua susceptibilidade à política local, e de outro lado a impetuosidade das massas populares ou dos agentes imperiais?

O grande Papa (Gregório IX) certamente considerou profundamente este problema. Como Pai da Cristandade, não desejava a morte, mas a correção de seus filhos transviados.

Gregório teve entre suas preocupações uma feliz inspiração: por que não se servir das novas ordens mendicantes?

domingo, 23 de maio de 2021

Os “Ditames do Papa” e o maior Papa da Idade Média:
São Gregório VII

São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro  a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.  Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.
São Gregório VII, restaurou e elevou a um píncaro
a respeitabilidade do Papado abalada por pontífices venais.
Busto de ouro e prata na catedral de Salerno, Itália.
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No ano do Senhor de 1075 foram incluídos nos registros pontifícios, os famosos Dictatus Papae, ou Ditames do Papa. I. é, regras, avisos, ordens ou doutrinas do Papa, redigidos em forma concisa e penetrante.

Os Ditames versam sobre as relações entre a Igreja (especificamente do Papado) com o Império, e a ordem temporal em geral.

No ano da inscrição, o Papa felizmente reinante São Gregório VII livrava tremenda batalha contra as indevidas pretensões do Imperador Henrique IV.

Nessa famosa querela ‒ também conhecida como “querela das investiduras” ‒ Henrique IV teve que pedir perdão a São Gregório VII, quem o tinha excomungado.

O grande Papa estava no castelo de Canossa, na Toscana. Henrique IV passou três dias do lado de fora, na neve, vestido de penitente até receber o perdão. De ali vem a expressão “ir a Canossa”.

Como São Gregório VII temia, o arrependimento de Henrique IV não era sincero. Voltou à Alemanha, montou um exército e assaltou Roma.

São Gregório VII foi assim obrigado a se refugiar no sul da Itália, morrendo em Gaeta, não muito depois.

domingo, 16 de maio de 2021

A concepção medieval da arte,
o símbolo e as "Bíblias dos pobres"

Luis Dufaur
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A Idade Média concebeu a arte como um ensinamento.

Tudo o que era necessário ao homem conhecer — a História do mundo desde a Criação, os dogmas da Religião, os exemplos dos santos, a hierarquia das virtudes, a variedade das ciências, das artes e das profissões — lhe estava ensinado pelos vitrais da igreja ou pelas estátuas dos pórticos.

A catedral mereceu ser conhecida por este nome tocante: “A Bíblia dos pobres”.

Os simples, os ignorantes, todos aqueles que constituíam “o povo santo de Deus”, aprendiam pelos olhos quase tudo que sabiam de sua Fé.

domingo, 9 de maio de 2021

O equilíbrio: ponto de partida da alegria e da calma da Idade da Luz

Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
Muralhas da cidade de Ávila, Espanha
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Nas muralhas dos castelos, ou das catedrais, ou das cidades da Idade Média, algo fala de batalhas e lutas.

Mas, ao mesmo tempo, algo fala de equilíbrio, de harmonia e, portanto, de contentamento de alma.

As famosas muralhas de Ávila foram construídas para repelir as invasões mouras. Aquelas muralhas retas, com aquelas torres, falam de dias de tragédia.

Algum daqueles locais no alto a muralha pode ter sido o primeiro lugar de onde viram, na poeira da distância, a cavalaria de um exército árabe que chegava. Era a desventura de uma luta, de um assédio contra a cidade com os perigos que trazia consigo.

Podiam perder a cidade e serem reduzidos a escravos.

Podiam ser levados escravos, por exemplo, esposo e esposa.

domingo, 2 de maio de 2021

São Tomás de Aquino:o Islã seduz homens animalizados, ignorantes e violentos

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristóteles,
esmaga Averroes, 'sábio' maometano
Luis Dufaur
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O que achar do islamismo e de seus prosélitos? 

Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:

“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islã):

domingo, 25 de abril de 2021

Esplendor do gótico e glória da Idade Média

Catedral de Burgos, Espanha
Catedral de Burgos, Espanha
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Gótico! Quanta glória encerra esta expressão!

Quando a Renascença exumou a cultura clássica e rejeitou a civilização medieval, “gótico significava “bárbaro”, grotesco, próprio aos Godos.

Hoje, com o correr dos séculos, a pátina do tempo transformou “gótico” em sinônimo de “glória”.

Glória pelo esplendor da arte que elaborou o arco ogival e rasgou os céus com as torres de catedrais como as de Paris, Chartres e Colônia.

Glória pela civilização que extinguiu a escravidão, converteu os bárbaros, inventou as universidades e construiu os primeiros hospitais.

domingo, 18 de abril de 2021

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França
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A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

domingo, 11 de abril de 2021

Dez datas chaves da História da Igreja e da civilização

"Dez datas que todo católico deveria conhecer"
"Dez datas que todo católico deveria conhecer"
Luis Dufaur
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A jornalista Julia Duin publicou uma resenha sobre as datas essenciais da história da civilização ocidental selecionadas por Diane Moczar, especialista em história medieval do Northern Virginia Community College (EUA).

A lista está exposta no livro "Ten Dates Every Catholic should know" da professora Moczar.

Ela deplora que os católicos estejam esquecidos de sua história e da importância do catolicismo na História Universal.

“A história católica é a história da civilização ocidental”, diz Moczar .
“Os católicos não apreciam a herança de sua fé e não tem noção do que está sendo perdido. Ainda mais, sabem pouco das heresias e do Islã”.


Por isso ela propõe as “Dez datas que todo católico deve conhecer”. Eis elas:

domingo, 4 de abril de 2021

Espada de São Fernando irrita esquerdas em Sevilha

Pendão de Sevilha
Pendão de Sevilha
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Os cavaleiros medievais “batizavam” suas espadas com nomes e até lhes reconheciam feitos prodigiosos que Deus operava por meio delas.

Durante séculos esta crença foi partilhada por nações inteiras e algumas dessas espadas sobreviveram às vicissitudes da história e são exibidas em museus como relíquias.

Figuram como motivo de orgulho em brasões e símbolos heráldicos de famílias, cidades e países.

A disputa pela inclusão da espada do rei São Fernando III de Castela no brasão da cidade de Sevilha suscitou uma aparatosa polêmica na Assembleia Municipal informou o jornal espanhol “ABC”.

Por fim, até o esquerdista PSOE votou em seu favor ao lado dos partidos conservadores PP e Ciudadanos, mas enfrentando uma enraivecida oposição das agrupações de esquerda e extrema-esquerda.

domingo, 28 de março de 2021

Os Papas percebem a necessidade da Cruzada,
mas os príncipes não ouvem bem

Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
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continuação do post anterior: Cristãos resistem assalto maometano em Ramla


Em 1075, o grande papa Gregório VII já pressionava avidamente os príncipes cristãos à guerra santa, prevista por Carlos Magno, implorada por Silvestre II.

Ele impôs, neste mesmo ano, a peregrinação de Jerusalém ao abominável Cencius, que tinha odiosamente atentado contra sua liberdade e sua vida.

50 mil cristãos se levantaram, contudo, faltavam-lhes chefes, pois os príncipes cristãos se mantinham surdos.

Em 1085, Roberto, o Frísio, tendo se associado ao governo dos Estados de Flandres, seu filho primogênito, Roberto II, partiu para a santa viagem, mais ou menos ao mesmo tempo em que Berenguer II, conde de Barcelona; Fréderic, conde de Verdun, e Conrado, conde de Luxemburgo, a quem a santa peregrinação estava prescrita em expiação, assim como havia sido para Roberto da Normandia, a Foulques d'Anjou, a Frotmond e a outros personagens culpados por assassinatos ou rebelião. 

Sobre Foulques de Anjou e sua vida veja: MONTREUIL BELLAY: EQUILIBRIO DE BELICOSIDADE BELEZA E PENITENCIA
Depois de longas vicissitudes, Roberto, o Frísio, e seus companheiros puderam, pela força do dinheiro, adorar seu Deus sobre o Calvário.

domingo, 21 de março de 2021

Cristãos resistem assalto maometano em Ramla


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continuação do post anterior: Muçulmanos iniciaram violências e morticínios
contra os peregrinos



Dez anos depois (no ano 1064), 7 mil cristãos franceses e alemães partiram juntos para Jerusalém.

Guilherme, bispo de Utrecht; Sigefroi, bispo de Mayence; Gunther, bispo de Bamberg; Otton, bispo de Ratisbona e muitos outros senhores das duas nações fizeram parte desta tropa. J. Voigt citou um episódio curioso desta grande peregrinação [Histoire du pape Grégoire VII e de son siècle, c.III e VIII]:

“Esses peregrinos, diz ele, tiveram a imprudência de revelar suas riquezas no caminho.

“Por toda parte, nos campos e nas cidades que eles atravessavam, corriam-se para admirar seus esplendores.

domingo, 14 de março de 2021

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios
contra os peregrinos

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continuação do post anterior: A cidade santa profanada inspira a Cruzada



De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

domingo, 7 de março de 2021

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
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continuação do post anterior: Os cruzados e a cidade santa de Jerusalém



Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos. 

Haroun, antipático aos heróis do Ocidente, como dizem os historiadores, pois ele admirava somente a si mesmo, contudo, temendo os exércitos do grande chefe dos francos, cujo renome já havia chegado até ele, lhe enviou, com pompa, entre presentes raros, as chaves do santo Sepulcro e da cidade de Jerusalém, prometendo-lhe solenemente guardar sob sua proteção todos os peregrinos da Palestina..

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Os cruzados e a cidade santa de Jerusalém

Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Luis Dufaur
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Ó Jerusalém! o amor de minha alma, a alma de meus pensamentos e de meus desejos, os desejos de meu coração, o coração de minhas afeições e as afeições de minha vida, ai de mim! sois vós que eu procuro.
P. Boucher, peregrino nos lugares santos.

Jerusalém, a mais célebre e sem dúvida a mais misteriosa das cidades que brilharam sobre a terra, era, para os hebreus, o que Roma é para nós: o centro augusto de sua nacionalidade religiosa e o ponto rumo ao qual se voltavam seus corações para orar.

Todo filho de Israel deveria viajar para a cidade santa, e todos aqueles que podiam, iam lá celebrar todos os anos a festa da Páscoa. Eis aí, portanto, a mais ilustre e mais antiga peregrinação.

É neste local que nos dias de Abraão, o rei de Salém, no país dos Jebuseus, Melquisedeque, anunciava o mais adorável de nossos mistérios, oferecendo a Deus, por sacrifício, o pão e o vinho. É ali que o Senhor escolheria mais tarde seu santuário.

Ali todos os profetas anunciaram os acontecimentos futuros escritos nos santos Evangelhos.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
com Cristo Rei no centro.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo


A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo

Coroação de Nossa Senhora, fachada da catedral de Reims.
Os anjos fazem de assistentes da cerimônia.
Luis Dufaur
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Primeiramente, a Idade Média tinha paixão pela ordem. Os medievais organizaram a arte como tinham organizado o dogma, o aprendizado temporal e a sociedade.

A representação artística de temas sagrados era uma ciência regida por leis fixas, que não podia ser quebrada pelos ditames da imaginação individual.

A arte da Idade Média é uma escritura sagrada, cujos caracteres todo artista deve aprender.

Ele deve saber que a auréola circular colocada por trás da cabeça serve para expressar a santidade, enquanto a aureola com uma cruz é o sinal da divindade e sempre usada para pintar qualquer uma das três Pessoas da Santíssima Trindade.

A segunda característica da iconografia medieval é a obediência às regras de uma espécie de matemática sagrada. Posição, agrupamento, simetria e número são de extraordinária importância.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Admiração das catedrais: escola de sabedoria e santidade

Catedral de Salisbury, Inglaterra
Catedral de Salisbury, Inglaterra
Luis Dufaur
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Quando nós vemos a Catedral de pedra e o povo que passa, entra e sai, podemos dizer: “Como os homens gostam dela!”

Podemos dizer também: “Deus, no mais alto do Céu, como gosta dela!”

Mais do que isso, Deus no mais alto do Céu gostou, e Nossa Senhora gostou do nosso encanto por aquela Catedral.

Porque mais belo do que a Catedral é o amor que o homem tem à Catedral.

Porque o homem é a obra-prima de Deus nesse universo visível.

E todos os movimentos de alma, para amar aquilo que o Espírito Santo sugeriu para a glória de Deus, são mais belos do que as coisas materiais que o homem faz.

E quando nós sorrimos para a Catedral, Deus e Nossa Senhora sorriem para nós.

E assim é o tesouro de belezas que há no fundo da alma do inocente.

É uma forma de luz.

domingo, 31 de janeiro de 2021

A galáxia das catedrais que poderiam ter existido
– uma pálida amostra da beleza de Deus

Catedral de York, Inglaterra
Catedral de York, Inglaterra
Luis Dufaur
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Contemplando maravilhada e desinteressadamente uma catedral gótica, do fundo de nossas almas sobe uma coisa que é luz, superluz.

Mas, ao mesmo tempo, é penumbra ou obscuridade sem ser treva.

É a ideia de todas as catedrais góticas do mundo – as que foram construídas e as que não foram – dando uma ideia de conjunto de Deus que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que esse cojunto.

Essa contemplação nos leva para o espírito que inspirou todas essas catedrais.

E aí, realmente, nós vivemos mais no Céu do que na Terra.

Aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro – tão interno em mim, que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele –, esse desejo se realiza.

A alma diz: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

Por que o Céu?

domingo, 24 de janeiro de 2021

A união europeia da Cristandade medieval e a desunião caótica da União Europeia atual

Luis Dufaur
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A agricultura teve enormes desenvolvimentos na Idade Média.

No paganismo ela era tida como uma profissão vil e, por isso mesmo, tarefa de escravos maltratados, usando instrumentos pífios e produzindo pouco.

Porém, nas abadias medievais tudo mudou. 

Os monges desenvolveram prodigiosamente os instrumentos agrícolas, criaram modos de recuperar as terras, mesmo as menos aproveitáveis, descobriram o modo de adubar e de fertilizar, combater os insetos, selecionar as espécies, preservar os insetos e animais úteis, criar gado de modo intensivo, fazer hortas nos espaços confinados das abadias; estudaram vegetais e animais para extrair deles os mais variados produtos, alimentícios ou medicinais, secaram pântanos, canalizaram rios, racionalizaram o aproveitamento das florestas, importaram e exportaram de ou para outras abadias próximas ou longínquas novas variedade vegetais ou animais; aplicaram novas técnicas colheita, transporte e estocagem de grãos e carnes, criaram toda espécie de queijos, vinhos, cervejas, champagnes, frios e doces, e ainda e alista é limitada!

domingo, 17 de janeiro de 2021

Cristandade medieval: primavera da humanidade cristã

Detalhe da Igreja Militante. Andrea da Firenze (1366-7). Santa Maria Novella, Florença
Detalhe da Igreja Militante. Andrea da Firenze (1366-7).
Santa Maria Novella, Florença
Luis Dufaur
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A concepção do mundo que prevaleceu com bom sucesso foi a noção de Cristandade.

Formou-se lentamente, à custa de sangue e lágrimas, e foi-se também perdendo aos poucos.

Por trezentos anos impôs a sua lei, e, evidentemente não por acaso, foi esse talvez o período mais rico, mais fecundo e, sob muitos aspectos, mais harmonioso de todos os que a Europa conheceu até os nossos dias.

Saindo das trevas invernais da época bárbara, a humanidade cristã viveu a sua primavera.

O que inicialmente impressiona a quem analisa o conjunto destes trezentos anos é a sua riqueza de homens e de acontecimentos.

À semelhança da seiva que jorra por todos os lados na primavera, tudo parece agora germinar e desabrochar numa abundância de folhagem sobre o solo batizado por Cristo.

Em todos os âmbitos se manifesta o fervor criativo, a exigência profunda de empreender, de encaminhar a caravana humana para o futuro.

Os mais minuciosos quadros cronológicos não seriam suficientes para captar este impulso. 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Santo Edmundo: dedicação e sacrifício na realeza

Santo Edmundo rei mártir, Wilton Diptych, National Gallery, Londres
Santo Edmundo rei mártir,
Wilton Diptych, National Gallery, Londres
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No livro “Os Santos Militares”, do General Silveira Mello (Dep. Imp. Nacional, 1953, 456pp.) encontramos uma síntese biográfica digna de destaque:

“Edmundo era filho de Opa, rei da Estânglia. É um dos pequenos reinos que compunha a Inglaterra primitiva - e nasceu por volta de 840 quando o cristianismo já estava disseminado nos estados ingleses.

“O rei, seu pai, homem de grande piedade, quando viu o filho com 15 anos, abdicou em seu favor e retirou-se para Roma a fim de consagrar seus últimos dias ao recolhimento e à oração.”

“Edmundo, que fora muito bem-educado na Religião Católica, tornou-se modelo de cristão para seu povo. Justo e bom, era homem de invulgar energia.

“Percebeu cedo o perigo que representava os escandinavos para seu país e preparou-se militarmente, assim como dispôs seu povo, para uma possível guerra.”


Naquele tempo, os escandinavos eram o grande perigo dos povos civilizados. Hoje tão pacíficos, foram no passado os tiranos dos mares.

Eles ocupavam a Escandinávia e iam descendo pela Europa e representavam a última leva das invasões bárbaras.

Alguns usavam o título de reis do mar, porque viviam em barcos fazendo pirataria de um lado e de outro, nuns barcos com umas proas lindas, de uma audácia e de uma arrogância de que a Suécia e Dinamarca perderam completamente o segredo.

Com a queda das proas, caiu tudo. Falam de “figuras de proa”; a gente poderia dizer que cada povo tem a proa que merece. E quando um povo já não tem mais coragem de ter proa é porque já não vale mais nada.